Too Much To Ask

51 Capítulo XLIX - Orgulho Semideus.


Notas iniciais
Ooi gente, aqui é a Pin, e eu gostaria de informar que entrei de férias ontem, então Too Much to ask volta a todo vapor ;D ...ou não. E... Luisa aqui agora. Nós não fizemos nenhum bônus de dia dos namorados, então espero que isso conte como um presentinho pra vocês. Bye.

POV Brissy

A guerra podia ter acabado, mas eu ainda precisava terminar a minha batalha particular. Agasias segurava meus pulsos enquanto encarava meus olhos. Eu estava preparada para me defender a qualquer momento, de qualquer coisa. A não ser o que veio logo a seguir.

Agasias abriu e fechou a boca duas vezes. Imaginei que ele estava preparando-se para me matar. Mas eu não iria fugir. Preferia dar um golpe certeiro no momento em que ele tentasse fazer algo.

Porém, o que ele fez a seguir me assustou ainda mais, tirou todas as minhas defesas e, por pouco, não me fez desmoronar.

– Eu senti sua falta. — falou, olhando em meus olhos. Eu não podia acreditar naquilo... devia ser um truque, tinha que ser um truque! — Eu fui um completo imbecil durante todo o tempo em que estivemos juntos, e ainda mais quando resolvi te deixar. Eu não sei o que me levou a travar uma guerra... Bom, na verdade... eu apenas queria te ver de novo.

POV Luisa

As lágrimas escorriam pelo meu rosto como uma cachoeira de água salgada. Tornara-se impossível, para mim, controlá-las.

– Connor, volta pra mim, por favor... — sussurrei, com a voz sufocada. Meus olhos estavam vermelhos e inchados. Quem entrava ali devia pensar que eu estava louca.

Mas eu não estava louca. Apenas uma pessoa que já amara verdadeiramente poderia entender o que eu estava sentindo. Quando se ama, o medo de perder essa pessoa é maior do que todos os outros que poderiam vir a existir.

Olhei para os olhos fechados e para as feições de elfo de Connor, que estava desfalecido sobre uma maca. Peguei um novo frasco de néctar e derramei algumas gotas em sua boca, fazendo uma oração silenciosa a Apolo, esperando que ele atendesse minhas preces.

POV Brissy

– Me ver de novo? Era essa a sua intenção? — perguntei. Agasias apenas assentiu com a cabeça. — E... para isso você precisava criar uma guerra? Precisava causar tantas mortes? Precisava... causar a morte de sua filha?

Agasias engoliu em seco e desviou o olhar.

– Aghata... — ele suspirou — Eu deveria ter pensado nas consequências antes...

– Mas você é impulsivo demais para isso. — sentenciei.

– Brisingr... Você... me perdoa? — sua voz implorava por isso. Eu tinha todas as razões do mundo para não perdoá-lo, mas todos merecem uma segunda chance.

POV Heitor

Cedo ou tarde tocava no iPod. A música não era exatamente nova, e era brasileira, mas aprendi a gostar dela de uma maneira que eu simplesmente não conseguiria explicar. Lembro da época que Isa e Papai brincavam cantando para o Thiago: "Cedo ou Tarde a gente vai te incinerar, tenho certeza vai ser bem pior, sei que enquanto grita você pode me escutar..."

Não sabia o que tinha acontecido exatamente com ele, só que ele tinha saído do acampamento. Tinha encontrado os romanos e vivido com eles? Pouco provável, duvido que os romanos o deixassem sobreviver... Irritante demais.

Ligação, também do Nx Zero começou a tocar, e nesse mesmo instante Alawara tomou conta da minha mente... Novidade...

A letra falava de uma suposta ultima ligação... Não sei quando comecei a ouvir esse tipo de musica... E foi aí que eu percebi. Aquele não era o meu iPod, mas o da Isabella. Digamos que eles eram idênticos, fora o fato de que o meu tinha umas musicas mais... ou melhor menos, menos depressivas... sei lá. Precisava destrocar, mas tinha um problema... Ela estava misteriosamente brava comigo, e eu não tinha ideia do porque. Eu devo mais uma vez ter agido como idiota, mas... parece que dessa vez foi sério, tinha que fazer alguma coisa a respeito.

– Heitor? — ouvi a voz de Alawara, e então seus olhos azuis e seus cabelos avermelhados surgiram em uma fresta da porta.

– Aly! — exclamei, sorrindo.

