Too Much To Ask
14 Capítulo XIII - Uma morte inesperada
Senti os olhares de Quíron sobre mim. O que será que tinha acontecido?
– Vamos para o anfiteatro. — falou ele, e apontou o local. Todos nós o seguimos, sem nem terminar a refeição. As flores por onde passávamos estavam mortas, ou chegando perto disso. O Acampamento, que antes era bonito e alegre, agora estava triste... E morto.
– Quem morreu? — perguntei para Connor.
– Tenho minhas suposições... — falou ele, mas chegamos ao anfiteatro e todas as suspeitas foram confirmadas.
Um garoto estava de costas, soluçando, o chão ao seu lado, completamente em chamas. Eu conhecia lendas sobre ele, mas não sabia que ele estava de volta tão cedo. Isabella estava sentada perto do garoto, tentando consolá-lo, eu sabia que eram amigos, mas não sabia a que ponto.
Me aproximei, com Connor ao meu lado:
–L-Leo V-valde-ez? — Gaguejei — M-mas então, quem...?
Olhei para a mortalha florida à minha frente. Pelas lendas, imaginei quem fosse.
– Minha... Minha Calipso... – choramingou Leo.
Isso confirmava tudo. Então era por isso que todas as flores, todo o Acampamento... estavam daquele jeito. Calipso estava morta.
–Minha... — Isa murmurou — Tá, ela queria mesmo era o Percy.
Leo olhou para ela, seus olhos transbordando de lágrimas. Como eu a conhecia, sabia que ela havia se arrependido daquelas palavras.
– Como ela morreu? – perguntei baixinho. Isa se afastou e me arrastou com ela em um canto separado, deixando Connor junto com Leo, que mais tarde eu descobri serem grandes amigos.
– Ela caiu no tártaro — Isabella sussurrou — eles estavam fugindo, e, ela tropeçou em uma carcaça de Mymeko, ah, eles estavam no topo de uma colina, e bem ela saiu rolando — Isa abafou um risinho.
– Parece que você não gostava muito dela. — notei.
–Bem, ela e o Leo têm uma história, né? — ela olhou para o céu — Voltando ao assunto, no pé da colina tinha um poço de areia movediça, que, er... dava direto para o Tártaro, parece que ela não teve muita sorte como o Percy e a Annabeth, e há pouco o Leo chegou desesperado, e recebi uma mensagem de Iris, do Nico, me informando que ela havia morrido.
– Isso que eu chamo de falta de sorte... – comentei.
– Ah, sim, digamos que sorte não era muito a "praia" dela. — Ela riu como se fosse uma piada.
– Acho que fazer piada com a morte de outras pessoas não é muito educado... – falei, segurando o riso.
– Ah, não que ela fosse a melhor pessoa desse mundo, não é? Você ouviu a história das maldições? — ela sorriu, vendo a incompreensão em meu rosto — Depois te conto essa, mas enfim, santa ela não era.
– Já ouvi histórias sobre ela... – falei. – Não é uma boa ideia ficar no velório, acho eu...
– Fique, me ajude, não será nada fácil para o Leo queimar sua mortalha. — uma expressão sombria atravessou seu rosto — Nada fácil. — murmurou.
– O que havia entre eles? – perguntei. Mas antes que ela pudesse responder, avistei dois jovens correndo na direção do Pinheiro, provavelmente fugindo de monstros.
Isa seguiu o meu olhar e corremos para lá, sacando nossos arco-e-flechas mágicos.
– Era só o que me faltava — ela gritou — Um exército de cães infernais era tudo o que eu precisava em um dia como esse. OBRIGADA! — gritou ironicamente para o céu, seu grito seguido de um trovão — Se Julie não tivesse saído em uma missão, ela seria extremamente útil agora. POR FAVOR, MANDE-OS EM UMA SITUAÇÃO MAIS APROPRIADA, SIM? — gritou novamente para o céu.
Comecei a atirar flechas na direção dos cães, de modo que os dois semideuses pudessem entrar. Por sorte os cães não poderiam passar dali.
– Oi, meu nome é Thiago. – falou o loiro, que parecia ter a minha idade.
– Eu sou Evellyn. – disse a garota de cabelos escuros, que parecia ser alguns anos mais nova.
– Oi, sou a Luisa, filha de Atena, e essa é Isabella — disse apontando a menina ao lado — Filha de Apolo.
– Isa — a garota disse de mau humor — Agora preciso ir, desculpe.
– O que aconteceu? — Thiago perguntou à filha de Apolo, sem compreender o porquê da pressa, mas ela já havia descido a colina.
– Desculpem, precisamos ir à um velório agora. Vocês deram sorte que nós escapamos de lá um pouco. – falei e desci a colina.
Eles vieram atrás de mim.
Cheguei um pouco depois da Isabella, que estava ao lado do Leo, ele chorava compulsivamente enquanto queimava a mortalha de Calipso, eles se sentaram, enquanto um fogo azul brilhante o consumia, ele segurou sua mão, e a vi corar, então, o choro se transformou em uma orquestra de soluços agonizantes, que logo foram abafados por um abraço.
Sentei-me ao lado de Connor.
– Como ele está? – perguntei.
– Péssimo. – ele olhou para Leo. – Mas acho que isso já é um pouco óbvio.
– Ele vai superar com o tempo... Eu acho. – Comentei.
– Tomara — ele disse — Acho que ele não vai suportar por mais muito tempo.
– Ele gostava mesmo dela, né? – perguntei.
– A primeira paixão correspondida. — ele comentou — Um juramento a manter com um alento final... não era bem o que esperávamos.
– Quando é que alguma coisa foi como esperamos? – perguntei. – As profecias são muito subjetivas.
Ele me abraçou com força.
– É, parece que os deuses amam brincar conosco — houve outro trovão no céu — Oh! Desculpe.
– No nosso mundo nada é o que esperamos.
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