Too Much To Ask
53 Capítulo LI - Possíveis mortes
Notas iniciais
POV Leo
– Oi — sorri para ela.
– Leo? Mas o que...
– Sim, eu... Isa... Eu estou sentindo sua falta... — murmurei, olhando para a holografia de Isa que estava na minha frente.
Ela abaixou a cabeça.
– Leo... eu...
Ouvi alguem a chamando.
– Quem... ?
– Ah, só o Fentey. Então o que estava falando mesmo?
– Era você quem estava falando... — murmurei.
– Ah, bom... Eu... Desculpe, Leo, mas preciso ficar aqui mais um tempo, para colocar as ideias em ordem...
– O smurf veio perguntar de você hoje... — resolvi contar.
– Smurf?
– É, o desastre de Poseidon, smurf, ou George, como preferir.
– Veio? — era impressão minha, ou aquilo na sua voz era entusiasmo?
– Sim, veio. Mas eu dei um jeito de despistar. — falei, revirando os olhos. — Isa, quando você achar que está pronta para voltar...
– Eu voltarei para você. — murmurou ela, olhando diretamente em meus olhos.
POV Luisa
– Luisa, Quíron pediu que você fosse até o topo da Colina. — Annabelly chegou no chalé, dizendo.
– Novato? — perguntei. Eu tinha uma má impressão sobre o que aquilo seria. Minha mão direita foi automaticamente até o meu pescoço, tocando o pingente de coruja, presente de Atena.
– Eu não sei, ele não falou. Malcolm já está lá. — Se Quíron tinha mandado mais que um para lá... A situação era pior do que eu pensava.
– Tudo bem, eu já estou indo. — falei, engolindo em seco. Não tinha a mínima ideia do que seria, mas a má impressão já falava por si.
Calcei meus All Stars e saí correndo colina acima. O que eu vi antes de chegar era pior do que imaginei.
Não adivinha? Pois bem...
Quando cheguei lá em cima, me deparei com um garoto baixinho de cabelo loiro e olhos azuis.
Definitivamente, aquele não era o meu dia de sorte.
Já ia me virar para voltar para o chalé, mas Malcolm segurou o meu braço.
– Não agora, Lui. — sussurrou. Revirei os olhos. Não, ele não podia ter voltado...
– O que você quer? — perguntei, friamente.
– Uma trégua? — Thiago perguntou.
– Não sei se isso será possível. — murmurei, saindo, voltando ao Acampamento sem um rumo certo. Acabei parando na frente do chalé de Abnara. Alawara provavelmente estaria lá dentro. Bati e ela atendeu.
– Lui? — perguntou, abrindo mais a porta, para que eu entrasse. — Aconteceu alguma coisa?
– Aconteceu que certa pessoa voltou ao Acampamento. Aly, precisamos de um plano.
– Certa pessoa? — ela olhou em meus olhos, e logo percebeu de quem se tratava. — Tudo bem. Apenas precisamos do Heitor, do Connor e...
– Podemos deixar isso só entre nós? Quero chamar a Calista também, mas...
– Então o plano...
– Sim, isso mesmo que você está pensando. Não podemos deixar nenhuma pista.
Alawara assentiu.
– Bom, entre, eu já tenho uma ideia, mas pode ser que demore um pouco.
– Quero algo rápido — pedi.
– Algo rápido? Eu conheço alguém que pode nos ajudar. — Alawara falou com toda a naturalidade do mundo. — Vamos no chalé de Hades?
– Hades? — perguntei, confusa. Conhecia pouca gente do chalé de Hades, e nunca imaginei que algum deles pudesse nos ajudar em algo como isso, já que eram mais na deles. Bom, ninguém planeja um assassinato em voz alta.
– Sim, Hades. Vamos, Luisa. Paul certamente vai nos ajudar.
– Paul?
– Sim. Um assassino de aluguel.
POV Thiago
Não sei o que me deu na cabeça para voltar a este lugar. Eu estava muito bem onde estava, mas ainda não tinha conseguido esquece-la. Era incesto, eu sei, e eu poderia até morrer por causa disso, afinal, ela tinha namorado. Mas seu sorriso, até a maneira quando olhava para mim quando queria me matar, já era o bastante.
A tempos, eu nutria uma paixão secreta por Luisa, e já não conseguia mais ficar longe dela, e isso já estava indo longe demais.
Quando eu pedi uma trégua, não esperava realmente que ela aceitasse. Eu sabia como ela era. Tanto ela quanto aquele filho de Hermes que ela chamava de namorado. Ela tinha uma alma fria, e mataria qualquer um que se metesse em seu caminho, sem qualquer pesar. E isso, obviamente, me incluía.
