Toque-me
12 Brinquedo Sorridente
Notas iniciais
(...)
Cheguei a frente da minha formidável mansão realmente puto. Atravessei ao grande portão metálico automático com o carro até chegar a flora da moradia. Sai do carro e andei pelo extenso jardim de flores e árvores, para que pudesse chegar a porta central da casa.
"Casa".
Ótimo termo para aquela monstruosa mansão. E não me entenda mal, eu gosto de conforto, mas a ideia de se ter com tal casarão tão chamativo e facilmente acessível a pivetes não foi minha.
Apenas atendo aos desejos luxuosos e extravagantes da dama rosada.
— Merda de árvores... — Amaldiçoei as plantas e a todos os arbustos pelo caminho vastamente longo até a entrada da casa. Para quê tanto verde? Não era um ambientalista e detestava o movimento Green. Ter aquele tanto absurdo de árvores pelo seu trajeto só acabara por deixa-lo mais odioso.
Hoje não era um bom dia.
Não foi um bom dia...
Quem infernos iria imaginar que a Hyuuga era a nova Chefe de Polícia de Konoha? Quem em sã consciência iria cogitar tal hipótese?
Merda...
Ela estava de volta. E não só isso, estava bem e parecia boa... Tão boa e provocativa que era quase inimaginável olha-lá como se fosse a mesma de antes.
Não mesmo... Ela não era.
Aquela pequena garota desajeitada, medrosa e tímida não era essa nova Hyuuga.
Por quê diabos se tinha tão renovada? O que tinha feito para se ter ali, tão quente e vingativa como o inferno?
— Tsc. — Estalei a língua nos dentes com mais um pouco de raiva crescente. Não gostava que me provocassem.
Havia chegado a frente da porta, um dos empregados se tinha parado em sua frente à minha espera.
Retirei meu casaco e o lancei ao mesmo.
Pegou desconcertadamente fazendo uma reverência e logo se retirando, enquanto abria a porta para mim. Fiz com que fosse embora e tratei de fechar a porta.
Não estava com paciência para incompetentes. Mesmo que o jovem mordomo não fosse o motivo do meu descontentamento, não me alegrava pessoas por perto naquele momento.
Como havia imaginado, hoje não era um bom dia.
Um alto estrondo se fez atrás de mim, logo percebi que tinha sido a porta se fechando majestosamente como se tivesse sido chutada de volta ao seu lugar.
Realmente, o dia estava sendo um grande saco de merda.
— Ótimo. — Murmurei com raiva sendo inflada pelas minhas narinas.
Aquilo provavelmente acordaria Sakura.
Fechei os olhos e inspirei o cheiro do cômodo.
Cheirava a essência de cerejeiras. Doce, calmante e enjoativo. Como todos os empregados conseguiam impregnar o ar com aquele aroma repulsivo?
Não estava livre nem no meu próprio quarto e agora se tinha o Hall de entrada no mesmo estado.
Caminhei com passos pesados até a sala de estar, tão grande quanto um salão festivo.
As figuras ricas em cores douradas se alastravam pelo acabamento das paredes e logo terminavam no topo do teto. Ao seu centro, jazia ali um lustre brilhante contornado com pequenas peças cristalinas, que eu duvidava ser parentes de diamantes.
O teto alto só o fazia ficar mais majestoso e satisfatório de olha-lo.
As cortinas âmbar entravam em contraste com as paredes de tons pálidos de um branco opaco.
Os moveis eram antigos, davam um ar generoso a formidável mansão antiga.
Sim, gostava dos artefatos dos espanhóis, preferia à eles do que os dos Japoneses.
A única coisa repulsiva no cômodo era o cheiro fortemente rude das sakuras. E claro, eu era repulsivo naquele momento.
Meus pensamentos, minhas ações, meu fodido corpo.
Toda aquela merda era repulsiva!
Bati na parede mais próxima a mim com raiva ainda instalada no meu interior.
Quem diabos era aquele merdinha?
Ele me socou, aquele bastardo!
Como pude deixar algo como aquilo impuni?
— Infernos! — Exclamei alto, meu rosto ainda ardia. Queimava como se tivesse sido marcado com ferro derretido. O maldito tinha uma boa direita, admitia. Mas aquilo não era um motivo significativo para deixar que passasse em vão.
