Tormento.
1 Tormento.
Notas iniciais
Por que temo de olhar para os olhos faiscantes,
Brilhantes e perdidamente súbitos?
Sozinha e perseverante,
Quem quer que ouça minhas súplicas e meus devaneios,
Jamais saberá quão dor mora dentro do meu peito,
Quanta vontade desesperada
De sair correndo para o sol.
Tentar ver além do passado e olhar
Com esperança para o futuro,
Tentar acreditar que no fundo
Há uma chance pra que tudo mude
E nada.
Os caminhos que aplicam se apegam foz da jornada.
As paredes da ambição ainda estão na minha frente
Encurralando-me para todo o infinito inferno.
E a vontade desesperada
De se jogar nas águas,
E ali ficar?
Esperando, esperando, esperando...
A morte vir lhe buscar.
Quem quer que chame o socorro.
Mesmo a voz do profundo
Não poderá ser ouvida no barulho de fundo.
E quando tudo o que fizeram e tentaram
Der errado, eles verão
A escuridão da perseverante noite aquecendo os rios.
Minhas lágrimas continuarão até que meus olhos
Nada enxerguem, ou preservem
o brilho da eternidade, à vontade.
Por uma vida, nada mais que isso,
Esquece-se de tudo e chora,
Mas chora de raiva! ,
Do mundo, de tudo, de todos, de tudo.
Nada me importa mais,
Agora sei que sozinha estou
E o silêncio me persegue mais.
As paredes se fecham mais
E tudo fica mais escuro.
Mais escuro
Mais escuro...
Não abra seus olhos, pra não chorar aos demais.
Feche-os com força, e espere a morte vir,
ninguém será julgado depois de desistir.
Não poderá desejar coisa banal
E incompletamente frágil.
Chora de raiva! ,
Do mundo, de tudo, de todos, de tudo.
Crie, mesmo que só pra você um arbusto
E regue-o como um fruto proibido
E dele coma, do chão veio, pra qual voltará.
Se as estrelas não brilham mais,
Mais escuro,
Mais escuro...
Que luz há de aguentar este sufuco malígno,
intolerante e repugnante,
Mata com tuas palavras a minha esperança
que um dia fui criança, e o tempo passará!
Que passe, não mo apego de longe
somente o tenho, de praxe.
Esquece-te as histórias e propuseram-te a realidade.
Quando a vida era uma caixinha de música,
E a gente aprendia a dançar com o seu ritmo.
Quando ela era linda,
Linda;
E pequena.
A gente assustava os pequenos,
E permitia aos grandes,
Que vissem o quão banal é.
Inútil. Impensado. Inordor.
Do arbusto que os grandes plantaram,
nenhum jamais deu fruto, ou flor.
Esquece-te de tudo.
Não vale a pena, mais.
Eu não sei o quanto me perco em devaneios
E sonhos tão lindos,
Que de tão lindos não me fazem sorrir,
E sim chorar.
E com força escrevo minha história.
Fiz com que minha pequena criança
Se afogasse no mais profundo dos lagos
Na canção da noite.
Eu vi o quanto desesperado é o meu desejo.
Mas, por fim, deixe o insólito perecer ao incompleto
E o perdido continuará esquecido,
Insolente e perdido até o perdão do esquecimento.
Tormento...tormento.
Notas finais
Por fim, neste momento de tormento para mim (rimas não intencionadas), deixo-vos com este poema/poesia/soneto/antologia que, mesmo sendo a autora e conhecendo-o de cór e salteado, ainda me emociona. Emociona muito.
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