Três Gatinhos e um Amor - One-shot
1 Aninha
Notas iniciais
Há alguns meses, um gatinho chamado Milozinho se apaixonou por uma gatinha chamada Alyzinha.
Alyzinha era uma gatinha metida e briguenta, que sempre zombava de Milozinho com suas amigas Aninha e Ariazinha , porém amava Milozinho, tanto que o perseguia diariamente e sempre o assustava. Milozinho já chegara a pensar que ela era uma psicopata.
Um dia, quando os dois se desentenderam mais uma vez, eles brigaram e ambos ficaram tristes.
Aninha sentiu pena de Milozinho, já que não havia feito nada de errado.
Aninha, a gatinha amiga de Alyzinha, era diferente. Depois de um namoro que não deu muito certo com o Elipão, um gatinho siamês que morava na vizinhança, ela estava carente e queria um gatinho que a amasse e a tratasse como ela merecia ser tratada.
Aninha sempre aconselhou Alyzinha sobre Milozinho e não gostava quando os dois brigavam sério.
Aninha foi falar com Milozinho aquele dia. Ela se desculpou pela amiga.
Milozinho chorou e se lamentou, desabafou tudo para Aninha, ciente que ela contaria tudo para Alyzinha.
Aninha ouviu atentamente, e quando Milozinho terminou, ela deu lhe um tapa na cabeça.
Milozinho perguntou o porque de ela ter feito aquilo. Aninha disse que ele deveria criar coragem e dizer o que sentia para Aninha e lhe deu mais um tapa.
Logo, eles começaram a rir e rolar pelo chão, numa briga de mentirinha.
Os dois rolaram na relva, várias e várias vezes, até Milozinho segurá-la no chão.
Milozinho olhou dentro daqueles grandes olhos azuis de Aninha, depois desviou o olhar para aquele sorriso se formando na boca da gatinha.
Aconteceu um beijo inesperado ali, o que seria legal, se Aninha não fosse amiga de Alyzinha. Ela se sentiu culpada e saiu correndo dali, deixando Milozinho sem saber o que havia acontecido.
Dias depois, Aninha ajudou Alyzinha a conquistar Milozinho, mas não contou a ela sobre o beijo dos dois, com medo da gatinha ficar brava com ela.
Eis que Milozinho estava infeliz, e Alyzinha queria saber o porque. Milozinho contou sobre Aninha.
Alyzinha a confrontou e ela admitiu. Como a gatinha amava muito Aninha, não conseguiu ver a amiga triste e resolveu dividir Milozinho, já que não se importava muito com exclusividade e achava que o amor devia ser livre, por mais que fosse difícil.
Tinha tudo para dar errado, mas não deu.
Começou um triângulo amoroso saudável, onde havia muitos miaus, beijos e brincadeiras de lutinha.
Milozinho estava feliz por ter dois amores que o amava, pensou em como manteria as duas para sempre, quantos filhotes queria ter com cada gatinha, como resolveria as brigas...
Um dia, Milozinho combinou com Aninha outra briga de mentirinha na relva, mas Aninha se recusou. De tempos em tempos ela ficava triste e se encolhia sozinha no peitoril da janela durante dias.
Um dia o mundo de Milozinho e Alyzinha desabou. Aninha disse que iria se afastar deles e nunca mais voltar, sem dar justificativas.
Milozinho ficou imaginando o porquê daquela decisão, o que havia acontecido afinal? Talvez o Elipão estivesse assombrando seus pensamentos, ou talvez ela fosse muito jovem e inexperiente, ou não amava mais Milozinho, ou talvez Ariazinha, a outra melhor amiga de Aninha, estivesse com ciúme. Seria muito estilo dela meter o dedo onde não era chamada e plantar ideias na cabeça da gatinha.
O que realmente aconteceu, era que Ariazinha pediu para que ela se afastasse de seus amores como se gatinhos fossem descartáveis, como se eles não tivessem sentimentos. Ariazinha vomitava no ouvido da gatinha sem se importar com o que aconteceria com Milozinho e Alyzinha, que a mesma coisa que havia acontecido com o Elipão – que havia dispensado Aninha para ficar com outra gatinha — Estava novamente acontecendo e que Alyzinha seria logo trocada. Bela comparação… Seria cômica, não fosse trágica. Mas o que esperar de uma patricinha ciumenta, que apesar de demonstrar ser imatura, julgava se ter o direito de interferir na vida amorosa de casais alheios?
Milozinho a pressionou para que ela contasse o que a levou a se afastar de um amor que aparentemente não havia nada de errado.
Aninha respondeu que queria ter o gatinho só pra ela, que a amasse e a tratasse como seu único amor, mas não queria roubá-lo de sua amiguinha. Disse que era melhor chorar agora, que chorar por algo pior depois.
Na manhã seguinte, Aninha foi embora e nunca mais entrou em contato com nenhum dos dois gatinhos. Esquecera-se do seu amorzinho.
Milozinho chorou muito, querendo a verdade e sua gatinha de volta, pois ele a amou e ainda a ama.
Passado algum tempo, ele passou a admirar cada vez mais Alyzinha, que não se deixava abalar pelas do coração e conseguia tudo o que queria por isso.
E desde então, mesmo passados anos, o gatinho pensa na Aninha todos os dias e reza para que ela deixe de fazer cu doce e volte para o colo dele receber carinhos, mimos, cafunés…
Uma hora por dia, Milozinho volta para a relva onde se beijaram pela primeira vez, soltando um apelo ao céu:
Volta Aninha, por favor...
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