Tracy Holoway-assassinatos e Desventuras
10 Capítulo 9
*Gerald*
Depois do pequeno ‘acidente’ fomos embora. Estávamos quase chegando em casa, quando eu, sem aviso, falei:
-Pare, Tracy!
-Por que razão eu deveria parar?
-Porque, porque... Porque a Emily não está em casa. – Como eu sabia disso com tanta certeza?
-Como você sabe?
Antes que eu pudesse responder, veio uma imagem à minha mente. Fechei meus olhos para poder vê-la melhor. Era Emily, com os cabelos negros iguais aos da mãe, em um lugar aberto, não era um jardim. O que era? A imagem estava muito embaçada. Acho que era uma espécie de rua arborizada deserta. Por que eu estava vendo essa imagem?
-O que está acontecendo, Gerald? – Ela estava ficando preocupada.
-Eu vi Emily.
-Como assim?
-Não sei! Veio uma imagem na minha cabeça e Emily estava nela. Era como se eu pudesse ver onde ela está. Muito esquisito isso, Tracy.
-Onde podemos encontrar ela? – Se antes era preocupação, agora era espanto e inquietação.
-A imagem não era muito definida. Era ela, em uma espécie de rua arborizada. A rua estava deserta. Não sei, não deu pra ver direito. Onde tem uma rua que nem essa?
-Só se for o parque.
-Parque?
-Você nunca foi ao parque?
-Desde que você virou vampira eu não vejo a cara da rua. Só às vezes para comprar o jornal ou para buscar Emily na escola.
-Ah... Desculpe-me. Esqueço desses pequenos detalhes.
Pequenos detalhes? Mais de uma década sem sair de casa direito. Sem passear, sem jantar fora com a família, sem trabalhar, sem sair com os amigos (não que eu ainda tenha algum). Não que eu reclame, eu nunca deixaria Tracy pra ter minha liberdade de volta. Eu sou mais feliz com Tracy do que quando eu não a conhecia. Parece amor de romance, não é? E ainda tem Emily. Sinto que ela está gostando mais de mim. Espero encontra-la logo. Bem logo.
-Onde fica esse parque? – Eu perguntei.
-Não muito longe daqui. Vamos.
Andamos um ou dois quarteirões até chegarmos ao tal parque. Mas este estava fechado. Havia uma placa pendurada no portão que dizia: “Fechado para reformas”.
Pulamos o portão. Estranho não ter nenhum tipo de segurança ali. Alguma coisa não estava cheirando nada bem.
Andamos pelas ruas do parque. Árvores, flores, folhas caídas. Nada de Emily.
*Tracy*
Pelo visto, Gerald já tinha começado a usar o poder. Que bom pra ele. Pelo menos tínhamos uma pista de Emily. Ela TINHA de estar por ali.
Olhamos muitos lugares, até que demos de cara com Christopher. O que ele fazia ali?
Eu perguntei ao meu Mestre:
-O que o senhor faz por aqui?
-Você não tem idéia? – Ele deu um riso de escárnio.
-Não. Nenhuma idéia.
-Gerald, meu querido, o que você viu?
-Eu?
-Tem mais algum Gerald por aqui?
-Bom, eu vi Emily por… — Ele interrompeu o que ia dizer e começou a gritar – Era você! Era você desde o começo! Você está com Emily não é? Viu que os seus poderes não são páreos para os que Tracy irá descobrir e agora quer acabar com ela! Seu animal!
Tive de segura-lo, do contrário ele iria usar de violência contra Christopher. Eu, sem entender nada, perguntei ao Mestre.
-O que está acontecendo aqui, dá pra alguém me explicar?
-Claro, minha querida. Está acontecendo que seu namoradinho já começou a usar os poderes dele. Ele conseguiu uma coisa que você nunca iria conseguir.
-Como? Você…?
-Além de tudo você é lerda ou o que? FUI EU! Todas as desgraças que aconteceram na sua vida FUI EU QUE PROVOQUEI! Fui eu quem mandou um vampiro te transformar, pra eu poder te aliciar ao meu exército de vampiros. Mas pelo jeito, não funcionou. Você se virou contra sua própria raça. Até aí tudo bem. Mas quando eu descobri que o seu poder é maior que o meu, que você poderia acabar comigo, eu tinha de dar um jeito de acabar com você.
Eu tinha sido tão cega a esse ponto? Não podia ser. Mas pelo jeito, era. Com um tom de voz calmo, perguntei ao Christopher:
-Por quê?
-Porque o que? Não esclareci tudo ainda?
-Por que você pegou Emily?
-Pelo seu tom de voz ela não deve ser tão importante assim.
-Responda a minha pergunta. Por que você a pegou?
-Ora... Você não faz idéia?
Os olhos daquele desgraçado brilhavam. Era o brilho dos olhos de um psicopata. Como ele pôde fingir tanto tempo? Como eu pude não ver o que ele era todos esses anos?
Se eu fazia idéia? Lembrei da vampira que eu matei no jardim da minha casa. Claro. Emily ainda cheirava igual uma criança. Senti um ódio crescer dentro do meu peito e tomar conta da minha mente. Minha filha! Eles não iam fazer NADA com ela!