Se Connor soubesse de meus sentimentos por ela, não pensaria duas vezes antes de me matar de alguma forma completamente idiota, sem mérito algum.
Se eu fosse morrer, tinha que ser com estilo, não simplesmente incinerado. Eu havia mudado, e para a melhor. Eu conquistaria o coração daquela garota.
POV Lacy
Andei até o chalé de Poseidon. Minhas mãos suavam, geladas. Eu tinha medo do que podia acontecer. Tinha medo do fora que eu ia levar, quase com certeza.
Seus olhos azuis ficavam gravados em minha cabeça o dia todo, e seu sorriso era a última coisa que eu via em minha mente antes de dormir. Mas o que ele iria querer comigo? Eu era só uma filha de Afrodite. Nem a mais bonita do chalé 10... Nem perto da inteligência de uma filha de uma filha de Atena, nem era tão boa em lidar com armas... Enfim, eu não era nada naquele Acampamento...
Minha mão direita foi até a porta do chalé, em uma batida fraca.
– Lacy? — George perguntou, abrindo a porta, apenas com uma calça jeans, sem camiseta, mexendo no cabelo bagunçado. Não olha, Lacy, não olha. — Algum problema?
– Eu... É... Bem, eu queria conversar com você.
– Entre. — seu tom de voz demonstrava confusão.
– Bom, há tempos que eu sinto isso, e... faz só alguns dias desde que eu me deixei levar pelos meus sentimentos. E... Eu não sou boa com poemas e nem nada assim... Só gostaria que você soubesse que... — parei, suspirando, tentando tomar coragem para continuar a frase.
– Que...?
– George... Eu gosto de você. Muito. — assim que me dei conta das palavras ditas, escondi o rosto entre as mãos, especialmente para não precisar olhar para a expressão dele. Ele devia estar me achando uma tola...
Geoge colocou a mão em meu ombro, e uma onda elétrica percorreu meu corpo.
– Lacy... Lacy eu...
Não queria olhá-lo, mas infelizmente era mais forte qur eu. Meus olhos se fixaram em seus olhos azuis.
– Você...?
– Eu, bom, eu sei como se sente.
– Sabe? — sorri.
– Sim, eu sei. Há meses estou com uma garota na cabeça, mas...
Tentei me controlar. Ele estava falando de mim? Eu não ia levar um fora, afinal?
– Mas...?
– Mas, desculpe, Lacy. Essa garota não é você.
Deuses... Mãe! Você não pode fazer isso comigo! Lágrimas começaram a escorrer pelo meu rosto. Eu tinha me preparado para isso, mas parece que não tinha sido o suficiente...
– Lacy... não chore — ele secou uma lágrima que escorria perto de minha bochecha.
– Por favor — disse com a voz fraca — Por favor, não me toque.
– Mas...
– Por favor George, não torne tudo mais difícil.
Saí correndo, largando a porta do chalé escancarada.
POV George
Ah, que maravilha... Eu tinha acabado de dar um fora numa garota, bonita, por sinal, por causa de outra garota que, aliás, tinha namorado e provavelmente não queria mais nada comigo. Qual era o meu problema?
As coisas não poderiam continuar assim, eu tinha que dar um jeito nisso, ela tinha que saber.
Mas claro, ela tem o dom de sumir nos momentos menos apropriados, e eu tinha a não tão leve impressão, de que estavam escondendo algo de mim. Não tinha jeito, eu tinha que falar diretamente com ela.
Joguei um dracma no ar, e rezei para que Iris me mostrasse minha amada.
– Ge... George? — a holografia de Isabella apareceu na minha frente. Definitivamente, ela não estava no Acampamento, e sim em um lugar com paredes douradas e detalhadas.
– Isa... Hã... É...
Isabella olhou para mim, esperando que eu falasse. Não pude deixar de notar que suas maçãs do rosto estavam mais vermelhas que o normal.
– Eu... — ah, ótimo, de rapaz todo decidido, para alguem que não consegue nem pronunciar uma palavra concreta.
– Você? — ela me incentivou.
– Eu... hum... pera, onde você esta? — perguntei a primeira coisa que veio a minha mente. Parabéns George, eu havia falhado.
Ela gargalhou.
– No palácio de férias do meu pai, ninguém te disse, não é?
Assenti.
Ela revirou os olhos.
– Foi o que pensei.
– Pensou? Mesmo?
