Notas iniciais
Espero que gostem!

IV

Matt

- Ela não é perfeita? — Zacky ainda tinha os olhos a brilhar desde que saímos de ao pé da Marie.

- É bonita, sim. – Respondi, com um encolher de ombros. – Mas a cara dela é me bastante familiar.

- A mãe dela é a Amélia Williams, a estilista.

Agora sim, fazia sentido! O meu pai já me levara a desfiles dela várias vezes. Vai-se lá entender porque queria tanto um homem de rock ver um desfile de alta-costura, tendo em conta que era o único nome que ele ia ver numa semana inteira da moda.

- Conheço, o meu pai gosta imenso do trabalho dela.

Zacky olhou para mim surpreso, e começou a rir-se bastante.

- Ok, não estou de todo a imaginar o teu pai sentado a ver um desfile de moda.

- Vai-se lá entender. – Respondi, a rir-me.

Vi Marie novamente ao sair da escola, sorriu-me discretamente, nem dar a entender ao resto das pessoas que me conhecia. Tive imensa vontade de ir falar com ela; havia algo nela que me intrigava e fazia com que a quisesse conhecer.

Chegar a casa soube-me estranhamente bem. O meu pai estava sentado no sofá, tocando algumas notas soltas, como fazia quando eu era criança.

- Já chegaste. – Cumprimentou-me com um sorriso. – O teu primo?

- Não faço ideia, penso que ficou com o Zacky e o Jimmy. – Respondi, com um encolher de ombros. – A mãe?

- Disse que precisava de tratar de umas coisas para decorar a casa.

- Pai, conheci a filha daquela estilista que gostas.

- Hum, a a sério? – Respondeu-me gaguejando.

- Sim, é da escola. Chama-se Marie. É simpática, mais ou menos.

O meu pai deixou escapar um sorriso.

- Eu percebo. A mãe dela também é assim.

Marie

- Nicky, por amor de deus! – Quase que gritei.

Estávamos no centro comercial, meio que a perseguir o meu ex-namorado e os seus amigos, e eu queria mesmo ir me embora dali. Não queria que Zacky me visse e tive algum tipo de esperanças.

- Marie, tu e o Zacky terem acabado não significa que não possas ir aos mesmos sítios que ele. Afinal, tu é que acabaste com ele. – Resmungou.

- E por isso, não quero que ele tenha esperanças. – Contrapus. – Vá lá Nicky, tu não precisas de comprar nada.

Eles entraram numa loja de musica, onde Syn pegou imediatamente numa guitarra e pôs-se a tocar. Nicky sorriu-me, com o sorriso de quem acabou de criar um plano.

- Lá vamos nós. – Sussurrei.

Entramos na loja, eu quase que arrastada, e os rapazes olharam logo para nós. Como era de esperar, Zacky veio ao nosso encontro.

- Por aqui? – Perguntou, com um certo brilho nos olhos.

- Estou a pensar em aprender a tocar guitarra. – Disse Nicky.

A sério? Era este o grande plano dela?

Zacky começou a rir-se bastante.

- Tu, Nicole Frances, a tocar guitarra!?

Syn levantou-se, juntando-se a nós.

- eu posso-te ensinar. – Disse, pegando na mão de Nicky.

- Seria um prazer. – Ela sorriu-se, e foram ambos para junto da guitarra onde Syn estava a tocar anteriormente.

Revirei os olhos à situação, e disse um pequeno adeus a todos. Ela estava mais do que bem entregue, e eu não queria de todo ficar ali ao pé de Zacky.

Caminhei apressadamente pelos corredores do centro comercial, ignorando as pessoas e as lojas que pelas quais passava. Até que esbarrei contra algum idiota.

- Ai! – Reclamei.

- Desculpa. – Levantei os olhos para ver de quem se tratava. – Olá.

Matt sorria para mim docemente. Suspirei, rogando pragas à ironia do destino.

- Matt. – Cumprimentei-o. – Os teus amigos estão numa loja de musica.

- Hum, eu sei. Não me apetecia nada vir para aqui. – Disse, como se tivesse a falar para ele próprio do que propriamente comigo.

- Somos dois. Acabei de deixar a minha amiga ao pé deles.

Matt olhou para mim, sorrindo. Aquele sorriso começava a dar cabo de mim.

- Algum plano, ou fazes me companhia por um bocado?

- A segunda opção. — Respondi, piscando-lhe o olho.

Não sei porque raio aceitei, mas a verdade era que Matt até era simpático. Saimos do centro comercial a pedido dele, e fomos até um jardim próximos, sentando-nos no banco mais escondido de todos. Matt puxou de um cigarro, e eu fiz o mesmo.

- Esconder-te pela fama dos pais? – Perguntou, com a sua voz rouca e alegre.

- Exactamente. É frustrante.

- Eu sei. Percebo exactamente, acredita. – Disse-me, pousando a sua mão sobre a minha.

Não me queixei. Pela primeira vez em meses, estava me a sentir compreendida por alguém. Mesmo que conhecesse essa pessoa há apenas umas horas.

— Pensei que fosses mais um puto rico e convencido dele próprio. – Disse-lhe. Matt riu-se, e negou com a cabeça. – Porque mudaste para Londres?

- Fui expulso da minha antiga escola.

- Expulso?

- Vamos dizer que eu e o Syn não eramos muito correctos. – Disse, num tom triste. – Arrependo-me, não queria deixar aquilo era a minha casa.

- Percebo. – Respondi, sem lhe perguntar mais nada.

Deixamos o silêncio correr por segundos, existindo apenas o toque das nossas mãos uma na outra. Até que Matt olhou para mim com a expressão de uma criança prestes a perguntar algo que lhe adoçava a curiosidade.

- Diz…

- Marie, foste a única pessoa que não veio me sufocar por eu ser filho de quem sou. Isso é… Aliviante.

- Eu não gosto de ser filha de quem sou, não iria sufocar alguém que tivesse a mesma situação que eu tenho.

- Não gostas? – Perguntou, espantado.

- Eu adoro a minha mãe. Apenas não da sua fama.

- E o teu pai?

Sentiu uma lagrima escorrer pelo meu olho, e uma dor forte despertou no meu peito.

- Desculpa. Não devia…

- Não Matt. – Apressei-me a parar as suas desculpas. – É que… Eu nunca conheci o meu pai.

Notas finais
Mereço reviews? :3
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.