Too Much To Ask

54 Capítulo LII - A poção


Notas iniciais
Sim, demoramos pra postar, mas entre bloqueio criativo e falta de vontade de escrever, enfim conseguimos vencer esse capítulo :) E fiquei um pouco deprê por ter recebido só um comentário no último capítulo. Digo... São 30 pessoas acompanhando e só um review? Assim até parece que a história está ruim... Tudo bem, vamos parar de bancar a sorumbática. Espero que se divirtam com esse capítulo.

POV Luisa

– Então... Querem encomendar uma morte? — Paul sorriu, cinicamente. — Bom, vocês devem saber que isso tem um preço...

Suspirei. Tínhamos modos mais fáceis para matar...

– E qual seria o seu preço? — perguntei.

– Um favor.

– Que tipo de favor?

– Você saberá quando eu precisar.

Suspirei novamente. Pensei em Calista e em todas as poções que já tinha visto em seu chalé ou em seus livros antigos. Ela poderia... Era isso!

– Desculpe, Paul, não precisamos mais dos seus serviços. — falei, levantando-me e puxando Alawara comigo. Ela me olhava de uma forma que provavelmente se perguntava se eu havia ficado louca.

– Qual foi a sua ideia, Luisa? — perguntou ela, olhando em meus olhos.

– Apenas venha até o chalé de Circe. Lembrei que uma coisa que pode nos ajudar muito.

Entramos correndo e sem bater, era simplesmente incrível o poder de uma poção, e a poção certa, dispensaria sem pensar qualquer assassino.

– Cas! — gritei, assim que nos aproximamos um pouco mais. Ela deu um pulo e acabou derrubando alguma substância asquerosa no caldeirão.

– MAS QUE MERDA — gritou — Olha Lu — ela se acalmou — É bom que seja importante, porque era meu último frasco de água do Estige.

– Sim, é muito importante. Não sei se sabe, mas... Você-sabe-quem-que-não-é-o-Voldemort voltou ao Acampamento... Há uns tempos, eu vi em um de seus livros uma poção que pode ser muito útil.

– Thiago voltou para o Acampamento? — Calista estreitou os olhos. — Bom, sinta-se à vontade para olhar os livros... Desde que não fale nenhum feitiço aqui dentro, por favor...

– Sem problema. E quanto à água do Estige... Eu peço uns dois frascos para Hades quando for possível. — falei, abrindo um livro empoeirado que estava sobre uma prateleira.

Poção do amor, poção de transporte... eram tantas poções que até fiquei meio perdida no que queria. Mas bom, eu queria algo... quente.

– Achei — anunciei, mostrando a poção para a menina.

Calista observou detalhadamente a poção e explodiu em uma gargalhada.

– Nossa, você é realmente má.

Alawara revirou os olhos.

– Gênia — falou — Agora diga algo que não sabemos.

– Bom, Lui... Tem mesmo certeza? Essa não é muito difícil e nem muito demorada para se fazer... Mas os danos são irreparáveis e... Os ingredientes são difíceis de achar.

Olhei para a receita. Apenas dois ingredientes: Fogo do rio Flegetonte e uma Rosa de Fogo.

Alawara apareceu ao meu lado para olhar o livro.

– Uma Rosa de Fogo? Eu sei onde conseguir. Mas o fogo do Flegetonte... — murmurou.

– O Fogo eu tenho. — Calista murmurou. — Mamãe me deu alguns frascos na última vez que a vi. O que me preocupava era a Rosa. Mas... Onde tem?

– Bürnat. O reino de Ronnoc e de Brissy. Mandarei uma mensagem de Íris para a mamãe pedindo uma.

– Sem problemas então? — sorri.

– Você me dá medo. — Calista murmurou — Mas, sim, assim que a rosa chegar eu te entrego a poção.

Sorri mais ainda, aquilo seria... quente, muito quente.

Alawara riu.

– Heitor e Leo vão gostar da ideia.

– Sem dúvida nenhuma.

Segui Alawara até o seu chalé, onde ela jogou uma moeda em uma fonte de água, pedindo a Íris que mostrasse sua mãe.

– Aly! — Abnara exclamou, sorrindo para a filha. — Luisa! Como vão?

