Tot: The Four Winds Alchemist
35 27. O colar de Nefertiti
Notas iniciais
Rosemary e Victoria conseguiram encurralar os Thiefmons em um beco. Apreensivos, eles procuravam um jeito de escapar enquanto as duas garotas se aproximavam lentamente, com expressões ameaçadoras na face.
- Devolvam nossas bolsas! – ordenou Rosemary.
O Thiefmon da esquerda tentou distraí-las. – Que tal uma conversa, senhoritas?
- Conversa é uma ova! – as duas partiram para cima deles, mas pouco antes do massacre começar, um terceiro Thiefmon pulou na frente delas.
- Parem, por favor! – exclamou o Thiefmon recém-chegado, que exibia um brilhante colar de ouro com a letra T no pescoço.
As meninas hesitaram. Vicky o reconheceu como Monkey_T, mas isso não ajudou muito.
- Monkey_B! Eu já não te falei que é feio roubar a bolsa de belas garotas como essas? – Monkey_T ralhou.
- M-mas chefe! Foi você mesmo quem disse que...
- Mas isso é terrível, Monkey_B! Voltem já para o esconderijo, os dois! E devolvam as bolsas dessas jovens! — os Thiefmons obedeceram, mas pareciam confusos. – Peço mil desculpas pelo comportamento deplorável de meus subordinados.
- HEY! – exclamou Rosemary, como se tivesse se lembrado de algo. – Você é aquele Thiefmon de Blooming Cora! Foi você que vendeu para mim e minhas amigas aquelas máscaras faciais fajutas. Meu rosto ficou escamoso por semanas!
Rosemary descontou toda a sua raiva no pobre Thiefmon. Vicky não fez nada à respeito, pois estava se divertindo muito com a idéia de Rosemary ficar com uma cara de jacaré.
Depois de uma grande surra, Monkey_T estava cheio de hematomas, mas ainda sorria. Sem dúvidas, ele tinha alguma coisa em mente. – Também peço desculpas por isso. – disse ele, mas não parecia sincero. – Entenda que eu precisava do dinheiro, para sustentar a família. Hehehe... Porém, é hora de esquecer o passado! Agora, gostaria de lhes oferecer...
Rosemary o interrompeu antes que fosse tarde demais. – Nunca mais aceito nada de você, seu macaco vigarista! – Rosemary deu as costas e saiu bufando. – A gente se vê, gata de rua.
- Até mais, pele de jacaré! – disse Vicky, provocativa.
Rosemary parou de andar, com ar de ultrajada. Demorou um certo tempo para ela pensar em uma boa resposta. – Eu só não digo nada porque, ao contrário de você, eu tenho classe. – ela jogou o cabelo para trás e se retirou.
- Então, minha bela Cat. – disse Monkey_T, tentando retomar o rumo da conversa. – Que tal dar uma olhada no meu modesto estoque de jóias raras?
- Escuta aqui, eu não tenho tempo para... Espere, você disse jóias raras? Me mostre, me mostre tudo!
- Victoria! Cadê você? – Sam gritava pelas ruas, procurando a Cat.
Já havia muito tempo que o grupo estava procurando por Vicky. Bill não estava se esforçando muito por ainda estar chateado com ela, mas Kurt e Sam estavam bem preocupados.
- Oi, pessoal. – Vicky finalmente apareceu, carregada de sacolas de compras. – Desculpa por ter sumido sem avisar, mas é que eu encontrei um Thiefmon que estava vendo umas jóias tão baratas! E eu ainda acabei passando no mercado...
Antes que ela pudesse terminar a explicação, Kurt a abraçou. – Caramba, Vicky! Você quase me matou de preocupação. Nunca mais suma desse jeito, OK?
- Ah, Ku-chan... – Vicky retribuiu o abraço.
- Ahhh, Ku-chan. – Katy fez uma voz melosa, zoando a Cat. – Vão arranjar um quarto!
- Quarto? Pra quê? – perguntou New, inocente como sempre.
- Para brincar embaixo dos lençóis. – respondeu Katy, sem nenhuma paciência.
- Ah, parece divertido! Quer brincar disso comigo, Katy?
- O QUÊ?! – Sem pensar duas vezes, Katy deu um belo soco na mandíbula de New. – Nunca mais diga isso, seu tonto!
- Agora que eu estou tonto mesmo. – disse New, meio desorientado.
Ignorando tudo que se passava, Vicky estava mostrando tudo que tinha comprado para Kurt. – Olhe só esse colar. Nunca vi algo tão bonito assim!
Realmente, era um colar magnífico. O pingente tinha a forma de uma mulher, feito de ouro puro. Seus olhos eram duas minúsculas safiras. Parecia que havia uma atmosfera mágica envolvendo-o.
- Nossa. Que coisa... Incrível. – Até mesmo Bill se mostrou interessado.
- Se trata de um artefato mágico, sem dúvida! – constatou Ashlee.
- E essa mulher do pingente é simplesmente... Ai, meu pé! – Sam comentou, antes que Amy lhe desse um forte pisão.
- É, eu sei. O colar é simplesmente lindo. – concordou Vicky, maravilhada.
