Notas iniciais
- Mais um capítulo curto... :(

*Tracy*

Cheguei ao depósito. Ouvi sons de conversa. Desviei das salas que tinham vampiros e fui direto pra, que eu presumi, que Gerald estava.

Achei esquisito ninguém ter ouvido eu entrar, ninguém ter me impedido. Entrei na sala que procurava.

*Gerald*

Vi uma mulher entrar na sala em que eu estava. Eu nunca tinha visto nenhuma mulher entre os vampiros. Decidi não prestar atenção nela, mas, logo que senti que eu devia olhar, reparei bem na mulher.

Senti um frio percorrer minha espinha, arregalei os olhos instintivamente e fiquei boquiaberto. Era Tracy quem estava na minha frente. Mas CLARO que não podia ser. Eu a matei. Impossível ela aparecer do nada. Fiz silêncio e tentei neutralizar, em vão, a minha expressão de espanto. A mulher falou:

-Gerald? – Incrível, a voz era igual a de Tracy. – Você está me ouvindo, querido?

-Quem é você? – Eu queria que minha voz saísse em tom de indiferença, mas saiu em tom de “Ai meu Deus, estou cagando de medo”.

-Ora! Eu sou Tracy! Vai dizer que eles fizeram você esquecer de tudo?

-Não, eu não me esqueci de nada. Do mesmo modo que não me esqueci que te matei. Portanto, eu acho que estou vendo espíritos.

-Ah, seu bobo! Eu voltei. E afinal das contas, não foi você, propriamente dito, que me matou. – Ela sorriu. Eu simplesmente não estava acreditando que ela estava ali. De volta pra mim! Ela continuou – Vamos embora, não temos tempo a perder.

Mal disse isso e já se adiantou pra me soltar. Ela pegou as correntes e puxou-as. Elas se partiram como se fossem feitas de isopor ou algo mais frágil, mas fez um barulho danado. Depois de ouvir esse barulho, Tracy disse:

-Vamos, eles devem ter ouvido isso. Droga!

Começamos a correr. Estranhamente, ninguém veio atrás. Fomos até nossa casa, mesmo sabendo que era o primeiro lugar que viriam nos procurar, ou melhor, o lugar aonde viriam me procurar, já que não sabiam que Tracy estava comigo.. Sentamos no sofá. Ela olhou pra mim, sorriu e perguntou:

-Então, vai acreditar que eu sou Tracy?

-É, acho que estou começando a acreditar. Mas como você voltou?

Em resposta, ela me contou sua trajetória pelo que ela descreveu como “um lugar angélico, mágico”. Falou do número que a perseguia e que a fez sair de lá. A narrativa dela me fez sentir como se eu tivesse passado por lá também, tal era a realidade das palavras.

Terminada a narrativa, uma angústia tomou conta de mim, eu sabia que ela faria o que eu não queria responder. E, quase como adivinhando, ela falou:

-Bem, Gerald. Agora só falta traçarmos um plano ou qualquer outra coisa parecida para resgatarmos Emily.

-Tracy… — Eu não queria falar, mas era necessário. Mas ela nem deu chance de eu falar e continuou.

-E depois é só matar aquele vagabundo do Christopher.

-Tracy…

-O que é?

-Nós não vamos poder resgatar Emily.

-Por quê?

-Tracy… — Antes de conseguir terminar a frase, eu já estava chorando. – Mataram ela, Tracy. Mataram Emily e eu nada pude fazer pra impedir.

-Como? – Ela estava com uma expressão de incredulidade. – Minha filha? Não, Gerald. Você fala sério?

Eu contei à ela como foi, ocultando os detalhes perversos. Afinal, nem eu conseguia pensar naquele assunto.

Ela me olhou mais um tempo com uma expressão esquisita, até que me abraçou e choramos juntos, por um tempo que parecia não se findar.

Notas finais
- reviews?