Topo do mundo
22 A calmaria antes da tormenta.
Notas iniciais

POV Rose
Chegamos à frente da porta dos arquivos, era relativamente pequena, branca e opaca. O Krei deu cartão para embarcarmos. Passamos no identificador e entrarmos. Está do mesmo jeito que eu lembro. Lotado de armários com pastas. Armários grandes, com várias gavetas e nenhuma janela, um ar-condicionado, um chão de cerâmica e todas as paredes pintadas de branco. Os armários eram todos cinza-metalizado, já que era esse o metal. Uns bem resistentes e as fechaduras eletrônicas de algo grau, que nem o Hiro conseguiria hackear de tão complexas. Ela era enorme, ficamos parados por algum tempo diante daquela visão gigantesca e meio apavorante.
–Muito bem, Rose você já veio aqui antes menina, como as coisas funcionam?-Wasabi perguntou tentando não surtar.
–São... Bem difíceis eu diria. -falei surtando por dentro.
–Por quê?-Hiro perguntou. Ele e a equipe começaram a entrar no local. Ai, amadores!
–Não dei mais um passo!-alertei com meu coração a mil. Eu sentia o desespero na minha voz.
–Por que não, aqui e fácil de entrar. Não tem perigo nenhum. -Hiro falou convencido. Como eu disse: Amadores!
–É esse o perigo gente. -falei se aproximando deles- Aqui só tem uma entrada, que é essa. O lugar foi feito como um labirinto. É muito fácil se perder. Justamente por ser fácil de entrar, o difícil é sair, o Krei fez isso de propósito pra nada ser roubado. E um labirinto interminável de armários. Parece besteira, mas é muito sério, temos que dar um jeito de saber onde fica a entrada. –terminei de falar. Eles se entreolharam como se ia fazer uma grane besteira sem pensar nas consequências. Basicamente essa é a definição do que iam fazer! Sorte que eu tinha um plano, já que fiquei um dia intero presa aqui já. Não foi nada legal.
–Baymax você tem água?-indaguei frente a frente com o robô.
–Sou projetado para qualquer ajuda. Sim. -gente que fofo! Eu ainda vou ter um ataque.
Coloquei a mão no bolso da minha saia (sim ela tem bolso, algum problema?), e tirei algumas sementes de expansão dele. Todos ficaram surpresos.
–Não sai de casa sem elas. Estranho demais? -perguntei colocando perto da porta.
–Hiro, o que ela é sua?-Gogo perguntou irônica.
–Realmente, irmão essas coisas doidas é você quem faz. -Fred disse. Eu comecei a rir baixo, tapando a boca com a mão.
–Certo qual o motivo de fazer isso?-Gogo indagou curiosa.
–Baymax, poderia borrifar um pouco de água aqui?-falei e todos soltaram um “Ah” ao mesmo tempo.
Assim que ele fez isso uma grande árvore apareceu, era enorme pra ver do local mais fundo, os poucos cientistas presentes tomaram um susto em toda sala. Eu sou gênio! Mãos de jazz. Três palavras: Eu. Sou. Demais. Depois disseram que ser prodígio era chato.
–Ela vai voltar ao normal depois de 3 horas, porque essa foi programada pra isso. Vamos, esse é o nosso ponto de referência. -apontei para planta gigante com muito orgulho do meu projeto. Afinal eu provavelmente quebrei as leis da biologia.
–Então vamos. -Hiro disse e adentramos no local.
***
Andávamos em busca da gaveta 83-G, já que era em ordem numera e alfabética não era difícil de achar. Eu nem lembro direito como era aqui dentro, faz 10 anos que eu não venho. Sempre foi muito restrito, por que será?
–79, 80, 81, 82,83! Aqui!-Hiro exclamou quando achou o armário. -Mas, a gaveta é meio alta, como vamos subir até lá.
–Um em cima do outro. -Fred sugeriu daquele jeito dele.
–Não Fred, de jeito nenhum. -Wasabi disse revirando os olhos.
–Tem uma escada ali. -Honey avisou. -Eu vou pegar. -disse.
–Eu vou junto. -me voluntariei.
Segui-a até onde estava a escada. Estava perto de uns quadros memoriais de cientistas. Um deles me fez sentir um nó do estômago, e os meus joelhos cambalearem. Era de uma mulher de estatura média de cabelos negros curtos e olhos-verdes esmeraldas e um homem alto de cabelos castanhos e olhos cor de mel.
–Em memória de Lazúle e Lúcio Bennett, cientistas e pais. -Honey leu em voz alta. Cada palavra era com uma facada em mim.
–Como deve está o filho desse casal?-ela indagou pensativa pegando a escada que estava ao lado de um dos armários.
