Notas iniciais
Na última etapa do “Total Drama: Tudo ou Nada Brasil”. Roraima foi o palco onde nossos competidores, em busca do prêmio de dois milhões de reais, subiram até o Alto do Monte Roraima, caçaram sapos, peixes e cristais em meio a muita confusão. Com espaço para o salvamento de uma criança pelos Jogadores de Futebol e a explosão de humor dos Militares que por pouco não perdem a cabeça com outra equipe. Infelizmente os sedentários Otakus acabaram perdendo o fôlego e a competição por questão de segundos. Hoje o drama é carregado para uma longa viagem para o sudeste, onde como sempre, muita confusão está para acontecer. Acompanhe conosco em mais um Total Drama: Tudo ou Nada Brasil!

— Pra quê serve esse bot... Ah! Olá!– saúda Olávio sentado ao lado do comandante dentro do avião – Na última etapa em Roraima, Os Otakus perderam o “ki” de Super Saiyajin, e sem as sementes dos deuses, deram “mata ne” para a competição... Sim, eles me ensinaram essas palavras e eu não sei o que significam, mas enfim, hoje é um novo dia e estamos voando a madrugada toda rumo ao sudeste onde a próxima etapa do Total Drama: Tudo ou Nada Brasil começará!

Pelos corredores do avião, as câmeras passam a exibir os competidores espalhados pelas poltronas quase vazias, filmando alguns que dormiam e outros que começavam a receber o café da manhã dado pela tripulação do avião.

— Que horas são? – pergunta Martha assustada quando seu despertador começa a tocar – Seis horas! Antônio acorda! Hora de tomar o remédio!

— Mas nunca mais pousamos, hein! – reclama Tony no fundo do avião – A madrugada toda voando! Vamos pra onde? China? – perguntou vendo um grupo de coreanos nas poltronas ao lado.

— Calma capitão – sussurra Soldado Mello uma poltrona atrás de Pai e Filho – Ontem quase que te prenderam, hoje você tem que ficar tranquilo.

“ – Eu não sei o que aconteceu ontem – confessa Capitão Guerra – Acho que a vontade de vencer subiu a cabeça. Mas é inadmissível o fato de pirralhos estarem competindo por esse prêmio. Eles não levam nada a sério e ainda estão na nossa frente!

— Respira capitão! Hoje venceremos!”

— Passageiros do voo 3473 estamos a meia hora do pouso na cidade d... – por alguns segundos a voz do piloto foi interrompida por um chiado seguido de uma forte turbulência que fez as poltronas sacudirem – Atenç... apertem os cint..s!

Depois de mais uma turbulência, Vera acorda assustada e levanta a persiana da janela ao seu lado se deparando com o céu azul e ensolarado. Mas o que chamava a atenção era a fumaça escura saindo de uma das turbinas.

— JESUS! A TURBINA TÁ PEGANDO FOGO! VAMO MORRÊ!

O grito foi o suficiente para levar caos aos passageiros, que não se acalmaram nem com a voz do comandante da aeronave:

— Senhores passageiros, fomos atingidos na turbina por um pássaro. Não é nada grave...

— NADA GRAVE!? – berra alguém – Quem tá gritando aí na cabine!?

— Estamos perto de um aeroporto e iremos realizar um pouso de emergência. Não se preocupem, está tudo sob controle.

Mesmo que a voz do comandante fosse firme e calma, o pânico aumenta quando as máscaras de oxigênio caem sobre suas cabeças. Raimunda e Zebedeu começam a cantar alguma música gospel que em poucos segundos parecia mais um culto evangélico.

— Venham! – chama Raimunda aos Esquisitos, sentados pacientemente com a máscara de oxigênio vendo o mundo se acabar – Ainda dá tempo pra se converter! Vamos aceitar Jesus!

A dupla olhou para os pastores e com extremo tédio deu um joia com o polegar e voltam a prestar a atenção na pista de pouso se aproximando da aeronave.

“- Não tenho paciência pra isso – diz Lucio na sala de entrevistas – Odeio barulho.

— E se eles morressem e acordassem no inferno? – questionou Lilith – Seria interessante”

Com toda a experiência, o comandante guiou o avião e fez a aeronave tocar o solo com os pneus traseiros. Quando pisou fundo no freio, o avião quicou e vibrou as estruturas fazendo os passageiros gritarem em suas posições de segurança indicadas pelas aeromoças. Mesmo com a pista do aeroporto nas piores condições, o comandante abaixa o nariz do avião e junto com o co-piloto, vendo o limite da pista, forçam a parada e com muito esforço conseguem parar o avião antes de atingirem o muro.

— Parou? PAROU! ESTAMOS VIVOS! – gritou alguém ao ver o avião parado, caído levemente de lado e sendo rodeado de carros de bombeiros e ambulâncias. As aeromoças cuidam para abrir a saída de emergência e em seguida expandem os escorregadores infláveis.

Pouco a pouco as trinta pessoas escorregam do avião e são acudidas pelos médicos, em meio a abraços, gritos de aleluia, lágrimas e beijo no asfalto quente. Afastados, os participantes abalados se reúnem e esperam Olávio, mais branco que papel e tremendo mais que vara verde, vir com um copo d’água nas mãos.

— Como estão pessoal? – sorri o apresentador enxugando o suor da testa — Ainda bem que estamos vivos! Sejam bem vindos à Cidade Maravilhosa, Rio de Janeiro!

— Tinha que ser! Essas coisas só acontecem nesse inferno! – ri Vera – Êh lugarzinho abençoado, hein!

— Bem, éramos para ter pousado no Aeroporto Santos Dumont, mas devido a esse incidente estamos a mais de 35 km do nosso destino.

— Pera aí? Ainda vamos competir? – questiona Paulo se reunindo aos outros competidores para reclamar.

