Tracy Holoway-assassinatos e Desventuras
6 Capítulo 5
Notas iniciais
*Tracy*
Já tinham se passado três dias desde o incidente com a Emily. Desde aquele dia, Gerald estava dormindo no quarto de hóspedes. Maravilhoso. Minha vida está maravilhosa, como vocês devem imaginar. Mas essa noite foi o cúmulo. Às dez da noite, Gerald resolveu que ia sair.
-Aonde você vai? – Eu perguntei.
-Espairecer. Dar uma volta.
-Ah… Me desculpe. Esqueci que hoje é o dia que você se encontra com as suas \"damas de compania\". – Eu ironizei.
-Cuide melhor da sua filha e me deixe ir. Você ganha mais fazendo isso. – Ele disse isso em um tom de desprezo.
-Sim. Farei isso, oh Mestre Superior.
Ele simplesmente virou as costas e foi embora.
*Gerald*
Saí noite fria à fora. Eu estava com uma blusa de lã e duas jaquetas e, mesmo assim, eu estava tremendo de frio. Incrível como há poucos dias atrás estava fazendo calor. Mas acho que eu não estava só com frio. A minha tristeza e sensação de solidão agravavam isso. Eu nunca tinha ouvido falar de frio de solidão, mas era assim que eu me sentia.
Andei por algumas ruas até eu entrar em uma mistura de bar com bordel. Sentei em uma cadeira e pedi um conhaque. Tocava uma música dançante, e as garotas mexiam seus quadris sem parar. Nada daquilo estava me interessando. Por mais que eu me esforçasse, nada me interessava. Uma das \"meninas\" se aproximou de mim.
-Não quer que eu te leve até o quarto, bonitão?
-Claro. – Eu precisava esquecer Tracy por uns minutos. Por maior que seja meu amor, eu precisava.
Subimos um lance de escadas até o quarto. Entramos. O quarto era todo decorado nas cores púrpura, roxo e dourado berrantes, e ainda fedia a perfume barato.
A garota me jogou na cama. Ela tirou a roupa e ficou só de lingerie. Eu olhava para ela, mas não era ela quem eu via.
Eu via os negros cabelos levemente ondulados, os olhos verdes de Tracy. Olhos que em época de calmaria pareciam um oceano límpido e em época de grande concentração e raiva, pareciam olhos de artilheira, de atiradora. Eu via os fartos seios, a cintura fina, os belos quadris e as coxas bem torneadas de Tracy. Não adiantava. Eu não ia conseguir fazer nada com essa moça. Tirei cinqüenta dólares da minha carteira e deixei em cima da cama e fui embora. Enquanto eu saía, ouvi a garota resmungar algo parecido com \"Cada louco, cinqüenta só para me ver tirar a roupa\".
Saí do bordel. Continuei vagando sem destino pelas ruas. Comecei a me sentir sujo, a me sentir um canalha. Ir à um bordel para tentar esquecer a mulher da minha vida. Isso não tinha cabimento.
Namorar com Tracy tinha suas complicações, mas eu a amava mais que tudo mesmo assim. Não ia ter remédio, eu ia ter que ir para casa e encarar Tracy. E hoje seriam os olhos de atirador que me encarariam, disso eu tenho certeza.
Cheguei em casa. Tracy e Emily estavam vendo qualquer coisa na TV. Murmurei um boa-noite desajeitado e fui para o quarto de hóspedes.
*Tracy*
Gerald tinha ficado, no máximo, meia hora fora de casa. Ele voltou cheirando a perfume de vagabunda, mas meia hora era pouco tempo pra ele ter feito algo com qualquer cafetina, nem se ela fosse o Ligeirinho. Mas saber que ele tinha estado com alguém me entristecia. O que eu tinha feito de errado? Eu não escolhi ser vampira, eu não escolhi ser desse jeito. Eu não tinha pedido para as desgraças acontecerem.
Coloquei Emily na cama e fiquei lá até ter certeza que ela tinha dormido. Fui até o quarto de hóspedes e bati na porta. Nenhuma resposta. Eu sabia que ele estava lá, eu estava ouvindo a respiração dele.
*Gerald*
Era o que eu temia. Ela tinha vindo bater na porta. O que eu ia fazer? Ela não podia me ver no estado em que eu me encontrava.
*Tracy*
Bati de novo na porta. Nada. Girei a maçaneta. A porta estava trancada.
-Gerald, ou você abre a porta ou eu vou arrombá-la. Você sabe que eu vou.
A porta foi aberta. Gerald estava com o resto um pouco vermelho e com os olhos levemente inchados. Ele tinha chorado. Entrei e sentei na cama. Silêncio.
-Você não vai falar nada? – Eu perguntei utilizando o tom mais amável que eu consegui.
-Desculpa. Um milhão de desculpas. É o máximo que eu posso falar.
-Por que você está pedindo desculpas?
-Por tudo. Por brigar com você e por ter saído.
-Sim. Eu desculpo você.
-Obrigado.
Levantei e o abracei demoradamente. Olhei-o nos olhos.
-Sabe que eu te amo? Acho que sabe. – Eu disse
-Também te amo. Amo mais que tudo nessa droga dessa vida.
-Eu sou uma droga?
-Daquelas que viciam. – Ele me beijou.
Ficamos lá a noite inteira. Nem preciso falar o que fizemos. Não vou descrever para poupá-los do meu blábláblá.
Notas finais
- reviews?
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