Notas iniciais
Desculpem-me, alguns dos capítulos que virão são curtos.

*Tracy*

Gerald me olhava sem expressão alguma. Ele mirava na minha cabeça. Eu o encarava sem nenhuma emoção também, até que notei uma faísca de racionalidade naqueles olhos. Talvez a mente dele não fosse tal vulnerável...

*Gerald*

Eu sabia de tudo que se passava, mas é como se eu fosse uma marionete consciente, digamos assim. Estava apontando um revólver pra Tracy. Eles queriam que eu a matasse e Christopher me fez dizer mentiras pra Tracy. Desgraçados, todos eles, incluindo a mim. Eu tentava desviar a mira, mas era impossível.

*Tracy*

Ele atirou. Tudo ficou escuro, mas eu ainda estava consciente, se é que isso é aceitável.

Acordei. Acordei? Eu devia estar sofrendo de uma loucura pós-morte. Mas como?

Eu me encontrava em um local áureo, angélico, inacreditável. Como tal beleza podia existir para um ser que fora tão ruim em vida? Para um ser que não dera atenção à família? Como podia? Pra mim, aquilo era o céu. O chão era da mais alva brancura e eu parecia deslizar sobre ele. Vaguei um pouco por ali, maravilhada. Era tudo tão... irreal! Depois de uma semi-vida sofrida, era uma benção me encontrar em tal lugar. Conquanto, eu parecia vagar nas minhas mais agradáveis lembranças. O nascimento de Emily, ela crescendo, quando conheci Gerald e várias ramificações de tais lembranças.

Não sei quanto tempo fiquei parada a observar minhas lembranças, o tempo parecia que ali não existia.

Depois de muito andar, encontrei nove portas, as escrituras que nelas haviam eram, na seguinte ordem: 12; 87; 34; 74; 231; 63; 96; 22 e 346.

Esses números não seguiam uma ordem lógica e eu nem mesmo sabia pra que serviam.

Eram portas paradas no nada, não existiam paredes por ali. Estava cada vez mais incompreensível. Olhei de novo as portas. Parei na de número 63. Tinha de ser aquela. Seis mais três é igual a nove. Por que esse número?

Abri a porta 63. Outras nove portas, só que sem números. Sem razão, senti que tinha de abrir a quarta e a quinta porta de uma só vez [quatro mais cinco é igual a nove. Maldito

(ou talvez seja bendito) número].

As duas portas fundiram-se numa só e deram acesso a um corredor igualmente áureo. Digo corredor, pois essa parte parecia ter algo parecido com paredes. Lá não tinham portas, mas nove espelhos. Oito deles refletiam lembranças más. Não as citarei, são desagradáveis. O nono espelho não refletia nada, a não ser a minha imagem. Aquilo era, desculpe o trocadilho inconsciente, uma questão para refletir. Todas as lembranças eram ruins e o último espelho me refletia, isso talvez queira dizer que eu causarei a última e mais dolorosa lembrança. Ou talvez não queira dizer nada. Eu aposto mais na primeira opção. Passei através do nono espelho.

Agora eu me encontrava debaixo da terra, como dava claramente pra perceber. Eu devia estar de volta ao meu corpo real e eles haviam me enterrado, sem dúvida. Me esforçando pouco, transpus toda aquela terra e fiquei de pé na primeira parte sólida que encontrei. Eles tinham me enterrado no parque, que criatividade.

Tudo quanto era vida vegetal estava morrendo. Quando tempo eu tinha ficado no suposto ‘céu’? Um dia não tinha sido, as plantas não estariam naquele estado. E a chuva? Não podia ter regado toda aquela extensão de parque? Difícil saber o porquê.

*Gerald*

Eu a matei. Eu matei Tracy! Por quê? Porque eu sou fraco mentalmente, porque eu sou um inútil.

Depois do dia que eu matei uma das únicas pessoas que realmente importavam, nem os castigos físicos impostos sobre mim por Christopher e pelos outros vampiros (tudo isso porque eu não queria ser do ‘time’ deles) não tinham relevância. Eles podiam me matar, que era o que eu bem merecia, eu não me importaria.

A única coisa que eu reparei, e mesmo assim não considerei importante, foi que tinha um vampiro em especial, que sempre dava um jeito de ‘dar o fora’ quando os seus colegas iam praticar maldades. Fiquei atento ao fato, mas esqueci mais rápido do que prestei atenção.

Não havia esperança de Tracy voltar. Já haviam se passado três meses e nada.

No começo, eu era movido pela esperança de Tracy voltar e de resgatar Emily. Agora, nem a esperança de encontrar Emily eu tinha. Eles a mataram, na minha frente. Todos aqueles vampiros (exceto o que eu mencionei) eram de uma perversidade surreal. Mataram Emily na base da tortura. Rasgando pedaço por pedaço, arrancando membro por membro. Os gritos dela ecoam na minha cabeça incessantemente.

*Tracy*

Corri o mais rápido que pude na direção daquele maldito depósito. Será que Gerald ainda estava lá? Será que eles também mantinham Emily prisioneira lá também? Espero que sim. Foi isso que me moveu até aquele lugar.

Notas finais
- reviews?