— Ué? E por que não? – retruca Capitão Guerra – Se fosse pro exército aposto que não ia aguentar um dia.

— É que eu sobrei – responde o jogador envergonhado – Era muito magro.

— Ei! Concentrem-se aqui! – chama Olávio pegando um pedaço de carvão em um canto e riscando o chão – Estamos aqui. No Aeroporto de Nova Iguaçu. Sim isso é um aeroporto. Eu vou dar a dica para vocês sobre onde será o próximo desafio que será na Cidade do Samba, na Zona Portuária próximo ao Centro. Existem três maneiras de chegar lá: Vocês podem pegar um ônibus sentido Central nesse ponto – riscou – Ou também esperar por um taxi...

— Taxi!? — interrompe Vera com uma gargalhada — Aqui!? Cai na real Otávio!

— Continuando a explicação – respirou fundo Olávio irritado com o calor do começo da manhã – Alguns taxis passam nessa região, mas caso queira um mais rápido, terão que pegar um ônibus até esse shopping aqui — marcou um "x" em um quadrado — Onde a concentração de taxis é maior, entenderam? A última opção é continuar de ônibus até o centro de Nova Iguaçu e pegar o trem para a Central do Brasil.

— RÁ! JAPERI DE MANHÃ!? – gargalhou Vera deixando a filha envergonhada.

— Tá, quanto tempo leva até lá? – pergunta Guilherme.

— De ônibus umas três horas e de taxi ou trem umas duas, se não se complicar durante o caminho.

— Cancela! Cancela esse episódio! – pede Alice – Três horas de viagem!

— Podemos ir? – pergunta Capitão Guerra já preparado.

— Claro! Boa sorte, e que comecem os jogos! – dá a largada o apresentador, sendo cercado de repórteres em busca de depoimentos sobre o que houve.

Ignorando a movimentação dentro do aeroporto, as equipes correm para a saída do local e se dividem para seguir em direção ao centro do Rio de Janeiro. Dos quatorze, somente cinco equipes ficam na região e logo lideram a corrida. Os Jogadores de Futebol e Os Desempregados entram no primeiro ônibus que surge rumo a Central. Os Sertanejos até que tentam mais estava tão cheio que esperam o próximo. Na mesma rua, A Velha Guarda e Os Índios encontram dois táxis e disputam os primeiros lugares. Na direção oposta, dois ônibus rumam para o centro de Nova Iguaçu, sendo que no meio do caminho quatro equipes descem no shopping e encontram taxis disponíveis. As outras cinco equipes apostam na velocidade e seguem até a estação de trem, a tempo de pegarem o trem em direção a Central do Brasil. Assim que o trem chega, e abre as portas, as pessoas começam a se empurrar para o interior dos vagões lotados, e para piorar, sem ar condicionado. Mesmo assim os competidores enfrentam a multidão e se espremem por onde podiam.

Espremidos no trem e no ônibus, mas dentro dos táxis as equipes começavam a cair no sono, quando começam a ver o transito se formando mais a frente. Dentro do trem, as equipes se veem dentro de diferentes situações a cada estação: Enquanto As Testemunhas de Jeová encontram uma dupla de pastores e começam um culto, os outros se surpreendem quando descobrem estarem no vagão onde está sendo preparada uma festa surpresa para uma passageira. Quando o trem para na estação e a aniversariante entra, o vagão se transforma em uma festa com direito a bolas, salgadinho, bolo, guaraná e pagode. Da onde aquilo tinha saído ninguém sabia, mas o “Parabéns Pra Você” na versão de pagode emocionou a aniversariante que caiu no samba com as equipes que entraram no clima festivo.

Com mais de uma hora desde que saíram do aeroporto, no engarrafamento, os Jogadores de Futebol são reconhecidos por uma mulher que viu a foto de André sendo compartilhado nas redes sociais. Nele o jogador aparece junto com os pais da criança salva em Boa Vista seguido de um relato emocionado dos pais.

— Ah isso foi ontem quando devolvi a moto! – lembrou o rapaz – Eu autografei a bola e camisa dele – riu sendo aplaudido pelos passageiros.

Enquanto Os Jogadores de Futebol agradecem através de uma live do facebook e pedem apoio, aqueles que estão nos táxis começam a se preocupar com o trânsito. Diferente dos que estão no trem, que sambam ao som de Fundo de Quintal, ás oito e quarenta da manhã de plena sexta-feira. Em outro vagão, As Testemunhas de Jeová são expulsas por perturbar os passageiros com as gritarias e os pandeiros. Por sorte, em um momento de distração dos guardas, a dupla volta para dentro do vagão antes dele seguir viagem, dessa vez em silêncio antes que fossem jogados pela janela.

Faltando poucas estações para o fim, uma mensagem do maquinista fez todos reclamarem:

— Senhores passageiros. Devido um problema na linha, estamos aguardando a liberação para seguir viagem.

Longe, os taxis que seguiram uma rota alternativa, começam a ganhar velocidade à medida que conseguem escapar do trânsito nas proximidades da Rodoviária Novo Rio, e são os primeiros a chegarem à Cidade do Samba, onde um helicóptero acaba de levantar voo. Alice que dormia com o rosto colado no vidro se assusta ao ver a cara dos Jogadores de Futebol no outro ônibus ao seu lado, e acorda a tempo de serem avisados pelo motorista que o próximo ponto seria o qual eles deveriam descer. De volta ao trem, depois de dez minutos parados entre duas estações, finalmente chegam á ultima estação, onde os participantes se despedem do povo, e correm para pegar taxis ou ônibus em direção a Cidade do Samba, onde os primeiros participantes já encontravam a Caixa em meio a um ensaio de escola de samba.

