Trabalhando com o Inimigo
10 Rivalidade
Romário
Eu não gosto de me gabar mas, sou muito bom no Call of Duty. É um dos melhores jogos que eu já joguei. E aparentemente o Jonah também disfruta da mesma opinião. Se bem que a diferença entre nós dois é que eu sou melhor que ele, e ponto final. Mas ele não acreditava nisso. Tanto que me desafiou para um jogo, uma pequena batalha para ver quem se sairia melhor.
— Cara, eu vou te arrebentar — disse o Jonah. Confiante e humilde como sempre.
Então gastei boa parte do meu horário de almoço daquela terça-feira jogando Xbox com ele. Até que foi divertido, se não fosse por ele ter jogado melhor que eu.
— Você teve sorte — eu disse, doido para sair dali.
— Sorte é? Cara, eu sou profissional!
Bom, adiantaria eu dizer que eu não estava concentrado, que estava com dor de cabeça, e que não estava ligando a mínima pra aquele jogo idiota? Claro que não. O Jonah ia achar que eu estava dando desculpa de perdedor.
— Depois, a gente faz uma revanche — o Jonah disse todo contente, parecia até que tinha sido o campeão de um torneio de videogame. Ele era muito competitivo.
— É um outro dia...
— Sabe o que vai ser mais legal? Se a gente apostar.
— Apostar? Pra quê?
— Ué, pra ficar mais interessante. Ou você tem medo de perder de novo?
Eu lembrei ele de que era a primeira vez que ele ganhava de mim no Call of Duty. Mas quem disse que isso fez ele perder a animação? Fomos interrompidos quando o Marcos chegou e mandou a gente trabalhar. Nosso horário de almoço já tinha acabado há alguns minutos.
É... realmente, o Jonah não esqueceu da vitória, e naquela quarta-feira ele falou de novo em um jogo e em aposta.
— Você não se garante? — perguntou Brenda. Nós estávamos na sala conversando, enquanto eu esperava ela terminar uma planilha, e o Jonah... bem, o Jonah estava lá fazendo não sei o quê.
— Eu sou muito confiante — respondi. — É claro que eu posso ganhar dele...
— Ah que nada, você está é com medo de me enfrentar! — disse o Jonah.
Tá legal, ele estava se achando demais. Só porque ganhou de mim uma vez já se acha o rei. Eu tinha que mostrar pra ele quem era o melhor.
— Tá legal, então vamos jogar. Você quer apostar dinheiro né? Vinte reais você tinha dito?
— Opa, certo!
Então no horário de almoço lá fomos nós dois, jogar Call of Duty. Eu estava confiante, e o Jonah, também. Mas como eu disse, eu sou melhor que ele, e deixei isso claro quando ganhei dele.
— Há! Otário, eu disse que ia ganhar! Chupa seu corno!— ok, talvez eu tenha exagerado um pouquinho.
— Foi sorte! — disse o Jonah, ainda sem acreditar. Ele tirou os vinte reais da carteira e me deu.
— Se você quiser podemos fazer uma revanche...
— Não... Quando eu tiver melhor daí a gente joga. — Nisso ele saiu.
Eu disse que eu era melhor. E a sensação de ganhar (o jogo e o dinheiro) foi muito bom! Ele ficou com maior cara de perdedor!
— Então, os dois já pararam com essa disputa idiota? — Disse a Brenda. Disse a ela mais uma vez que eu era o melhor. — E o quê que eu tenho a ver com isso?
Revirei os olhos.
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