Too Much To Ask
32 Capítulo XXXI - Não me diga que ela quer se matar de novo...
Notas iniciais
POV Leo
Engoli em seco mais uma vez e Apolo sumiu em uma luz tão clara que poderia cegar qualquer um (na verdade, até os seus dentes poderiam cegar qualquer um).
E agora? O que eu faria? O meu sogro estava torcendo para o Evan, e isso não era nem um pouco justo. Será que algum dos meus amigos já tinha passado por isso alguma vez? Pouco provável.
Corri até o Bunker 9, onde eu podia ficar sozinho. Mas eu queria mesmo ficar sozinho? Não, eu queria ficar com ela, porém eu estava morrendo de medo, e não queria que ela percebesse isso.
Ouvi a porta se abrir lentamente, só uma pessoa tinha a chave para isso, e isso não era bom. Cogitei me esconder, mas não dava mais tempo, ela acendeu as luzes e chamou meu nome (que apropósito soava extremamente bem na boca dela) e então me viu.
– Merda! — murmurei.
– Então você está aqui- ela sorriu — espero que papai tenha sido bonzinho.
– Hã... Eu não diria com essas palavras, mas, bom...
Ela riu. Aquela risada que eu amava ouvir.
– O que ele disse?
– Hã... Começou a dar sermão sobre nós termos que tomar cuidado e...
– E...?
– Bom, fez umas ameaças e tal... Mas acho que está tudo bem.
Ela riu mais ainda.
– Que tipo de ameaças?
– Ah, do tipo que a maioria dos sogros pensam em fazer mas não tem poder pra isso, mas infelizmente seu pai tem.
– Tipo? — ela sorriu.
– O de sempre, ameaçou me transformar em pó e me jogar no Tártaro. Estou acostumado com gente querendo meu corpinho aqui.
– Exibido. — falou ela. — Ele disse mais alguma coisa?
– Hã... Não, não disse nada... — falei. Mesmo que ele tivesse, sim, dito alguma coisa. Eu nunca ia dizer aquela parte para ela. Ela não podia saber o que seu pai queria.
– Tá, ok então, tenho certeza que ele torce por você. — ela sorriu e me beijou.
Retribuí o beijo, mesmo com pesar. Não, ele não torcia por mim. Mas eu não podia dizer isso à ela.
– Eu te amo. — falei.
– Eu também- ela sorriu. Mas franziu a testa logo em seguida. — O que você tem?
– Eu? N... nada não amor.
– Sim, você tem, ele te disse alguma coisa que não quer me contar, vamos, diga, agora.
– Não é nada demais... Eu só... Estou com medo das ameaças... — menti.
– Não, não é. Tem outra coisa. Vou ter que usar meus poderes pra fazer você dizer?
– P.. poderes? Que poderes?
– Que poderes? — ela sorriu e me beijou.
– O poder da sedução? — disse um pouco depois.
– Não — ela gargalhou — O poder dessa adaga na sua garganta.
– Ai. Agora você me deixou com medo. — falei. — Isabella com uma adaga é algo perigoso... Assim como a Luisa e uma adaga... Sabe que eu acho que as mulheres só não dominaram o mundo ainda por não terem escolhido que roupa usar na ocasião?
– É, é algo nesse estilo. — falou ela — Mas não mude de assunto, Valdez. Senão a roupa para dominar o SEU mundo vai ser a que eu estou usando no momento.
– Hã... Tudo bem... — murmurei — Sabia que você fica muito bonita com essa roupa? Sabe... O laranja combina com a sua pele...
– NÃO. MUDE. DE. ASSUNTO. — disse ela, alto e pausadamente.
– Assunto? Que assunto? — sorri.
Ela tirou a adaga da minha garganta e a colocou em meu braço, apertando e causando um corte pequeno, uns dez centímetros eu acho, depois ela delicadamente, ou nem tanto, a colocou novamente em minha garganta.
– Eu não estou brincando — ela disse.
Ai caralho, agora ferrou de vez.
– Hã... Tá bom, tá bom... — suspirei — É só que... Acho que seu pai não torce por mim.
– Que? O que você quer dizer com isso? — perguntou, diminuindo a firmeza na faca.
– Ele espera que você fique com o Evan... Ele... Eu estou com medo de te perder.