— Sejam bem vindos à Cidade do Samba! Local onde tudo o que é relacionado às escolas de samba do Carnaval carioca é feito. É aqui que veremos quem tem samba no pé e estilo carnavalesco! – diz Olávio dançando com os dois dedos indicadores pra cima como os turistas em meio ao sambódromo.

— “Tudo em Um” – lê Antônio – “Quem não gosta de samba bom sujeito não é”...

— Será que a artrose vai deixar você sambar, Tonho? – pergunta Olávio com um pandeiro na mão e vestido com uma das fantasias do próximo carnaval – O desafio é simples, as duplas entrarão no galpão da Mangueira, a escola campeã desse ano, e terão que fabricar suas próprias fantasias com material do ano passado. Mas primeiro, quem quiser, terá uma aula rápida de como se samba com os porta-bandeira e mestre-sala ganhadores do último carnaval. Cada dupla terá uma aula de cinco minutos com eles e depois devem montar suas fantasias e voltar para a praça onde será julgado por um time de personalidades da Mangueira. Uma dica: colem bem os acessórios, pois se cair qualquer peça terão que voltar para o galpão e recolar, e isso poderá afetar seu tempo.

— Ainda bem que tomei meu remédio hoje – riu Antônio correndo para o galpão, seguido dos recém-chegados Índios, dos Youtubers, Os Militares, Pai e Filho e Os Esquisitos. Mais atrás Os Desempregados, Os Jogadores de Futebol e Os Sertanejos correm para garantir suas dicas.

Dentro do galpão, as equipes começam a aula com o mestre sala e porta bandeira, enquanto que no lado de fora, as últimas equipes chegam apressadas.

— Aula de samba? – riu Vera – Meu amô, eu sambei na Marquês de Sapucaí grávida de nove meses dessa criança! Eu é quem vou dar aula!

Além de Vera, Os Funkeiros e Os LGBT rejeitam as aulas de samba e seguem direto para a confecção de suas fantasias, se juntando com outras equipes que buscavam as peças ideais para que não caíssem durante a dança.

— Essas roupas não dão em você não, mãe — ri Angélica enquanto a mãe tenta enfiar uma perna dentro de uma calça legging.

— Mas só tem coisa colorida — irrita Lucio procurando algo que não fosse rosa choque ou verde limão.

— Ih, sai das trevas demônio — diz Tony surgindo do meio das roupas vestindo um macacão de lantejoulas multicolorido — Se joga no brilho, mona!

À medida que as aulas de dança terminam, as equipes vão se juntando no galpão e disputam por pedaços de tecido, penas de pavão, purpurina, esplendores e chapéus deixando o local mais bagunçado do que estava e colando tudo com fita adesiva, cola quente e até grampeador, para que estivesse firme o bastante na hora de sambarem para os jurados. Acostumados com esse tipo de confecção, Os Índios são os primeiros a terminar, seguido de Mãe e Filha, Os Desempregados, Os Jogadores de Futebol e Os Melhores Amigos. Ao chegarem à tenda externa, se deparam com aqueles que deram a aula de samba, o presidente da escola de samba e para completar o time, Alcione que se abanava com um leque, balançando os ombros enquanto a bateria começava a tocar e dava inicio a avaliação.

Depois de ser puxado a força de dentro do galpão, Tony brilhando mais do que o sol, se junta ao samba se requebrando mais que a rainha da bateria. As Testemunhas de Jeová, mesmo não aprovando, se vestem do melhor jeito possível para que fossem aprovados.

— Na passarela — debocha Vera se requebrando toda e recebendo permissão para seguir em frente – A Acadêmicos de Jeová do Sétimo Dia!

— Eita sapatinho de fogo! — ri Tony ao ver a pastora sambando toda sem jeito.

Mas nem todos se dão bem. Paulo e Luis acabam ficando sem algumas penas e tem que voltar ao galpão para consertar a fantasia, e enquanto Mãe e Filha se livravam de suas fantasias, Os Índios e Os LGBT recebem parabéns pelo figurino e samba no pé, e recebem permissão para seguir em frente, seguido dos Funkeiros e dos Jogadores de Futebol. Já Os Desempregados e As Testemunhas de Jeová não convencem os jurados e dão espaço para outros tentarem a sorte.

“-Carnaval eu tava trabalhando! – reclama Alice colando as penas no lugar.

— E eu no culto! – completa Raimunda pegando a cola para recolar a saia – Odeio essa festa mundana”

Depois de um rápido abraço na Alcione, Mãe e Filha recebem da própria a dica para o próximo destino:

— “Bônus Extra” – estranha Vera lenda a dica – “Corrida do Ouro”.

— Exatamente Vera Verona! – responde Olávio observando a Avenida Rio Branco através da janela de um prédio com a ajuda de binóculos – Estamos no Centro do Rio de Janeiro que atualmente enfrenta um perigoso problema. Diariamente dezenas de pessoas são assaltadas nessa região por ladrões chamados popularmente de “cracudos”. Além disso, hoje daremos inicio ao novo tipo de dica: O “Bônus Extra”! Essa dica de cor verde sempre irá beneficiar aqueles que cumprirem o desafio correta e rapidamente. O desafio de hoje é fácil: Todos os competidores receberão um colar 24 “quinades”- “Quinades” por que essa bijuteria não vale nada – disse mordendo a corrente de ouro – E deverão chegar até a Praça da Candelária onde deverão devolver o cordão a um ourives. Não vale esconder dentro da roupa! Se durante o percurso um dos participantes for assaltado, a equipe perderá o direito de usufruir de um ótimo bônus que poderá ser decisivo para sua permanência do jogo – terminou vendo uma movimentação estranha na rua — Alá! Pega ladrão!

— Perdeu o juízo Otávio! – irrita Vera – Neguin’ quer saber se isso é falso? Eles arrancam até o pescoço!

