Total Drama: Tudo ou Nada Brasil!

1 Não Amarele em Brasília! - Parte 1


Torre de TV, 10h da manhã.

Sobre um céu limpo e azul de uma cidade muito importante no Centro-Oeste do Brasil, um drone pilotado por um especialista, capta imagens de diversos pontos da capital brasileira chamando a atenção de diversos curiosos transeuntes. O drone por fim voa em linha reta em direção a um homem de terno azul marinho e gravata borboleta que está posicionado no alto do mirante da Torre de Tv de Brasília, exibindo seus dentes brancos pareciam reluzir ao sol da manhã em um largo sorriso.

— Depois de um enorme sucesso em todo o planeta – começa ele seu discurso — Eis que a Corrida Alucinante chega a sua edição brasileira! Estamos em Brasília, a capital da esperança do Brasil. Local aonde todos os políticos vem bater boca enquanto decidem o futuro do país. E é aqui que começará a incrível jornada por 26 estados do Brasil, aonde 18 equipes de todos os cantos do país chegarão para disputarem ombro a ombro o prêmio de dois milhões de reais! Sou o apresentador Olávio João, e dou boas vindas ao Total Drama: Tudo ou Nada Brasil!

Olávio sorri para a câmera do drone à medida que o objeto se afasta e mostra o cenário ao redor, com uma grande apresentação da fonte onde dará inicio a grande aventura. Para em seguida dar início a vinheta do programa.

Olávio desce da torre e caminha em direção à fonte evitando ao máximo se aproximar das pessoas com cartazes de “Fora Dilma” e “Fora Temer” que cismam em cerca-lo. Por sorte os seguranças do programa os afastam para longe das câmeras.

— Sejam bem vindos de volta ao Total Drama: Tudo ou Nada Brasil. Nesse exato momento 18 equipes estão chegando ao ponto de partida para dar início a grande maratona ao redor do país – Diz Olávio tentando ser o mais sério e profissional possível, tentando não demonstrar o quanto está sofrendo no calor – Vamos conhecer as equipes que tiveram a coragem de enfrentar essa corrida! Nossos primeiros participantes acordaram às 4 horas da manhã pra varrer a calçada e alimentar os pássaros. Diretamente do Sul do Brasil deem boas vindas à Martha e Antônio, A Velha Guarda!

Dentro da sala de entrevistas, um casal de velhinhos em roupa de ginástica entra e se sentam nas cadeiras.

— Estamos casados há 40 anos e estamos sempre tentando manter a boa forma – diz Martha sorridente olhando para seu esposo – Nós sempre acordamos cedo, varremos a rua, alimentamos os bichinhos e depois vamos fazer caminhada.

— Nos finais de semana as gente vai pro bingo – diz Antônio numa piscadela – Nossos filhos não queriam que a gente viesse com medo da gente sofrer alguma coisa, mas nada impede que um velhote de 65 anos não acabe com os mais novos – ri.

— Meu velho tá certo! – ri Martha. – Nós vamos ganhar isso!

— Trouxe as vitaminas, né?

— Trouxe sim, meu bem. – ri enquanto ajeita os oclinhos escuros da marca Transitions.

Os próximos a chegarem ao ponto de partida é André e Paulo, Os Jogadores de Futebol.

— Cara! Quase que tu quebra o cenário, animal! – ri André pegando a bola chutada pelo amigo e se sentando na cadeira – E aí! Sou André e esse é meu parça Paulinho.

— Nós somos jogadores de futebol da série D, mas com certeza vamos chegar à série A daqui a pouco – diz Paulinho com uma piscadela marota.

— Estamos super preparados para chegar a final. Treinamos muito pra não dar nenhum frango na competição, né negão.

— Pode crer! Te cuida pessoal! Nós vamos ganhar de goleada!– Diz Paulo com sinal de positivo para a câmera.

De volta á Brasília, do nada, um avião gigante sobrevoa o local e dois paraquedas se abrem segundos depois. Os dois homens pousam próximo ao local onde os outros os esperam. Com exceção de um que cai dentro da fonte.

— Soldado Mello e Capitão Guerra – Chama o apresentador – Os Militares.

— Soldado Mello se apresentando senhor! – quase berra o rapaz emergindo de dentro da fonte ainda coberto pelo paraquedas totalmente encharcado.