Ela revirou os olhos. Não conte a ninguém, mas eu amo quando ela faz isso.
– Você não pode estar falando sério- ela disse.
– Sim, estou.
– Apolo não pode estar falando sério- ela disse aumentando um pouco a voz. — Olha Leo, sério, eu acho que se eu quisesse o Evan, eu tava com ele.
– Então... Você não quer... Ele? — perguntei, cautelosamente.
– Não foi o que eu acabei de dizer? — disse — A lerdeza do Percy era contagiosa?
– Eu... Só queria ter certeza... — falei.
– Tá bom, senhor tomate... Que tal você se tornar mais confiante, sei lá... Agora?
– Não creio que seja uma boa ideia. — sorri — se lerdeza é contagiosa, confiança também deve ser, e se for, se passar para você e você ficar mais confiante, deuses, eu estou perdido.
Ela sorriu.
– Pelo visto ironia é contagiosa também, o que mais é?
– O amor? — A beijei.
– A melação? — ela disse assim que nos separamos.
– Ah, nem superamos o Connor e a Luisa ainda... — comentei. — Mas deve ser contagiosa... Nós não éramos assim, éramos?
– Acho que não... — falou ela — Enfim... Estou estranhando um pouco o fato de dois deuses terem aparecido no Acampamento hoje para nos ajudar...
– Ah... Coisas estranhas são muito normais por aqui... — murmurei.
– Coisas estranhas acontecem em lugar nenhum... — ela riu.
– Ah, cale a boca Isa, assim você vai acordar os vizinhos — ri.
– Vem. Calar. — ela sorriu.
– Opa! É pra já — a beijei.
– Você sabe o quão clichê isso é? — perguntou ela.
– Claro que sei. — falei — Mas foi você quem começou.
– Ah, nem vem...
– Qual é o problema com coisas clichês? — perguntei.
– Simples: São clichês.
– Nossa... Sua lógica é impressionante... — murmurei.
– Ah, shut up!
Revirei os olhos.
– Isso também é clichê — ela riu.
– Revirar os olhos é clichê?
– Você é clichê — ela respondeu.
– Mas...
– Quer saber de uma coisa? Coisas clichês nem são tão ruins assim.
– Oh shit.
– Que tal sairmos daqui? — perguntou ela.
– Eu acho uma ótima ideia... — falei, com um sorriso.
– E vamos para?
– Um lugar mais... apropriado.
POV Luisa
Quando a batalha acabou, eu e Connor fomos com Ronnoc, Heitor e Alawara para o chalé novamente.
– Então crianças, sobre o que querem conversar? As novas tecnologias da Apple? Quem sabe sobre o que está acontecendo no campeonato nacional de Baseball? Ou... — falou Ronnoc, empolgado.
– Er... Pai... Não estou muito a fim de falar sobre esportes agora, ok? Meus braços estão doendo por causa da batalha de dois minutos atrás e...
– Ah, filhão! Para de ser molenga. — disse Ronnoc. Caramba... Aquele deus parecia um adolescente de uns dois mil anos...
– Desculpa se eu não tenho um treinamento tão longo quanto o seu — Heitor murmurou.
O elemental revirou os olhos.
– Devem estar ao menos com fome — e com essas palavras, uma mesa esplêndida — se você considera esplêndido todos os tipos de doces, salgadinhos, refrigerantes e todos os sabores existentes de miojo. — se surgiu na nossa frente. — Eu mesmo que arrumei tudo — ele sorriu.
Alawara deu um abraço de urso no sogro.
– Você é o melhor — ele sorriu mais do que é considerado possível.
– É, acho que fazer elogios ao sogro de vez em quando é bom pra sua saúde... — comentou ele, rindo — Sua mãe mandou um abraço. Ela teve que ficar em Atlântida resolvendo umas coisas, por isso não pôde vir.
Alawara sorriu para o deus, e voltou a olhar para seu pedaço de bolo de café.
– Acho que se a Isabella estivesse aqui essa hora, ela faria uma piada com formigas ... falando nisso, onde ela está?
– Em algum lugar com o Leo provavelmente, desde a vinda da deusa do amor, os dois não se desgrudaram. Acho que Afrodite serviu pra alguma coisa.
– Tá legal, ta legal. Agora passa um miojo de Drew caipira, digo, galinha caipira. — pedi.