Enquanto as duplas avaliavam se iam de ônibus, taxi, ou VLT, Os Youtubers recebem permissão para seguir em frente, Os Melhores Amigos mal começam a dançar e deixa a maioria das penas no chão, e Os Esquisitos entram no samba com As Testemunhas de Jeová e Os Militares.

— Cadê as balas perdidas numa hora dessas – questiona Lilith sentindo o suor escorrer por dentro do vestido feito com um mix de penas pretas e vermelhas enquanto Lucio surge vestido de arlequim.

Devido ao calor de 40 graus, os competidores começam a sentir o ar pesar com a chegada das demais equipes que tentam se salvar de alguma forma. Os Desempregados, sambando no desemprego e Os Sertanejos sambando do jeito caipira, são os próximos a seguir enfrente seguido dos Militares e As Testemunhas de Jeová. Os Melhores Amigos sambando mais que passistas mirins da Mangueira logo os seguem. A Velha Guarda sai aplaudida e recebe até convite para sambarem no próximo carnaval. Já os últimos a sair são Pai e Filho e Os Esquisitos.

— Vocês precisam de aulas de samba queridos – diz Alcione se abanando com seu leque e distribuindo as últimas dicas.

— Não. Obrigado – responde Lucio conferindo a dica, pegando duas garrafas d’água e correndo para pegar um taxi, com Pai e Filho na cola.

Espalhados pelo Centro, poucos encontram taxis vazios, outros preferem seguir de ônibus e outras resolvem atravessar a rua e experimentar o VLT:

— Pelo amor de Deus! Vai mais rápido, motô! – reclama Tony no primeiro VLT – Coisa lerda!

— Pelo menos não vamos correr o risco de assalto – respira aliviado André já contando com a vantagem.

— Amigo, estamos no Rio de Janeiro – responde Paulo em tom de deboche – Tem que ficar com um olho no peixe e outro no gato, fiel.

Dentro dos taxis, Os Índios, Os Desempregados e Os Sertanejos perdem a liderança, quando Os Militares os ultrapassam no engarrafamento ao conseguirem carona com guardas de trânsito.

— Ei! Pra onde você está indo? – pergunta Capitão Guerra ao ver o guarda dobrar uma esquina e se afastando do ponto onde deveriam ir.

— Ué? Pensei que estavam indo para a manifestação?

Com Os Militares à procura de outra rota para chegar ao local, Mãe e Filha e Os Funkeiros são os primeiros a descer de ônibus no meio do engarrafamento nas proximidades da Candelária e prestando atenção em todos os suspeitos começam a corrida pela vantagem. Não muito longe, Os LGBT e Os Jogadores de Futebol finalmente descem do VLT a tempo de ver um grupo de menores sem camisa correndo em direção à via principal. Tentando não chamarem a atenção, as duplas preferem seguir caminhando pela calçada até encontrar o ourives no meio da praça com a Caixa ao seu lado.

— Ih ferrou – sussurrou Paulo ao ver que Os Funkeiros corriam da policia enquanto Mãe e Filha eram cercadas por um grupo de menores infratores.

— NUM METE A MÃO NÃO! – berra Vera para uma mulher de shorts quase a rasgando no meio e que usava somente a parte de cima do biquíni – CADÊ A POLIÇA!

— SOCORRO! – berra Angélica ao ser agarrada pelo braço por um garoto.

— SOLTA ELA! – empurra Vera ignorando o grupo e seguindo em frente, até que do nada a mulher de antes tenta arrancar a força o cordão e acaba arranhando seu pescoço. Vera a empurra, mas a mulher quer a qualquer custo o objeto e a empurra de volta. Furiosa, Vera sente o sangue esquentar e antes que os seguranças do programa chegassem para apartar a dupla, um estalo encheu o ar e o povo engoliu em seco.

“- Vinhadoo! Chama o SAMU que a bicha ficou surda! – comenta Tony na sala de entrevista enquanto Brianna ria de chorar – Ui, desculpa gente, mas geral escutou o tapão que a cracuda levou na cara.

— Gente, a mulher caiu sentada! – ria Brianna”

— EU FALEI PRA NUM MEXÊ COMIGO — berra Vera sendo puxada pela filha, enquanto a mulher desnorteada se levantava do chão com ajuda dos parceiros.

"- Eu heim — diz Vera na sala de entrevistas ajeitando o cabelo — Nascida e criada no Rio de Janeiro e quer meter a mão no meu ouro? ‘Toma no...

— Mãe! Não pode falar palavrão!

— Tsc... — responde vera com um bico"

Com medo, Paulo entrega a corrente o mais rápido possível para o ourives e recebe sua dica das mãos do ourives.

— Legal! Gostei dessa cor verde – alegra André com a nova dica — É um Ou/Ou. "Céu ou Mar".

— Exatamente esquenta bancos — responde Olávio sobrevoando o Cristo Redentor em um helicóptero — Para a próxima etapa as duas equipes devem escolher entre “Céu” e subir até o Cristo Redentor, ou “Mar” e seguir até a Praia de Ipanema. Dependendo de como se sairão com os colares de ouro, quem completar sem ser assaltado terá a vantagem de seguir de taxi, caso contrário dependerá unicamente do transporte público, que convenhamos, não é lá essas coisas...

Com Os Jogadores de Futebol, Os Funkeiros, Os LGBT e Mãe e Filha seguindo de taxi para a praia, Os Índios e Os Desempregados são pegos de surpresa quando Araunã e Luis sentem seus cordões serem puxados por uma dupla de pivetes, o que os leva a procurem o metrô rumo à praia. Os Sertanejos levam a melhor e entram no taxi rumo ao Cristo. Os Youtubers se assustam ao serem cercados por um grupo de menores, e com medo entregam seus colares e recorrem ao metrô para chegarem à praia. Em seguida, Os Militares põe meia dúzia de cracudos pra correr antes de concluir sua missão. As Testemunhas de Jeová quase promovendo sessões de descarrego entregam seus cordões ao ourives e sobem ao Cristo. Pai e Filho também resolvem ir ao Cristo, mas antes acabam sendo mais uma das vítimas. Diferente dos Melhores Amigos, que se camuflam entre os cracudos, conseguem entregar seus cordões e seguem para a praia. Por fim, Martha quase perde o pescoço ao ser assaltada, e Lilith consegue assustar alguns pivetes antes de concluírem a etapa.

