Notas iniciais
Hey, espero que goste...

Brenda

A hora passou tão rápido, e logo já era horário de almoço. Fui direto para o restaurante que minha amiga recomendou, que por coincidência era o mesmo em que o Romário estava. Eu peguei meu prato e olhei ao redor. Só havia uma mesa vazia, que infelizmente era ao lado da que ele estava.

— Não tem outro lugar para você sentar, não? — ele perguntou. Dei de ombros.

— Infelizmente essa é a única mesa disponível — eu disse lhe dando um sorrisinho falso. Não ia deixar ele me importunar no meu horário de almoço. Começamos a comer em paz. Então logo pude experimentar a comida, e confesso que aquele feijão estava um horror, estava muito apimentado. Como o Romário conseguia comer aquilo? Ah claro, ele era esquisito em todos os sentidos. Até na hora de comer.

Coloquei mais algumas garfadas na boca, mas logo comecei a tossir e me engasgar. A comida estava muito apimentada. Ele viu eu ficando vermelha, tossindo engasgada com a comida na boca, mas não fez nada. Claro que eu não queria que ele chegasse perto de mim, mas eu estava agoniada, e ele só ficava lá me encarando. Parecia que estava gostando de me ver sofre daquele jeito. Logo consegui me recompor e bebi um grande gole de refrigerante de limão.

— Acho que sua comida está meio apimentada, não? — ele me perguntou, dando aquela risada idiota.

— Não me diga — eu respondi vermelha. Aff que otário.

— Quer uma dica? Se for comer feijão, não coma farofa. Ambos são apimentados.

Eu não disse nada. Como eu não pensei nisso antes? Eles sempre colocam pimenta na comida. Não é a toa que o nome do restaurante é The Spicy Food. Minha amiga ia se ver comigo.

Terminei de almoçar e fui ao banheiro. Nosso horário de almoço era de uma hora, ainda tinha tempo. Então aproveitei para dar uma passada na livraria do shopping. Depois voltei ao trabalho. O Romário já tinha colocado tinta na impressora e então eu fui imprimir o restante que faltava. Depois ele me mandou organizar o estoque nas prateleiras.

Sério, como que alguém joga isso? Esses jogos de zumbis e de tiros, arg... O pior era que eram os mais vendidos. Eu estava tão concentrada no meu trabalho (na verdade estava pensando na minha prova para o vestibular), que nem notei quando o Romário chegou perto de mim e disse num tom de voz mais alto que o normal:

— Não! — eu chega me assustei, deixando alguns jogos caírem da prateleira. — Você não ouviu o que eu disse? Era para você pôr os jogos do Nintendo aqui, e os do Xbox na prateleira ali do outro lado! — Eu me levantei e foi aí que reparei que a prateleira era cinza e estava escrito “Nintendo Wii”.

— Foi mal, eu não prestei atenção...

— Bem típico de você, não? Só vive no mundo da lua. Mas é melhor você fazer seu trabalho direito, senão você já era! — dito isso, ele saiu adentrando aos fundos da loja.

Bufei, e lá vai eu retirar todos os jogos e arrumar tudo de novo... Se ele ao menos falasse que nem gente, eu prestaria mais atenção. Mas ele não é normal, mal sabe conversar com uma dama. Ele é rude, grosso, mal educado, ignorante... Posso passar o dia inteiro falando o quanto ele é insuportável, mas tenho que fazer meu serviço. Só estou trabalhando com ele há 5 horas e já estou me estressando.

Como se já não bastasse ter que ficar o dia inteiro perto dele, o Romário ainda pega o mesmo ônibus que eu. Ainda bem que eu desço primeiro. O ônibus estava lotado, mas depois de alguns minutos começou a esvaziar. Eu estava em pé tentando manter o equilíbrio com o braço doendo e as panturrilhas também. Definitivamente não foi uma boa ideia ir trabalhar de salto. Mas quando a cadeira ficou vazia ele simplesmente se sentou. Cadê a educação? Ele tinha que ceder o lugar para mim! Ok, certo. Eu aguento seguir mais 20 minutos em pé.

Tenho outras coisas pra pensar, como por exemplo, em passar na prova do meu vestibular.

Notas finais
Pode comentar o que quiser, viu? Um abraço!