O que aconteceu em seguida foi muito rápido para ser processado. Um raio surgiu do nada e explodiu bem aos pés do grupo. Uma nuvem de poeira atrapalhou sua visão por um tempo, e quando ela se dissipou, eles puderam ver uma mulher de cabelos negros sorrindo maleficamente.
Enquanto isso...
Um homem se encontrava no meio da floresta. Usava calça e botas negras, uma blusa branca de botões que deixava um pedaço de seu peito à mostra, colete e chapéu. Constantemente ele passava os dedos por seu cabelo prateado, deixando claro seu estado de preocupação.
- Onde é que está? – ele revirava os bolsos da calça, desesperado para achar alguma coisa. – Maldito Thiefmon! Ele roubou... Não acredito! Como é que eu vou explicar isto?
- Robin. – Uma mulher surgiu atrás dele. Ela usava um terninho branco e preto, fechado com apenas um botão, sobre uma saia longa que ia até os pés, nas mesmas cores. Suas roupas também eram adornadas com enfeites dourados. Ela carregada três katanas presas nas costas. Seus longos cabelos negros tinham uma aparência impecável e seus olhos bicolores eram lindamente sérios. Um era de um azul perfeito como o céu e outro era de um amarelo reluzente como barras de ouro. Ela segurava um cajado que possuía uma foice unida com um relógio na extremidade.
- Caramba, Eclipse! – Robin reclamou, após ter se assustado. – Já falei pra você não surgir do nada assim!
- Você perdeu o colar. – isso não era uma pergunta.
- Bem, eu...
- Você perdeu o colar! – Eclipse repetiu, dessa vez muito irritada. – Você tem idéia do que causou com a linha do tempo?
- Posso imaginar. – disse ele, emburrado.
- Você acaba de arruinar tudo! – Eclipse bateu com o cajado no chão. – Minhas congratulações! Você fez com que o futuro se torne um completo caos!
- Não foi culpa minha, tá legal? – Robin jogou o chapéu no chão. – Foi aquele Thiefmon inútil! E a culpa também é de quem matou o guardião da caverna de Coral! E desse jogo estúpido! E também...
- Não me importa de quem é a culpa, Robin. – Eclipse logo o cortou. – A sua missão era proteger o colar e você falhou. E você sabe muito bem o que acontece com aqueles que falham.
Robin engoliu em seco. – Mas... Eu ainda posso recuperá-lo! Foi pra isso que você veio me procurar, não é? Pra me dizer onde ele está. Caso contrário, ele já teria me punido.
Eclipse concordou com a cabeça. – Vá imediatamente para Azteca. Se a Alquimista dos Quatro Ventos colocar suas mãos no colar...
- Ok, entendi. Pode deixar comigo, Eclipse. – Robin apanhou seu chapéu. – Vou recuperar aquele colar, custe o que custar!
Quando Robin já estava pronto para partir, Eclipse chamou sua atenção. – Robin... Você pode ser um imortal como eu, mas você ainda possui fraquezas. Por favor, tome cuidado.
Robin sorriu e ajeitou seu chapéu. – Não se preocupe Eclipse. Não me chamam de Love Hunter à toa.
Eclipse pareceu suspirar e desapareceu tão rápido como havia aparecido.
- O que você quer? – perguntou Kurt, posicionando-se na frente de Vicky, com a intenção de protegê-la. – Quem é você?
A mulher sorriu e jogou os cabelos para trás. Ela usava roupas roxas adornadas com cintos pretos e correntes prateadas. Ela usava duas argolas de prata nas orelhas e vários anéis nos dedos. Um deles, aquele que mais chamava a atenção, chegava a cobrir seu dedo médio inteiro e possuía uma caveira na base. – Eu sou Nadia, a Alquimista dos Quatro Ventos. E eu quero este colar.
- E precisava nos atacar? Não sabe o significado de “pedir”? – Amy reclamou.
- Aquilo foi só um aviso. – disse Nadia. – Mas estou disposta a fazer qualquer coisa pelo colar de Nefertiti.
O colar de Nefertiti? Pensou Ashlee. Será que... Esse é o lendário colar...?
- Pessoal, não podemos entregar o colar para ela de jeito nenhum! Eu já li sobre ele uma vez. Ele é poderoso demais para cair em mãos erradas!
- Jura? Nossa, e só custou quinhentos galders. – comentou Vicky.
- Escutem. – disse Nadia, já começando a se arrepender de ter mencionado o nome do colar. – Vocês têm apenas dois caminhos para escolher: o fácil e o difícil. Pra mim, na verdade, tanto faz. Ou vocês me entregam o colar, ou eu o pegarei a força. Então, qual caminho vocês escolhem?
- Cai dentro, feiosa. Eu não tenho medo de você! – provocou Katy.
- Se Ashlee disse para proteger o colar, assim eu farei. – disse Bill, se colocando ao lado de Katy.
- Eu preciso de um aumento de salário. – reclamou Sam.
O grupo logo assumiu posição de batalha. Nadia suspirou e lançou um olhar mortal.
- Então vai ser pelo caminho difícil.
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