Notas iniciais
qEi, vamos fazer essa história ficar um quê mais emocionante ?

Florianópolis, 9 de março de 2005.

Estava frio e chovia. O céu escuro do tempo fechado cobria o parque aquático, estragando o meu dia perfeito. Eu estava encolhida no canto da piscina, de lábios roxos e biquíni preto.

Meus amigos brincavam como se o sol estivesse a pino.

Eu sentia cheiro de perigo no ar, e já tinha dito isso a eles. Mas por que, afinal, acreditariam em um insinto? Acreditariam se soubessem que sou uma fada.

Sabia que o que sentia tinha muito a ver com eles: vampiros.

Mas quem estaria ali, aquela hora do dia? Seria o pequeno Mikael, o garoto metade humano, que podia sair ao sol? Se bem que estava nublado agora, podia muito bem ser a mãe dele, ou a mais nova vampira de Mariluz.

– Ei, Lari, vem brincar de pegar, você é a que nada melhor — gritou Enzo, do outro lado da piscina.

Balancei a cabeça, sem olhar na direção deles. Senti um arrepio nos braços e estremeci. Procurei em volta, alguém que viesse a se parecer com um deles. Ninguém surgia.

Então a vi. A garota que antes era irmã de Melissa, brincando distraidamente com uma menina de três ou quatro anos, do outro lado da piscina.

Sua pele branca, em contraste com a da menina que parecia com ela, me fez arfar. Márcia era mesmo vampira. E quem era a criança, seria mais uma híbrido, filha do lorde deles? Ou será só mais uma vítima da recém-criada?

De repente, ouvi gritos. Olhei de novo a garota-vampiro, e ela parecia surpresa também, em alerta.

Do outro lado do parque, bem longe de mim, impossível de ser visto a olhos humanos, vi uma borboleta marrom cintilante, que os humanos talvez nunca tenham visto na vida.

A borboleta era Koala, mãe de Matilde e protetora dos animais. Mas, por que ela estaria aqui? Koala estava trancada em casa num estado de depressão desde... Sei lá, não sei bem quando. Mas deixara parte de seus poderes com um grande grupo de humanos, conhecidos como "protetores de animais". Koala, ainda em forma de borboleta, passou por nós de modo que todos a admiraram, boquiabertos, talvez ninguém ali tivesse visto uma borboleta daquela cor. O que ela queria ali, afinal?

Márcia correu, deixando as meninas nos braços de uma desconhecida. Enruguei a testa. Ouvi de novo gritos humanos, vindo na direção da floresta, então fui obrigada a fazer o que talvez me entregasse.

Transformei-me na borboleta preta, e como tal, a maioria das pessoas me afugentaram, porque ninguém gosta de borboletas pretas. Mas, dei graças a Rainha, por me dar a chance de ninguém ter percebido.

Voei na direção dos gritos, e adentrei as árvores do parque. Um filhote de veado estava agonizando, e as marcas visíveis de vampiro estavam em seu pescoço.

Que tipo de vampiros matam animais? Pensei que isso só existia em romances humanos, aquela imitação de vampiros que eu detestava. Sempre gostei de vampiros de terror.

Os gritos ainda continuavam. Voei, agora como uma fada, na direção em que viam. Quase desmaiei quando o vi.

O Lorde dos Vampiros, aquele que eu tanto admirava, sugava o sangue de Douglas, o amor da minha vida, e no chão, estava morta a atual namorada dele, Priscila Bernardes.

Quando Matilde apareceu, na forma de borboleta vermelho-vivo, eu agradeci baixinho.

Deixei minhas asas sumirem, e caí chorando.

♫♪♪♫

Luzíada, 3 de março de 2005

Estava na igreja, como qualquer sábado à noite.

Tinha algo apertado em meu peito, como se alguma coisa estivesse pra acontecer. Era estranha, diferente...

Eu estava, como sempre, no último banco, no canto que dava pra parede. Estava pouco prestando atenção ao culto. Quase infartei quando a fumaça negra surgiu ao meu lado.

Larissa Bell em forma de fada!

– O que está fazendo aqui? — sussurrei.

Estranho. Fadas não entram em igrejas, sabe-se lá o porquê. Larissa Bell não aparece em forma de fada, e não fala comigo.