Na corrida de táxi, oito equipes aproveitam a vista litorânea da Zona Sul rumo à praia, ou a mordomia de subir o Cristo rapidamente. Enquanto que outros se aventuravam no subterrâneo do metrô rumo à praia, ou depois de saírem do metrô e pegarem um ônibus, descobrem que ainda tem que enfrentar uma subida de vinte minutos de bondinho até o topo do Corcovado. Pouco tempo depois, Os Funkeiros são os primeiros a encontrar a Caixa no Posto 9 da Praia de Ipanema.

— “Tudo em Um” – lê Kauê sem fôlego depois de correr da estação à praia — “Hora do lanche chegou”... Ah, tá de caô, mano!

— Tô não bro! – responde Olávio observando toda a movimentação do jogo do helicóptero – Estamos sobrevoando a Praia de Ipanema. Uma das mais bonitas e movimentadas da Zona Sul do Rio de Janeiro, e será aqui no Posto 9, que o desafio “Mar” será feito, testando a alma de vendedor que todos temos. O objetivo será vender o combo mais famoso das praias cariocas, o biscoito com suco! Hmmm – diz Olávio com uma careta – A dupla terá que vender 30 pacotes do biscoito mais famoso do Rio de Janeiro, o biscoito Globo que pode ser doce ou salgado, e ser ou não ser vendido com o suco detox, uma mistura de couve, laranja, maçã e gengibre. O combo custará dez reais, cinco o biscoito e cinco o copo de 500 ml. A dica final só será dada pelo vendedor especialista depois que todos os biscoitos, e pelo menos a metade do galão de suco, tenham sido vendidos.

Dér real! — protesta Vera chegando pra pegar sua dica – Agora eu que vou assaltar? Que absurdo!

“- Por isso que eu faço sim minha marmita quando venho pra praia – revela Vera experimentando o suco e fazendo um careta.

— Ai que mico! Gente, vocês não tem noção! – diz Angélica – Quem em sã consciência trás frango com farofa, arroz com feijão, e cerveja de casa!

— EU! E trago linda na tapaué!

— Qual? Aquele pote de sorvete?

— Garota, tu num me perturba nesse inferno não! Tu reclama, mas tu também come!”

No Cristo Redentor, As Testemunhas de Jeová e Os Militares chegam de táxi e encontram a Caixa aos pés do monumento:

— “Tudo em Um” – lê Zebedeu – “Pedra Sabão”

— Exatamente Tio Zé! – responde Olávio sobrevoando o local – Representando Jesus Cristo, essa estátua art-decó eleva-se 705 metros acima do mar no Morro do Corcovado e foi construído em 1931. Considerada uma das sete maravilhas do mundo moderno, e patrimônio da humanidade, a estátua de 30 metros é feita de concreto e pedra-sabão, uma rocha composta de talco e praticamente impenetrável. O objetivo daqueles que resolveram ver o Rio de Janeiro de cima será esculpir o Cristo Redentor em uma barra de sabão de 30 centímetros. Ambos os participantes devem contribuir para a imagem que deve ser aprovada por um artista plástico que somente dará a dica final caso esteja de acordo com os padrões da estrutura... Ouviu Raimunda!

— ...Amém! – termina Raimunda de rezar – Hã, o que foi?

De volta à praia, Os Jogadores de Futebol e Os LGBT enfrentam a areia quente e o sol de 50 graus para começar a venda, enquanto que o trem chega ao topo do Corcovado trazendo Os Sertanejos e Pai e Filho.

— Que Jesus nos abençoe – pede Mauro antes de pegar o bloco de sabão junto com Os Militares que pela segunda vez quebram a imagem.

— Você tem que soltar um pouco a mão – pede Soldado Mello.

— Não tenho culpa se tenho mão de pedreiro!

Dividindo as atenções na praia, Os Youtubers acabam sendo cercados por fãs, Os Índios pelas mulheres, e Os LGBT tentam chamar atenção dos gays.

— Gente, será que marcaram algum evento pra hoje? – pergunta Brianna.

Né non. Parece que a parada gay passou e o povo ficou. ‘Bora aproveitar! Olha o detox! Pra ficar seca no verón! – berra Tony chamando atenção de meia dúzia de rapazes sentados em uma bandeira do arco-íris.

— Ih é gringo!

— Eles são os melhores mona!

Do outro lado, Os Desempregados levam a melhor graças às infinitas vezes em que já trabalharam com vendas, e Os Melhores Amigos, além de usarem cordão de identificação, tem que se afastar do Posto 9 para conseguirem vender seus biscoitos sem sofrer com a concorrência.

— Ei! – chama uma mulher à Quaraçá – Mim querer um. Índio entende minha língua?

Os Índios se olham e irritados pelo calor, respiram fundo para não serem chamados de ignorantes.

“- Qual a dificuldade? – pergunta Quaraçá.

— Finge de maluco e entra nessa onda deles... – responde Aruanã”

De volta ao Cristo, as duas equipes atrasadas começam a fazer suas esculturas em meio a protestos dos outros participantes que não conseguem de forma alguma serem aprovadas pelo artista plástico.

— Tem certeza que isso é o Cristo? – pergunta o homem para Pai e Filho que respiram fundo e voltam a esculpir em outra pedra de sabão.

— Ué? Vocês aqui? – estranha Diego ao ver os Esquisitos.

