Total Drama Sky High
4 Meus pais vão me matar
Notas iniciais
Duncan olhou para a bandeja de comida sobre sua mesa e toda a sujeira que esta fizera em sua roupa e lentamente ergueu os olhos até encontrar o culpado: Trent Stronghold. Em seguida, ele se levantou e foi até o garoto, com os punhos cerrados. Stronghold se encolheu e começou a ir para trás, mas isso de nada adiantou e logo o punk de moicano verde o agarrou pela camiseta e o ergueu com raiva.
— Eu disse pra você não se meter comigo! — Duncan acendeu com fogo seus dois braços e soltou Trent, fazendo-o tropeçar para trás. — Você acha que pode fazer tudo só porque seus pais são heróis? A escola inteira já sabe que você não tem poderes!
— Cara, você não tá entendendo... Eu sinto muito que meu pai prendeu seu pai.
— NINGUÉM... — encheu o punho esquerdo de fogo — FALA... — acendeu o punho direito — DO MEU PAI! — Lançou uma bola de fogo com cada mão em Trent, que se defendeu com uma bandeja de plástico da cantina.
Imediatamente, todos os alunos estavam reunidos em volta deles no refeitório, a maioria torcendo pela pancadaria.
— Professor Mclean, faça alguma coisa! — Gwen gritou enquanto observava o rumo que a briga estava tomando.
— É pra já! — O professor desapareceu de repente, usando seu poder de teletransporte e voltou da mesma forma com um balde de pipoca na mão.
Duncan continuou lançando bolas de fogo enquanto Trent se esforçava para desviar de cada uma delas. Enquanto tentava fugir, Stronghold olhou para uma das paredes e viu o alarme de incêndio. Sem demora, começou a correr na direção do alarme, mas quando estava prestes a alcançá-lo, Cody esticou seu braço elástico e puxou o pé do garoto, fazendo o cair com o queixo no chão. Enquanto isso, as bolas de fogo arremessadas por Duncan acertavam o refeitório inteiro, queimando paredes e objetos e fazendo os alunos gritarem de medo e tentarem fugir também.
Ao chegar perto do garoto caído no chão, o punk acendeu os braços inteiros com fogo e começou a atirar mais bolas flamejantes contra ele. A escapatória que Trent encontrou foi rastejar por debaixo das mesas retangulares que estavam alinhadas, formando uma espécie de túnel para ele. Duncan jogou uma bola de fogo maior que as outras, destruindo parte das mesas e logo em seguida pulou em cima do que restou, correndo sobre elas como se fossem uma passarela. Ele continuou atirando até chegar na outra extremidade da fila de mesas. Quando ele pensou em descer das mesas, ouviu alguém o chamando. Ao olhar na direção do grito, viu cinco pessoas corajosas se posicionando para um combate. Eram Gwen, Bridgette, Leshawna, Geoff e Dj. Sem se intimidar, Duncan acendeu mais uma vez os braços e encarou fixamente o grupo de amigos. Ao ver isso, os cinco começaram a hesitar e Geoff se encolheu no tamanho de uma maçã.
Quando parecia não haver mais saída para o quinteto, o inesperado aconteceu: A mesa onde Duncan estava de pé começou a ser erguida. Não era nenhum telecinético. Era Trent Stronghold, que estava debaixo dela, usando sua força para levantá-la. Quando o jovem ficou totalmente de pé, com a mesa nas mãos, todos puderam ver uma expressão de choque em seu rosto.
— Uau! Acho que o Stronghold é dos nossos! — Courtney falou para Noah.
Sem pensar duas vezes, Trent arremessou a mesa com Duncan junto e fez o punk bater a cara na parede e cair no chão. Isso fez os alunos vibrarem e baterem palmas, gritando o nome de Stronghold. Em seguida, ele encarou Cody e Harold e apenas esse olhar fez os dois desaparecerem de vista, apavorados.
Não se dando por vencido, Duncan se levantou e foi em direção de Trent, com os braços cheios de fogo. Trent fez uma posição desengonçada de combate e esperou o punk dar seus próximos golpes.
Na enfermaria, Lynda fazia alguns exames nas cordas vocais do treinador Hatchet até que repentinamente a parede foi estourada e Duncan voou por ela enfermaria adentro. Sem olhar para os adultos, voltou para o refeitório para continuar a briga.
— Esse garoto nunca aprende... — Lynda falou, sem entusiasmo e continuou a consulta.