— Descansar! Vai se secar recruta! – ordena o capitão – É com muito orgulho que estamos aqui para representar o Exército Brasileiro. Queremos mostrar que estamos preparados não só para evitar confrontos na cidade e defender nosso país, mas também para vencer todos os desafios.

— Exatamente senhor! Também quero ser um exemplo de recruta á todos os novatos da companhia senhor! – diz em bom som o Soldado Mello prestando continência já fora da fonte.

— Você não vai ficar o tempo todo prestando continência, né? – pergunta o capitão.

— Não senhor!

— Tomara que saiam log... Ah tá filmado? – ri sem graça Olávio limpando a garganta – Olhem lá vem a próxima equipe. Vera e Angélica, Mãe e Filha.

— Cadê a xuxinha, Angélica? Tu perdeu mais uma? Já comprei um saco de xuxinha de cabelo pra amarrar essa mata garota!

— Ih mãe! Não começa não! – responde a pirralha torcendo o cabelo para o lado.

— Garota eu vou te... Ah! Oi gente! – Vera ri ao notar a câmera focar seu rosto – Prazer sou Vera e essa aqui... Senta aqui minha filha.

— Não! – responde a garota em um canto do cenário.

— Qual seu problema, Angélica?

— Você vai me bater.

— Vou não bebê. Agora senta aqui com a mamãe! — diz tentando manter a voz calma.

— Não! – reclama a filha cruzando os braços e fazendo bico, ato que fez a mãe se levantar da cadeira e corre atrás da garota que foge em seguida.

— Angélica tu não faz bico pra mim não garota, que eu te pego!

A câmera corta para uma nova dupla que se aproxima. Duas mulheres saem de dentro de um carro preto e com classe acenam para o apresentador Olávio.

— Sejam bem vindas, As Patricinhas!

Momentos antes dentro do carro, as duas se deliciam com uma taça de champagne para dar a entrevista.

— Oh, Hello people! Eu sou Diana, pronuncia-se “Daiana” igual à princesa, ok? E essa é minha irmã Charlotte – diz bebericando o líquido na taça de cristal enquanto ela endireita seu cabelo chanel.

— Bem, estamos nessa competição, por que papai...

— Eu sei irmã... Eu te entendo... – diz abraçando a irmã que parece chorar – Eu sei... É lamentável a situação.

— Estamos aqui – recomeça ela fungando e sem nenhuma lágrima nos olhos – Por que papai, por que papai... Por que ele bloqueou nossa mesada!

— Sim – concorda a outra — Papai viajou para a Suíça á trabalho, e disse que estamos gastando muito. Mas agora estamos endividadas! – Irritou-se Diana.

— Calma Lady Di...

— Calma? Tá vendo isso aqui gente? – diz mostrando o líquido da taça – É sidra! sidra! Tem noção do que é sidra? Bebida de pobre! Isso não tem nem álcool! E essa taça – disse bebendo o líquido todo antes de jogar a taça na janela do carro que em vez de quebrar, devolveu o objeto – É de acrílico! A-CRÍ-LI-CO! Plástico! E tá pensando que esse carro é nosso?

— Chega Di!

— Chega nada! Tem que mostrar! Tá vendo esse carro? Esse carro é Uber! – Gritou — Meu Deus! Tô pobre! – chorou, para ser abraçada em seguida pela irmã.

— Gente que drama! – Riu Vera ajeitando o cabelo afro.

— Ai tem que sentar aqui mesmo? – perguntou Charlotte apontando para a beirada do chafariz.

— Pessoal, tragam cadeiras! – Pediu Olávio a sua produção – Próxima equipe chegando! São Os Casados, Fernanda e Alan!

— Estamos casados há três dias e nos conhecemos há cinco anos...

— Seis anos — interrompe Fernanda, fazendo o marido revirar os olhos. Pois é, e se eu soubesse nem teria me casado!

— Mas a culpa não é minha se a produção nos chamou justamente quando iríamos sair na lua de mel.

— É bom a gente ganhar isso! Ainda nem paguei meu vestido de casamento.

— No que fui me meter — resmunga Olávio cumprimentando-os com um sorriso — Próxima dupla!... Que isso produção? É esse nome mesmo? Mas.... — O apresentador ignora e com seu sorriso brilhante quase gagueja — Os Otakus!

— Gostamos de ser chamados de otakus por que gostamos da cultura japonesa, sabe — diz Gabriel passando a mão no cabelo azul.

— Pois é. Tem gente que nos chama de maluco, desocupados, nerds... Mas a pronúncia certa é otakus, wakarimashita?