– George, eu conheço meus amigos. Era de se esperar que eles não te falassem nada. Enfim... O que você queria comigo mesmo?
– Eu só... Hã... Deixa pra lá...
Ela revirou os olhos novamente.
– Olha, primeiro, você não me chamou à toa, e segundo, ou me fala, ou não vai falar comigo por um longo, longo tempo.
Ri.
– Agora é chantagem? — perguntei.
– É. — ela disse, firme — E é você quem escolhe.
– Então, Isa... Eu... Ai, deuses... Não sei como dizer isso... — murmurei.
– Então podia ter treinado o que ia falar antes de me mandar MI... — comentou, com um sorriso.
– Engraçadinha... Bom, é que... — nesse momento, alguém adentrou o chalé.
– George, reunião de emergência. — Evellyn falou, logo saindo.
– Te ligo depois. — falei, e a holografia se dissolveu. Coloquei uma camiseta e saí do chalé.
POV Connor
Fui convocado ao anfiteatro, junto com mais um grupo de semideuses de chalés diversos. O acampamento estava com problemas, novidade. Ou talvez não.
Luisa veio junto com Malcolm. Na verdade, sua face demonstrava tédio. Provavelmente gostaria de estar fazendo alguma outra coisa naquele momento. Talvez bolando planos para o Caça à Bandeira... ou alguma coisa pior, mas enfim...
– O que houve, Quíron? — Calista perguntou, olhando para o centauro.
– Estamos com um pequeno, não tão pequeno probleminha. — o centauro começou.
– Tipo? — perguntei.
– Bom, vou direto ao assunto. Dionísio desapareceu.
– Desapareceu? Mas assim, do nada? Puff? — perguntou um filho de Tique.
– Ele não está no Olimpo? — deixei que as palavras escapassem da minha boca.
– Connor, você realmente acha que se ele estivesse, estaria tendo uma reunião de emergência? — Katie Gardner me fuzilou com os olhos.
– Quem sabe tenham esquecido de procurar lá? — revidei.
– É só isso mesmo? — ouvi Luisa perguntar. Estranho... ela não costumava querer fugir de reuniões... — Posso ir agora? Tenho mais coisas para fazer...
Quíron revirou os olhos.
– Só vou permitir que saia porque você tem crédito comigo, Luisa. Mas tome cuidado, que o crédito está diminuindo. — falou. Luisa saiu, puxando Alawara com ela.
POV Luisa
Saímos direto para o chalé de Hades, eu estava com pressa, e queria algo perfeito.
Bati na porta. Um garoto de cabelos e olhos negros a abriu.
– Alawara, alawara — disse com uma voz rouca — A que devo a visita?
– Paul — ela revirou os olhos — Era com você mesmo que eu queria falar.
– Entre — ele pediu.
Entramos e nos sentamos em uma das camas, o chalé era frio e sombrio. Novidade.
– Então — ele se sentou a nossa frente — O que querem?
– Encomendar uma morte. — Alawara falou por mim.
POV Apolo
Olhei para o espelho e imaginei Afrodite na minha frente. A deusa logo apareceu, como seus cachos arruivados brilhando soltos e uma toga grega até o joelho.
– Apolo, qual o motivo para ter me chamado? — perguntou, olhando em meus olhos.
– Fez o que eu te pedi?
– Você sabe que eu sou completamente contra a interferência nesse tipo de coisa, mas eu fiz. Porém, não acho que vá durar muito tempo. O amor que ela sente pelo faz-tudo é maior.
– Mas ao menos tentou?
– Como eu disse, sim. E, infelizmente, tive que ferir os sentimentos de uma das minhas filhas por causa desse seu joguinho.
Sorri. Eu realmente esperava que aquele plano fosse dar certo.
POV Afrodite
Apolo estava brincando com os sentimentos da garota, e aquilo vai merda. To até vendo.
Mas na realidade, não tive que fazer muita coisa, o menino, sempre foi apaixonada por ela, e ela, nutria algum sentimento por ele a tempos, só foi reascender essa chama, e eu tenho mais algumas ideias, e meu filho vai me ajudar. Mas antes, precisava fazer mais um servicinho. Me dirigi ao Olimpo, esperando que ela ainda estivesse lá.
– Você demorou — A mulher de cabelos cor de mel e olhos cinzas declarou.
– Digamos que você não é a unica que está interferindo na vida amorosa dos seus filhos — revirei os olhos — Não que esteja dando certo, pelo menos.
– Sou a deusa da estratégia, entenda Afrodite, eu nunca perco.
