Too Much To Ask
22 Capítulo XXI - Quando a festa se transforma em pesadelo
Notas iniciais
O dia seguinte foi normal. Ao menos tão normal quanto possível quando se está em um lugar onde lutas com espadas, torneios de arco-e-flecha, camisetas laranjas, calças pegando fogo e esculturas de gelo são coisas do cotidiano.
Todos falavam da festa que aconteceria em algumas horas. Festas não faziam parte do nosso cotidiano. Eu apenas tentava imaginar os desastres que aconteceriam por lá. Pode me chamar de pessimista, mas era a Drew que estava organizando, o que já era sinônimo de coisas diabólicas. A própria garota era uma imitação mal-feita e asiática do diabo.
Comentei isso com Connor em uma das nossas conversas durante a tarde. O meu filho de Hermes favorito apenas riu.
– Está com medo de uma vingança, Luisa? – perguntou, por fim.
– Eu não tenho medo de vadias. – falei. – Apenas estou preocupada com o que ela pode fazer. – Tipo roubar você de mim, pensei, mas preferi não comentar nada.
– Eu acho que o nome disso é ciúmes. – concluiu.
– Eu não estou com ciúmes! – exclamei, um pouco alto demais. – Só tenho medo de te perder de novo... Pra ela. – falei, dessa vez em um sussurro que ele não teria ouvido se estivesse um pouco mais longe de mim.
– Acho que nós dois estamos com o mesmo problema. – murmurou, e me aconchegou em seus braços.
— ♣ — ♣ — ♣ — ♣ —
Fui para o meu chalé me arrumar para a festa. Coloquei o vestido, sapatos, escolhi algumas jóias, fiz uma maquiagem não muito pesada e deixei meu cabelo cair em uma cascata de cachos pelas minhas costas.
– Vai arrasar corações, heim Luisa? – brincou Malcolm. – Cuidado que o Connor é ciumento...
– Você esqueceu suas calças. – falei, não só para mudar de assunto como para tirar uma com a cara dele. Ele olhou para baixo e eu comecei a rir. – Brincadeira, bobo. – falei e fui ajudar um dos meus irmãos que estava tendo problemas com uma gravata.
Perdi a conta de quantos nós de gravata eu tinha feito antes daquela festa. Connor chegou no chalé para me buscar e fomos para o salão.
– Você está tão linda quanto Afrodite. – falou em meu ouvido. Escolhemos uma mesa e nos sentamos. – Os outros vêm daqui a pouco, acabaram tendo uns... Imprevistos.
– Que tipo de imprevistos?
– Heitor colocou fogo na própria gravata por acidente... A Aly foi apagar o fogo e acabou alagando o chalé... Normal... – ele deu de ombros. – Julie estava esperando o seu irmão, então eles já devem estar vindo. E quanto a Calista... Ela deve estar vindo... Fez o maior mistério sobre o par dela... Só espero que ela não traga o travesseiro dela... – zombou.
Olhei em direção à porta e vi Chace entrando com uma garota baixinha de cabelos escuros. Não me lembrava ao certo, mas devia ser a novata, Evellyn. Os dois pareciam felizes, conversando e rindo. Logo depois, Malcolm chegou com Julie. Calista chegou logo depois, com um garoto de cabelo castanho-claro e olhos azuis. Ela tinha mesmo ido à festa com o Travis?
– Travis? — Connor riu — Nossa cara, que surpresa.
Olhei para o lado e Katie estava sozinha. Perto dela Lucas, filho de Hefesto, junto com uma filha de Afrodite.
– Parece que Katie se deu mal — ri. — Será que ele já viu? Ele iria adorar.
Isabella chegou com Leo, ela estava toda de preto — mesmo — e normal, se você considerar normal vestido e um bracelete de super heróis, mas para ela, isso era normal. Ela se direcionou no palco e pegou o lugar de DJ, no mesmo instante comoeçou uma musica que era uma mistura de Rock n Roll e It's time (Avril Lavigne e Imagine Dragons) bem a cara dela. Todos começaram a dançar.
Alawara e Heitor chegaram quando já estávamos na pista de dança. Pelo jeito tinham conseguido secar o chalé e eles mesmos.
O tempo foi passando entre uma conversa e outra. Eu via casais que nunca tinha imaginado.
Começou então uma dança com troca de casais (eu não sabia como se chamava exatamente). Isso ia dar merda...
Comecei dançando com o Connor, claro. Vi que Drew dançava com Carl, e achei melhor ignorar.
Depois de alguns minutos, trocaram-se os pares. Para o meu azar, Connor foi dançar com Drew. Carl veio dançar comigo.
Resolvi não me preocupar muito com Connor. Drennie não existia mais, eu tinha que aprender isso.
Por isso fiquei conversando com Carl enquanto dançávamos.
Mas quando olhei para o lado, vi algo que não esperava.
Drew e Connor estavam se beijando.
Não podia ser, isso é impossível, não comigo, não, de novo não.
Virei-me para Carl, e fiz o que o ciúmes me obrigou: O beijei. E logo vi Connor empurrando Drew, e esta caindo na pista de dança. A garota começou a gritar.
Me separei de Carl e corri para fora. Perto da porta, Connor estava bebendo alguma coisa que eu não reconheci. Mas eu tinha certeza de que não era água.
Claro que eu tinha que tropeçar no meu sapato e cair na grama. Lembro-me de Connor me ajudando a levantar. E depois de uma discussão.
– EU NÃO ACREDITO QUE VOCÊ FEZ ISSO DE NOVO!!! — gritei.