– Você, hã... está ocupado? — perguntou ela.

– Estava só ouvindo música, por que? — não queria lhe perguntar se ela sabia o motivo para Isabella estar brava comigo.

– Nada, só queria a sua companhia... — murmurou — Acabei de sair da enfermaria, e, bom... Aquilo era um tanto triste...

Sorri para ela e, silenciosamente, chamei-a para se sentar ao meu lado. Quando ela o fez, a envolvi com meus braços.

– Você não me parece muito bem — Ela continuou.

Tinha que pensar em algo. Rápido.

– Deve... — limpei a garganta — Bom, a luta acabou com o resto de ânimo que sobrou em cada um neste acampamento, certo?

– É, deve ser isso — ela deu um sorriso rápido.

Eu ia acertar as coisas.

POV Luisa

A enfermaria estava ficando fria e sombria. Olhei mais uma vez para os olhos fechados de Connor.

De repente, uma luz dourada invadiu o ambiente, e da lá saiu um rapaz de cabelos dourados e olhos azuis.

– APOLO! — gritei. Ele sorriu.

– Bom, achei que precisava da minha ajuda. E se eu não viesse, sua mãe iria querer arrancar minha cabeça... — ele piscou pra mim. Minha mãe? Então... ela se preocupava comigo, afinal?

– É, sua mãe viu o quanto você estava sofrendo, Luisa. Acho que ela aprendeu a reconhecer o amor quando ele existe. Mas chega de enrolação... — o deus se aproximou de Connor e colocou as mãos sobre a testa dele, fazendo com que uma aura dourada o envolvesse.

No mesmo momento Connor acordou.

– Wow, isso f-foi, incrível — gaguejei.

– Eu sou incrível — o deus revirou os olhos — e acho que vocês dois precisam de um pouco de privacidade agora. E é realmente chato ficar de vela para um casal tão apaixonado.

Apolo poderia ter milhões de anos, mas ainda tinha um espírito adolescente.

Apenas ri.

– Sabe da minha filha? — ele perguntou.

– Qual delas? Pelo o que eu sei você tem centenas.

– Ah, sem exagero — ele riu — estou falando da Isa.

– Floresta, provavelmente perto do lago. Ela tem ido muito lá.

E o deus se retirou, enquanto Connor tentava pronunciar algo.

Não dei tempo para que ele deixasse que as palavras saíssem de sua boca. O abracei o mais forte que pude, derramando algumas lágrimas de felicidade.

– Eu... eu... por alguns momentos, pensei que não teria você de volta. — falei.

– Ouch! — exclamou. — Luisa, eu acabei de sair de um estado de quase coma, não precisa quebrar meus ossos de novo!

Minhas maçãs do rosto queimaram e então o soltei.

– Desculpe...

Ele sorriu.

– Obrigado por ter ficado do meu lado...

– Eu nunca te deixaria.

POV Isa

Estava sentada em uma rocha, próxima ao lago. Não sei dizer exatamente a quanto tempo ela estava ali, mas não fazia muito. Cantarolava baixinho, qualquer coisa, já que tinha perdido meu iPod. E estava rezando desesperadamente para que alguém, ou algo, me tirasse do acampamento, eu não podia, não queria mais.

Eu simplesmente estava cansada de ficar ali, parecia que algo estava sugando todas as alegrias que eu devia sentir. Você deve estar pensando que esse era o resultado da guerra, e talvez fosse.

– Isa? — uma voz conhecida chamou. Me virei automaticamente, me deparando com ninguém menos que... meu pai.

– Pai? — Apolo sorriu para mim, se sentando em uma pedra ao meu lado.

– É, digamos que eu vim salvar um amigo seu e resolvi vir aqui ver como você está. — falou — E você parece tão tristinha... O que aconteceu? Foi aquele faz-tudo maldito?

– Não, pai, o Leo não tem nada a ver com isso...

– Então o que é, Isa?

– Eu... eu estou cansada pai. Pela primeira vez quero distância, distância de tudo isso. Do Leo, da Luisa, e até... Até do Heitor pai. Quero sair do acampamento.

Uma mistura de sentimentos atravessou o rosto do deus, e acho que pela primeira vez, ele ficou sem fala.

– Bom, eu posso te levar para o meu palácio, mas...

– EU ACEITO — gritei, sem pensar duas vezes.

– Que assim seja — ele deu um sorriso preocupado.

