Too Crazy for the Money
2 Diversão & Humilhação
Notas iniciais
Eram três da manhã, o céu estava verde e as nuvens estavam a desfazer-se, todos dançavam. Sim: Todos dançavam e cantavam o tema do High School Musical e, de repente, eu? Apareço vestido de coelhinho cor-de-rosa?! Mas que merda é esta??!!!!
Ele abriu os olhos, ainda ensonado e sentindo-se exausto.
“O que é que acabou de acontecer?!”
– Então Shikamaru, cansado depois de teres dormido três horas seguidas? – Shikamaru bocejou e esfregou os olhos.
– Três horas…? – De repente, Shikamaru abriu os olhos e começou a olhar para todos os lados, espantado: estava dentro de uma limusine. – E-Espera lá, nós não estávamos no avião a caminho de Konoha?
– Dizes bem: estávamos. – Respondeu-lhe um rapaz ruivo a seu lado. – Tivemos de te carregar para dentro da limusine-táxi, porque tu não acordavas de maneira alguma. Já estamos em Konoha, seu desgraçado maldito.
Shikamaru endireitou-se no banco do veículo e olhou para o ruivo: tinha ombros um tanto largos e músculos causados pelo exercício feito no ginásio, cabelos castanhos muito escuros, quase negros tal como os seus olhos, atados num rabo-de-cavalo e pele de uma tonalidade um tanto branca, já que ele quase nunca saía de casa; preferia ficar a dormir ou a jogar xadrez no seu portátil. O rapaz a seu lado tinha o mesmo formato do corpo dele, cabelos cor de fogo, de um vermelho bem escaldante e olhos verdes:
– Um belo desgraçado maldito me sais-te tu, Gaara. Aliás, vocês todos! – Reclamou, olhando para os amigos que se riam baixinho e disfarçadamente: Sasuke, um rapaz esbelto de cabelos e olhos negros, Naruto, um loiro deslumbrante de olhos azuis e profundos, Neji, o belo moreno de cabelos compridos e olhos azuis pérola, e Gaara, que também se ria.
– Nós não temos culpa de dormires como uma pedra…
– Não estou a falar disso! Ah, mãe do céu! Porque é que raio vocês me obrigaram a vir para este sítio? Já não me odeiam o suficiente?
– Claro que não te odiamos, se não já terias ido janela fora quando estávamos no avião.
– Sim, até o Sasuke fico maluco contigo, Shikamaru! – Exclamou Naruto, com um daqueles sorrisos bem perfeitos.
– Não exageres, seu palerma! – Começou Shikamaru. – O Sasuke é um dos tipos mais calmos que eu conheço…
– Posso ser calmo, mas isso não me impedia de te lançar o meu copo com sangria em cima: tu ressonas que nem um comboio!
– Tu lançaste-me sangria?
– Ele bem tentou, — Disse Gaara com uma expressão divertida. – Mas ali o Neji conseguiu pará-lo antes do nosso Uchiha barra homem-que-precisa-urgentemente-de-sexo te deixar noutra bela alhada.
– A sério, Neji? Não sabia que te importavas assim tanto comigo. Obrigada...
– De nada.
– Ei! Como assim eu preciso de sexo? – Sasuke reclamava.
– Poupa-me Sasuke, toda gente sabe que só tens esse mau feitio por causa da falta de sexo de boa qualidade.
– E até parece que o menino tem muita experiência nisso.
– Chega! – Gritou Neji. – Se me vão deixar com dor de cabeça, por favor que a razão não seja sexo.
– Só dizes isso porque nunca tiveste uma namorada de jeito.
– O q-
– É verdade, agora lembro-me que foste o único de nós que ainda não beijou ninguém! – Disse Naruto um pouco alto demais.
– Naruto! – Neji corou até ficar vermelho como um tomate: apesar de ser um homem distinto e esbelto, não era do tipo de ficar a olhar para as raparigas. Shikamaru, apesar de achar as mulheres problemáticas, dava-lhes atenção e até mesmo Sasuke fazia um pouco de flirt, quando achava a rapariga em causa bonita, mas ele não. Acima de tudo, Neji é um futuro homem de negócios que iria trabalhar no ramo secundário do banco que pertencia à sua família. Pelos rumores que ouvira, a futura administradora do ramo principal não era propriamente a melhor, por isso, Neji esforçava-se para conseguir subir na carreira. – Bem, na realidade também não sei como me conseguiram convencer a deixar de residência para vir morar com vocês. Como é que se chamava o hotel onde vamos viver?
– Chama-se… bem… tinha um nome comprido… hum…
– Naruto, fizeste a reserva num hotel desconhecido?
– O que foi?! Uma pessoa já não pode se esquecer de alguma coisa?
– Naruto, com essa tua memória até me espanta que te lembres do teu próprio nome. – Disse Sasuke. Depois dirigiu-se a Neji. – O hotel chama-se Aurora’s Resort SPA Hotel…
– Vêm? Eu disse que era comprido!... Comprido e complicado.
– Complicada é a tua cabeça, meu grande idiota. – Disse Shikamaru a Naruto com um sorriso em tom de desfio.
Aqueles pequenos insultos eram já parte da rotina daqueles rapazes. Aliás, já se conheciam desde crianças e gostavam daqueles mini desafios que lançavam uns aos outros.
O veículo virou a esquina e eles olharam para as janelas escuras: lá fora estava o edifício enorme onde iriam viver; não que já não tivessem habituados às grandezas e ao luxo. Pensado bem, tudo aquilo era por pura e simples diversão.