Avancei na direção de Christopher. Mas, antes de eu sequer pensar em fazer qualquer coisa, Christopher havia me imobilizado. Pronto, segundo princípio quebrado: nunca agredir seu Mestre. Por pior que ele seja, ele ainda é meu Mestre. Christopher era mais forte que eu. Claro, ele que havia me ensinado tudo. Se eu fosse mais forte que ele, eu que o teria ensinado.
Gerald tentou me ajudar, mas Christopher era mais ágil e experiente que ele. Com um movimento, Gerald estava inconsciente no chão. O ser que eu julgava ser meu Mestre se dirigiu a mim:
-Então, querida, vamos?
-Aonde? – Não adiantava eu tentar fingir, o medo estava explícito na minha voz.
-Para o seu destino. Temo dizer que seja o seu destino final. – Ele sorria.
-Mas o que você vai fazer com a minha filha?
-Há várias possibilidades. Deixe-me ver. O mais óbvio seria eu mata-la. Bobagem, seria desperdício jogar fora uma belezinha daquelas. Mas eu também posso, quem sabe, gerar um filho com ela? É uma boa idéia ter herdeiros. Não acha?
-Seu porco! Imundo! Ela só tem quinze anos!
-Bem nova, não? Então vamos ver. Levando em conta a idade dela, eu posso gerar um filho e ainda transforma-la em uma vampira. Acho que essa idéia é melhor do que a anterior.
Eu não conseguia pensar em mais nada. Só de imaginar minha filha com ele...
Não conseguia conter as lágrimas. Gerald inconsciente... Emily sequestrada...
Eu não posso com Christopher. Não há nada fazer. Nada. Ele foi praticamente me arrastando o caminho todo até aquele maldito depósito, onde tudo começou.
Christopher me colocou na nona sala. A mesma onde eu transformei Gerald. Por que aquela sala? Tortura psicológica...
Ele falou:
-Acho que não faz muito tempo que você deixou este aposento, certo? Nem deu tempo de sentir saudades.
Enquanto falava, ele me acorrentou às paredes. Talvez eu pudesse quebrar aquelas correntes e fugir. Mas ele tinha me treinado, ele conhecia meus pontos fracos e, com certeza, tinha feito algo para que eu não conseguisse quebrar aquelas correntes.
-Tracy, lembra-se de quando eu disse que poderiam usar Gerald contra você? – Eu não respondi – Pois bem, é o que farei. Já que só ele possui por você o que chamam de amor verdadeiro. E, claro, não poderíamos usá-lo se ele não fosse vampiro. Eu já te expliquei isso. – Ele pensou – Só não sei por que inventaram essa baboseira que dificultou minha vida. Mas agora já está feito. Hipnotizaremos ele e... – Christopher fez um gesto com os dedos como se apertasse um gatilho.
Eu o vi indo em direção à porta. Antes de sair, ele disse, com aquele brilho no olhar:
-Sabe de uma coisa? Só falei aquilo de gerar um filho com Emily pra te irritar. Na verdade, vou matá-la. Lentamente, que é como eu gosto. Muito sangue, muitos gritos, muitas súplicas.
Ele sorriu e foi embora.
Fiz peso com o meu corpo pra ver se aquelas correntes cederiam. Nada. Eu já sabia que aquilo ai acontecer.
Depois de algumas horas, comecei a ouvir uma voz.
“Tracy… Tracy… Reaja… Você pode sair daí, virar o jogo”
É, minha vida como vampira sempre foi um jogo, e a peça principal (no caso, eu) nunca soube disso. A vozinha na minha cabeça ficava repetindo isso. Pra que virar o jogo? Eles são mais fortes que eu, não há nada a fazer.
A porta estava se abrindo.
Deus, eu nunca acreditei muito em você, mas se existir, ajude Emily nessa hora, por favor. Não deixei que nada aconteça à ela.
Vultos entravam pela porta. Eram dez. Grande platéia para a minha morte.
Espera um pouco. Dez? Tirando um, que seria o Gerald, sobram nove. Esse depósito tem nove salas, foram nove as crianças desaparecidas (mortas por vampiros na realidade) e nove vampiros que vão assistir minha morte. Besteira pensar nessas coincidências, na hora da morte ainda por cima.
Eu já podia distinguir os vultos. Um era Gerald, em total estado de transe (ele era inexperiente, portanto a mente dele ainda era vulnerável), outro era Christopher e os outros oito eu não sei quem são.
Silêncio. Ouvia-se apenas os passos de Gerald se aproximando de mim, com um revólver em punho.
Christopher falou para Gerald:
-Vamos, atire. É só puxar o gatilho. Elimine Tracy, no fundo era isso que você sempre quis, não é?
-É. – Gerald respondia em uma voz mecânica.
-E por que você sempre quis?
-Porque Tracy é insuportável, ela não me deixa fazer nada. As únicas coisas que eu faço é cuidar da casa e da filha dela. Nem pra cuidar de Emily ela serve.
Eu sei que Gerald está hipnotizado, mas doía ouvir ele falar aquilo.
-Atire Gerald. Isso vai acabar com todos os seus problemas.
Gerald apontava o revólver pra mim. Por que ele não atirava logo?
Notas finais
P.s.: Se tiver algum erro, por favor me avisem. Somando que eu esqueço acentos, como letras, meu teclado está uma m*rda e ainda o pc está comendo partes, deve estar faltando algumas coisas. Se encontrarem algo, é só falar.
Fale com o autor