Touhou - o Segredo dos Wyverns
11 Capítulo Extra - Kumo no ie
Notas iniciais
Kumo no ie, o lar dos wyverns, era bastante bonito. Totalmente feito de nuvens coloridas, era um lugar perfeito para fazer amigos. As pessoas eram bastante amigáveis. Menos com aquela garota estranha, Tsubasa. Ela era muito desastrada, então as pessoas tinham medo de ficar perto dela. E se sofressem um acidente? Seria culpa da garota, então, melhor ficar longe.
Mas não era isso que pensava uma certa princesa falsa — e não era culpa dela. Tsubasa não era uma garota malvada, ela só não conseguia ser boazinha.
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- Ela não voltou para casa. — disse a garota. — De novo.
Era costume dos wyverns terem dois filhos, pois não gostavam da casa vazia. Amavam conversar e jogar. Por isso mesmo, os pais de Tsubasa tiverem dois filhos. Na verdade, duas meninas. A mãe queria dois meninos, e o pai ficaria feliz de qualquer maneira, pois adorava crianças. Pouco tempo depois de nascerem, o pai teve uma doença terrível. Mas não morreu, e cuidou das duas crianças com a mãe. Algum tempo depois, ficou doente de novo, e morreu. A mãe desapareceu. Alguns acham que ela tenha morrido, outros acham que está perdida e procura pelas filhas até hoje. Não importa, a outra filha sente saudade dos dois do mesmo jeito. Na verdade, dos três, pois Tsubasa não voltava para casa a bastante tempo.
A garota era ruiva — assim como sua irmã, seu pai e sua mãe. — e vestia um vestido azul extremamente claro — e bastante curto. Usava também brincos de esmeralda — iguais aos da irmã. Talvez a única coisa que diferenciasse Tsubasa da irmã seja a idade. A irmã era mais nova, tinha 14000 anos, e Tsubasa tinha 15000. Em idade humana, ela tinha 14, e Tsubasa, 15. Seu nome era Hachi.
- Ela seguiu seus sonhos. — pensou, rindo. — Agora é minha vez.
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- Ela ainda não voltou. — disse uma das milhares empregadas. — Mas estamos procurando.
Kumo no ie tinha um castelo gigantesco, habitado pela família real. Ou seja, onde Kuro morava com a sua família. Falsa família, claro. Tinha reparado que não era filha da família real muitas vezes: Não era ruiva como a mãe, não se parecia com ela, entre outros.
- Procurem de novo. — disse outra empregada. — Se alguém souber da ausência dela, vão entrar em pânico.
Na verdade, ninguém entraria em pânico, pois ela morava sozinha em um imenso castelo. Sem receber visitas. Mas não seria muito bom perceber que a filha única — que não era a filha verdadeira. — da família tinha sumido.
- Hoje era a cerimônia de premiação dela como a nova rainha. — disse a empregada favorita de Kuro, Lulu. — Vamos achá-la nem que tenhamos que revirar o mundo todo.
Lulu usava um uniforme de empregada normal, com um pingente de estrela. Tinha cabelos grandes na cor verde claro e olhos cinzas.
- E se não acharmos ela? — perguntou outra empregada.
- Então teremos que colocar outra pessoa como rainha. — e ficou bastante séria. — Ela sabe que não é da família real. Então...
- Não está dizendo que vai colocar a...
- A irmã da verdadeira princesa. — disse.
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Então ela não ia voltar mais. Agora era a sua vez de seguir seus sonhos. Arrumou suas coisas — as poucas coisas que tinha. — e foi embora de casa. Seu maior sonho de todos era governar algo muito grande, como o lar dos wyverns. Mas ela não sabia que seu sonho estava prestes a se realizar.
Alguém bateu na porta de sua casa. Ela foi atender, e era Lulu. A empregada parecia bastante nervosa.
- Eu preciso contar uma coisa para você. — disse Lulu, um pouco triste de esconder isso durante toda a sua vida. — É sobre Kumo no ie.
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- Reimu, como acha que o reino dos wyverns está? — perguntou Marisa, sentada na frente do templo Hakurei, junto com Reimu, a sacerdotisa do templo.
- Reino dos wyverns? — Reimu bebeu uma xícara do seu chá e pensou um pouco. — Eu não tinha pensado nisso. Se Tsubasa era a verdadeira princesa de lá, eles ficaram sem uma rainha em breve. Que problemático.
Reimu poderia ir até lá e resolver esse problema. Mas estava bebendo chá, e não gostava de ser incomodada nesse momento. É melhor não fazer nada, eles poderiam se resolver.
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Seu sonho se tornou realidade. Ela iria governar um lugar imenso, e seria bastante famosa.
- E então, Hachi? — perguntou Lulu. — Tem certeza de que quer ir viver no castelo?
