Too Many Humans
1 Olá, vida nova!
Planeta Terra, único planeta habitado no universo, lar de todos os seres. Desde o inicio, o crescimento da população mundial era algo aparentemente normal. Nos meados dos anos de 2011, havia 7 bilhões de habitantes. Em um pouco menos de 100 anos, esse número triplicou, chegando a 20 bilhões no ano de 2095. O crescimento desenfreado da população gerou conseqüências, que infelizmente, não foram nada boas.
O ser humano pode ter sido o começo, porém ele mesmo pode gerar o fim. Mas antes de chegamos ao fim, vamos entender o porquê de tudo ter ficado um verdadeiro caos.
Meu nome é Mike, tenho 22 anos e sou biólogo. Na verdade biologia marinha era minha grande paixão, depois da minha namorada Ana. Morava em Nova York, cidade que nunca para, e adorávamos aquele clima de correria. Estava me preparando para pedir Ana em casamento assim que ela voltasse de viagem. Ainda me lembro daqueles olhos castanhos, aquele cabelo negro e a pele macia. Ana tinha 21 anos e era pedagoga, adorava crianças, e assim como eu, amava a sua profissão.
Era uma manhã quente, e o despertador tocou as 06h00. Acordei e olhei para Ana que estava deitada ao meu lado, e disse:
- Acorda amor! Precisamos ir para o aeroporto, se não você vai perder o vôo.
Ela abriu os olhos lentamente e respondeu:
- Ta bom! Vá buscar o café enquanto eu me arrumo.
Sai do apartamento e me dirigi a um café que ficava no final da rua. Chegando lá, pedi dois cafés pequenos e rosquinhas. Enquanto esperava o meu pedido, pude ouvir as noticias em um telejornal:
“A escassez de alimentos é um assunto preocupante atualmente. Pesquisadores dizem que falta incentivo do Governo para estudo de novas técnicas de melhor aproveitamento dos alimentos...”
Isso era um assunto que havia sido discutido durante décadas, mas cá entre nós, perante tantos outros problemas, este era um dos que todos menos davam importância.
Sai do café e voltei para o apartamento. Quando entrei na sala, as malas de Ana já estavam por todo o lado.
- Ate que enfim Mike. Vamos ter que comer no taxi, se não vou perder o vôo – disse ela colocando os brincos.
- Calma, vai dar tempo. Falando nisso, você volta logo né? – perguntei.
- Vou ficar por 15 dias, ou pelo menos até minha mãe melhorar um pouco. Depois que tiveram que internar ela, acho melhor eu ir até lá.
- Mande lembranças a ela, e peça desculpas por eu não poder ir. – disse eu tentando explicar minha ausência
- Tudo bem amor, ela vai entender. E além do mais, Londres é logo ali do lado, qualquer coisa é só aparecer por lá! – disse ela rindo
Eu olhei para ela em tom de deboche e a abracei.
- Quando você voltar vai ter uma surpresa. – disse eu cochichando em seu ouvido — E não se preocupe, eu não estou te comprando para voltar logo.
Ela sorriu e respondeu:
- Espero que você finalmente tenha mudado de idéia e compre um cachorro.
Nesse momento eu apenas sorri para ela, imaginando como ela ficaria sabendo que era algo bem melhor do que um filhote de cachorro que ela tanto queria. Logo fomos avisados que o taxi havia chegado, então descemos e seguimos rumo ao aeroporto. Fomos conversando durante todo o caminho, e logo chegamos.
Confesso que não queria que ela fosse para Londres, mas entendia o fato da mãe dela estar doente e ela querer ficar mais próxima. Resolvemos tudo e ficamos esperando pelo vôo dela. Então chamaram o vôo. Enquanto acompanhava Ana até o portão de embarque, disse:
- Juízo tá? Quando chegar me avisa. Volta logo, por favor!
- Sim senhor! –disse ela rindo- Quando eu voltar acho bom meu peixe ainda estar vivo, porque se não, alguém vai dormir lá fora.
Rimos juntos. Quando chegamos ao portão de embarque, eu a abracei bem forte, e senti algo que eu não consigo explicar, uma sensação de medo, mas talvez fosse só saudades adiantada, e não dei muita importância.
- Volte logo para mim! –disse passando a mão pelo seu rosto
- Eu sempre volto para você, sempre estou com você. Mesmo longe — disse ela antes de me beijar.
Então, ela embarcou. Na minha cabeça eu pensava: “Agora é só esperar quinze dias até ela voltar, e pedi-la em casamento. Só preciso esperar mais um pouco”. Hipócrita era eu de ter pensado assim. Naquele momento eu senti algo estranho, poderia ter pedido para ela ficar, eu teria pedido, eu devia ter pedido se soubesse que depois daquele dia, minha vida mudaria completamente.
Fale com o autor