–Ela vai ficar bem. -afirmei fitando a pintura e chegando bem perto a ponto de tocá-la.
–Como você sabe?-ela chegou perto de mim com um cara de um misto de curiosidade e preocupação.
–Tá olhando pra ela. -completei quase de joelhos pra chorar com a voz embargada. Isso me causa muita dor, quando a Honey leu a frase toda era como alguém tivesse me dado uma facada na barriga. Eu não suporto isso.
–Era a sua família?-ela perguntou com uma voz comovida.
Assenti com a cabeça. Não tinha forças nem para falar. E ela me abraçou. Eu fiquei surpresa, mas depois eu só abracei de volta. Era tudo que eu precisava, eu acho que o abraço e o jeito de você falar várias coisas sem palavras. Era muito reconfortante. É uma coisa muito aliviante. É a forma que uma pessoa mostra que compadece o seu sofrimento. Eu estava me sentindo péssima, mas também estranhamente aliviada.
–Se ajudar; quero que saiba: Vamos deter o Callaghan. Sabe por quê?-ela perguntou e só neguei com a cabeça.
–Porque vamos fazer isso todos juntos — a mesma falou me fitando nos olhos- Você é nossa amiga, faz parte da nossa família. Uma amiga, uma irmã, uma heroína. -ela conseguiu arrancar risos de felicidade de mim.
–Eu admito, não conhecia esse seu lado poético. -falei a mesma.
–A vida é cheia de surpresas. Rose –eu voltei minha atenção a ela- Você é uma boa menina. É muito legal ter você com a gente.
–Obrigada. -disse ficando um pouco vermelha.
–Beleza, vamos pegar a escada. -ela é uma ótima amiga, todos eles são.
***
–Voltamos. -Honey disse. Colocamos a escada e o Hiro subiu para pegar a pasta.
–Pronto!-ele gritou me dando um susto.
–Vamos embora. -Gogo disse. Seguimos até a árvore e saímos. No despedimos do Alistair, eu chamo ele assim e partimos pra casa. Era umas 6h00. O Hiro escondeu o arquivo no moletom e formos pra casa. Claro que o Krei estava ciente que íamos levá-lo.
–Vamos dar um pulinho na sorveteria, pra acalmar os ânimos. — o Hiro disse.
–Por que não?-Honey falou. Todos concordaram e formos. Era uma sorveteria simpática, se chamava “Gelo glacial”. Uma sorveteria pequena, com mesas e cadeiras de aço, o caixa, a bancada de sorvete e dois banheiros. O local era pintado em um fofo azul-pastel, que dava uma atmosfera calma ao ambiente. Nas caixas de som tocava “Shower”.
–Beleza quem vai pagar?-Hiro perguntou. Um silêncio se instalou no ar.
–Eu pago, parece que eu sou o único que traz dinheiro. Mas são duas bolas para cada. -Wasabi pronunciou. Viva ao seu jeito precavido! Sorvete é vida!
Eu peguei uma bola de morango e chocolate, a Honey morango e pistache, Wasabi de Açaí e abacaxi, Fred de baunilha e brigadeiro, Gogo de castanha e doce de leite e Hiro chocolate e gummy bears. Eu nem sabia que esse tipo de sorvete existia, mas é São Fransyoko, tudo é possível! Absolutamente tudo é possível! Ter um super-herói de 15 anos é a prova viva disso.
Sentamos em uma mesa e começamos a comer e conversar:
–Então amanha vamos ver a localização e procurar certo?-Hiro falou com uma colher de sorvete de chocolate na mão.
–É parece que estamos mais perto do que nunca de resolver isso. -Wasabi se pronunciou.
–Gente eu não sei se vou consegui fazer isso. -falei no automático, colocando uma grande colherada de sorvete de morango na boca.
–Você vai eu tenho certeza. -Baymax se proferiu.
–É verdade, já chegou tão longe. -Honey apoiou Baymax.
–Então tá, se vocês acham. –completei. Todos tinham acabado de tomar sorvete e formos lavar as mãos. Wasabi pagou (deu uns 20 dolaene, para seis pessoas tá barato).
E formos para casa, entramos e falamos com a senhora Cass.
–Que demora. -Cass falou com as mãos na cintura e um olhar desconfiado.
–E que a gente passou na soverteria. -Hiro explicou.
–Então, vocês estão bem?-ela perguntou esteirando os olhos.
–Sim, só com fome. -Hiro tentou despistar a tia.
–Certo vou fazer o jantar. -falou desconfiada, indo em direção da cozinha. Todos subiam até o Hiro me chamar, me fazendo revolver da escada.