– Estamos bem, mãe. — Aly se adiantou. — Precisamos de um favorzinho seu...

– Filha, filha... O que vocês estão tramando agora? — perguntou, tentando fingir um tom de repreensão. Mas um sorriso brotou em seu rosto.

– Ah, umas poções, sabe como é...

– Quem vocês vão matar dessa vez? — questionou, com toda a naturalidade do mundo. Arregalei os olhos.

– Você deve imaginar. — Alawara comentou. — Bom, nós precisamos de uma Rosa de Fogo... Você pode conseguir isso para nós?

– Com facilidade. Pedirei ao Ronnoc. Em breve, irei aí levar. — Ela piscou para nós.

Em duas horas, um mensageiro chegou com um pequeno embrulho, com cerca de 200 rosas de fogo. Não imaginei que fossem tão pequenas.

Agradecemos e fomos ao chalé, o plano estava quase se concretizando.

– 200? — Calista perguntou, maravilhada. — Luisa, esqueça a água do Estige. Isso eu posso conseguir facilmente, só pedir para a minha mãe... Agora... 200 rosas de fogo? Ah, isso está muito melhor do que a encomenda.

Eu e Alawara sorrimos.

– Quanto tempo leva para fazer a poção? — questionei.

– Cinco horas. Amanhã no café da manhã, você se livrará de seu pesadelo.

P.O.V George

Cheguei no chalé e tinha um bilhete dourado em minha cama, a escrita? Meio desgrenhada, mas tinha seu charme. As letras em prata me convidavam para férias, em um hotel fazenda, ou coisa parecida, achei suspeito, mas algo me dizia que deveria ir até lá.

Coloquei as roupas que vi pela frente dentro da mala e a fechei, segurando o bilhete em mãos e olhando bem para o endereço. Não parecia muito longe, o que eu estranhei, pois nunca tinha visto o tal hotel antes. Não que fosse algo muito surpreendente, já que eu vivia em um mundo mágico.

Quando cheguei ao endereço que havia no papel, fiquei maravilhado, e não conseguia pronunciar uma só palavra. Piscinas, lagos, campos, colinas, estábulos e construções se expandiam até onde eu conseguia enxergar, e eu sentia que ainda havia muito mais lugares a serem explorados.

O arco, a grama da entrada, tudo indicava que era um lugar onde grandes pessoas vinham, e viviam grandes coisas, grandes aventuras se passavam naquela terra. Como pude concluir tudo, só observando um pouco? Não sei, talvez intuição. Olhei um pouco mais a frente e meu coração falou uma batida, sorrindo para mim, lá estava ela.

– Isabella? — perguntei, sorrindo de uma forma meio boba.

– George! — gritou, correndo em minha direção. Não pensei duas vezes em fazer o mesmo, e logo a abracei, levantando-a do chão.

– O que você... ?

– Eu que te chamei- ela disse orgulhosa de si mesma por tal feito — Achei que poderíamos passar um tempo juntos e... — era impressão minha ou ela estava corando? — bom, eu quero saber o que você ia me dizer aquele dia da M.I.

Corei.

O que eu diria agora? Pessoalmente, parecia muito mais difícil de contar a verdade.

– Bom... Er... Isa, conversamos sobre isso depois, pode ser?

Ela revirou os olhos.

– Não adianta adiar o inevitável, George. — falou, com a voz firme.

– Mas eu...

– Vem — ela me puxou em direção a um quiosque, e pediu.

– Um milk shaque de...

– Dois milk shaques que chocolate, por favor — pedi.

Ela sorriu, surpresa por eu ter lembrado. Como se eu fosse esquecer...

Me arrastou até uma mesa, com os copos na mão, como ela conseguia carregar os copos e me arrastar sem se atrapalhar? Só com muita concentração.

Nos sentamos um de frente para o outro.

– Estou sem muita paciên... hm, isso está ótimo. — disse experimentando a bebida — Enfim, diga logo.

– Bom, er, Isa... Eu sei que você tem o Leo e tudo mais, mas...

– Prossiga. — ordenou, tomando mais um gole do milk shake.

– Bom, é estranho dizer isso, mas eu ainda gosto de você. Muito mesmo...

