Trabalho Escolar: Diário de Lidia Brazzi

21 Dia 10, quinta-feira, 11 de agosto. (parte 2)


Notas iniciais
Desculpem a demora!! Eu postando de madrugada ¬¬ não tem mais ninguém acordado, mas ok, aqui estou eu. Ok, chega, espero que gostem :)
Obs: eu amei o próximo capítulo (o dia 11). Muito sério, vou postar amanhã e vocês me dizem se também gostaram, ok?

— Olá – ele disse, abrindo um sorriso enorme cheio de dentes brancos reluzentes. – O que está fazendo aqui tão cedo?

— Tenho que correr para pegar o ônibus da escola. – disse, colocando uma mecha do meu cabelo úmido atrás da orelha.

Por que raios eu não sequei meu cabelo? E minha cara devia estar uma visão do inferno com aquelas olheiras do tamanho do oceano pacífico. Droga!

— Por que Felipe não lhe deu uma carona? – ele perguntou, franzindo a testa.

Calma coração, não precisa dar guinadas só de ouvir o nome desse infeliz.

Haha.

— Ah, é que, eu quis sair mais cedo e – ok, essa resposta não ia colar. – Acabei não pensando que ia ter de andar muito para pegar o ônibus.

Ele me olhou por um segundo ou dois, como se decidindo se ia acreditar em mim ou não. Ah, dane-se, ele que não acreditasse.

— Quer uma carona? – perguntou.

Não teria ficado mais surpresa se ele tivesse me pedido em casamento.

Nem mais feliz.

— Se não for te atrapalhar, eu adoraria. – disse e abri um sorriso que rivalizava com o dele.

— Sobe aí – Christian disse com uma piscadela.

Fiz o que ele mandou e montei na motocicleta.

— Você não usa capacete? – perguntei.

Ele só riu.

— Não.

Merda.

Engoli em seco. Não queria acabar morta em um acidente de moto, nem ferida, porque aí minha mãe me mataria. Mas também não queria discutir com o cara que estava me dando carona. Então só calei a boca e me agarrei nele.

O que não foi ruim de modo algum.

Ok, Lidia, pare. Você é uma garota comprometida.

Em teoria.

Disse o endereço para ele e partimos.

Enquanto cortávamos o trânsito com a moto, meu celular tocou na mochila. Era Renata, com certeza, mas eu não tive coragem de soltar minhas mãos da cintura de Christian para atender.

Chegamos à escola antes do ônibus. Suspirei de alívio e desci.

— Muito obrigada, Christian – disse e fui virando para entrar na escola. Por alguma razão, eu estava muito nervosa.

Mas ele segurou meu pulso.

— Calma, pra que tanta pressa? – perguntou.

Virei devagar para ele. Algo me dizia que eu devia dar no pé.

— É que a aula já vai começar.

De repente, senti a presença de alguém atrás de mim.

— É, a aula já vai começar. – Felipe disse.

Virei rapidamente para ele, e quase perdi o fôlego por causa do susto.

— Felipe! – soltei, pondo a mão no coração, com uma cara de culpada. – Como você chegou aqui tão rápido?!

— Eu tenho meus métodos – ele disse, com uma frieza que fez parecer que tinha um cubo de gelo descendo pelas minhas costas. – E agora vejo que você também tem os seus. Desde quando se conhecem?

— Nos conhecemos ontem, na sua casa- Christian respondeu, já que aparentemente o gato tinha comido minha língua.

— E você escolhe não me contar sobre esse pequeno encontro, Lidia? – Felipe perguntou-me, ainda com aquele olhar frio.

Ah, sinto muito, agora ele tá querendo botar a culpa disso em cima de mim?!

Não que eu fosse contar para ele caso ele estivesse em casa, Sr. Albert, mas ele não tinha como saber disso, não é?

— Se você não tivesse me largado sozinha em casa – respondi com raiva. – Talvez eu tivesse contado!

O ônibus da escola chegou nesse momento e vi Renata saindo dele.

— Com licença – disse e deixei os dois garotos ali.

Corri até Renata.

— Fiquei preocupada quando você não estava no lugar combinado – ela disse, quando me aproximei. – Como você chegou? Felipe te trouxe? E quem é aquele bonitão da moto?

— Você faz tantas perguntas ao mesmo tempo – suspirei. – Felipe não me trouxe. Eu vim na moto com o bonitão, que se chama Christian e é primo do Felipe.

— Meu Deus – ela disse. – Todos os caras dessa família são gatos assim?

— Não só os caras, você tem que ver a mãe e a irmã dele. É de morrer de inveja.