— Isso significa entendeu em japonês. Tipo, nós fazemos aula e tal... Enfim... Vamos dar o nosso melhor!

— Ganbarou Ze!!! — gritam os dois fazendo o "V" de Vitória com os dedos

— Guilherme e Lana! — anuncia Olávio — Os YouTubers!

— Fala pessoal! — Começa Guilherme com um grande sorriso virando seu boné para trás.

— Olá gente! — cumprimenta Lana sorrindo — Pois é, resolvemos entrar na competição para mostrar a vocês, nossos fãs, como será a corrida até o final!

— Infelizmente não teremos vídeos novos no nosso canal nesse período, mas iremos gravar nossas aventuras aqui e postaremos tudo assim que vencemos.

— Torçam por nós — sorri Guilherme com uma piscadela — Beijão! Gui e Lana desligando! Tchau!

Assim que terminam, os dois desligam a filmadora portátil e pela primeira vez percebem que estavam sendo gravados.

— Ah tinha que falar pra câmera? — pergunta Guilherme.

— Produção, eles podem usar uma câmera pessoal? — pergunta Olávio escutando a resposta pelo ponto em seu ouvido — Então tá... Altas mordomias rolando aqui. Vamos ver quem são os próximos a unir-se à competição. E lá vêm eles! São Os Melhores Amigos! Cadê os pais dessas crianças!

— E aí tio! – cumprimenta o garoto de cabelos verdes.

— Oi pessoal! – Sou Jéssica e esse é meu amigo Mateus.

— Somos amigos desde a quinta série – continua Mateus rodando na cadeira giratória da sala de entrevistas.

— Nossos pais nos deram permissão para vir ao programa já que ainda somos de menor.

— Temos 15 anos – completa o garoto.

— E aí eles aproveitaram pra tirar umas férias – conclui Jéssica.

— Eles falam que somos muito perturbados – conclui Mateus com um sorriso maléfico.

— Mas eles não nos entende! – terminam em uníssonos, tontos de tanto girarem nas cadeiras.

— Ahn, ok, ok meninos, podem se juntar aos outros participantes. Esses são as primeiras nove duplas. Vamos dar continuidade aos próximos competidores! – Comunica Olávio ainda sorrindo — Diego e Mauro, Pai e Filho.

— Pra falar a verdade fui eu que nos escreveu na competição – começa o filho, Diego – Meu pai é meio careta e tá solteiro, então seria uma boa ele entrar na moda.

— Quem disse que sou careta filhão? – ri o pai confiante estufando o peito.

— Pai... Pochete? Tipo anos 70, sacou? É bizarro!

— Não é não viu! Olha, você pode guardar várias coisas aqui, tipo; barras de cereal, equipamentos, remédio, band-aid, mata-mosquito...

— Ah tá... – reclama Diego revirando os olhos enquanto o pai continua sua lista interminável de suplementos.

— Próxima equipe, diretamente do Rio de Janeiro, Isabella e Kauê, Os Funkeiros!— anuncia Olávio.

Na sala de entrevistas, ambos dançam funk em alto e bom som que sai de um rádio em formato de cubo em miniatura.

— Fala aí galera! Sou o Mc Zika – diz Kauê com o boné virado para trás mostrando seus passos de dança e um sorriso metálico colorido.

— E eu sou a Mc Belly – Apresenta Isabella ainda dançando – Fala galera do Chapadão, Galera da Rocinha, do P.U, de Realengo, fala geral!

— Tamo aqui pra representar as comunidade do Rio falou! – diz Kauê – Nós não é bagunça, nós é trabalhador e viemo pra mostrar que na favela tem gente boa.

— É isso aí Kauê! Nós é favelado, mas nós e gente! Se liga na nossa música!

Isabella se prepara com um microfone imaginário, mas antes que começasse a cantar, são cortados por Olávio.

— Esses foram Os Funkeiros, pessoal, uma salva de palmas! – Sorri o apresentador sem mesmo ter escutado a música – Próxima equipe, Os Gênios!

Na sala de entrevistas, ambos limpam os óculos em suas roupas até que são alertados que estão sendo gravados.

— Ah, certo – responde a garota pondo os óculos e ajeitando o jaleco branco – Oi, eu sou Dorothy e estudo Bio Medicina em São Paulo.

— E eu me chamo Theodore e faço Ciência da Computação, também em São Paulo – responde o rapaz com timidez.