Pensou um pouco nas consequências. Iria viver seu sonho, mas porque estava pensando se deveria ou não? Se sua irmã foi seguir os sonhos dela, por que ela não podia? Aceitou a proposta. Pouco tempo depois, fizeram a cerimônia de coroação da nova rainha. Ela ficou famosa até fora de Kumo no ie.
E o mais importante, conseguiu ter seus sonhos realizados.
- Sinto que não falta mais nada na minha vida. — disse Hachi, sentada em uma luxuosa cadeira vermelha, feita especialmente para a rainha. — Minha vida está completa.
- Ainda bem que acha isso. — disse Lulu, sorrindo, e se retirando para continuar a limpeza semanal do castelo.
- Ah. — e pensou um pouco. — Você vai ser minha assistente, não precisa mais trabalhar limpando o castelo. E minha vida está completa, não sei se eu já te disse.
- Já disse sim, senhora. — e riu novamente, se retirando.
- Mas antes que vá embora, traga uma xícara de chá para mim. — e sorriu. — Minha vida não seria completa sem chá, você sabe disso.
Lulu riu, nervosa, e se retirou rapidamente, antes que Hachi pedisse algo mais. Talvez fosse o poder que tinha subido a cabeça da garota, e ela tenha ficado louca, ou talvez ela já fosse louca, mas sabia governar o lugar muito bem.
- Nossa melhor rainha. — dizia Lulu, orgulhosa.
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- Como você acha que o lar dos wyverns está? — perguntou Tsubasa, levemente interessada na opinião da amiga.
Kuro suspirou.
- Eu não sei. — disse. — Talvez tenham entrado em pânico por minha ausência, talvez nem tenham notado. Não importa, agora estamos aqui.
- Tem razão. — Wyvern riu. — E o que acha de participarmos daquela festa da chegada da primavera no templo Hakurei?
- Participaremos. — disse a outra. — Então é melhor nos arrumarmos, a festa começa logo.
E ela tinha razão, logo logo, a festa começaria. Era melhor não se atrasarem. Não é muito bonito da parte dela chegar atrasada na festa da pessoa que ajudou ela a fugir.
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O Templo Hakurei estava lindo. A festa estava sendo um sucesso. Todas as suas amigas — e inimigas, ou quase isso. — tinham comparecido a comemoração. Remilia, Flandre, Sakuya... Todas mesmo.
- Gostaria de mais alguma coisa, Flandre? — Reimu corria de um lado para o outro, atendendo aos pedidos das pessoas, como se fosse a garçonete.
Do lado de fora do Templo Hakurei, Kuro e Wyvern estavam admirando o céu. Estava muito lindo, principalmente para a primavera.
- Kuro. — chamou Wyvern. — Eu queria te contar uma coisa, mas nunca tive coragem.
- O que queria me contar? — Kuro já sabia o que era, mas sempre teve curiosidade de ouvir Wyvern falar aquilo. — Pode me contar.
Wyvern ficou bastante pensativa. Contava ou não contava? Gostava muito dela. Muito mesmo.
- Eu gosto muito de você. — disse. — Muito mesmo.
Kuro já sabia disso a bastante tempo, mas achava engraçado como Tsubasa ficava engraçada todas as vezes que sentava perto dela.
- E eu de você. — riu. — Por que nunca me contou isso antes?
- Eu não sei. — disse, olhando para o céu. — Medo, talvez.
- Alguém quer mais chá? — perguntou Reimu, aparecendo atrás das duas.
Wyvern levou um susto gigantesco, não tinha reparado Reimu atrás delas. O susto foi tão grande que ela topeçou e caiu perto de umas pedras.
- Nossa. — Reimu surpreendeu-se. — Para uma wyvern, você é bem estranha, hein?
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O resto da festa transcorreu sem nenhum problema. A comemoração tinha sido um sucesso. Reimu não teve mais problemas com wyverns, nem nenhum outro habitante de um lugar desconhecido fez o céu ficar diferente. Ninguém sabe muito bem o que aconteceu com Kuro e Wyvern, mas elas parecem bastante felizes juntas.
O reino dos wyverns está sem problemas a bastante tempo, já que Hachi é bastante organizada e cuida dos problemas rapidamente.
E assim, essa história termina com uma frase bastante sábia, de Reimu Hakurei:
- As vezes, devemos dar uma segunda chance para as pessoas. — e bebeu um pouco de chá. — Elas podem nos surpreender. Você entende o que eu digo, não é, Marisa?
Infelizmente, Marisa não pode dar sua opinião, pois estava dormindo, fingindo que escutava tudo.
- Que povo estranho. — disse Reimu, e bebeu mais chá. — Cada um pior do que o outro.
O Fim...?
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