— Ainda bem que não sou eu que moro com eles. É você.

— Não por muito tempo – funguei.

— Como assim? Você vai voltar para casa?

— Não, eu vou para a sua casa.

— O quê?!

— Te explico na aula de matemática, vamos. Quero entrar antes que Felipe resolva ter uma conversinha comigo.

Renata me seguiu e juntas entramos na escola correndo, no exato momento em que Felipe dava as costas a Christian e vinha na nossa direção.

Conseguimos entrar na sala na hora que a campainha tocou e lá, Felipe não podia mais nos alcançar.

Ponto!

Na aula contei tudo pra Renata e ela me deu o maior apoio, pela primeira vez.

Amigas Unidas Contra Garotos Canalhas.

É isso que grandes amigas fazem né?

Ela até me convenceu de que a mãe dela não iria se importar se eu passasse um tempo com elas.

Amo a Renata como se ela fosse uma irmã. Sério.

Ela até ficou escondida comigo no banheiro feminino na hora do intervalo. E sem reclamar e nem dizer que eu era uma covarde por não enfrentar Felipe de cara. É mesmo.

No fim da manhã, eu estava tensa, com uma dor de cabeça horrível e com a certeza de que iria passar mal por causa de estresse. Tudo o que eu queria era ir para a casa da Renata, tomar um banho e dormir.

Quando o sinal tocou anunciando o fim do dia escolar, eu pensei que seria capaz de me atirar de joelhos no chão e agradecer aos céus. Fiz Renata praticamente voar para entrar no ônibus comigo logo e não correr o risco de trombar com Felipe.

— Oi, Lidia, tudo bem? – disse a mãe de Renata com um enorme sorriso, quando abriu a porta. – Veio nos visitar?

— Olá, Sra. Dixon, eu – foi tudo o que consegui dizer, porque estava me sentindo enjoada e sabia que ia vomitar, então saí correndo para o banheiro.

Enquanto botava as entranhas para fora (é, isso foi nojento, Sr. Albert, espero que o senhor ainda não tenha almoçado quando ler isto) ouvi Renata dizer que eu estava com alguns problemas e iria passar um tempinho ali. Rezei para ela não achar que eu estava grávida. Até porque é meio impossível e eu não acredito em concepção imaculada.

É claro que a Sra. Dixon não ficou contente. Queria ligar para minha mãe e saber o que estava acontecendo, afinal ela gostava muito de mim. Eu acreditava. Às vezes sentia que a Sra. Dixon agia mais como minha mãe do que minha própria mãe.

No fim, ela permitiu que eu ficasse lá por um tempo, até eu resolver meus problemas. E nem ia ligar para minha mãe. Eba!

Não consegui comer nada no almoço. Renata me emprestou um pijama, que vesti depois de tomar banho, e fui direto para a cama.

Mas antes de deitar, peguei meu celular na bolsa. Precisava colocá-lo para despertar, afinal de contas não queria dormir o dia inteiro.

Ele estava no silencioso e eu vi que tinha uma mensagem de voz. Cliquei para ouvi-la. E me arrependi de ter feito isso assim que ouvi a voz de Felipe.

Você está ferrada. Se até amanhã você não estiver em casa, eu vou te buscar onde quer que você esteja. E não vai ser legal. Então não piore as coisas para o seu lado e esteja aqui amanhã de manhã. Ah, só mais uma coisa, não se encontre mais com o Christian, ou a coisa vai ficar feia de verdade.”

Ele nem disse o nome dele. Sabia que eu ia reconhecer sua voz. Maldito! Será que ele já tinha percebido o quanto eu estava ligada nele?

Enterrei a cabeça no travesseiro e joguei o celular para longe. Nem botei a porcaria para despertar. Do jeito que eu estava, nem uma semana de sono ininterrupto iria desanuviar o meu mau humor.

O que eu ia fazer? Voltar para aquela casa? Para ele? Deixar que ele mexesse com meu coração e minha cabeça do jeito que vinha fazendo?

A resposta era sim. Eu ia.

Sou uma fraca, eu sei. Mas eu não conseguiria dizer não para ele.

E, ok, a ameaça de que ele viria me buscar e que a coisa não ia ser legal ajudou um pouco.

Ei, Sr. Albert, quem sou eu para enfrentar o Sr. Tenho Dinheiro Saindo Até Pela Cueca?

Aparentemente, ninguém.

Virei no colchão e já estava pressentindo outra noite insone quando, simplesmente, dormi.

Notas finais
Esse Felipe...acho que no próximo cap vocês vão gostar dele...ok, não esqueçam de me mandar reviews, fico feliz quando vocês comentam. Beijos :)