📓 Melissa – 4 anos depois do fim da infância


Dizem que fadas não existem.

Mas eu conheci uma quando tinha quatro anos.

E ela mudou tudo.


Pode ser só um mito, mas para mim as lendas sempre foram reais.


Minha mãe contava muitas histórias, e as minhas favoritas eram sobre fadas. Eu acreditava em cada palavra — ainda acredito.

E foi numa tarde comum no parque que tudo começou.


Ela era uma borboleta amarela. Girava no ar bem diante dos meus olhos, e eu a segui, dançando e rindo como uma pequena bailarina.

Quando me encontraram, tinha uma nova história pra contar.


A borboleta virara uma menina. Usava um vestido amarelo e all star rosa-choque. O nome dela era Ellen. Ela tinha a minha idade, era neta de uma rainha e dizia ser uma princesa.


Claro que ninguém acreditou. Eu era só uma criança cheia de imaginação.


Não que acreditem agora. Mas hoje eu aprendi a guardar algumas histórias só pra mim.


Mesmo assim, meu amor por fadas é conhecido.

Meu quarto é rosa. Tem pôsteres na parede com Ellen adolescente, a Rainha Vitória e todas as fadas do nosso mundo encantado.

Todas… menos uma.


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🖤 Larissa – Diário da princesa enjaulada


Diz a Bíblia que a rebeldia é pecado.

Em Avalon, é sentença de morte.


Mas eu sou neta da Rainha Vitória, fada da família.

E ela me protege.


Minha rebeldia?

Eu uso shorts.

Camiseta de banda humana.

All Star preto.

Ouço rock no volume máximo.


Fadas não usam calça. Fadas não ouvem rock.

Fadas não namoram vampiros.


Mas eu sou filha de um elfo com uma fada da música.

Sou o erro mais melódico da linhagem feérica.

E vivo entre dois mundos que não me aceitam.


Me disseram que eu devia me contentar com um destino brilhante, rodeado por harpas e vestidos flutuantes.


Mas eu só quero encontrar uma batida que combine com meu caos.


E talvez… talvez descobrir por que o nome de Márcia sussurra nas entrelinhas da nossa corte.

Ela era humana.

Ela era irmã.


Agora… ela é outra coisa.


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🩸 Márcia – Último registro antes do silêncio


Não que eu ache ruim ter uma irmã maluca.

Eu a amo. Sempre a tratei bem.


Mas ela fala com fadas.


Eu sou normalista.

Estou no último semestre. Leciono crianças.

Conto histórias para ensinar que fadas não existem.


Alguém precisa manter os pés da Melissa no chão.

Ou pelo menos, precisava.


Porque agora eu não sei mais onde estou.

Ou quem me tornei.


E às vezes… acho que o pior de tudo não é o sangue.

É o silêncio.


O silêncio de quem sabe demais.

O silêncio de quem sente falta de alguém que nunca foi daqui.



Três caminhos.

Três versões do que é real.

E um segredo que pode mudar tudo.

Notas finais
Os símbolos são assinaturas delas ;) No próximo capítulo vocês vão puder identificá-las melhor.