— Nós nos conhecemos no cursinho e desde então estamos juntos, mas é só amizade – sorri a garota.

— É... – concorda Theodore em um misto de vergonha e decepção – Nós nos preparamos muito para essa competição, e mesmo contra todas as probabilidades, unindo a nossa inteligência nós poderemos chegar as finais.

— Claro! Nós fizemos um teste online ontem e recebemos o resultado ainda agora com a nossa porcentagem de probabilidade. Mostra pra eles Theo!

O rapaz então tira uma folha de papel do bolso da camisa e mostra para a câmera.

— E numa escala de 0 á 100, essa é a nossa porcentagem de chance de vencer! – diz mostrando o papel com a numeração – 91!

— Ah! Sabia! – comemora Dorothy pegando o papel, mas seu sorriso se desmancha logo.

— O que houve? Comemore!

— Ahn... Theo – ela chama mostrando o papel que exibia outro numero caso o virasse de cabeça para baixo – É 91 ou 16?

— Ahnn

— Enquanto os gênios quebram a cabeça para solucionar esse mistério, vamos para a próxima dupla! – diz Olávio aparecendo para cortar a cena e apresentar os próximos competidores – Sejam bem vindos, As Testemunhas de Jeová! Pastor Zebedeu do Sião e Pastora Maria Raimunda! A Paz do Senhor!

— Glória, glória, glória Jesus! – prega o pastor seguido de sua esposa.

— Aleluia! – completa Raimunda.

— Irmãos e irmãs. Peço licença em sua casa para trazer a palavra de Deus em sua vida! – Ora Zebedeu – Estamos aqui hoje, nesse dia abençoado para participar dessa competição ungida, para que possamos levar a palavra em todos os cantos do Brasil! E com o dinheiro que será nos dado iremos fundar a maior igreja do país!

— Glória Jeová! – responde Raimunda girando em torno de si mesma com a bíblia nas mãos – Isso é forte demais, meu Deus! É pra glorificar!

Olávio fica observando quieto por alguns segundos antes de ser chamado a atenção pelos produtores.

— Ok... Próximos competidores! Por favor! Os Desempregados!

Na sala de entrevista ambos se sentam como se estivessem em uma entrevista de emprego.

— Meu nome é Alice, tenho 26 anos e estou à procura de uma oportunidade nessa competição, para que possa me desenvolver pessoalmente e poder dar o meu melhor. Sou uma pessoa competitiva, que não desiste nunca e que quer aprender sempre.

— Meu nome é Luis, tenho 28 anos e estou à procura de uma chance para que possa mostrar meu potencial. Sou um ótimo profissional, aprendo rápido e falo dois idiomas.

— Ah, eu também! – diz Alice.

— Estão contratados! – sorri Olávio indicando para se juntar aos outros competidores – Próximos, da fila a dupla mais colorida da temporada, Os LGBT!

A dupla chega à sala de entrevistas e se sentam nas cadeiras dando um giro completo antes de se apresentarem.

— Oi gente! Meu nome é Tony, tenho 24 anos... ai que clichê! Tenho que falar minha idade mesmo gente? Ok, vamos lá. Um, dois, Gravando! Tenho 24 anos sou de Sampa e vim representar a comunidade LGBTXYZ por que nós temos tantas ramificações que cabe todas as letras do alfabeto. Enfim, vim pra competir mesmo, arrasar com esse brasilzão, representar o arco-íris, trazer amor, paz e felicidade e vencer esse aqué, meu bem! Beijo pras mana! Vai tua vez miga!

— Oi povo! Eu me chamo Brianna, não vou falar minha idade e também vim representar a comunidade LGBT. Vamos mostrar que merecemos respeito e que também somos seres humanos, ok? Respeita as mona, gente! Saiam desse mundo preto e branco e venha pro lado colorido da força, viado!

— Falou tudo, mona! – Responde Tony fazendo coração com a mão para a câmera.

— Arrasaram! – sorri Olávio já sentindo câimbra nas maças do rosto de tanto sorrir. Próximos competidores! Será que são conhecidos dos Góticos da Corrida Alucinante? Logo saberemos! Sejam bem vindos, Os Esquisitos!

A dupla já entra discutindo sobre o nome que ganharam e se sentam nas cadeiras.

— Oi! Meu nome é Lucio e sou algo que não vocês nunca irão entender.

— Eu me chamo Lilith, e sou vocalista da banda que nós temos: a Dark Exquisite.

