Trabalhando com o Inimigo
3 Restante do Dia
Notas iniciais
Brenda
A hora passou tão rápido, e logo já era horário de almoço. Fui direto para o restaurante que minha amiga recomendou, que por coincidência era o mesmo em que o Romário estava. Eu peguei meu prato e olhei ao redor. Só havia uma mesa vazia, que infelizmente era ao lado da que ele estava.
— Não tem outro lugar para você sentar, não? — ele perguntou. Dei de ombros.
— Infelizmente essa é a única mesa disponível — eu disse lhe dando um sorrisinho falso. Não ia deixar ele me importunar no meu horário de almoço. Começamos a comer em paz. Então logo pude experimentar a comida, e confesso que aquele feijão estava um horror, estava muito apimentado. Como o Romário conseguia comer aquilo? Ah claro, ele era esquisito em todos os sentidos. Até na hora de comer.
Coloquei mais algumas garfadas na boca, mas logo comecei a tossir e me engasgar. A comida estava muito apimentada. Ele viu eu ficando vermelha, tossindo engasgada com a comida na boca, mas não fez nada. Claro que eu não queria que ele chegasse perto de mim, mas eu estava agoniada, e ele só ficava lá me encarando. Parecia que estava gostando de me ver sofre daquele jeito. Logo consegui me recompor e bebi um grande gole de refrigerante de limão.
— Acho que sua comida está meio apimentada, não? — ele me perguntou, dando aquela risada idiota.
— Não me diga — eu respondi vermelha. Aff que otário.
— Quer uma dica? Se for comer feijão, não coma farofa. Ambos são apimentados.
Eu não disse nada. Como eu não pensei nisso antes? Eles sempre colocam pimenta na comida. Não é a toa que o nome do restaurante é The Spicy Food. Minha amiga ia se ver comigo.
Terminei de almoçar e fui ao banheiro. Nosso horário de almoço era de uma hora, ainda tinha tempo. Então aproveitei para dar uma passada na livraria do shopping. Depois voltei ao trabalho. O Romário já tinha colocado tinta na impressora e então eu fui imprimir o restante que faltava. Depois ele me mandou organizar o estoque nas prateleiras.
Sério, como que alguém joga isso? Esses jogos de zumbis e de tiros, arg... O pior era que eram os mais vendidos. Eu estava tão concentrada no meu trabalho (na verdade estava pensando na minha prova para o vestibular), que nem notei quando o Romário chegou perto de mim e disse num tom de voz mais alto que o normal:
— Não! — eu chega me assustei, deixando alguns jogos caírem da prateleira. — Você não ouviu o que eu disse? Era para você pôr os jogos do Nintendo aqui, e os do Xbox na prateleira ali do outro lado! — Eu me levantei e foi aí que reparei que a prateleira era cinza e estava escrito “Nintendo Wii”.
— Foi mal, eu não prestei atenção...
— Bem típico de você, não? Só vive no mundo da lua. Mas é melhor você fazer seu trabalho direito, senão você já era! — dito isso, ele saiu adentrando aos fundos da loja.
Bufei, e lá vai eu retirar todos os jogos e arrumar tudo de novo... Se ele ao menos falasse que nem gente, eu prestaria mais atenção. Mas ele não é normal, mal sabe conversar com uma dama. Ele é rude, grosso, mal educado, ignorante... Posso passar o dia inteiro falando o quanto ele é insuportável, mas tenho que fazer meu serviço. Só estou trabalhando com ele há 5 horas e já estou me estressando.
Como se já não bastasse ter que ficar o dia inteiro perto dele, o Romário ainda pega o mesmo ônibus que eu. Ainda bem que eu desço primeiro. O ônibus estava lotado, mas depois de alguns minutos começou a esvaziar. Eu estava em pé tentando manter o equilíbrio com o braço doendo e as panturrilhas também. Definitivamente não foi uma boa ideia ir trabalhar de salto. Mas quando a cadeira ficou vazia ele simplesmente se sentou. Cadê a educação? Ele tinha que ceder o lugar para mim! Ok, certo. Eu aguento seguir mais 20 minutos em pé.
Tenho outras coisas pra pensar, como por exemplo, em passar na prova do meu vestibular.
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