— Não estamos a fim de nos queimar na praia – responde Lilith.

— Já é um milagre não ter queimado só de ver a figura de nosso senhor Jesus Cristo – diz Zebedeu tomando cuidado para esculpir um rosto melhor dessa vez.

— Tomara que desenhem a figura certa, e não aquela que tenha chifres – diz Raimunda fazendo o sinal da cruz.

— Lilith, precisamos dessa barra de sabão. Me dá! – pede Lucio tirando a peça das mãos da parceira antes que ela o arremessasse contra a pastora.

Enquanto no Cristo as equipes se preocupavam com os mínimos detalhes da escultura, na praia Os Desempregados disputam a venda dos últimos cinco pacotes de biscoito junto com Os Funkeiros para terminarem a tarefa. Os Youtubers e Os Jogadores de Futebol enfrentam dificuldades em se distanciarem da fama e perdem tempo entre autógrafos e selfies. Afastadas, Mãe e Filha tomam sol e vendem sentadas na areia aproveitando para se refrescar com suco.

— Eca mãe! Eu não quero isso! Parece suco de água suja.

— Garota fica quieta! O povo vai escutar! Ih é o rapa!

Quando Vera vê a policia correndo atrás dos Melhores Amigos a primeira coisa que faz e fingir que é turista e esconder o saco de biscoito com uma canga deixada de lado.

— Quê que tá contesseno! – pergunta Tony antes de ser empurrado na água.

— Foi mal! – desculpa Mateus se esquivando por entre um grupo de turistas e se escondendo dentro de uma barraca.

“- Qual o problema desse povo? – pergunta Jéssica – Estávamos correndo por que terminamos de vender os bagulho.

— Mó sacrifício vender lá no sinal, pô! – irrita Mateus contando o dinheiro”

Enquanto a primeira equipe a terminar tentava caminhar de volta ao posto 9 sem serem descobertos, A Velha Guarda e As Testemunhas de Jeová com muito sacrifício conseguem completar o desafio da escultura e recebem suas dicas:

— “Olha o bondin’ passando hein” – lê Martha — “De bondinho, de bondinho”

“Dona Martha tá no baile e tá vindo de boldin’”– canta Olávio – “É o bondin’ que tá passando”— ri sem graça ao ver que vários turistas o observava – Eu nunca sei se ela fala bondin’ boldin’ ou bondinho, mas enfim estamos no topo do Pão de Açúcar em uma das paisagens mais belas do mundo e que hoje servirá de Zona de Relaxamento para os competidores. Assim que as tarefas na praia ou no Cristo forem realizadas, as equipes deverão encontrar o caminho até a Estação Inicial do Teleférico do Pão de Açúcar, no bairro da Urca, de onde desfrutarão de uma viagem incrível em pleno pôr do sol de bondinho nas duas rotas de até o pico da montanha, onde poderão desfrutar de um show particular e muita comida carioca – diz sendo servido com churrasco.

Antes de seguirem em frente, as equipes fazem suas orações na base do Cristo, observam a Zona de Relaxamento ao longe e correm para o trem do Corcovado. Na praia, Os Melhores Amigos e Os Desempregados disputam um taxi em busca da liderança e Os Funkeiros terminam suas tarefas. No Cristo, Os Militares pegam a moto de um guarda emprestada e descem a estrada rumo ao Pão de Açúcar. Para se livrar das vendas, Os Youtubers começam a dar selfies, beijos e abraços somente para aqueles que comprassem seus combos, enquanto que Os Jogadores de Futebol disputam com uma equipe de futevôlei, que caso perdessem comprariam os biscoitos restantes. Já no Cristo, as últimas três equipes terminam suas tarefas e começam a descida a bordo do trem.

— Gente, pelo amor de Iemanjá! Comprem logo esse biscoito com esse suco... Não aguento mais esse calor! – implora Tony — Minha make tá derretendo nesse sol!

— Ih, o sinal fechou! Vamo vender lá!

— Jura ‘patão? Em plena rede nacional?

— Caô! Ih a lá não é o Junin’ e a galera do beco! – pergunta Kauê ao reconhecer alguém na praia.

— É eles mermo, nem! Péra aí que vou bater um papo com eles rapidin’ – responde Isabella

— Dez reais? Tá muito caro dona – diz um homem todo malhado à Vera.

— Ih, me poupe! Quanto tu gastou em bomba hoje?

— Tio... Compra um biscoito, por favor... É pra ajudar minha família – pede Angélica com os cabelos todos desarrumados no calçadão. Por sorte alguns param e compram os biscoitos.

No caminho para o Pão de Açúcar as equipes começam a enfrentar os engarrafamentos diários da região, Os Militares atravessam a toda pelo túnel, Os Índios decidem ir de metrô e são seguidos pelos Funkeiros que largam o bate papo e lembraram que tinham uma competição para terminar. Os Jogadores de Futebol por pouco não perdem a aposta e se livram das vendas ao vencer o futevôlei e repassam o dinheiro ao vendedor que dá a dica para a Zona de Relaxamento:

— Ih, já fui lá! – lembra Paulo – Vamo de metrô que é rapidinho!

Depois de duas horas de venda, Mãe e Filha vendem o último combo para um casal de idosos, devolvem o valor das vendas ao responsável, e recebem a dica final.

— Nossa! Tô a cor do carvão! – ri Vera – Se soubesse tinha vindo de fio dental!

— Fio dental? – ri Brianna chegando para receber sua dica com o companheiro.

— Cabo de luz né! – ri Tony – Por que com essa bunda toda...

Shiu! Inveja bate na minha bunda e volta, mona!

— Ui que arraso! Gente vambora que eu falei prum gringo que ia voltar, e a cacura tá me esperando.

— Tá dispensando, fofo? – pergunta Vera.

— Amor, já dei o que ele queria!