Apolo colocou a mão no meu ombro e nós dois sumimos em um raio solar.

POV Heitor

Leo entrou subitamente em meu chalé.

– Heitor, Aly... Vocês viram a Isabella em algum lugar? — ele parecia realmente desesperado.

– Não, Leo, eu não vi... Ela não tá perto do lago de canoagem? — perguntou Alawara.

– Não, eu já procurei lá... Procurei pelo Acampamento inteiro e não encontrei ela...

– Não é a primeira vez que ela some, é?

– Não exatamente — Leo disse — Mas dessa vez é diferente, ela estava estranha.

Nesse momento uma estranha névoa surgiu no quarto, e Isabella apareceu, através de uma mensagem de Íris.

– Hey gente — ela começou — Bom... eu só queria dizer que, eu não to realmente aguentando mais esse acampamento. Realmente sinto muito, amo vocês. — A garota passou a mão sobre a tela, e a mensagem desapareceu.

Leo arregalou os olhos.

– Palácio de Apolo?

– Palácio de Apolo. — Alawara confirmou. — De novo.

– Só sei que eu não vou lá dessa vez. Não quero correr o risco de virar espetinho de novo. — Leo falou.

– E vai deixar ela ir? Simples assim? — interroguei.

– Não tem o que fazer — Leo disse — Simplesmente não tem.

POV Luisa

– Já consegue ir até o chalé? — perguntei para Connor. Seus olhos azuis me encaravam.

– Só se você for junto. — falou, abrindo um meio sorriso.

– É claro que eu vou. — falei, ajudando-o a se levantar.

[...]

Sentada sobre minha cama e com um álbum de fotos antigas em mãos, eu tentava conter as lágrimas. A guerra tinha debilitado os sentimentos de todos ali, e eu não era exceção.

O chalé estava vazio e a minha era a única cama que não estava arrumada com perfeição. Uma batida na porta fez com que eu acordasse de meus devaneios, mas não me dei ao trabalho de ir até a porta ver quem era.

– Entra — falei, enquanto secava os olhos com um lenço de papel.

– Luisa? O que aconteceu? — ouvi a voz de Connor perguntar.

– Nada... — murmurei.

Ele não falou nada. Não desdenhou minha afirmação falsa. Apenas sentou-se ao meu lado na cama e me abraçou de uma maneira quase fraternal. Depois ele me soltou, segurando apenas as minhas mãos e olhando diretamente em meus olhos.

– Luisa, por favor... você sabe que pode confiar em mim. Na frente dos que são incapazes de entender sua dor, seja forte, evite demonstrar os sentimentos. Pode parecer frieza, mas você só estará preservando a si mesma. No momento em que você estiver com quem ama, eles não medirão esforços para tentar te fazer sorrir novamente. Na frente destes você pode desabar, pois eles entenderão e te darão conforto. E eu sou um dos que tenta entender o que está sentindo.

Foi então que eu entendi. Aquele era um dos principais motivos para que eu o amasse tanto. Sempre que me sentia sozinha, que sentia meu coração congelar, Connor aparecia e derretia esse gelo com suas palavras mornas e seus abraços quentes. Ele sempre sabia o que fazer e o que dizer. De um jeito ou de outro, eu não poderia querer um namorado melhor.

Toda aquela cena romântica me lembrou de quando eu tinha 14 anos e fui para o Acampamento pela segunda vez. No meu primeiro ano, eu não ligava muito para os garotos, ainda não tinha amadurecido o suficiente para isso. Mas, no segundo, eu sentia os olhares de alguns garotos sobre mim. Para muitos eu não ligava, não sentia nada por eles. Eram bonitos, eu tinha que admitir, mas não era apenas a beleza que importava.

E nisso, um par de olhos azuis sobre os meus na hora do jantar me despertou alguma coisa, uma chama se acendeu dentro de meu peito e minhas maçãs do rosto enrubesceram. Alguns de meus irmãos olharam para mim, provavelmente se perguntando o que tinha acontecido, quando perceberam aonde os meus olhos estavam fixados.

Eu não iria falar com ele, não tinha coragem. Não sabia nada além de três coisas sobre ele: seu nome, a sua idade e o seu pai olimpiano.

Naquela noite, terminei de jantar e fui direto ao chalé. Não queria aguentar as perguntas sobre a minha suposta paixãozinha adolescente. Eu nunca tinha sentido aquilo antes, e julgava que nunca mais iria sentir.