— Ah, foi daí que tiraram o nome da nossa dupla. Povo que não sabe falar inglês dá nisso – resmunga Lucio enrolando os cachos com os dedos – Pelo menos não nos chamaram de góticos satanistas.

— Que absurdo, darling... Seriamos desmascarados logo no começo – comenta Lilith sem demonstrar reações, mas com um sorriso neutro quase imperceptível – Mas não se preocupe. Nosso nome estará estampado em todos os cantos do Brasil e do mundo quando vencermos.

— Sim eles devem ser parentes dos góticos – comenta Olávio os observando de cima a baixo – a seguir, com toda a sua ginga e botas de couro, Os Sertanejos!

Do nada, os dois já chegam cantando na sala de entrevistas rachando os vidros de duas câmeras.

— Galopeeeeeeiiiiiiiraaaaaaa... Nunca mais te esquecereeeeeeeei...

— Eita nós, que gogó maravilhoso Raul! – congratula Rian.

— Que nada! É só um aquecimento! – ri Raul tirando o chapéu — Direto de Goiânia pro Brasil, nós somos a dupla Raul e Rian, representando o sertanejo procês!

— Exatamente! Torçam por nós gurizada! Fiquem com mais um trechinho da música de Chitãozinho e Xororó.

— Galopee....

Mas antes que completassem, Olávio corta a gravação com o dedo no ouvido.

— Eita nós! – diz olhando na direção do seu diretor e olhando de volta para a câmera – E para terminar, finalmente a última dupla que veio diretamente dos confins da Floresta Amazônica. São eles, Os Índios! É impressão minha ou eles são gêmeos?

Os dois chegam à sala de entrevistas trajando vestimentas indígenas e se sentam lado a lado como se fosse um reflexo do outro.

How! Mim ser Aruanã – saúda um com miçangas vermelhas pelo peitoral.

— E mim ser Quaraçá – diz o outro com um colar feito de dentes de jacaré.

Ambos olham sérios por alguns instantes para a câmera como se fosse a primeira vez que vissem tal objeto, para segundos depois caírem na gargalhada.

— Só por que somos índios, não significa que não falamos como os brancos, ora! – ri Aruanã.

— Estamos até na faculdade! – ri Quaraçá borrando a pintura dos olhos de tanto rir.

— Nós viemos para chamar a atenção para a Floresta Amazônica que aos poucos está sendo destruída junto com nossas tribos e cultura – explica Aruanã.

— E com o dinheiro, iremos reconstruir uma boa parte da região, pelo bem de todo o mundo! – conclui Quaraçá com uma saudação típica indígena.

— Ah, e somos gêmeos — conclui Aruanã.

Com o fim das filmagens a câmera volta a focar Olávio que já está suando dentro do terno e gravata.

— Sejam bem vindos, competidores! Esse é o começo da aventura pelos vinte e seis estados de todo o Brasil, que termina na Zona de Relaxamento, onde vocês devem chegar o mais rápido possível, caso contrário poderá causar a sua eliminação da competição. Porém, a primeira equipe que sobreviver a todas as etapas e chegar em primeiro lugar irá ganhar, não um, mas o montante de 2 Milhões de Reais! – anuncia o apresentador com foco na quantia que leva todos à loucura, pulando de felicidade e sorrindo de orelha á orelha.

— Olhem para cá! – chama Olávio apontando para uma miniatura dele próprio com um grande botão vermelho no topo ode fica a cabeça, que para a surpresa de todos tinha a mesma cara que o apresentador – Essa é a nossa caixa de dicas da competição, também conhecida como a Caixa do Olávio. Apertem o botão para conseguirem Dicas de Viagem. Isso irá guia-los ao longo de toda a competição, entenderam?

Todos os 36 acenam positivamente enquanto se preparam para a próxima etapa.

— Ótimo – diz Olávio se afastando um pouco da frente dos competidores. Estão preparados para começar a competição que mudará suas vidas? Ótimo! Em suas marcas! Um, Dois e... Que comecem os jogos! – anuncia o apresentador que quase é atropelado pela multidão de pessoas que correm em direção a Caixa do Olávio situada dentro do estacionamento ao lado da Fonte Da Torre de TV, não muito longe de onde estão, deixando para trás um rastro de poeira e cadeiras caídas.

— Ih, vou arrumar isso não – reclama Olávio.

\(^_^)/

...continua...

By Hikari-Ouji