– Mas você nem gosta de miojo — connor disse ao me entregar o pote .
– Não mesmo, mas não podia perder a piada. Quer miojo Heitor?
– Passa pra cá — ele disse entre mordidas em um pedaço de doritos.
– Tá bom, como vocês conseguem comer miojo? É tão... Gosmento... — comentei.
– Você que é muito enjoada. — murmurou Connor.
– Passa pra cá um pedaço de bolo de capuccino? — pedi.
– Só cuidado com as formigas...
– Caramba, foi só uma vez, ok? A culpa não é minha se formigas são seres do mal que acabam com os doces. Ah, eu quero uns feijõezinhos de todos os sabores também...
– Feijões o que? — perguntou Heitor. Todos rimos.
– Acho que ela quis dizer as jujubas... — falou Connor, pegando um pacote — Nunca leu Harry Potter?
– Apenas um detalhe — ele sorriu. — Que tal para presente de natal, pai?
– Não — Ronnoc sorriu — Eu não tenho nada para fazer com isso aqui — mostrou montes de dinheiro — Vamos Heitor, compre.
– Ah, ok — ele sorriu — Você que manda capitão.
– Não vem falando assim comigo só porque te dei dinheiro — ele revirou os olhos. Todos rimos.
– Ah, obrigado, pai. — Heitor sorriu.
– Só não gaste tudo com comida. Compre coisas mais... Construtivas... Quem sabe jogos de Video Game novos e coisas assim?
Todos rimos. Quem imaginaria que um deus fosse agir como um adolescente? Eu tinha certeza que minha mãe não era assim, infelizmente...
*Flashback on*
Faltava pouco mais de uma semana para o meu aniversário de 13 anos quando recebi uma coruja. A carta presa em sua perna direita dizia: "Me encontre na floresta, perto do Punho de Zeus." em letras mais que perfeitas. Não tinha assinatura nem nada, mas eu podia prever quem era. Ninguém mais além dela teria me mandado uma coruja.
Sim, eu ia vê-la pela primeira vez. Isso ao mesmo tempo me dava alívio e medo. Não sabia por que.
Me dirigi ao local combinado, e lá estava ela. Deuses, ela era linda, e dava medo, muito medo também.
– Olá — ela disse formalmente — estava a sua espera.
– Mãe... — falei, me curvando.
– Sinto que nos veremos pouquíssimas vezes. — disse ela, ainda com aquele tom formal. — Então pretendo entregar-lhe isto. — ela mostrou um colar com pingente de coruja de ouro. — Isto é uma arma poderosa, portanto tome cuidado. Mas não se preocupe, você não a perderá. A magia que a envolve fará com que ela sempre volte ao seu pescoço. — ela estendeu a mão e o colar flutuou até o meu pescoço.
– Muito... Muito obrigada... Mãe. — falei. Tentei abraçá-la, mas ela desviou.
– Sem demonstrações de afeto, por favor. Não posso me ligar muito a você. — murmurou — Você terá muitas provações nessa vida, minha filha. Espero que consiga resolvê-las. Agora eu vou. Boa sorte. — então sumiu em uma luz acinzentada.
*Flashback off*
Não a vi desde então. As vezes eu olhava como Ronnoc agia feito adolescente, a cumplicidade entre Isabella e Apolo, o afeto entre Abnara e Alawara, e me sentia mal. A unica lembrança que tinha dela, era meu colar, e cá entre nós, ela poderia se mostrar mais presente as vezes. O pai de Heitor chegou sem aviso, Apolo chegou com apenas um pedido, queria que as coisas fossem assim comigo também.
– Você ainda verá sua mãe novamente, Luisa. — falou Ronnoc, me tirando de meus devaneios.
– Mas... Quando? A primeira e última vez que a vi foi há uns 4 anos... — falei, tentando evitar chorar na frente de um deus e meus amigos.
– Se tem uma coisa que eu sei sobre Atena é que ela nunca abandona seus filhos. Você pode não vê-la, mas ela está sempre de olho em você e nos seus irmãos.
– Sério...? — perguntei.
– Sim. — ele falou, e eu o abracei. Ele sorriu. — Atena pode ser dura com os filhos, mas ela sabe o que faz. Não se preocupe.
– Mas...