– Não fui eu, foi ela!!! — ele tentou se explicar. — EU NÃO ACREDITO QUE VOCÊ ACREDITOU QUE EU TIVESSE FEITO ISSO!!!
– DANE-SE SE FOI ELA!!! — gritei. — VOCÊ PODIA TER EMPURRADO ELA, OU SEI LÁ!!!
– QUANDO EU CONSEGUI EMPURRAR ELA JÁ ERA TARDE DEMAIS!!! VOCÊ JÁ TAVA BEIJANDO AQUELE FILHO DE ZEUS METIDO A BONZÃO!!!
A discussão ainda não tinha acabado quando eu saí correndo. Mas eu tropecei (novamente), e caí. Acordei no dia seguinte no meu chalé.
– O que aconteceu? — perguntei para Malcolm, que estava do meu lado.
– Ontem, durante a festa, Connor derrubou a Drew no meio da pista de dança, e você saiu correndo... Ele foi atrás. Pelo que ele me falou, vocês brigaram, e você caiu e bateu a cabeça... Então ele te trouxe pro chalé...
– Ele não... Ele não tinha o direito... — murmurei.
– Luisa, seja lá qual tenha sido o motivo da discussão... Ele pareceu arrependido.
– Você não sabe o que aconteceu! — exclamei.
– A Drew beijou ele? E por vingança você beijou o Carl? — perguntou ele. — É, está todo mundo sabendo.
Afundei a cabeça no travesseiro e comecei a chorar.
– Por que você tinha que me lembrar disso?
– Eu não precisei te lembrar... Você mesma lembrou.
Ficamos um tempo em silêncio.
– Acho melhor você se arrumar. — falou, por fim. E saiu do chalé. Coloquei um short jeans, a camiseta do Acampamento e All Star preto. Então eu percebi que tinha tirado um pijama, e não o vestido de ontem. Achei melhor não imaginar quem tinha feito aquilo.
Fui lá para fora e peguei a minha espada, indo para a arena. No caminho tropecei com Carl, uma das pessoas que eu menos queria ver no momento.
– Luisa! — exclamou ele, com um sorriso. — Eu queria mesmo falar com você!
– O... O que foi, Carl? — perguntei, com medo da resposta.
– Adorei o beijo de ontem. — falou. — Foi completamente inesperado, mas...
– Eu não devia ter fei... — não consegui terminar a frase. Ele me beijou novamente. E, é claro, neste momento Connor passou ao meu lado.
Empurrei Carl e corri para o chalé de Apolo, onde Isa devia estar.
Isa estava com Leo. Um casal era a última coisa que queria ver. Estava chorando e não queria que Leo visse aquilo. Como se Isa tivesse adivinhado.
– Leo, vai para fora um pouquinho?
– Ok. — ele respondeu. Ele tentou beija-la, mas ela virou o rosto.
– Agora não. — é, ela tinha adivinhado.
Leo saiu do chalé e Isa se virou para mim.
– Sobre você ter beijado o Carl ontem à noite? — ela perguntou. — Sente-se, vamos conversar sobre isso.
– Eu... Eu estava com ciúmes... Foi a primeira coisa que eu pensei... Agi por impulso... — falei.
– Eu imaginei. Você não é a melhor pessoa do mundo para lidar com ciúmes, convenhamos. Eu apenas concordei. — Você já imaginava que a Drew iria tramar algo nesse estilo, Luisa. Você SABE que ela odeia ver a felicidade dos outros.
– E para isso ela tinha que beijar meu... Não sei mais o que ele é meu agora...
– Ela sabia que ele era seu ponto fraco. E o plano dela funcionou... E você, por impulso, acabou com tudo.
– Eu devo falar com o Connor? — perguntei.
– Mas é claro... QUE NÃO. — falou ela. — Você tem que deixar ele sofrer do mesmo jeito que você sofreu por ele.
– E como farei isso?
– Simples: Dê um jeito de ficar com o Carl novamente.
– Sobre isso...
– Eu vi — ela riu — por essa janela pra para ver muita coisa- disse apontando a janela.
Eu devo ter feito uma careta muito estranha, pois ela riu.
– Dessa vez não foi culpa minha... — comentei. — Mas... O Connor viu.
– ÓTIMO! — exclamou ela. — Primeira etapa concluída!
– Mas ...
– Mas nada — ela riu — Vamos começar com meus planos.
– Tenho medo dos seus planos.
– Todos tem — ela riu. — Você tem que dar uma esquecida no Connor.
– Mas eu não...
– SEM MAIS, LUISA. VOCÊ VAI.
– Já falei que você me dá medo às vezes? — perguntei.
– Provavelmente... — e me puxou para fora do chalé. — Onde será que o Carl está?
– Na arena, provavelmente... — comentei.
– Então você vai ter que fingir um namoro com ele.
– Como eu vou fazer isso?
– Você logo vai descobrir.
– Não sei...
– Se bem que... Isso eu sou um gênio, você não vai fingir, você vai namorar o Carl e tudo mais.
E me empurrou em cima dele.
– Isabel... Ah, oi Carl... — falei.
– Luisa, você novamente? Que bom te ver. Pensei que tinha ficado com raiva de mim naquela hora...
– Bom, er... Só um pouquinho...
Ele ficou vermelho.
– Me desculpe. Acho que apressei as coisas.
– Beija ele. — Julie sussurrou em minha mente.
– Mas como? — perguntei.
– O quê? — Carl me olhou, confuso.
– Sem tempo para explicações. — Julie disse. — Beije-o.
– Nada. — disse para Carl.
– Bom, então, eu acho que apressei as coisas. — disse ele, novamente.
Eu não tive tempo de pensar.
– Não apressou nada. — disse, e o beijei.
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