— Acho que o Boz está um pouco mais verde... — diz Lanny.

— Espero que isso seja uma boa noticia. — diz Mason ainda carregando o rei nos ombros. — Eu quase me matei escalando aquela mesa.

— Lá vêm você reclamando de novo — diz Boomer. — Será que você não consegue entender que essa é sua função?

— Eu sou um guarda, meu dever é protegê-los não escalar mesas gigantes. — diz Mason.

— Já está entardecendo — diz Kayla ignorando seus parceiros, suada e cansada.

Os três caminhavam desde o raiar do dia, procurando pelo acampamento onde haviam iniciado a aventura, mais o labirinto parecia pregar peças neles enviando-os cada vez mais longe do objetivo. O sol já não podia ser visto, e a noite iria chegar a qualquer momento. Como Boz estava desacordado e cada vez mais doente, ele não podia mostrar o caminho, e a consequência era que eles se viam constantemente caindo em armadilhas. Na primeira vez pedras caíram do alto, na segunda o chão desmoronou. Na terceira as paredes se fecharam como uma morsa... Eles ansiavam para que não houvesse uma quarta vez.

Os cânions agora não eram a única paisagem, por todos os lados havia vegetação rasteira, e acima das rochas podiam avistar uma enorme montanha.

— Kayla você ainda tem água? — diz Boomer a boca resecada.

— Nem vem Boomer. — diz Kayla. — Não é minha culpa se você bebeu toda a sua água de uma vez. Alem do mais eu estou economizando o máximo que posso...

— Deve haver algum rio aqui por perto — diz Mason pensativo. — Veja essa vegetação verdejante. Espero encontrar água antes de montarmos acampamento.

— Vocês ouviram isso? — diz Kayla atenta.

— Se for uma respiração pesada e rascante, é minha. — diz Boomer.

— Silêncio! — diz Kayla a expressão severa.

— Ei, não mande um rei ficar quieto. — diz Boomer irritado.

— Eu acho que estou ouvindo vozes. — diz Kayla com a mão no ouvido.

— Ouvir vozes não é uma coisa boa — diz Boomer ficando assustado. — No Harry Potter e a Câmara Secreta, Hermione diz que ouvir vozes não é algo comum nem entre os bruxos.

— Está vindo daquele lado — diz Mason apontando para a montanha.

Todos começam a correr alucinados.

— Esperem — diz Boomer. — E se for uma nova armadilha? Tipo índios canibais?

— O Mason vai na frente só por precaução. — diz Kayla, Mason olha para ela. — Ei, não me encare desse jeito, é você quem tem a espada gigante aqui.

Eles continuaram avançando, e adentram uma clareira. Ela está aos pés da montanha e é rodeada por árvores e arbustos.

As vozes vinham das moitas e eram bem nítidas agora.

— Ai, AH, AAHHH!! Tira, tira, tira!

— Mikayla eu não consigo retirar se você continuar se mexendo desse jeito!

— Ah obrigada Brady... Puxa, dessa vez doeu bastante. Na hora de colocar foi fácil porque eu estava dormindo.

— Pensei que você era mais durona, ei!

— Essa última parte foi tensa...

— Tudo foi uma catástrofe!

— Ah pare de ser tão negativo, nós pelo menos estamos inteiros.

— Inteiros? Eu estou todo dolorido... Da próxima vez, eu fico atrás... Controlando a situação.

— Foi a primeira vez que fez isso?

— Desse jeito louco sim...

— A minha também. Tudo teria acontecido muito melhor se você não ficasse balançando as pernas no começo.

— É porque você iniciou com tudo... Foi com muita força, e eu quase desloquei o quadril quando você me empurrou para dentro.

— Não foi minha culpa, eu tive que ter pressa por causa do fogo na parte de trás...

— Se você ao menos tivesse me escutado no final, eu falei para você virar para a direita.

— Não, você disse para eu virar para direita e depois mudou de ideia... Chega de discussão, tá legal? Eu estou esgotada.

— Concordo com você... Mais lembre-se: da próxima vez eu fico no comando.

— Vai haver uma próxima vez?

— Não sei, do jeito que essa vida é maluca, é bem provável que sim.

— Estou tão cansada que acho que vou dormir aqui mesmo.

— Desse jeito? Toda suja?

— O sujo falando do mal lavado.

— Tem razão, eu também estou tão cansado que nem quero fazer nada, alem de dormir... Eu só gostaria de ter minha calça de volta, essa grama está me pinicando.

Mason parou diante da moita, pálido, o coração batendo acelerado, se perguntando se o que estava acontecendo ali atrás da moita era o que ele estava pensando.

— Sentiu isso? — diz Mikayla.

— Não fui eu. — diz Brady evasivo.

— Não seu porco, tem alguém do outro lado da moita — diz Mikayla se levantando.

Mikayla abriu o mato com as mãos e deu de cara com Mason.

— Mikayla!

— PAI! — diz ela se jogando nos braços de Mason.

— Pé Grande! — diz Brady contente.

Ao ver Brady e Mikayla todos os outros ficam contentes (exceto Lanny) e se aproximam para trocar um abraço.

— Pensei que nunca os encontraria! — diz Kayla abraçando Brady e Mikayla.

— Ficamos perdidos na parte norte do labirinto. — diz Boomer.

— O que vocês estavam fazendo? — diz Mason de forma discreta.

— Nós viemos da montanha — diz Brady. — E caímos nesses arbustos espinhentos. E a atadura da Mikayla quebrou, e eu tive que tirar.

— E se machucaram muito? — diz Mason sorrindo incrivelmente aliviado.

— Bastante, mais pode tirar esse sorriso da cara, nós vamos sobreviver. — diz Brady.

— Desculpe majestade! — diz Mason abraçando Brady com uma alegria renovada. — Não consigo evitar a emoção de encontrá-los.

— Agora temos que montar o acampamento — diz Kayla pegando a caniça brava. — E enquanto eu preparo o xarope, nós colocamos a conversa em dia.

E o grupo começou a tagarelar, felizes por estarem novamente unidos.