–Rose olha, o que você falou na soverteria... Eu realmente acho que você consegue. -ele disse repirando fundo em seguida.
–Sério?-indaguei incrédula até um pouco corada com o comentário.
–É sim. -ele falou bem calmo. Eu comecei a mexer em uma macha do meu cabelo.
–Valeu, obrigado por confia em mim. -agradeci esboçando um sorriso. Que depois virou risada.
–O que foi?-ele perguntou confuso com situação.
–Tem sorvete na sua cara. – falei continuando a rir.
–A fala sério!-ele resmungou me fazendo rir mais ainda.
–Me deixa limpar, é humilhante. –disse parando de rir. Era uma mancha de sorvete de chocolate na bochecha. Eu peguei um pano e fui limpar eu cheguei perto o suficiente pra sentir que ele tem cheiro de café e doce, provavelmente por morar encima de um cafeteria/padaria. Eu tenho que admitir, os olhos dele são uma graça. É uma par cor avelã e caia muito bem com o cabelo dele, que parece que nunca viu pente na vida. São mesmo lindos, mesmo. Eu poderia ver o dia... Eh, eh, eu quero dizer, bem, eh...
–Pronto tirei. -fui pro outro lado da sala. Isso é meio estranho, digamos. Tinha uma janela, estrelas. Eu amo olhá-las e muito reconfortante eu me desligo de tudo e fico olhando.
–Rô, por que você não gota de voar de ficar trancada? Só me fala por quê. –ele pediu.
–Eu não gosto de ficar trancada, por que eu passei um ano intero assim. Lembra que eu disse quando eu fiquei no meu quarto. É por que meus pais tinham ido e eu, me tranquei levei um tempo pra superar. -eu sentei no sofá da sala- Eu sou filha única e nunca tive apoio de ninguém fora a Alana.
–E o Krei?-ele disse um tanto impressionado.
–Nós não temos “muita simpatia”. -esclareci fazendo aspas- E voar só me lembra como meus pais se foram. -eu coloquei tudo pra fora.
–Tudo isso me dói, ainda. E já faz dez anos. –suspirei tristemente, porém também aliviadamente.
–Olha, eu sei como você se sente, perde alguém não é fácil. Mas, aprender conviver com isso não é impossível. — ele disse levantando meu humor.
–Meus sensores indicam que os níveis dos neurotransmissores de ambos estão altos. Vocês estão felizes. -Baymax nos falou.
–Pode apostar que sim. — eu disse abraçando o Baymax.
–E muito fácil se apegar a esse grande marshmallow. -falei continuando a abraçar o Baymax.
–Então você topa um voo?-Hiro perguntou empolgado com minha resposta.
–Sim. -eu falei empolgado. -Mas não agora, tá tarde ouviu?-falei ao mesmo.
– Beleza. -ele disse rindo.
***
Eu estava sozinha com minhas roupas habituais de sempre. Aí eu me vejo com cinco anos de idade. Como eu era uma graça, meu cabelo estava mais curto e eu trajava um vestido listrado rosa e lilás era o meu favorito. Ela, ou melhor, eu ficava andando por aí. Parecia não me ver, quando uma luz forte atingiu meu rosto, era cegante que eu tive colocar minha mão no rosto e eu estava sozinha de novo. Agora só ouvia alguém me chamar, era tão real. Essa voz era familiar. Essa voz tinha agonia e medo carregados, eu sabia de quem era essa voz, e é por isso que eu me apavorei. O chão começou a rachar, agora eu que estava com medo. Essa voz queria vim atrás de mim, mas algo me deixou inconsciente. Só ouvi me chamarem com uma voz mistura com um choro, não um choro qualquer, era um choro desesperado, um choro torturante, aflito, de alguém que quisesse me salvar de alguém ou de alguma coisa. Acordar-me de um transe que me fizesse mal.
“Rose, Rose, responde. Rose! Alguém ajude”. -ela soava.
Eu agora sentia uma forte dor de cabeça, era torturante, horrível. E a voz continuava mais alta. Eu estava em pânico, quando eu reconheço de vez a voz que estava me chamando.
***
–MÃE!-eu gritei em um sobressalto. Assim quando eu volto a mim, vejo sete pares de olhos preocupados em minha direção. Oito com os meus, depois daquela situação. A galera todo estava preocupada com meu caso. Eu estava suando, o que era no mínimo estranho, pois eu não tinha pesadelos desse tipo, ou muito menos suava em um pesadelo, nunca tinha acontecido, aquilo tinha sido tão real. E naquele instante só ficou uma pergunta: Que espécie de pesadelo foi aquele? E será que foi só um pesadelo mesmo? Ou um sinal de alguma coisa?
***
Fale com o autor