– Gosta em que sentido? — perguntou, desviando os olhos do canudo para olhar nos meus.

– No sentido que, bom, você sabe.

– Sei? — ela interrogou.

– Bem, eu, er... — comecei, se é que isso era começar. Mas não precisei dizer mais nada.

Ela acabou com o espaço que existia entre nós, colando seus lábios nos meus.

POV Luisa

Exatas cinco horas depois, Calista nos chamou ao seu chalé, mostrando um vidro com um líquido vermelho sangue.

– Só peço que tomem muito cuidado com isso. — falou, entregando o vidro para mim. — Luisa, você, como filha de Atena, consegue ficar invisível. — Calista não estava inventando nada. Com muito treino mental, eu era capaz de ficar invisível, sem precisar de nenhum objeto mágico, mas fazia tempos que eu eu não treinava essa habilidade. — Derrame três gotas dessa poção no copo de suco dele. O resultado será quase imediato.

Alawara soltou uma risadinha.

– Realmente, é uma pena que Isabella não esteja aqui para ver isso. — comentou, olhando para o líquido em minhas mãos.

– Certamente. Mas, Lui... Tente derramar somente essa quantidade, que é a correta para uso interno. Se colocar mais, é provável que o copo pegue fogo.

Agora foi a minha vez de rir, imaginando a cena.

– Boa sorte.

– Não sei se Tique irá colaborar muito com essa história. — comentei, sorrindo para elas. — Mas isso será divertido, vê-lo desabando em chamas.

Nos aproximamos do refeitório, mas eu não entrei. Esperei que todos do meu chalé estivesse se sentado, e me concentrei ao máximo na invisibilidade. Olhei para o meu corpo; completamente transparente, ótimo.

Agora a parte mais difícil do trabalho seria não esbarrar em nada. Mas acho que anos de treinamento de batalha ajudaram um pouco nisso.

Visualizei a mesa do refeitório e Thiago estava lá, com um cálice cheio de algum líquido, que, pra minha sorte, também era vermelho. Olhei bem o caminho, identificando cada coisa que poderia ficar no meu caminho, e andei até lá, da forma mais silenciosa possível. Ninguém pareceu notar nada de diferente.

Cheguei ao lugar onde ele estava, felizmente em uma ponta, e estendi o braço, derramando exatas três gotas da poção em seu cálice. Ele conversava com Annabelly de forma animada, e eu agradeci por isso.

Saí do refeitório da mesma maneira silenciosa que entrei e então corri para o chalé de Circe, deixando o vidro com o resto da poção sobre a mesa. Calista saberia o que fazer com aquilo.

Voltei à área dos chalés, ainda invisível, e então voltei ao normal, andando calmamente até o refeitório. Eu queria ver aquela cena, e esperava que ele ainda não tivesse experimentado um gole da bebida.

POV Paul

Filha de Atena? Impressionante... Uma filha de Atena deveria saber que não se desiste de última hora na contratação de um assassino. Não era difícil descobrir quem seria a vítima. Elas podiam entender de matar pessoas sem serem vistas... Mas no momento, elas lidavam com um assassino profissional. E alguém como eu conhecia todos os bons segredos para uma morte.

Porém, a vítima, que aos meus olhos era óbvia, não teria minha proteção. Deixaria que Luisa fizesse o que bem entendesse. O próximo corpo a ser queimado era o de alguém com grandes dívidas comigo. E aquele seria o melhor modo para que ele as pagasse: Sendo morto por outra pessoa.

Elas não sabiam, mas já estavam pagando o favor que passaram a me dever a partir do momento em que pediram por meus serviços.

POV Luisa

Sentei-me ao lado de Malcolm, um pouco na frente do Thiago. Um pouco, não queria ser incinerada por um imbecil ambulante completamente inflamável.

Olhei para Alawara, a algumas mesas de distância, e ela tentava controlar o riso, enquanto conversava com Heitor, animadamente. Olhei para o meu prato, evitando demonstrar o que estava acontecendo. Coloquei um morango na boca, e percebi que Thiago levou a mão ao cálice, tomando um gole do suco.