– Sua irmãzinha de uma de vampira do Crepúsculo e quebrou um tratado de milênios entre o Conde deles e Koala. Hoje inicia a maior guerra entre fadas e vampiros que esse país já viu. Talvez o mundo.

Estremeci. Minha irmã, matando animais? Ela sempre foi vegetariana, o que a faria fazer isso? Não ser uma assassina, talvez?

A confusão encheu minha cabeça.

– O que vai acontecer agora? — já não sussurrava — Onde eu entro nisso? Onde eu entro nisso tudo? Onde humanos entram nisso?

Ela suspirou.

– Tragédias humanas podem ocorrer nessa guerra. E você... terá que escolher seu lado.

Estremeci. Minha irmã ou minha melhor amiga?

E todos olhava pra mim.

♥♥♥

Mariluz, 4 de março de 2005.

– Como eu ia saber que minha aversão a assassinatos ia fazer uma guerra com as fadas? — o nojo dela ao falar dos seres alados era evidente — Só por que eu quis me alimentar de animais? Qual o raio do problema nisso?

O grande Lorde das Trevas me olhava com ódio. Como se eu tivesse cometido o maior crime da História.

– Era uma acordo, Márcia — Manu falou, com sua voz angelical — Tinha um acordo entre os dois seres, para não nos alimentarmos de animais... Não sei por que elas pediram isso, mas nós nunca pensamos que um vampiro ia querer isso.

O nojo dela ao falar da minha escolha de alimentação me lembrava meus amigos antigos quando eu dizia que era vegetariana.

– O que vai ser agora? — perguntei, aflita.

– Uma longa guerra — Paula falou, como se fosse uma grande filosofia — Que acabará com fadas, vampiros e humanos. E o mundo todo vai acabar sendo destruído.

:3

postado por Márcia, a vampira.


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A noite parecia comum, mas a lua denunciava que algo estava prestes a mudar. Entre as copas das árvores, um vento estranho soprava, como se trouxesse consigo um chamado de alerta.


Melissa ainda sonhava com seus jardins encantados, sem imaginar que a realidade logo invadiria o seu mundo de flores. Márcia, por outro lado, sentia uma inquietação que não sabia explicar. Desde sua transformação, havia um peso novo em seu peito, uma sensação de que a linha tênue entre fantasia e verdade se romperia a qualquer instante.


E foi quando aconteceu.


O primeiro clarão riscou o céu. Não era relâmpago, nem estrela cadente. Era fogo. Um fogo que ardia sem calor, feito para destruir e não para iluminar. O chão tremeu. Os animais da floresta correram em desespero. O perfume das flores foi substituído por fumaça amarga.


Larissa, escondida perto da varanda da casa de sua avó, viu antes de todos. Seus olhos atentos, sempre curiosos, agora refletiam o medo daquilo que não sabia nomear. As conversas que ouvira das fadas e dos vizinhos vinham à tona como peças de um quebra-cabeça cruel: o inimigo não estava apenas à espreita — ele já havia chegado.


— A guerra começou... — murmurou, com a voz embargada, mas firme.


Ellen, já adolescente, apertou os punhos ao ouvir a frase. Sempre entre a inocência infantil e a ousadia de quem descobria a juventude, ela não sabia se chorava ou se se armava de coragem.


Foi nesse momento que a voz do narrador, invisível mas presente, ecoou como se viesse de dentro da própria terra:


"Há guerras que nascem no coração dos homens antes de explodirem diante dos seus olhos. E há destinos que se cruzam justamente nesse fogo. O que parecia ser apenas fantasia, agora é batalha. E cada um deles — Melissa, Márcia, Larissa, Ellen e tantos outros — descobrirá que não se pode escolher quando a guerra começa... apenas como enfrentá-la."


O rugido distante se aproximava. O céu, que antes guardava estrelas, agora era rasgado por sombras. E, com a primeira noite da guerra, também nascia o capítulo mais sombrio de suas vidas.


Notas finais
Antes do mimimi, quem não gosta de Crepúsculo é Larissa, não eu. Eu gosto. Duvida? Olhe minhas fics, inclusive as que leio, e verá minha paixão pela saga lá. Apesar que... eles são vampiros que brilham como fadinhas kk