Too Much To Ask

28 Capítulo XXVII - Tudo fica bem. Ou não né?!


POV Luisa

Os garotos estavam agindo como imbecis. Eu não acreditava que o ciúme pudesse ser uma coisa tão perigosa. Leo tinha voltado ao seu chalé e os outros ainda estavam lá. Saquei minha espada e comecei a dar golpes no ar para gastar a minha raiva.

Sim, eu sei que eu não tinha motivos suficientes para ficar com raiva, mas eu estava. Por os garotos estarem agindo feito idiotas. E por outros motivos. Motivos que eu não falaria para ninguém, nem sob pena de morte.

Vocês devem estar pensando: Luisa, pare de agir assim por causa de garotos. Mas eu não podia controlar. Era mais forte que eu.

– Não precisa me matar com essa espada... — comentou alguém. Parei com os golpes e olhei para Connor. — Eu sei que agi feito um idiota, mas acho que isso não é motivo para ser assassinado pela garota que eu amo... — falou, com um sorriso torto.

– Connor... Não vi que estava aí... — falei. — Está me perseguindo?

– Por que eu estaria fazendo isso? — perguntou. — Só encontrei você aqui por acaso. E sinceramente? Eu amo ver você treinar...

– Connor, por favor... Sem essa... — falei.

– Mas é a verdade. — ele se aproximou e tentou me beijar, mas eu me afastei.

– Connor...

– Luisa...

– Connor, nós não temos mais nada, por que ainda insiste?

– A resposta é óbvia, acho que não preciso responder. — ele passou a mão pelo meu cabelo. — Eu não vou desistir de você, não importa o quanto você se afaste. Eu sei que sente o mesmo que eu.

Lágrimas ameaçavam cair dos meus olhos, mas eu não queria permitir. Mas também não podia ouvir mais nada. Desviei dos braços dele e corri para o meu chalé.

POV Isabella

Se me arrependi? Na verdade não, mas isso ninguém precisava saber. A melhor parte, é claro, foi ver eles se mordendo de ciumes, que também, foi a pior parte. Esse é o ruim de estar completamente dividida, não só com um deles, mas eu queria correr para ambos, os abraçar e dizer que tudo ficaria bem. Mas infelizmente, essa é uma das coisas que eu realmente não posso prometer. O G? Ele era legal, de verdade, era perfeito. Mas meu coração já tinha dono, ou donos, e cada vez que pensava nisso, minha vontade de me matar era maior. Mas eu não podia fazer isso. Eu sabia o que ia acontecer com as pessoas que eu amava. E eu não queria acabar com a vida de outras pessoas. Aquilo era confuso. Demais. Leo. Evan. As opções de escolha me matavam por dentro. Como seguir um coração que tem a capacidade de passar por dois caminhos completamente opostos? Eu tinha que me decidir, e já sabia como, mas o que restava agora, seria saber se eles falariam comigo. Pedi para Luisa convocar uma "reunião" com os meninos. E eu chamaria a verdadeira culpada de tudo isso, aquela que estava brincando com nossos corações.

Nos encontramos no chalé 1, pois era o mais vazio dentre os nossos.

– Quer acabar com as nossas vidas de vez? — perguntou Leo, sentando-se no chão. — Porque se era isso não precisa mais se dar ao trabalho. Já conseguiu.

– Não é essa a questão. — falou Luisa, firme. — Ela já deve estar chegando.

Uma luz rosa brilhante apareceu no chalé. De lá saiu uma mulher de cabelos cor-de-mel e pele perfeita. A responsável por nossos problemas estava ali. Afrodite.

– Até que enfim você chegou — revirei os olhos — Ta, ok. Pode começar.

– Hã, não creio que seja uma boa ideia falar com ela dessa maneira... — Evan começou.

Leo riu — Tem certeza que conhece ela? Isso nunca a impediu.

– Calem-se — me dirigi a deusa — Vamos, comece

– O que querem que eu diga? — perguntou Afrodite, entediada.

– Por que você resolveu acabar com as nossas vidas nos últimos tempos? — perguntou Luisa, sem alterar o tom de voz.

Ela revirou os olhos — Deuses também precisam se divertir.

– Mas que raio de história é essa que deuses precisam se divertir? Ta querendo foder nossa vida de vez é isso?

– Tipo isso, aos poucos, e mais interessante, mas é basicamente isso.

– E por que nós? — perguntou Luisa. — Tantos semideuses por aí... Por que nos escolheu?

– Porque? Oras, vocês se amavam de verdade... seria... interessante... brincar com os seus sentimentos.

Vi Luisa olhar de relance para Connor. Leo olhou em minha direção.

– E por que primeiro meter a Drew nessa? — perguntou Luisa.

– Não interferi nisso. Não costumo interferir na vida dos meus filhos. Ela fez isso porque quis. E sofreu as consequências por seus atos. Acho desnecessário falar sobre ela agora.

– E como vamos entender nossos sentimentos? — perguntei.

– Isso depende apenas de vocês mesmos, mas se quer saber... Eu sei exatamente quem vai ficar com quem no final.

– E porque não nos diz? — insisti.

– E acabar com toda a graça? Jamais.

– Erre es koracas, vlacas. — murmurei.

– E você queridinha. É a que vai ficar mais indecisa, e fazer mais burradas. Porque a zoeira aqui não tem limites — Ela piscou para mim.

EU VOU MATAR ESSA DEUSA.

– Fazer mais burradas tipo...? — perguntei, tentando me segurar para não xingar a deusa.

Ela sorriu.

– Do tipo que o que você fez hoje, vai parecer brincadeira de criança.