No chalé, praticamente joguei-me em meu catre, olhando para o teto sem detalhes e tentando organizar a bagunça de minha alma. Depois fechei os olhos e fingi ter caído no sono, quando, na verdade, eram apenas aquelas íris azuis que estavam gravadas em minha mente.

Adormeci gradativamente, aconchegada na chama que agora faiscava em meu peito. Uma chama que posteriormente me daria mais coragem do que deveria.
No dia seguinte, levantei e percebi que ainda usava as roupas do Acampamento do dia anterior. Troquei-as e saquei minha espada, indo até a arena.

O local estava repleto de pessoas, mas reparei apenas no par de olhos azuis que me encarava. E então ele se aproximou de mim.

– Você... hã... quer treinar comigo? — perguntou. Seu rosto élfico estava ficando avermelhado.

Sorri para ele, o que só serviu para intensificar a cor de suas maçãs do rosto.

– Por que não? — falei. Seus olhos brilharam. Não esperei que ele se recompusesse. Eu era uma das melhores espadachins do Acampamento, e o melhor modo para se vencer em uma luta era distrair o adversário.

Mas ele se virou inesperadamente, chocando sua lâmina com a minha e olhando diretamente em meus olhos.

– Não vai me vencer tão fácil, Coruja. — disse, com um sorriso torto. Dei mais um golpe, derrubando a espada no chão.

– Não duvide, filho de Hermes. — murmurei, com a voz firme, e fui me sentar na arquibancada para assistir às outras lutas. Me surpreendi quando o rapaz, que, pelo que eu sabia, se chamava Connor, sentou-se ao meu lado.

– É, você luta bem... — comentou, como quem dizia que tinha comprado uma maçã na feira. Na verdade, acho que isso teria mais emoção. — Para uma garota.

– Então quer dizer que garotas lutam melhor do que garotos? — perguntei, rindo. Ele abriu e fechou a boca várias vezes, sem saber o que dizer.

– Tudo bem, você luta realmente bem, Luisa. — murmurou, por fim.

Vários dias se passaram, e eu conversava cada vez mais com Connor. Na verdade, eu me via a cada dia mais apaixonada por aquele par de olhos azuis, por aquele sorriso sem igual...

Numa manhã, eu estava indo pra arena quando uma mão pousou em meu ombro, me fazendo parar de súbito.

– Hã, Luisa... — sussurrou Connor, agora olhando em meus olhos — Podemos conversar?

Achei estranho. Não era como se eu fosse negar a possibilidade de conversar com ele, mas assenti mesmo assim.

– Vamos para perto do lago de canoagem? — questionou. Confirmei com a cabeça, andando junto com ele. Ele parecia sério, o que chegava a ser estranho para ele, que estava sempre com um sorriso estampado nos lábios.

Ele parou e sentou-se perto do lago, indicando um local de grama esmeralda, onde eu sentei.

– Bom, Lui... eu sei que nos conhecemos há pouco tempo... — murmurou, encarando o verde vivo que brilhava com os poucos raios de sol que infiltravam nas grandes copas das árvores. — Mas acho que isso não importa. Esse tempo foi suficiente para que nos conhecêssemos e, bom... — ele fez uma pausa, olhando em meus olhos. — Eu gosto de você.

Nessa hora eu podia sentir que estava viva. Meu corpo inteiro dizia isso. Podia sentir o sangue correndo por minhas veias e artérias. Meu coração batia com uma intensidade inexplicável. A chama de minha alma se tornava maior e mais ardente. As borboletas em meu estômago se reviravam com sofreguidão.

– Então, bom... — continuou. Suas faces enrubesceram. — Ok, ok... não quero enrolar, e sei que você gosta de objetividade. Eu queria saber se... Você quer namorar comigo?

Meu queixo caiu no momento em que ele concluiu a última frase. Eu não sabia o que responder, tudo aquilo era muito novo para mim. O que eu sentia... era amor, não era? Então por que eu estava tão insegura a ponto de hesitar para aceitar tal proposta?

E, por algum motivo, eu sabia que, mesmo se negasse, ele iria esperar pelo tempo que fosse necessário.

Ai, minha santa Afrodite... O que eu faço?

"Siga o seu coração", uma voz falou em minha mente.

– Não custa nada tentar. — murmurei, sorrindo para Connor. Eu estava seguindo o meu coração, afinal.

Notas finais
E aí, o que acharam?