Oh... A morena me colocaria atrás das grades, foi o que ela sugeriu.
Parando para pensar em tal hipótese... Ela não o faria.
Não, apenas daria-me trabalho para chamar meus muito bons advogados para acabar com seu teatrinho ridículo. Sim, era o que aconteceria.
(...)
Okay, Okay...
Não tinha sido nada demais, não é mesmo?
Ora, não havia sido nada mesmo.
Quantas vezes incidentes como aquele haviam acontecido?
Era normal, claro que era. Era uma mulher, afinal.
Tinha necessidades carnais. Assim como ele era um homem. Homens sempre foram uns animais fodidamente idiotas. Então estava tudo bem.
O beijo nem tinha sido realmente capaz de acender-lhe, não é?
Tinha sido apenas um trocar de sabores, nada mais.
Não era como se fosse quente como larva derretida, ou pecaminosamente irresistível para desgustar. Claro que não tinha sido, mal sabia o que fazia, era obvio, não?
Ótimo, parecia uma lunática agora?
O que diabos estava dando na minha cabeça?
Por que tudo nessa cidade parece ser três vezes pior do que realmente é?
Toda vez que me via em uma situação ferrada, acabava por ser catastrófico pelo simples fato de estar aqui novamente, em Konoha.
Se fosse em minha divisão anti-terroristas da Marinha na América, não estaria levando tão à sério o fato de ter beijado o idiota loiro. Claro, havia acontecido outras vezes. Lembrava-me da vez que fui pega desprevenida enquanto escrevia meu relatório. Um maldito grande e arrogante Seal adentrou em minha cabine. Estávamos em alto mar, acabávamos de sair de uma vistoria na costa do México. Rotina, apenas minha rotina.
Enquanto escrevia, não me importei com o dobrar de braços do homem em frente ao seu peito. Muito menos liguei quando o mesmo bufou por não receber mais do que um simples olhar.
Oh, essa era a mulher que era.
Por não dar a devida atenção ao companheiro "Japonês" — pois duvidava que fosse, bastava apenas olhar-lhe, nenhum japonês jamais nasceu com cabelos loiros e olhos azuis -, fui pega em um suspiro mais tarde, presa contra os lábios quentes dele.
O idiota era corajoso.
Ou apenas masoquista, pois sempre batia no muito filho de uma cadela.
Mas desta vez...
E por ser aqui, naquelas condições...
Ah, não era muito mais do que uma ferrada dor de cabeça.
Odiava aquilo.
Detestava dobrar-se aos homens, mostrando-me frágil e vulnerável, não era certo.
Diabos, aquilo era malditamente errado.
— Droga... — Não podia retornar para a delegacia.
Todos estavam lá, e o loiro também, então não era uma alternativa. Talvez o apartamento alugado... Não, não. Também não era uma opção, havia lembrado que o meu camarada havia alugado o quarto ao lado. Merda. Estou ficando sem opções aqui. Olhando para os cantos da rua, pude notar uma pequena cafeteria.
Oh sim. Café. Isso era bom.
Sem pensar muito, fui em direção ao pequeno estabelecimento. A fachada era bonita, com letras grandes e elegantes. Engraçado, o nome da cafeteria me era bastante familiar.
Sem pensar muito, me pus a andar para dentro do estabelecimento, estava frio e chovia pouco agora. Mas eu estava molhada e com cara de poucos amigos, nada bom. Algumas pessoas olhavam de relance, mas desviavam o olhar e cochichavam baixo. Eu parecia estar os atrapalhando com minha presença indesejada. Já dentro do recinto pude sentir no ar o cheirinho de café recém-saído do fogo. Fechei os olhos e inspirei todo o aroma. Oh... Aquilo era quase como um afrodisíaco, Deus...
Quase em transe, lambi os lábios e só então percebi que estava parada como uma lunatica na entrada. Sai de lá e andei pra perto de uma mesinha afastada das demais. O local era agradável. Tinha um ar reconfortante e amigável. As cores não eram chamativas, mas eram acolhedoras. O cheiro era incrivelmente rico. Todos pareciam apreciar o local.
Um homem se aproximou com um pequeno bloco de notas nas mãos, um lápis atrás da orelha e com avental cobrindo seu grande corpo. Eu estava quase ensopada. A roupa não era agradável, pois como estava com o grande desgraçado do Uchiha na minha sala, não tive tempo de troca-la. Talvez por isso os olhares e cochichos.