Escondi o rosto entre as mãos.

– Não, por favor... — falei. Não poderia suportar.

– E você, minha querida... — falou, aparentemente para Luisa. — Tem a resposta para esta escolha em seu coração, mas insiste no que é errado. Nem eu consigo entender o porquê.

– Então o caso é: eu vou fazer merda, e ficar em um triangulo amoroso, enquanto a Luisa sabe que gosta do Connor e continua insistindo no Carl?

Connor e Carl olharam para mim. — Que foi? Só disse o que eu acho.

– Mais ou menos isso. — falou Afrodite, com um risinho. — Mas não coloquem a culpa em mim, vocês mesmos acabam causando isso. Eu só dei um empurrãozinho.

– Como eu te odeio — sorri.

– Saiba que você é uma das minhas semideusas favoritas — ela me deu um sorriso falso — É uma das que mais me diverte.

– Bom saber que te causo diversão — disse ironicamente.

Na próxima encarnação vou pedir pra ser sua filha, quem sabe assim você para de se intrometer na minha vida? — comentou Luisa, revirando os olhos.

– Sabe que tem motivos para eu te dar a minha bênção, querida. — falou a deusa. — Mas isso não é assunto para agora. Você sabe como resolver a SUA situação, mas é teimosa demais para admitir qualquer coisa. É bem filha de Atena mesmo...

– Admitir o que? — perguntou Luisa.

– Você sabe o que, não preciso te falar nada.

Revirei os olhos.

– Enigmas de deuses são a pior coisa que existe, sério — Murmurei.

– É? Então serei legal com você, e te darei uma mãozinha. Uma competição! Para que você se decida.

– NÃO! — gritei — É tudo o que eu tento evitar em dias.

– Não pode evitar o inevitável amor. Desista, e deixe rolar. Pode ser que seja mais fácil para você.

– Ai. — murmurou Luisa — Que tipo de competição?

– Vocês vão ver. Mas é apenas para ela. — Afrodite olhou para mim. — E para os dois garotos.

– E-eu não posso deixar... deixar isso acontecer — gaguejei.

– Você vai — ela riu graciosamente — Ou eu não me chamo Afrodite.

– Vênus? — perguntei com um sorriso no rosto.

– Engraçadinha, mas não, isso VAI acontecer, e melhor, eu serei a juíza.

– Mas se quem sabe o melhor pra mim sou eu... — comecei.

– Sim, claro, mas quem sabe com quem você ficará no final sou eu.

Não adiantava discutir com Afrodite. Eu ia acabar ganhando uma maldição logo logo...

– Então me diga logo e acabe com essa merda! — exclamei.

– Só o tempo dirá isso, ma cherrie.

E nisso ela se dissolveu em um brilho rosa.

– AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA — gritei o mais alto que pude.

– Acho que não te ouviram no polo Sul — Luisa disse. — Grite mais alto um pouco.

– COM PRAZER — berrei.

– Hey, nós não temos culpa — ela tentou me acalmar — Ok?

Me sentei no chão, colocando a cabeça entre os joelhos. Aquilo não estava acontecendo, não comigo. Eu queria morrer. Porque não vinha o minotauro e me matava? Já sei. Me levantei e gritei o mais alto que pude.

– HIDRA, MINOTAURO, GAIA, TÁRTARO, ARAIS, ESFINGES... — liguei meu celular e disquei o primeiro numero que vi.

– Alô? — perguntaram do outro lado da linha e eu desliguei.

– Oh shit... Ela vai nos dar sérios problemas. — Leo começou.

– E quando que ela não dá? — Evan riu.

– Se acalma, você sabe como Afrodite é. Só o tempo vai dizer o que vai acontecer. — falou Luisa. — Não adianta NADA se desesperar agora.

– Fala isso porque não é a sua vida que está completamente fudida!!! — exclamei.

– Ah, desisto... — murmurou Connor. — Luisa, posso falar com você um minutinho?

Ela olhou para os lados. Parecia ter medo do que ele tinha para falar, coisa que não costumava acontecer.

– Falar sobre...? — perguntou ela.

– Apenas venha. — e a puxou pelo braço até sei lá aonde.

POV Luisa

– Desembucha. — falei, quando chegamos a uma clareira.

– Aquela... Aquela história... Sobre você saber com quem você vai ficar... — falou ele.

– Siiim...? — falei, impaciente.

– A Isa estava certa? — perguntou ele. — Sobre você só estar sendo teimosa em tentar ficar longe de mim?

Encarei o chão. Não queria admitir isso. Que estava ficando com o Carl só por teimosia. Aquilo era coisa de filha de Afrodite, não de uma filha de Atena. Eu só esperava que minha mãe não estivesse observando o que eu estava fazendo. As burrices que eu estava cometendo.

– E-eu — comecei a gaguejar — Eu...

– Não precisa responder — Ele sorriu e me beijou.

– Nós... Nós não dev... — comecei, quando nos separamos. Ele sorriu para mim.

– Não vejo problema nisso. — falou ele, acariciando meu rosto.

– Mas...

– Sem mas, Luisa. Eu te amo, é tão difícil entender isso? — perguntou ele, e me beijou novamente.

Sorri. É, eu tinha que admitir, era tudo o que eu queria.

– Eu te amo. — sussurrei.

– Eu também — sussurrou de volta.

– Isabella sempre tem razão — sorri.

– Nem sempre... — comentou ele. — Mas dessa vez ela estava certa.

Assenti.

– Promete que eu não vou mais te perder?

– Prometo, se você prometer também.

Um sorriso surgiu em seus lábios.

– Com certeza eu prometo.