Tudo aconteceu muito rápido. Ele agora soprava chamas, sem controlar uma direção exata. Desviei de todas as chamas. Na verdade, praticamente todos saíram do refeitório correndo, apenas Heitor, Leo e Alawara permaneceram, rindo da cena. Eles eram imunes ao fogo, então poderiam continuar ali.

Enquanto isso, o fogo consumia os órgãos internos dele, que iam perdendo rapidamente sua função vital. Em poucos minutos, as chamas pararam de surgir e Thiago caiu inerte no chão. Alawara apagou as chamas que ainda restavam por ali, e então eu corri para chamar Quíron. Nós três teríamos que ser ótimas atrizes para disfarçar o ocorrido... Não que já não tivéssemos feito coisas parecidas antes, com outras pessoas.

Sorri. Tudo estava acabado.

Não acreditava que depois de poucos meses, eu havia me livrado do "novato-não-tão-novato".
Sorri por dentro e por fora, aquele que tinha me infernizado, jazia a minha frente. Sabia exatamente o que havia acontecido, claro que sabia, seus órgãos internos estavam como carvão, provavelmente, efeito de virar um lança chamas ambulante. Ele era meio, quente? Não, acho que inflamável seria o termo correto.

Quíron chegou e olhou assustado para o corpo, agora frio, caído no chão.

– Temos mais um funeral para fazer. — falou, com a voz lenta.

Logo alguém apareceu com uma mortalha, e Quíron envolveu o cadáver. Logo ele foi levado para o anfiteatro.

O chalé de Atena ficou bem na frente, com exceção de um campista. Não, não Thiago, não estou fazendo uma piadinha infame, típico dos campistas de Apolo. Eu não estava lá. Pelo motivo de tê-lo visto morrer, Quiron achou que eu poderia estar chocada com o ocorrido. Aliás, é a primeira vez que alguém vira um lança chamas ambulante — sim, nunca vou me cansar de falar isso — bem no meio do refeitório. Bom, que seja, ele achou melhor que eu ficasse com Connor e meus amigos, para que eles pudessem me confortar nessa "hora difícil". Bem, pelo menos foram as palavras dele.

Eu queria até fazer uma homenagem para ele, mas eu não sabia o que falar, e também não conseguia, estava afogando em minhas lágrimas e soluços. Não, é brincadeira. Eu devia estar me esforçando mais para parecer um pouco mais triste, mas a felicidade era tamanha que não conseguia.

Alguns dos meus irmãos, que poderiam ter se aproximado um pouco dele, não sei, falaram algumas palavras, e eu realmente fiquei feliz de não ter passado em branco. Talvez mamãe ficasse com menos raiva — isso se ela não estiver aliviada — mas enfim, depois de algumas palavras, e uma ou duas lágrimas, Quiron anunciou:

– Está na hora de queimarmos a mortalha desse bravo guerreiro.

Todos soltamos uma risada fraca a menção da palavra queimar, coisas relacionadas a queimar e Thiago, nós entendiamos muito bem. E uma um pouco mais alta quando ele disse bravo guerreiro, acho que ele não conhecia muito bem seus campistas.

– Alguém para queimar a mortalha?

Leo e Heitor se ofereceram para queimar juntos a mortalha. Olhei para Heitor e fiz um pedido silencioso, dois na verdade, e nenhum deles eu poderia realizar. Ele cochichou algo no ouvido do Leo, e tomou a palavra.

– Quem diria — um sorriso travesso surgiu em seu rosto. Quando não? — Que algum dia pediriam para que eu o queimasse. Sempre fiz isso de livre e espontânea vontade.

– Bom — Leo começou — Acho meio irônico ele ser queimado, mas nós eramos grandes amigos — não consegui conter o riso — E acho digno darmos a ele um presente, uma coisa que ficará para sempre em nossas memórias.

E os garotos atearam fogo na mortalha.

Chamas a envolveram por completo, e em cima delas um letreiro, sim, um letreiro em chamas, não sei a quanto tempo treinaram a habilidade, mas estava completamente perfeito.

Todos que estavam presentes caíram na risada.

Lá estava a mortalha, e a mensagem.

"Aqui jaz Thiago, o garoto que pega fogo".

Notas finais
So... Reviews?