Torneio das dimensões
2 O Primeiro Dia Do Mais Fraco
A multidão gritava enquanto Ozen encarava seu primeiro adversário.
O guerreiro era gigantesco.
Seu corpo parecia uma montanha de músculos.
Ozen sorriu.
— Então é você?
O gigante não respondeu.
Ozen avançou voando com toda a velocidade que possuía.
Na Terra ninguém conseguia acompanhar seus movimentos.
Mas naquele mundo…
O gigante simplesmente levantou a mão.
CRASH!
Sua mão agarrou o rosto de Ozen.
E o enterrou contra o chão da arena.
O impacto abriu uma cratera.
A plateia começou a rir.
Ozen se levantou com dificuldade.
— Isso… doeu.
Pela primeira vez em anos.
Ele recuou alguns passos.
Precisava pensar.
Precisava encontrar uma estratégia.
Mas quando piscou…
O gigante havia desaparecido.
— O quê?
Uma voz surgiu atrás dele.
— Lento.
Ozen virou.
Tarde demais.
BOOOOOOOOOOOM!
O soco atingiu seu estômago.
A arena inteira tremeu.
O silêncio tomou conta do lugar.
Ozen foi lançado pelo ar.
Sua visão escureceu.
E ele desmaiou.
⸻
Quando abriu os olhos, estava deitado numa rua desconhecida.
Sem plateia.
Sem explicações.
Sem ajuda.
— Eles me jogaram fora…
Ele caminhou pela cidade observando tudo.
Criaturas estranhas.
Lutadores.
Mercadores.
Pessoas de universos diferentes.
Era impossível entender aquele lugar.
Foi então que três homens bloquearam seu caminho.
— Ei.
— Você é o cara da arena.
— Quer ganhar dinheiro?
Ozen suspirou.
— Não estou interessado.
— Não era uma pergunta.
Os três avançaram.
Mesmo ferido, Ozen tentou reagir.
Mas estava fraco.
Muito fraco.
Logo estava sendo espancado.
Até que uma voz calma surgiu atrás deles.
— Vocês terminaram?
Os três se viraram.
Uma jovem mulher de cabelos negros estava parada ali.
— E quem é você?
Ela suspirou.
Então tocou a testa do primeiro homem.
Ele caiu.
Tocou a testa do segundo.
Ele caiu.
Tocou a testa do terceiro.
Ele caiu também.
Ozen ficou parado.
— Como você fez isso?
— Eles eram fracos.
— Isso não responde minha pergunta.
— Eu sei.
⸻
A mulher começou a andar.
— Se quiser continuar vivo, me siga.
— O quê?
— Você não vai sobreviver sozinho.
Ozen pensou por alguns segundos.
Então a seguiu.
⸻
Ela o levou até um esconderijo próximo a um beco.
Era uma pequena casa escondida entre construções antigas.
Ozen observou o lugar.
— Então você mora aqui?
— Sim.
— E quem é você?
A mulher fechou o livro que estava lendo.
— Kima.
— Só Kima?
— Só Kima.
— Isso parece nome falso.
— E você parece um problema.
⸻
Nos dias seguintes, Ozen esperava começar um treinamento brutal.
Mas nada aconteceu.
Nenhum treino.
Nenhuma luta.
Nenhuma técnica.
Apenas conversas.
— Você não vai me ensinar nada?
— Não.
— Como assim?
— Durante a primeira semana vamos nos conhecer.
— Isso é um treinamento horrível.
— Reclame menos.
Kima então começou a explicar aquele mundo.
— Este planeta gira em torno da força.
— Já percebi essa parte.
— Não. Você não percebeu.
Ozen ficou em silêncio.
— Aqui existem arenas espalhadas por toda parte.
— Como aquela onde eu apanhei?
— Principalmente aquela.
— Valeu por me lembrar.
— Algumas lutas são autorizadas. Outras acontecem nas ruas.
— E ninguém impede?
Kima olhou para ele.
— Você ainda pensa como alguém da Terra.
— E daí?
— Aqui não existe empatia.
Ozen franziu a testa.
— Como assim?
Kima apontou para a rua.
Ozen olhou pela janela.
Dois lutadores brigavam no meio da rua.
Um deles caiu desacordado.
As pessoas apenas observavam.
Ninguém ajudava.
Ninguém demonstrava preocupação.
Ninguém sequer parecia surpreso.
— Eles não se importam?
— Não.
— Com ninguém?
— Não.
Kima voltou a sentar.
— As pessoas deste mundo só se importam com uma coisa.
— Deixa eu adivinhar.
— Força.
— Força.
Kima assentiu.
— Os fortes dominam.
— Os fracos obedecem.
— E aqueles que não conseguem lutar…
Ela encarou Ozen.
— Costumam morrer cedo.
Ozen desviou o olhar.
Pela primeira vez desde que chegou naquele planeta…
Ele percebeu que não estava em um lugar onde heróis existiam.
Kima cruzou os braços.
— Se quiser sobreviver aqui…
— Fique forte.
— Porque ninguém vai sentir pena de você.
Ozen ficou pensativo por alguns segundos.
Então respondeu:
— Isso vai ser complicado.
— Por quê?
— Porque eu sempre fui o tipo de pessoa que tenta ajudar os outros.
Kima ficou em silêncio.
Então um pequeno sorriso apareceu em seu rosto.
— Eu já tinha percebido.
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