— Que isso!!

— Dei meu número, mente suja! Sou bagunça não!

Mais ao longe, Os Youtubers, mas vermelhos que o camarão sendo vendido na areia, são os últimos a terminar a tarefa:

— Vamos, Gui! Temos que dar um jeito! Estamos muito atrasados.

— Acho que já sei como... – responde ele observando o mar.

No metrô, Os Jogadores de Futebol, Os Funkeiros e Os Índios se apertam entre os trabalhadores na volta para casa e prestam atenção em qual estação descer. Nas ruas, os táxis enfrentam o engarrafamento, já Os Youtubers trocam divulgação em seu canal pessoal por carona, e pelo mar avançam em jet-skis filmando tudo, como se fosse necessário, com suas câmeras GoPro.

A Velha Guarda, dando uma de turista, são a primeira equipe a chegar à entrada do Teleférico e se assustam quando a sombra de um bondinho passa por eles.

— Tem que subir nisso? – Pergunta Martha quase sendo atropelada pelos Melhores Amigos que correm para pegar o próximo bondinho sem saber que ainda restariam dez minutos para que ele voltasse a subir, dando chance para Os Desempregados e As Testemunhas de Jeová chegassem a tempo.

Os Militares também chegam ao local, mas antes seguem até o Instituto Militar de Engenharia para deixar a moto do guarda. Como sempre, Capitão Guerra tem que ser puxado a força por Soldado Mello para que voltem à corrida e impedir que seja reconhecido por mais militares.

— Droga! Eles de novo! – reclama Jéssica – Fecha logo a porta!

— Ah que saco! – resmunga Matheus se encolhendo por entre as pessoas para não ter contado com seus rivais de farda que conseguem entrar a tempo da porta se fechar.

Com o primeiro bondinho subindo, Os Sertanejos chegam para garantirem vaga no próximo. No metrô, as três equipes disputam corrida atrás de um taxi e com o olho na vitória, André puxa o saiote de Quaraçá e o deixa só de cueca no meio da rua, chamando a atenção dos pedestres que começam a bombardear com fotos.

“- Desgraçados! – urrou Quaraçá costurando pela segunda vez na competição o saiote já desfiando em alguns pontos.

— Eu disse pra gente vir de bermuda...

— O pajé vai te matar quando souber que você quer representar a tribo usando bermuda...

— Nem ele usa esse mato seco!”

Ás gargalhadas, Os Jogadores de Futebol e Os Funkeiros seguem de taxi e rapidamente chegam a tempo de conseguirem o segundo bondinho dando de cara com seus rivais:

— Tinha que ser! – resmunga Rian verificando que ainda faltavam mais de cinco minutos para que subissem.

— Se for pra cair na porrada, nem chega perto – pede Jéssica.

Enquanto Os Youtubers avançavam a toda velocidade entre as ondas, Pai e Filho e Os Esquisitos conseguem sair do engarrafamento e por pouco não chegam a tempo de pegar o bondinho que começava a sair da estação.

— Droga! – resmunga Quaraçá – Eles me pagam! Vamos de plano “b” irmão.

— Que plano, índio Calvin Klein? – pergunta Lucio bocejando.

— Não é da sua conta seu esquisito – retrucou o índio irritado correndo pelas ruas em direção ao morro.

— Tomara que sua tanga caia! — resmungou o jovem se sentando nos bancos a espera do próximo bonde – Por isso que não faço amizade.

Acostumados com a mata fechada, Os Índios resolvem pôr suas táticas de sobrevivência a prova e resolvem subir o morro por uma trilha sem tirar os olhos do bondinho sobre suas cabeças. Já na segunda parte do trajeto, as primeiras cinco equipes se aglomeram na porta se preparando para quando ela abrisse, e promovem um arrastão quando as portas se escancaram. Na correria Martha perde um sapato, Raimunda outro e Luis podia jurar que foi empurrado. Os Militares e Os Melhores Amigos disputando ombro a ombro a liderança encontram Olávio ao lado de uma escultura, e saltando sobre as grades e as cadeiras as duplas chegam ao Tapete da Complexão.

— Ei! Parem antes que passem direto e despenquem morro abaixo! – ri Olávio abrindo os braços – Parabéns vocês são os vencedores!

As duas equipes comemoram a vitória, mas logo param ao verem que os quatro estão dentro do círculo amarelo.

— Nós vencemos! – irrita Mateus empurrando Capitão Guerra com o dobro de sua altura para fora do círculo amarelo.

— Perderam o juízo pirralhos?! – grita o Capitão — Saiam daqui!

— Ei Parou!! – berra Olávio puxando Jéssica do pescoço do Soldado Mello – Ambos chegaram ao mesmo tempo! Ambos venceram, parabéns, agora caiam fora! Perturbação! – responde ajeitando a gravata e empurrando os quatro para fora do tapete.

Os Desempregados, As Testemunhas de Jeová e A Velha Guarda, recuperados dos tombos, são os próximos a garantirem a permanência no jogo e logo partem para a mesa de comida para repor as energias. Pela mata, Os Índios sobem pela trilha e rapidamente chegam a tempo de pegar um bondinho rumo ao topo do morro. Cansados, a dupla observa mais um bondinho saindo da estação carregando duas duplas que por sua vez observam Mãe e Filha e Os LGBT correndo para dentro da estação. No topo do Pão de Açúcar, Os Sertanejos, Os Funkeiros e Os Jogadores de Futebol se preparam para saírem do bondinho e assim que as portas se abrem correm na base de empurrões, saltam por cima de lixeiras e quase se matando os atletas garantem o quinto lugar deixando a dupla sertaneja ainda mais furiosa. Enquanto isso, Mauro tenta acalmar o filho com medo da altura e A Velha Guarda, aproveitando a paisagem, observa dois jet-skis chegando à praia.

