Trabalhando com Inimigos
2 O Preço Do Diamante
Notas iniciais
NY — Central da CIA – 03h16
Sala 1
Toda saleta era um cinza sem vida, de um jeito comum e clichê de salas de interrogação dos filmes hollywoodianos: mesa e cadeiras prateadas de metal, nada confortáveis, geladas. A sala em si já apresentava uma frieza. Ao contrário dos filmes, em que as salas sempre são escuras com uma única lâmpada apontada na direção do interrogado, a sala era muito bem iluminada, até demais.
Presa em uma mesa por algemas estava uma mulher com aproximadamente 22 anos, sentada entediada com tudo aquilo, olhava fixamente para única janela da sala, não conseguia ver do outro lado, mas sabia que estavam a observá-la.
A porta finalmente se abriu, revelando dois agentes de terno que passaram por ela fechando-a, o mais novo ficou parado na porta. A mulher certamente sabia que ele tinha uma arma, mas pouco se importava, ainda estava viva.
O outro se aproximou da mesa e se sentou, cara a cara, colocou algumas pastas amareladas sobre a mesa. Era um senhor de meia idade, cabelos grisalhos e olhos acinzentados.
– Eu sou agente da CIA como pode ver, Williams – se aproximou o mais velho – Este é meu parceiro Collins – ele se cumprimentou em um movimento pequeno com a cabeça — Vou lhe fazer algumas perguntas.
– Não me diga! – disse entediada.
– Safira Mason... – ele leu a ficha que pertencia a uma das pastas amarelas.
– Essa sou eu – esticou-se para ver sua ficha – Sempre odiei essa foto, estou com cara de bêbada.
– Não estamos aqui para falar de fotos ou qualquer outra bobeira. Sente-se direito! – sua voz era firme e autoritária.
Ela voltou a se sentar preguiçosamente.
– Bem... Continuando, você tem uma ficha bem interessante: seus pais morreram aos seus 5 anos em um acidente de carro e sua guarda ficou com sua tia Kelly...
– Aquela vaca! Nunca se importou comigo! Acho que ela nem sabe que eu ainda existo – interrompeu-o revirando os olhos.
– Não me interrompa novamente! – olhou-a fixamente baixando os olhos em seguida para a ficha — Aos 16 anos foi para um reformatório por graves infrações escolares, dentre tantas elas, roubo. Tentou fugir várias vezes e aos 17 anos conseguiu, com a ajuda de Blenda Lealker que acabará de completar 18 anos, desde então ambas tem vivido como criminosas, roubando artefatos extremamente caros de lugares bem protegidos por vários lugares a fora.
– Aonde você quer chegar? – apoiou o queixo em sua mão questionando.
Largou a pasta que lia sobre a mesa e começou a caminhar de um lado para o outro.
– Como vocês conseguiam roubar objetos de lugares monitorados, tão facilmente e ainda saírem ilesas?
Ela revirou os olhos e falou em um suspiro entediado.
– Magia das Winxs – gesticulou movimentos de brilho com as mãos.
Ele apoia as mãos sobre a mesa.
– Sem brincadeirinhas Srta. Mason!
– Nós temos nossos truques – ela dá um sorriso de canto – Um bom mágico nunca revela seus truques!
Williams suspira frustrado e começa a caminhar ao redor da mesa.
– Ahh... Sim! É por causa dessas habilidades que vocês estão aqui...
Sala 2
A sala era igualmente a outra, tudo padronizado, deve ser porque ali era a CIA.
Agente Miller estava sentado em cima da mesa olhando diretamente nos olhos esverdeados de Blenda Lealker, e está o olhando com um sorriso provocativo. Podemos dizer que era uma moça bonita, traços finos, cabelos ondulados pretos.
Já Miller aparentava ser jovem, olhos e cabelos castanhos escuro quase pretos, um pouco mais alto que Blenda.
– Você e a Srta. Mason são ótimas no que fazem, são muito espertas, sabem lutar muito bem, são praticamente espiãs e se encaixam perfeitamente no perfil de agentes da CIA — ele não achava aquilo “Onde já se viu ladras como agentes” pensou, mas recebia ordens.
– Está me deixando envergonhada – ela disse cheia de sarcasmo – Brincadeira, eu sou sem vergonha mesmo – deu uma piscadela com um largo sorriso – Eu sei que sou tudo isso.