Saíram do veículo e esticaram bem o corpo: depois de tanto tempo dentro de um avião e mais uns minutos dentro de uma limusine-táxi não era muito cómodo. Haviam umas raparigas ao fundo junto de outra limusine que falavam aos berros, reparam os rapazes. Elas olharam de lado para eles, mas continuaram a sua conversa:
– Ei Shikamaru, — sussurrou Gaara ao ouvido do moreno. – para onde é que estás a olhar? – Shikamaru deu-se por si a olhar para as raparigas por isso virou a cabeça bruscamente para a frente.
– Para nada.
– Dá-se para ver perfeitamente que estavas a olhar para a loira de blusa rosa.
– Obviamente que não estava.
– Pois não, não estavas: estava a olhar para o traseiro.
– Gaara, para de ser pervertido de uma vez. – Shikamaru estivera a olhar, mas qual era o mal?
“É normal, certo? Afinal, já sou um homem feito e tenho olhos…
Além disso, isto do mudarmo-nos para um hotel não era supostamente
para arranjarmos diversão?”
Shikamaru pensava nisso e a sua cara ia ficando cada vez mais vermelha. Enquanto isso, Gaara apenas sorria maliciosamente.
Decidiram ir dar uma volta pelas instalações antes de irem para os quartos. O primeiro lugar para onde se dirigiram foi para a piscina: todo aquele ambiente era relaxante e exótico, o que agradou a todos. Foram ao bar para beberem algo e acabaram por notar que o empregado não tinha lá muito bom aspeto… Começaram a comentar entre eles esse facto:
– Foi a Ino que lhe deu uma tampa… — disse uma voz doce e penetrante que rompeu o murmúrio dos jovens. Era a loira de antes, concluiu Shikamaru. Só que agora, ela não tinha a blusa e agitava na sua mão um copo de pina colada. — … à frente de toda a gente.
– Parece que temos uma informadora. – Disse-lhe Shikamaru em tom de desafio.
– Só pareço ser uma informadora porque vocês não sabem ser discretos.
– Não estávamos com a intenção de sermos discretos num lugar como este, mas obrigada. – A loira devolveu-lhe um sorriso meio amargo.
– O meu nome é Temari e esta aqui é a Tenten. Vivemos cá com algumas amigas. – Temari passou o braço delgado pelos ombros da rapariga a seu lado. Era morena de olhos castanhos-escuros e com um ligeiro bronzeado. Neji olhou bem para ela: para as suas mãos delicadas e unhas pintadas de verde marinho; para as suas pernas esguias; para o biquíni azul-escuro às circunferências brancas; para os olhos doces que se esforçavam para serem sedutores. Seria capaz de se apaixonar por ela? Não. Neji era um homem de negócios e não iria deixar-se levar por algo tão simples como aquilo. Era um homem com quase de vinte anos e podia ter opinião na matéria. Sim, ele apenas achara engraçado o facto de a morena ter o cabelo amarrado em dois coques.
“Tenten…”
Murmurou para si.
Os rapazes decidiram também entrar naquele jogo:
– Vocês também moram cá? Fixe! Nós começámos a vier cá hoje. O meu nome é Naruto!
– Naruto? Aquele futebolista dos Red Revenge? – Era a primeira vez que se ouvia a voz de Tenten: suave mas sensual.
– Exatamente, linda. – Naruto sorriu ao ser reconhecido.
– O meu nome é Sasuke, prazer. – Apresentou-se o de olhos negros num tom casual. Os olhos castanhos-escuros de Tenten foram-se encontrar com os claros de Neji, e o rapaz teve de exercer um enorme controlo sobre si para não se dar ao luxo de estremecer perante todo aquele pequeno mundo à sua frente: ela esperava por ele e pelo seu nome.
– Neji... Chamo-me Neji. – Disse um pouco friamente sem se aperceber. A morena sorriu-lhe interessada e ele acabou por oferecer-lhe um pequeno sorriso.
Tenten controlou-se ao máximo por não se derreter com aquele “presente” meio escondido. Ele parecia ter um ar frio e insensível, mas a morena sentiu-se radiosa por ter-lhe arrancado aquele pedaço de céu do seu coração, certamente calculista. Sorriu-lhe meiga e timidamente, esquecendo-se que pretendia ser sedutora e sensual. Neji reparou nisso e sentiu-se como um vencedor.
– E o moreno ali? – Perguntou Temari, olhando-o fixamente.
– Eu? – Fez um ar de espantado só para irritá-la. – Eu chamo-me Shikamaru… — Lançou-lhe um ar desafiante, mas a loira ripostou. Aquilo havia de ser interessante, concluíram os dois para si.
– E o ruivo? – Ouviu-se alguém a perguntar. Era uma rapariga estonteante de cabelos loiros claros e olhos azuis.
– Gaara. – Respondeu-lhe o mesmo.
– Interessante… O meu nome é Ino. – Na mente dos rapazes fez-se uma luz.
– A rapariga que deu a tampa ao empregado do bar? – Continuou Gaara.
– Exatamente. Vejo que a minha fama já está nas bocas de toda a gente, mas não sou de me gabar… Aliás, a culpa foi totalmente dele e-
– Acho que se ele não viesse ter contigo, ias tu ter com ele para o brutalmente o deixares pior. Na minha opinião é uma mistura de egoísmo com ego demasiado elevado. – Concluiu o rapaz com um olhar frio: aquele não era o seu tipo de rapariga, com o egocentrismo a deixar-se sobressair; preferia as calmas e não as que se faziam de importantes para o serem.
Já a loira não achou piada nenhuma. Nunca tinha sido insultada assim: mesmo que não fosse o tipo de rapariga ideal para o rapaz em causa conseguia o respeito e admiração que queria. Mas aquele idiota estava a tentar mandá-la abaixo e ver os seus limites, algo que jamais deixaria acontecer. O seu olhar mudou de sedutor para furioso: aquilo não era mais do que uma simples humilhação...
Continua…
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