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9 Ode à chuva e o despertar de uma aurora mal-amada
Notas iniciais
versos brancos. Use OMO ₢.
Ah, não, chuva, não vá embora!
Não me deixe aqui sozinha com essas nuvens alvas como neve, esses malditos flocos de algodão banhados na glória do amanhecer que ferve!
Não!
Preciso de vós e de vossa suprema densidade e tédio!
A melancólica dança das vossas nuvens cinzentas é o rémedio
Que me mantém desperta e lúcida nesta noite apagada...
Ó céus limpidos com o raiar da aurora!
Já ouço o som dos pardais a singrar o firmamento, em júbilo infinito pela manhã que chega!
Prefiro mil vezes a companhia e o som cálido daquela garoa fina que me tremia os dentes pela madrudada de saraivada.
Volta, chuva ingrata!
Tu que me molhaste o rosto em pranto, enxuto de lágrimas, ensopado de orvalho....
Volta, chuva vil!
Prefiro-te mais que infinitos amanheceres, com suas terríveis cores de fogo, paixão e prazeres!
Queima-me, chuva infiel!
Quero-te em mil madrugadas, eterna e calada, a molhar minhas mãos estendidas para o céu....
Notas finais
Só quero dizer que sou uma pessoa totalmente, inteiramente, completamente, integralmente, intrinsecamente vespertina.
Amoooo noite. Mais que o dia.
tenho dito.
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