Notas iniciais
Oláaaaa, Voltei (depois de um aniversário, uma viagem, uma mudança muuuito cansativa e uma troca de cidade - sim, foi um mês bem longo)!!! AVISO JUSTO: Prepare o coração para os próximos capítulos dessa história. Não me responsabilizo por ataques cardíacos =) LEIAM AS NOTAS FINAIS, PFV!

Capítulo 24

"Tormenta"

Loren Hannigan

— Dois meses depois -

Depois de funcionar por dois meses no piloto automático, as pequenas mudanças na rotina me deixam nervosas. Minha nova psicóloga (oferecimento Carter Marshall) disse que era normal que mudanças, mesmo que pequenas, se tornassem assustadoras após traumas, porque rotinas eram confortáveis, seguras. Acho que era suposto me fazer sentir melhor, mas, de alguma maneira estranha, eu tinha medo da mesmice. Bem, eu tinha mais medos do que eu gostaria de admitir, por esses dias. Deixei de tentar ser forte e apenas segui o rumo que me era apontado, porque eu não conseguia sequer começar a entender o turbilhão de emoções que me dominavam a cada dia. É bem difícil descobrir seu próprio futuro quando o reflexo do espelho não reflete nem a pessoa que você é, nem a que queria ser. Me perguntei, mais de uma vez, se tudo que eu estava fazendo sugou minha personalidade, mas nunca cheguei a uma conclusão. Doc. Lyana Smith, a pessoa que atualmente aguentava todos os meus dilemas, disse que eu me sentia perdida por que, apesar dos meus objetivos comerciais, minha vida não tinha um grande propósito ou objetivo para continuar indo. Eu não tinha desejo de morte, mas também não desejava viver. Limbo emocional, ela me disse. Um lugar neutro onde eu não era obrigada a confrontar meus sentimentos.

O fato de que eu ia toda noite pra um apartamento semi-vazio, que eu chamava de casa por agora, não ajudava. O sentimento de solidão era desolador. Colin e Carter estavam preocupados comigo, e faziam pequenas intervenções às vezes, jantares, filmes, sorvete (minha própria versão de esquecimento). Eu trabalhava, muito. Mais do que o que é considerado saudável, admito. Era uma forma de limpar minha cabeça de memórias e coisas que eu não podia ter no momento. E, também, porque eu estava me tornado muito boa nisso, para meus 21 anos de total despreparo.

Não que qualquer pessoa tenha facilitado a experiência para mim. Não os acionários, não os funcionário, definitivamente, não a minha avó. Colin e Carter tentavam ir com calma, mas 1: a situação crítica não casava com calma; 2: nenhum dos dois entendia o conceito de “é informação demais para digerir um dia, quem dirá uma hora”. Ah, sem falar, também, da caixa misteriosa redentora que meu avô me deixou, que, adivinha, se tornou em mais trabalho, não em alívio.

Meu avô era realmente ruim nesse negócio de testamento.

Bem, a famigerada caixa tinha uma série de pequenos objetos aleatórios, que, apesar de toda a minha ânsia por um milagroso incentivo, fazia zero sentido para mim. Eu não compreendia a grandeza de como no inferno um monte de fotos velhas, cartões portais e pequenos objetos inutilmente variados poderiam me ajudar. Além disso, a caixa estava repleta de papeis. De fato, muitos papeis. Todos eles com aparência de importante. Precisei de três leituras completas e um interpretador de negocies (a.k.a. Carter) para entender do que se tratava.

Era um plano de extensão comercial, bem completo e elaborado. O que seria uma boa coisa, exceto que eu mal conseguia lidar com a empresa agora, do tamanho que ela é. Plano de expansão? Absolutamente surreal.

Bem, hoje foi um desses dias em que eu já acordei me perguntando que diabos meu avô estava pensando (acontecia com muita frequência, inclusive), mas, antes que eu pudesse entrar no caminho da minha segura, porém totalmente enlouquecedora, rotina, meu celular tocou.

Eu pensei em ignorar, por cerca de três segundos, porque era 07h da manhã, e eu nem sequer tinha tomado um gole de café ainda, mas era o rosto sorridente de Chase no identificador de chamada. E, por mais que eu tivesse com vontade de mandar o mundo inteiro para aquele lugar bem específico, eu não perderia uma chamada de Chase. Nossa relação andava por lugares tortuosos por esses dias. Ele ainda estava chateado porque eu deixei LA sem dizer adeus a ninguém, inclusive ele. Eu ainda estava chateada com ele por não me apoiar, sabendo o quão difícil tudo estava sendo para mim. Não esperava que ele gostasse do que eu fiz, mas fosse no mínimo empático com minha dor.

