Notas iniciais
A pedido de Sabrina Esther, uma vez que lera (muito tempo atrás) esta "carta" em meu blog. Eis que cá estamos.

Por que temo de olhar para os olhos faiscantes,

Brilhantes e perdidamente súbitos?

Sozinha e perseverante,

Quem quer que ouça minhas súplicas e meus devaneios,

Jamais saberá quão dor mora dentro do meu peito,

Quanta vontade desesperada

De sair correndo para o sol.

Tentar ver além do passado e olhar

Com esperança para o futuro,

Tentar acreditar que no fundo

Há uma chance pra que tudo mude

E nada.

Os caminhos que aplicam se apegam foz da jornada.

As paredes da ambição ainda estão na minha frente

Encurralando-me para todo o infinito inferno.

E a vontade desesperada

De se jogar nas águas,

E ali ficar?

Esperando, esperando, esperando...

A morte vir lhe buscar.

Quem quer que chame o socorro.

Mesmo a voz do profundo

Não poderá ser ouvida no barulho de fundo.

E quando tudo o que fizeram e tentaram

Der errado, eles verão

A escuridão da perseverante noite aquecendo os rios.

Minhas lágrimas continuarão até que meus olhos

Nada enxerguem, ou preservem

o brilho da eternidade, à vontade.

Por uma vida, nada mais que isso,

Esquece-se de tudo e chora,

Mas chora de raiva! ,

Do mundo, de tudo, de todos, de tudo.

Nada me importa mais,

Agora sei que sozinha estou

E o silêncio me persegue mais.

As paredes se fecham mais

E tudo fica mais escuro.

Mais escuro

Mais escuro...

Não abra seus olhos, pra não chorar aos demais.

Feche-os com força, e espere a morte vir,

ninguém será julgado depois de desistir.

Não poderá desejar coisa banal

E incompletamente frágil.

Chora de raiva! ,

Do mundo, de tudo, de todos, de tudo.

Crie, mesmo que só pra você um arbusto

E regue-o como um fruto proibido

E dele coma, do chão veio, pra qual voltará.

Se as estrelas não brilham mais,

Mais escuro,

Mais escuro...

Que luz há de aguentar este sufuco malígno,

intolerante e repugnante,

Mata com tuas palavras a minha esperança

que um dia fui criança, e o tempo passará!

Que passe, não mo apego de longe

somente o tenho, de praxe.

Esquece-te as histórias e propuseram-te a realidade.

Quando a vida era uma caixinha de música,

E a gente aprendia a dançar com o seu ritmo.

Quando ela era linda,

Linda;

E pequena.

A gente assustava os pequenos,

E permitia aos grandes,

Que vissem o quão banal é.

Inútil. Impensado. Inordor.

Do arbusto que os grandes plantaram,

nenhum jamais deu fruto, ou flor.

Esquece-te de tudo.

Não vale a pena, mais.

Eu não sei o quanto me perco em devaneios

E sonhos tão lindos,

Que de tão lindos não me fazem sorrir,

E sim chorar.

E com força escrevo minha história.

Fiz com que minha pequena criança

Se afogasse no mais profundo dos lagos

Na canção da noite.

Eu vi o quanto desesperado é o meu desejo.

Mas, por fim, deixe o insólito perecer ao incompleto

E o perdido continuará esquecido,

Insolente e perdido até o perdão do esquecimento.

Tormento...tormento.



Notas finais
Faz muito tempo. Tempo de mais, aliás, que escrevi esta espécie de "carta", que seria a 1º na sequência de Avec Tristesse. Mas não. Ela era especial, além de qualquer livro ou qualquer escrita modal ou amodal.
Por fim, neste momento de tormento para mim (rimas não intencionadas), deixo-vos com este poema/poesia/soneto/antologia que, mesmo sendo a autora e conhecendo-o de cór e salteado, ainda me emociona. Emociona muito.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!