Tracy Holoway-assassinatos e Desventuras
2 Capítulo 1
Notas iniciais
Eu havia acabado de chegar em casa. Gerald e Emily estavam conversando amistosamente. Isso já é um sinal positivo. Emily nunca conhecera o pai, ele sumiu quando eu estava grávida dela. Quando comecei a namorar com o Gerald, ela não aceitou bem. Ou seja, uma conversa amistosa renderia um rosário de agradecimentos, se eu fosse religiosa.
Me aproximei dos dois e falei ‘oi’.
-Como foi seu dia? – Gerald me perguntou dando um selinho de ‘oi’ (Importante ressaltar que Emily fez cara de nojo nessa hora).
-Aquela coisa de sempre. Pegar pelo pescoço aqueles vampiros que ameaçam demais a humanidade. Não só vampiros. Hoje eu peguei um lobisomem duro na queda. Ele era grande, mas não era dois. – As pessoas se espantam quando eu conto meu dia como se eu perguntasse as horas.
-Mãe, você está legal? – Emily sempre faz a mesmíssima pergunta.
-Estou sim. – Eu dou sempre a mesmíssima resposta.
-Presumo que seja a hora do jantar. Certo? – Gerald está sempre faminto, me admira que ele seja tão magro.
-Comam vocês. Sabem muito bem que eu não como.
-Acho que nunca vou entender por que razão os vampiros não comem. – Emily não entende quase nada da vida dos vampiros.
-Eu não como porque comida cheira igual carniça misturada com ovo podre, mas bem podre mesmo. Só por isso. E outra, eu não preciso comer para sobreviver. – É, vampiros têm suas desvantagens. Faz um tempo que eu não sei o que é comida
Observei-os comendo. Pena que eu não podia me sentar à mesa pra integrar a família.
Fui até a biblioteca. Sentei-me na poltrona em frente à janela e fiquei contemplando a noite. Misteriosa noite que encerramuitos segredos, esconde raças que nem a minha. Pensando bem, mas muito bem, não é tão ruim ser vampira. É bom poder livrar o mundo de algumas criaturas que ameaçam os humanos.
Ouvi o ranger da porta. Pelo cuidado com que a porta era aberta, devia ser Gerald. Emily era uma adolescente estabanada. Virei-me. Eu estava certa.
-Eu quero conversar com você. – Gerald estava com uma feição preocupada.
-Pode falar.
-Eu estou com uma sensação muito estranha. Hoje de manhã eu fui até o jardim cuidar das plantas e pude jurar que tinha alguém me olhando.
-Você acha que realmente tinha alguém?
-Acho. O que você faz é muito perigoso. Talvez alguma criatura veio vingar a morte de um amigo. Sei lá… — Ele fitava a escuridão lá fora.
-É possível… É realmente provável. – Gerald estava ficando com a expressão cada vez mais grave. – Não que eu duvide de você, querido. Sei que sempre que você em essas sensações, elas provam ser verdadeiras.
-Espero que eu esteja enganado dessa vez.
-Eu também espero. – Ponderei um instante. – Mas, se for algo ou alguém, enfrentaremos, é claro.
-Enfrentar! Essa idéia de lutar! Eu não gosto muito. Violência, crueldade…
-É, mas deixar você e Emily morrer eu não vou! – “Não gosto da idéia de lutar”. E por acaso gosta da idéia de morrer? Faça-me o favor.
-Não falemos de morte, por favor. – Ele sorriu – Vem cá…
Recostei minha cabeça no ombro dele e ficamos olhando o céu lá fora, só um com a compania do outro. Até parece que a vida é bela, não é? Só parece.
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