– Eu li seus pensamentos, não precisa se explicar... — disse, e eu sorri. — Só não chore por causa disso, ok?
– Às vezes é meio injusto os deuses poderem ler pensamentos.
Ele riu.
– Só fazemos isso quando percebemos que alguém está triste e queremos ajudar... — falou ele.
– Hã, então pai... — murmurou Heitor. — Esse assunto está meio depressivo demais, sacas?
– Vamos falar de mulheres! — o deus gritou.
Todos olharam para ele.
– Digo, de jogos — ele corrigiu, e todos caímos na gargalhada.
– Como assim sobre mulheres? — alguém perguntou, e quando nos viramos, uma mulher de cabelos muito azuis, assim como os seus olhos, estava parada atrás de nós.
– Você sabe que era só brincadeira, amor... — se explicou o deus. Aquela devia ser Abnara, a mãe de Alawara e esposa de Ronnoc. — Todos nessa sala são comprometidos...
– Sei, Ronnoc... — ela fez uma cara séria, mas depois sorriu. — Oi Aly. — e foi abraçar a filha.
– Mãããe!!! — a garota ganhou um abraço de urso da deusa.
Mais demonstrações de carinho...
– Hã... Dear? — falou Ronnoc, ele olhou para mim e depois para ela, em uma conversa silenciosa.
– Ah, desculpe Luisa. — disse ela, e me abraçou. — Esqueci que a mamãe não é muito carinhosa...
– Hã... Espere... Nós... Somos irmãs? — perguntei.
– Bom, tecnicamente falando sim... A história é meio longa, então vamos dizer assim mesmo.
Sorri. É, acho que eu tinha uma família, mesmo com a minha mãe tão distante.
Abnara me abraçou. É, acho que aquilo conta, ou quase.
– Não se importe tanto com isso, querida. – disse ela – Entendo como se sente...
Olhei para Alawara.
– Deve ser legal ter uma mãe tão parecida com você... Digo, ela parece ter 18 anos... E tem cabelo azul... – falei, e todos riram.
– O paizão aqui tem cabelo de fogo, quer coisa mais legal que isso? – disse Ronnoc, e seu cabelo virou chamas.
– Não morrer queimada deve ser maneiro — revirei os olhos.
– Ah, pode ter certeza que é. — disse Abnara, rindo. — A não ser quando você acaba congelando alguém sem querer...
Todos rimos.
– É, acho que já deixei alguns deuses traumatizados... — disse ela. — Enfim... Tudo bom com vocês?
Todos assentimos.
– Que bom, porque eu...
Leo entrou correndo no chalé.
– Ela tá tentando se matar de novo? — Connor perguntou.
– Acho que sim — Leo respondeu.
– O que ela fez agora? — perguntei aumentando a voz.
– Foi para o Palácio de Apolo.
– FAZER O QUE??? — gritei.
– Você acha que eu sei???? — perguntou ele, desesperado. — VOCÊ SABE O QUÃO IMPREVISÍVEL ELA É!!!
– E o que podemos fazer? — perguntou Aly.
– E... eu não sei... gaguejou.
– Leo, sua conversa, com Apolo, você contou a ela? — perguntei.
– ELA COLOCOU UMA ADAGA NA MINHA GARGANTA!!! — gritou.
– Mandou bem — Ronnoc murmurou.
– O. Que. Ele. Te. Disse? — perguntei pausadamente.
– Hã... Se eu não disser, você vai cravar uma adaga na minha garganta também? — perguntou ele.
– VOU. FALA LOGO!!! — gritei.
– Ele me ameaçou e...
– E...?
– E disse que estava torcendo pelo Evan. — murmurou, baixinho.
– Ah, isso explica muita coisa. — falei, revirando os olhos. — Aby, você pode me levar até o Olimpo?
– Não creio que ela esteja exatamente no Olimpo — Leo murmurou.
– O que você quer dizer com isso? — perguntei.
– Ela está no palácio de férias de Apolo.
– Mas... lá é quente demais para ela suportar — Abnara respondeu.
– Me leva? — perguntei para Abnara novamente.
– Sinto muito, mas eu não posso. Pode até ser que a garota sobreviva. Mas você não suportaria um minuto la dentro. Heitor não pode ir, e não creio que eles deixem o Leo ficar lá. É garotos, ela está sozinha nessa.
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