De qualquer forma, éramos irmãos, e, mesmo que não entrássemos em comum acordo sobre nada atualmente, nos amávamos.

Suspirei profundamente, tentando manter minha mente nesse fato.

— Bom dia, Chase — saudei. Mas, antes que eu pudesse falar qualquer outra coisa, ele me interrompeu, cuspindo informações em um ritmo acelerado.

Seu tom de gravidade foi a primeira coisa que meu cérebro registrou. Depois, palavras isoladas.

Chris.

Emergência.

Hospital.

Minhas pernas fraquejaram, meu estomago apertou de forma doentia.

Quando meu cérebro registrou toda a informação, eu precisei me segurar na parede ao meu lado para evitar cair. Toda a força havia sido drenada do meu corpo, as lágrimas se acumularam nos meus olhos, formando poças que logo transbordaram.

. ♥ .

Tudo que aconteceu depois foi um borrão de chamadas telefônicas, desespero e eu entrando em uma discussão muito acalorada com a mulher da companhia aérea. Eu não parei um segundo, não hesitei nem por uma batida de coração, só continuei me movendo, sabendo onde eu precisava estar e o que eu precisava fazer. Nada mais importava, não a maldita empresa, nem a calça de moletom que eu ainda estava vestindo quando subi no avião.

Uma vez que eu ajustei o cinto no lugar, recostei a cabeça no encosto da poltrona, e deixei o significado de tudo me atingir.

Chris estava em estado crítico, sua doença havia progredido, seus rins tinham parado quase completamente, o que o forçou a uma internação urgente, seções diárias de hemodiálise, e, agora, com a debilidade mais que grave da função renal, a necessidade de um transplante.

E, bem, porra, ninguém pensou em me avisar antes de ter chagado a esse ponto?

Chase, depois de eu ter me acalmando o suficiente para fazer perguntas, me disse que ele havia recebido ordens específicas de não me contar. Ele não disse quem deu as ordens, mas doeu pra caralho sequer pensar que qualquer um deles tenha feito.

Meu irmão me ligou, contra a vontade de todos e em sigilo, por que a situação se tornou crítica, e, como ele mesmo esclareceu, ninguém da família falou ou reclamou de nada, mas ele podia dizer que as contas médicas estavam acumulando num montante que os Heidy jamais conseguiriam quitar. Hemodiálise estava sendo a forma barata de tratamento, nesse caso, o que eles podiam pagar. Era, também, uma solução ineficaz para o caso de Chris.

Meu coração estava doendo de tantas maneiras.

Por Chris. Pelo fato de que eu poderia ter ajudado, se alguém tivesse me ligado antes. Pelo fato de que eles provavelmente me odiavam por ter partido sem nem mesmo um adeus, ou “obrigada por tudo”. Por Logan, que eu sabia que estaria movendo o céu e o inferno para salvar a vida do irmão. Por Thomas, Calebe e Matt, que eu sabia que estariam desolados.

Doeu, porque o meu irmão, mais uma vez, foi mais fiel a eles do que a mim, mesmo sabendo que ele me contar antes podia fazer a diferença na vida de Chris.

Me magoou de maneiras inexpressíveis e inexplicáveis.

Acima de tudo, me magoou porque eu não estava lá para eles. Para ajuda-los através disso. E era minha própria maldita culpa. Porque, apesar da minha fortuna gigantesca, eu não consegui pensar através da minha própria dor egoísta, para me lembrar que eles poderiam realmente precisar de mim. Eu sabia que precisava deles para curar o meu caso grave de dor emocional, mas minha vida jamais esteve em risco. A de Chris esteve, eu sabia e, ainda assim, não pensei nisso antes. Quão egoísta da minha parte foi olhar apenas o meu lado da situação?

Pelo momento em que meu voo decolou, eu já me sentia tão dilacerada, que eu mal conseguia respirar. Eu não parava de pensar em Chris, e não conseguia parar de pensar em Logan. Eu queria ligar para ele, apenas para dizer que eu cuidaria de tudo, e que ia ficar tudo bem. Eu queria apenas ouvir a voz dele, porque eu estava assustada e ele era o único lugar seguro que eu conhecia. Eu queria, por uma vez, estar lá para ele, para ajudar a carregar o peso da angustia que eu sabia que ele estava sentindo.