Ao sair do buraco que abriu na parede com o impacto, Duncan mais furioso do que nunca acendeu seus braços com fogo novamente e os alunos começaram a fugir, deixando Trent sozinho no centro do refeitório.
— Bridgette! — Trent gritou.
A garota loira ergueu os braços e começou a concentrar no ar todo líquido que havia no ambiente, a maioria proveniente das caixinhas de suco de uva que os alunos estavam tomando antes da confusão começar. Quando formou uma grande nuvem arroxeada de suco sobre Duncan, Trent ordenou:
— AGORA!
No momento em que Duncan ia pular em cima de Trent com suas mãos chamejantes, Bridgette descarregou o suco de uva em cima dele. Para a surpresa de quase todos, não aconteceu quase nada.
— Bebidas doces ou açucaradas tem pouco efeito em extinguir o fogo. — Noah explicou.
— OBRIGADO, GÊNIO! — Trent respondeu sarcasticamente enquanto corria do punk que agora estava ainda mais irado.
— TRENT! — Gwen chamou e jogou nas mãos do amigo um extintor de incêndio.
Stronghold começou a tentar abrir o extintor, com pouco sucesso. Os colegas gritaram para o incentivar. Duncan estava chegando cada vez mais perto. Quando o punk finalmente pulou para acertar Trent, o garoto conseguiu arrancar o pino do extintor e apagar o fogo nos braços de Duncan,fazendo-o cair no chão, fraco. Quando estava para celebrar a vitória, alguém apareceu nos escombros do refeitório: A diretora Blaineley.
Blaineley esperou Duncan se levantar e conduziu os inimigos para a sala de detenção, um quarto inteiro branco com algumas carteiras escolares. Ao entrar, o punk tentou acender seu punho com fogo mas nada acontecia.
— Nem perca seu tempo, querido. Essa sala neutraliza seus poderes. Agora fiquem aí e repensem suas atitudes.
— Eu não fiz nada! Ele que quis me matar! — Trent se defendeu — E nem foi jogo limpo porque eu não tinha poderes! Agora que tá tudo explicado, pode me tirar daqui. Eu tenho que falar com a Heather!
— Você tá de rolo com aquela ajudante psicótica? Achei que sua namoradinha era a gótica. — Duncan perguntou e a diretora fechou a porta, deixando os dois a sós.
— Gótica? — Trent pensou — Ah, a Gwen? Ela é minha melhor amiga!
— Eu não tô nem aí. Agora cala a boca que eu vou dormir — Duncan debruçou-se sobre a carteira e fechou os olhos.
O dia passou e Trent foi para casa. Ao chegar lá, seu pai o chamou.
— Trenton, filho, eu queria conversar com você.
O garoto congelou por dentro, pois tinha certeza que seu pai ficara sabendo sobre o incidente no refeitório e tinha mais certeza ainda que era esse o motivo da conversa.
— Eu tô encrencado? — O garoto se encolheu esperando apanhar.
— Não, não! Tá tudo bem, filho. — O pai respirou fundo. — Eu queria pedir desculpas pela minha reação quando eu descobri que você não teria poderes. Eu sei que isso não é algo que a gente escolhe, mas mesmo assim eu exagerei e descontei tudo em você...
— E nos móveis da casa. — Trent acrescentou, olhando para uma rachadura na mesa.
— Sim... Mas eu quero que você saiba que eu te amo, mesmo você não tendo poderes. E mesmo que você... — Ele teve calafrios antes de dizer — Nunca desenvolva poderes... — Engoliu em seco — Eu ainda vou te amar. Você é meu filho, sangue do meu sangue, então pode ter certeza que não importa o que acontecer, eu sempre estarei aqui pra você, mesmo você não sendo socialmente considerado um her...
— Pai, eu descobri hoje que tenho super-força.
— O QUÊ?! VOCÊ TÁ FALANDO SÉRIO?! — O pai cortou seu discurso imediatamente e começou a dar pulos e gritos de alegria — EU SOU O PAI MAIS FELIZ DO MUNDO! — Agarrou o filho num abraço apertado e o levantou.
Em resposta, Trent abraçou o pai ainda mais forte, fazendo-o gemer de dor e soltá-lo, mas sem tirar o sorriso do rosto.
— UAU! Você é mesmo forte, filho! — Disse, orgulhoso — Esse é meu garoto! Meu Stronghold! — O pai limpou uma lágrima de alegria dos olhos.