– Não quando se trata de amor Atena, não quando se trata de amor. Mas enfim — respirei fundo, esses deuses estavam me dando cada vez mais trabalho — Qual seu plano dessa vez?
– Uma morte. — ela sorriu maliciosamente — Preciso de uma morte.
Arregalei os olhos.
– Palas Atena, você não pode...
– Eu posso tudo. Sou Atena, a deusa da sabedoria e estratégia. — falou, com a voz majestosa.
– Hermes não vai gostar nada de saber disso.
– Ele não precisa saber. Esse segredo fica entre nós. E não ouse contá-lo a qualquer outro deus.
Assenti me retirando, eu não queria estar envolvida nisso.
POV Isa
Estava jogada em minha cama, assistindo Harry Potter. Voldemort, tio Voldy estava prestes a matá-lo, ou não, quando minha porta se abriu de repente. Apolo.
– Oi, criança — ele disse, sorrindo.
– Oi, pai — respondi, não retribuindo o sorriso.
– O que aconteceu, pequena? — ele sentou ao meu lado.
Contei. Tudo. Cada detalhe.
No final ele estava com um sorriso no rosto, e aquilo me deu medo, pois conhecia muito bem aquele sorriso. Era o meu, o mesmo que eu fazia quando...
– Tive uma ideia brilhante — anunciou.
– Ai, não... Já falei que tenho medo das suas ideias brilhantes?
– Todos têm. — murmurou.
Rolei os olhos. Aquilo não era legal quando você, aparentemente, estava diretamente envolvida no plano.
– Pois bem — revirei os olhos — Me conte.
– Bom... — Papai explicou tudo, cada detalhe, e no final, quem estava sorrindo era eu.
– Bom, tenho que admitir. — gargalhei — Essa ideia é realmente genial.
POV Atena
Mesmo depois de anos, eu ainda não conseguia aceitar Luisa com aquele filho de Hermes. Afrodite vivia dizendo que eu não era capaz de identificar o amor, especialmente por ser impossibilitada de senti-lo.
Mas eu simplesmente não conseguia olhar para Luisa e pensar que ela estava namorando com um reles filho de Hermes... Ela tinha chances para conseguir coisa melhor...
Afrodite certamente me xingaria se ouvisse isso, mas quem se importa? Se tem alguém que sabe o que é o melhor para a minha filha sou eu.
Eu já havia tentado de tudo para separá-la dele. Chace, Carl, todos iniciados com a letra "C" claro, pois achei que era de sua preferência, assim como cabelos loiros e olhos azuis. Mas, mais uma vez, me enganei. Não deu nada certo. Mas enfim, agora eu tenho que ter atitudes drásticas. Precisa ter sangue? Vai ter.
POV Connor
– Não, Connor, Sr. D não está no Olimpo. Se estivesse, nós saberíamos.
– Então manda alguém visitar a Rachel e sair em uma missão, pronto. — murmurei. Aquela reunião já estava me deixando entediado.
Quíron suspirou.
– Tudo bem... Mike, escolha mais três e vá ver o oráculo. — falou, olhando para o filho de Ares. Tentei conter o riso. Mike em uma missão? Aquilo não resultaria em uma coisa boa...
– E... Eu ? — o garoto gaguejou com um sorriso bobo no rosto.
Gargalhei.
– Bom Quíron, estou me retirando — avisei enquanto ia em direção ao meu chalé.
Passando em frente ao chalé de Atena, me deparei com alguém que eu não imaginava ver tão cedo, e olhei para o outro lado, indo direto para dentro do chalé. Quando ele tinha aparecido ali? Agora o modo estranho que Luisa estava agindo fazia todo o sentido.
– Você? — Ele me perguntou.
– É, acho que sim — fiz uma careta — O que faz aqui?
– O mesmo que você — ele me respondeu com frieza.
– Está aqui pela Luisa? — perguntei, rindo.
– Q... Que? — me perguntou gaguejando.
– Você disse que está aqui pelo mesmo motivo que eu, e meu motivo é a Luisa... logo se subentende que...
Ele arregalou os olhos. Só ignorei-o e fui para o meu chalé, me jogando na minha cama e olhando para o teto. Luisa certamente já havia bolado um plano para aquilo e, confesso, eu estava com medo.
Na verdade, a parte mais assassina do nosso grupo eram mesmo as mulheres. Impressionante como uma mulher pode ter uma mente psicopata... E quando queriam, arrumavam os melhores planos para conseguir. Nós participávamos, claro, mas quem mais se deliciava com as mortes eram elas. Mortes, sim. Na maioria das vezes, havia mortes.
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