Eu olhei as nuvens pela janela do avião com lágrimas borrando a linda visão do sol brilhando, e apertei o celular na minha mão, tentando decidir se era uma boa ideia ligar para ele.

Algo dentro de mim dizia que eu era a ultima pessoa que Logan gostaria de ver no momento. Porque eu fui a única a deixa-lo no meio da noite. E, se a dor que ele sentiu quando acordou e não me viu lá, foi qualquer coisa perto da que eu senti quando me forcei a subir num avião para longe dele, ele não podia emocionalmente lidar com isso no momento.

Me questionei por cerca de meio segundo se ir até eles era a melhor ideia. Eu não queria causar mais transtornos do que o que eles estavam passando no momento. Mas eu sabia que eu jamais poderia ficar sentada, a mais de meio país de distancia, sem vê-los por mim mesma. Sem ver Chris com meus próprios olhos.

Pela hora em que o piloto anunciou que estávamos pousando, a agonia de todas as possibilidades agitavam meu estomago, me fazendo sentir doente. O peso no meu peito me impedia de respirar corretamente. Meu coração batia a um ritmo frenético e descontrolado; minhas mãos tremiam de nervoso.

O que aconteceria com Chris?

Ele ficaria bem?

O que Logan faria quando me visse?

Era tarde demais?

Voltar foi um erro?

Eu desci do avião e passei pelo aeroporto de maneira automática. Eu havia me acostumado o suficiente com emoções esmagadoras, para ainda ser funcional, mesmo que meu corpo inteiro estivesse à beira de um colapso nervoso. Entrei num taxi e fui para o hospital, orando pelo melhor. Tentando me convencer que eu podia lidar com qualquer cenário, contanto que Chris ficasse bem.

Quando o taxista estacionou na frente do hospital, eu empurrei na mão dele uma quantia de dinheiro que eu, honestamente, não fazia ideia do valor, e entrei no hospital em um furacão. Eu tinha absoluta certeza de que eu parecia uma pessoa louca, ainda vestindo a calça de moletom cinza e camiseta preta em que eu dormi. Meus pés estavam calçados com chinelos, e a bolsa de couro Prada (aparentemente adequada para uma mulher de negócios, segundo o que me foi dito), que era minha única bagagem, completava meu look.

O fato de que eu não fazia ideia do que estava acontecendo no meu cabelo dava a dica de que eu não estava me importando nem um pouco com nada disso.

Quando a velha enfermeira entediada, finalmente, pela graça de Deus, me apontou em uma direção, eu corri para lá, mais uma vez, tentando não pensar nos cenários que eu poderia encontrar. A mulher da estação de informação me disse que Chris já estava em cirurgia, bem como Thomas, que foi escolhido como o doador mais compatível, mas eu sabia que estariam. Longas chamadas de telefone para o hospital, para o meu contador, para o banco, para o meu advogado, para o banco novamente, e então, de volta para o hospital; foram os fatores que me impediram de entrar no primeiro voo disponível e estar aqui antes. Quem diria que precisava de tanta burocracia estúpida para ajudar alguém cuja vida estava em perigo...

Depois de uma corrida frenética até o terceiro andar do hospital, eu parei no limite da sala de espera, sem conseguir forças o suficiente para dar mais um passo e enfrentar o que me esperava. O silêncio era sepulcral na sala pouco espaçosa. Todas as amadas pessoas que eu deixei para trás estavam lá, cada uma delas sofrendo a seu próprio jeito, mas, como se só houvesse apenas uma pessoa na sala, meus olhos se instalaram em Logan, sentado no canto mais distante, cabeça baixa. Minha respiração engatou, e não tinha nada a ver com a corrida frenética de momentos atrás.

Notas finais
Sim, você leu certo! Isso se passa dois meses depois do cap passado. Sim, eu ainda vou falar mais da caixa. ... Dito isso, tenho algumas coisas que preciso que vcs me contem nos comentários: 1- Na possibilidade de uma próxima história do universo Heidy Brothers (sim, este é o nome da série), que irmão vcs prefeririam, Thomas ou Chris? 2- Eu queria indicações de músicas que lembrem vcs o enredo dessa história... pfv ;) ... Obrigada todo mundo que comentou no cap passado ♥ Leitores novos, bem-vindos!!! Até o próximo :* P.s.: Pandora, muito obrigado pela inspiração desse e dos próximos 2 caps ♥ você é incrível!!!!