Uma das coisas que as duas amigas tinham em comum era a ironia contida, sem hora nem lugar, com tudo e todos.
Ninguém sabia que suas brincadeiras escondiam o que realmente passava por seus pensamentos “Como vamos escapar daqui? Já fizemos isso antes, é só ter paciência, e o momento certo, pimba!”.
Flash Back On
Era um dia normal, como ocasionalmente acordei "tarde" com Safira abrindo as cortinas, queimando meus olhos com a luz do sol já alto no céu e gritando carinhosamente na minha orelha "Acorda vadia!".
– A vadia aqui, um dia vai ficar cega! — tapei a intensa claridade que havia invadido o quarto com as mãos.
– Deixa de drama! Vaso ruim não quebra – sorriu maldosamente enquanto se retirava do quarto, ah ela adorava fazer isso.
O café já estava pronto e posto à mesa. Não, não foi Safira quem preparou! Ela não sabe cozinhar, é daquelas que queima até água. Deve ter comprado a comida no mercadinho aqui perto de casa, pelo menos soube enfeitar a mesa como se ela mesma tivesse preparado esse bolo de cenoura e esses maravilhosos donuts, esse suco.
– Eaê? — perguntei sentando à mesa sonolenta — O que temos? — bocejei.
– Uma entrega em Los Angeles, você se chama Natasha Skanks. Prazer eu sou Mary Burton — riu estendendo a mão e eu a cumprimentei rindo também — Temos muitas ligações a fazer e receber.
– Entrega do que mesmo... Mary? – dou ênfase no nome falso que ela arranjou, em seguida mordo meu donuts coberto de chocolate com granulado colorido... Meu preferido... Ok, foco Blenda, ela já está falando.
–... Sempre esquece né? O diamante! Para aquele cara que você tirou sarro do cabelo lambido e correntes de ouro.
– Ah! Lembrei, mas e aquela outra encomenda? – apoio meus pés na mesa — A espada velha lá?
– A Katana de uns 1000 anos – ela senta e se serve do suco, de laranja talvez – Podemos ir pegar ela hoje se quiser, o prazo de entrega do diamante é até amanhã, dá tempo.
Penso um pouco observando Safira beber seu suco e devorar um pedaço de bolo rapidamente, olhando assim pra ela nem dá para imaginar o quanto essa coisa come.
– Melhor entregarmos o diamante logo, já que esse serviço é mais simples e rápido.
– Okay...
– Me diga, porque eles querem uma espada? – me sirvo de um pouco de suco, não é de laranja, é de frutas vermelhas.
– Eu lá vou saber – nos encaramos e rimos com as possibilidades.
“Eu certamente devia ter escolhido a roubar a espada velha, senão não estaria aqui...”
Flash Back Off
Miller se levanta e vai até de trás da cadeira de Blenda apoiando as mãos no encosto da cadeira.
– Srta. Lealker! – disse em um tom alto.
– Ah... Oi? – desvencilhou-se de seus devaneios.
– A CIA tem uma a proposta irrecusável para vocês.
– Que proposta docinho?! — apoiou seu queixo nas mãos.
O segurança que estava na porta não conseguiu se conter e deixou escapar um breve riso, com isso Blenda notou sua presença: ruivo de olhos verdes, estava de braços cruzados com um colete a prova de balas, parecia mais um armário de tão grande.
Miller fecha os olhos, suspira, pede paciência divina, vira a cabeça em movimentos cautelosos e...
– Dá pra parar! — praticamente gritou.
Blenda morde a mão tentando não rir.
– Desculpe Sr. Miller isso não se repetirá – deu um risinho de canto e abaixou a cabeça.
Este afirmou meneando a cabeça positivamente voltou sua atenção para jovem morena, puxou e virou a cadeira ao contrário e se sentou com as pernas abertas logo em seguida.
– Bom de acordo com seus crimes, e as coisas valiosas que roubaram você e sua amiguinha ficariam uns... — parou para calcular mentalmente — 120 anos.
– Chega de enrolação, diga logo o que querem!
– Nós podemos livrar vocês dessa prisão, digamos que limpar a ficha e ainda sairiam com certa quantia em dinheiro.
– Em quanto exatamente estamos falando? — colocou os braços sobre a mesa, como não se importasse com o resto.
– Vamos deixar os valores pra depois, mas posso dizer que não será pouco.
– Não estamos aqui por nada. O que vamos precisar fazer?
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