— Boa tarde senhora, o que vai querer? — O rapaz era descontraído e não parecia ligar para a roupa transparente que eu levava. Limpei a garganta.– Vou querer apenas um café puro, sem açúcar, por favor.– Certo. Nada para comer senhora?– Não, nada. Obrigada. — Ele se virou e foi direção à cozinha do local.
Ele realmente não parecia se importar comigo. Ótimo, pelo menos não estava tão detestável ao ver dos outros. Ajeitei minha saia a descendo e fechei os botões da minha blusa.
Prendendo o meu cabelo em um rabo de cavalo, suspirei pesado enquanto ainda repassava tudo o que havia acontecido comigo naquele dia. Não estava sendo nada bom.
Primeiro o Uchiha maldito, depois Naruto com a terrível notícia sobre seu pai e logo... Aquele beijo.
Aquilo não era bom, nada bom. Não que o beijo fosse ruim, não era isso. Mas a situação não era boa. Foi fora de ordem, bagunçado. Aquilo ia mal.
Praguejei baixo enquanto fechava os olhos e apertava a ponte do nariz, meu rosto deveria estar parecendo esculpido por rugas amargas, pois sentia que se desdobravam em minha testa.
Apoiei meus cotovelos na mesa e esfreguei meu rosto com firmeza e espera...
Ah, não, não, não, não, não...
Retirei as mãos do rosto e olhei minhas palmas. Estavam negras.
Borradamente escuras em tons preto e cinza. Ahah, ótimo.
Acabava de esmagar os cílios cheios de rímel, com certeza parecia um panda agora.
Senti uma mão em meu ombro e dei um salto pela surpresa, me virei para trás rápido e vi o garçom que havia me atendido com uma toalha de rosto branca estendida em minha direção. Mostrou um sorriso sincero enquanto falava.
— Me desculpe por incomoda-la, mas me pareceu que você precisava disso. — disse ele me oferencendo o tecido dobrado em seu braços.
Deus... ele era um anjo! Com toda a certeza que existia, ele era. Ou apenas prestativo, quem ligava?
Rapidamente peguei a toalha de suas mãos e fiz um gesto de cabeça. Ele acenou de volta e voltou para onde tinha entrado para fazer meu café.
Okay, ele era um anjo, eu não. Se fui uma cadela por não ter dito um obrigada descente? Sim, fui.
Se faria de novo? Sim, faria. O por que? Bem, fiquei sem reação.-
Me sequei rapidamente, demorando mais nas partes que precisavam de mais atenção. As bochechas primeiro, logo o pescoço. Minha cabeça gotejava na mesa de madeira. Passei a toalha rapidamente sobre a mesma, deixando uma bagunça de fios soltos. Nossa, como era ótima estar seca. Os olhos foram os últimos, esfregando com vontade até a pele estar irritada, principalmente em torno deles. Pobre toalha, agora se via suja, como eu estava a pouco.
Mas era tão satisfatório estar seca!
Dei um alto suspiro liberando lentamente todo o ar dos meus pulmões. Por um momento até consegui esquecer o que havia se passado a pouco. Toda aquela confusão...
Fechei os olhos e abaixei a cabeça na mesa, Deus... Eu queria não ter voltado.
— Grande erro. — Soltei abafando o som por estar com a testa colada à mesa.– O que foi um grande erro, Hyuuga?
Essa voz...
Subi a cabeça rápido.
Cabelos chocolates penteado para trás.
Maxilar forte e maçã do rosto afiadas. Aquele olhar... ele sempre foi muito expressivo.
Alto... Quando foi que cresceu tanto?
E não só na altura, ele estava grande, em todos os sentidos.
Ombros largos, quadris estreitos, braços fortemente musculosos...
A camisa branca estava repuxada pelo tórax, a calça negra abrangia bem suas pernas também...
Mas acima de tudo, aquele sorriso...
Aquele sorriso sacana... Ele ainda tinha aqueles caninos, não?
— Kiba... – A quanto tempo, Hinata. — A voz grave e levemente rouca soou divertida. — Eu diria, um loooongo tempo. — Novamente me lançou aquele sorriso caloroso, e eu não pude evitar sorrir de volta.
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