— Aposto que alguém encontrou outra forma de chegar aqui – ri Antônio.

— Esses jovens são muito fraquinhos. Tem que se arriscar mesmo! – ri Martha.

A próxima equipe a chegar são Os Índios que seguem tranquilos para garantir a sétima colocação no jogo.

— Vieram andando? – pergunta Olávio vendo os pés enlameados e arranhões nos braços.

— Alguém quer nos trapacear aqui – responde Quaraçá furioso observando os Jogadores de Futebol se deliciando com salgadinhos – Isso não vai ficar assim.

— Só não vão brigar aqui.

— Brigar? Na nossa terra nós fazemos diferente – responde Aruanã ameaçadoramente.

— Qual a dificuldade gente!? – pergunta Angélica impaciente esperando que o bondinho subisse – Cadê o ar dessa gaiola!

— Tal mãe, tal filha né – comenta Brianna – Falando alto no meio dos gringo.

— Falo mermo e daí – diz cruzando os braços.

— A lá... “Falo mermo” – imita parando para assistir a correria dos Youtubers do lado de fora – Ai lá vem!

— Fecha logo, moço! – pede Tony – Isso já tá cheio! Vera já tá ocupando o lugar de cinco pessoas!

— Tu cala a boca!

Do lado de fora, Guilherme tenta a todo custo correr para pegar o bondinho, mas por questões de segundos não conseguem.

— Poxa... Que pena – lamenta Tony – Vou sentir falta desse corpo maravilhoso... Dos músculos, tanquinho... Pernas de graveto...

— Mais é debochado, né – ri Vera – Não sei quem é pior!

— Xiu! Fica quieta aí no teu canto e equilibra essa geringonça – responde Tony.

Na Zona de Relaxamento, Os Esquisitos garantem o oitavo lugar e mais atrás Mauro consola o filho com um copo d’água com açúcar.

“- Nem chorei... Fiquei só tremendo – diz o garoto com os olhos vermelhos sentindo-se aliviado por estar em um lugar seguro.”

Na última parte do trajeto, Brianna se controla pra não dar um tapa em Vera que insiste em soltar gritinhos a cada balanço do bondinho.

— Se essa coisa cair, eu te meto a porrada – irrita Brianna se segurando firme na barra de metal.

— Se essa coisa cair não vai sobrar nem pó da gente! – responde Angélica – Se controla mãe!

Assim que o bondinho chega à estação, e Vera grita pela última vez, Os LGBT correm por entre os turistas que esperavam para descer, e aos saltos conseguem a décima primeira colocação.

— Vera? O que houve? – pergunta Olávio ao ver Angélica a segurando pelo braço.

— Quê que houve? ‘Cardiquê o final tinha que ser aqui? Morro do Pão de Açúcar é fácil! Quero ver fazer lá no Morro do Alemão.

— Aham Vera, senta lá.

— Só não te respondo por que prefiro ocupar minha boca com esse churrasquinho de gato aqui – responde se afastando e se sentando numa mesa.

Minutos depois já com a noite chegando, a última equipe chega com a cara tão assustada que Olávio se preocupou.

— Pelo amor de Deus – pede Lana se ajoelhando aos pés do apresentador – Diz que não estamos em último. Não podemos ser eliminados!

— Bem, Lana Del Rio... Infelizmente vocês foram os últimos hoje – lamenta Olávio vendo os olhos aterrorizados de Guilherme.

— MAS COMEMOREM! HOJE NÃO TEM ELIMINAÇÃO! – revela Olávio dando sinal para que a comemoração começasse com direito a fogos de artifício, sambistas e muito pagode que ninguém sabia de onde haviam surgido.

Boquiabertos, Os Youtubers só voltam ao normal quando um rojão explode e ilumina o local.

— Eu não sei o que dizer – diz Guilherme apoiando-se em uma cadeira e quase sendo atropelado por Vera que com um copo de cerveja na mão e um espetinho de churrasco com farofa na outra começa a sambar perto dos pagodeiros.

— Competidores!! – interrompe Olávio – Em comemoração à primeira semana completa de competição no Total Drama Tudo ou Nada Brasil, amanhã é dia de folga para todos! Aproveitem a cidade!

A ótima notícia é o suficiente para que os competidores esquecessem de todo o drama – e quase morte – do dia, e comemoram do jeito que os cariocas gostam: churrasco, bebida e música alta. Afinal show, comida, passeio, e folga tudo de graça não é todo dia que se tem.

— Será que se eu pular daqui morro? – pergunta Lilith ao ver o samba pegando fogo no espaço produzido especialmente para eles.

— Pelo menos vai ser mais rápido do que sofrer com esse barulho – responde Lucio tampando os ouvidos – Vamos cair fora daqui.

— Hoje é dia de comemoração aqui no Pão de Açúcar – diz Olávio perto dos canhões de luz – Depois de uma semana repleta de emoções, é hora de um breve descanso. Nos vemos no próximo TOTAL-DRAMA-TUDO-OU-NADA-BRASIL, com grandes e inesperadas emoções! Tchau!

— Otáviooo! – berra Vera já meio vesga puxando-o pelo braço e pondo a cabeça do apresentador em seus peitos – chega aqui! Vem dançá ‘ca mãe!

Socorr produção!!!

Mapa da Competição no Rio de Janeiro

(^_^)/

...continua...

By Hikari-Ouji

Notas finais
Curioso para saber por ondes nossos corajosos participantes andaram passando? Acesse o link no final da fanfic para ver tudo o que rolou na competição no Rio de Janeiro. Fotos dos locais onde estiveram, dos desafios e até o video da festa dentro do trem, do VLT, do Bondinho do Pão de Açúcar e do trem do Corcovado estão lá! Acessem também meu perfil, e confira o "Diário de Bordo Total Drama" para mais informações. Aproveitem!!!