Depois que Thomas saiu da cozinha, Tanya apareceu. Ela se escorou no batente da porta aberta com os braços cruzados e um olhar nada amistoso e pigarreou. Trent logo percebeu o que estava acontecendo. Sua mãe com certeza sabia do ocorrido na escola.
— Oi, mãe... — sorriu amarelo — Eu descobri que tenho super-força. — falou envergonhado, com a mão na nuca.
—Eu sei muito bem, mocinho. Me ligaram da escola.
— Desculpa, mãe... mas eu não tenho culpa, ele começou! Tinha esses dois valentões que me derrubaram em cima do Duncan e...
— Espera aí. Duncan...? Duncan Pull?!
— Sim...
— Filho do Ódio Supremo e da Super Gentil?
— Peraí, quem?!
— São os pais do Duncan. O maior vilão de todos e sua esposa heroína. Nós prendemos o Ódio Supremo por...
—Quatro vidas, sem direito a condicional... Eu sei. Me contaram a história. Eu só não sabia o nome dele... E nem que a mãe dele é uma heroína! Isso é doido...
— E você foi arrumar encrenca justo com ele, filho?!
— Mãe! Eu não arrumei nada! — Trent suspirou — É uma longa história... Tô encrencado?
— Sim. Vocês destruíram a escola, deram um prejuízo enorme! Não importa quem está certo!
— Tanto faz... — Trent foi em direção à escada rumo a seu quarto, mas parou por um instante— Por que você não contou pro pai?
— Você conhece ele. Ou ele ficaria tão revoltado com o estrago que vocês fizeram que destruiria a casa de novo, ou ele ficaria tão feliz pelo seu uso de poderes que iria te mimar até o Ódio Supremo sair da prisão.
— Eu não me importaria com a segunda opção.
— Trent! O que você fez foi errado e você precisa sofrer as consequências, filho. Você está na escola pra aprender a usar seus poderes com responsabilidade e ter uma boa convivência com seus colegas!
— O Duncan não é meu colega, ele é um...
— Então você entrou numa briga com o filho do meu arqui-inimigo?! — O pai de Trent invadiu a conversa que esteve escutando escondido.
Ele tinha dito essas palavras num tom empolgado, mas ao ver a feição séria de Tanya, pigarreou e forçou uma cara de bravo.
— É, você não pode fazer isso, filho! Já pro seu quarto.
Trent, nada impressionado, deixou os pais na cozinha e subiu para seu quarto. Alguns minutos depois, seu pai bateu na porta e entrou.
— Não dê ouvidos à sua mãe, herói! Ela provavelmente só tá com inveja porque você tem super-força e não poder de voar! — Disse com um sorriso de orelha a orelha.
— Tá, tá, tanto faz. Fecha a porta e apaga a luz. — Trent dispensou o pai, deitando de bruços e colocando o travesseiro sobre a cabeça.
— Nós vamos salvar o mundo juntos, filho! Assim como eu acabei com o Ódio Supremo, você vai acabar com o Duncan Pull! — ao terminar de dizer essas palavras, Thomas fechou a porta e saiu, dando pulinhos de emoção.
No dia seguinte na escola, enquanto Trent e seus colegas se dirigiam para a sala de aula, alguém puxou o Stronghold para dentro do almoxarifado sem que os demais percebessem.
— AI MEU DEUS O QUE É ISSO! SOCORRO, ESTOU SENDO SEQUESTRADO EM PLENA ESCOLA!
— Cala a boca, idiota!
— É você?! O que você quer comigo de novo?!
"Você não acha injusto o modo como eles tratam os que florescem mais tarde?" Heather começou a usar seu poder para se comunicar. "Pessoas como você... e como eu."

"Você?! Você floresceu mais tarde?!" Trent arregalou os olhos.
"Por que você acha que com um poder tão incrível eu estou na turma dos ajudantes? Bom, de qualquer forma, se você quiser saber mais sobre meu plano, vamos conversar depois da aula."
Depois dessa conversa, Heather dispensou o garoto e ambos foram para a sala de aula. Novamente, Chris apareceu de repente usando seus poderes de teletransporte, assustando a turma toda. Quando ele estava prestes a começar a aula, o Treinador Hatchet apareceu na porta, dizendo:
— Trent Stronghold?
— Sou eu. — Trent respondeu tímido.
— Me acompanhe.
Fale com o autor