Too Close
11 Give Your Heart A Break
Notas iniciais
POV – Rose Weasley
Caminhava lentamente pelos corredores da escola com Lily e Dominique em meu encalço. As pessoas me observavam e riam, coisa que me deixava cada vez mais confusa. As minhas primas também viam o comportamento das pessoas e achava estranho.
— Porque todo mundo tá olhando pra mim? – eu questionei à elas, passando por mais um grupinho de meninas que eu ouvi ter me chamado de “corna”. – E onde está o Scorpius?
— Rose. – Albus disse atrás de mim e eu o olhei, curiosa. Seu semblante mostrava decepção e receio. Logo eu fiquei preocupada. – Precisamos conversar.
— Que cara é essa, Potter? – tentei usar seu sobrenome em tom brincalhão, em vão. Meu tom já mostrava total aflição. – Vai, fala. O que tá acontecendo? Viu o Scorpius por aí?
— Scorpius... – ele começou, pude notar que ele não queria falar. Fiz um aceno com a cabeça para que continuasse. – James me disse que o viu sair da festa agarrado à Catarina. Aparentemente bêbado.
— Que absurdo, Albus. O dia da mentira já passou. – eu disse, sentindo a aflição se apossar de mim. Já não podia mais fazer brincadeiras. – Você tem certeza disso, Albus?
— Se quiser, pode ver com seus próprios olhos. – ele continuou. Senti meu coração acelerar e os olhos marejarem. Albus me acompanhou até o dormitório masculino da Sonserina, e eu caminhava lentamente, tentando adiar o que eu veria a seguir. Finalmente cheguei ali. A única coisa que me separava da verdade era uma porta.
— Rose. Você está bem? Quer continuar com isso? – eu assenti. Se eu teria que saber uma hora, que fosse agora. Albus abriu a porta do dormitório lentamente, revelando a cena. Scorpius e Catarina estavam deitados na cama, aparentemente despidos. Cobertos apenas com um lençol. Meus olhos se marejaram e eu senti uma estranha vontade de sair correndo dali. Mas a raiva que me invadia por dentro me fez chegar mais perto do casal.
— Scorpius. – eu chamei pausadamente, ele parecia estar em uma espécie de sono profundo. Em outras circunstâncias, poderia jurar que estava desmaiado. Minha voz estava baixa e embargada por conta do choro que ia e vinha. Respirei fundo novamente e tirei todas as forças que eu tinha em meus pulmões para gritar. – SCORPIUS!
Scorpius acordou, assustado. O lençol ainda cobria a ele. Catarina se levantou, igualmente surpresa. Ao me ver, Catarina sorriu maliciosamente enquanto colocava a outra metade do cobertor cobrindo seu corpo completamente despido. O Malfoy ainda me olhava estático, e eu tentava tirar forças de algum lugar para começar a falar.
— Scorpius? – ele continuou me olhando, quase suplicando para que eu deixasse-o se explicar. – Então era verdade... você esperou a primeira chance de eu me afastar, se embebedou e na primeira oportunidade dormiu com a Brown?
— Rosie, eu não... – ele começou, alternando o olhar de mim para Catarina. Fincou o olhar raivoso na morena ao seu lado igualmente despida. – O que fez comigo, Brown?
— Eu? Não seja bobo, Scorpius. Tudo o que foi feito por você noite passada foi feito de livre e espontânea vontade. – ela continuou, sorrindo maliciosamente. Scorpius voltou a olhar-me.
— Rose... por favor, deixe-me explicar. – ele disse, enquanto a morena se colocava atrás do loiro, inalando o cheiro que exalava de sua nuca.
— Não há nada para ser explicado, Scorpius. – Catarina se pronunciou, beijando o pescoço do Malfoy. – Nós dormimos juntos, você traiu sua namoradinha. Fim.
Saí de lá sem pedir mais explicações. Scorpius não tinha nada a dizer, nem mesmo eu. Catarina havia dito o suficiente.
— Foi isso? – Dominique questionou, enquanto eu contava o ocorrido de três semanas atrás. – Você deixou que a vadia da Brown se explicasse pelo Scorpius? Não tem noção do quanto ela pode mentir e inventar?
Estávamos em meu quarto. Faziam três semanas que eu e Scorpius não nos víamos desde o ocorrido. Ele continuava a me escrever cartas tentando se explicar. Eu conversava com Lily, Dominique e Roxanne no quarto. Roxy era tão nossa amiga quanto nós três. Por ela ser um ano mais velha, terminou Hogwarts antes de nós. Namorava Albus e até tentou terminar o relacionamento por saber que teriam que namorar a distância, já que o Potter ainda não havia terminado o ano. Mas este a convenceu a ficar com ele. E havia dado certo.
Ouvi batidinhas insistentes na janela de meu quarto. Roxy olhou com curiosidade, assim como eu, vendo uma coruja bater as patinhas na janela do quarto. Era Star, a coruja de Scorpius. Isso significava outra carta. Tirei o envelope das patas de Star, enquanto a observava voar novamente até o dono. Abri a carta num impulso, por curiosidade.
Rose,
Sei que ler uma carta minha no momento é a última coisa que deseja fazer, mas eu preciso disso. Precisamos conversar. Por favor, me deixe explicar o que aconteceu aquela noite. Espero sua resposta.
Com amor,
Scorpius.
— Incendio.— proferi as palavras com raiva diante da carta em minha frente. As três meninas me olharam, assustadas. Devia ser a quarta ou quinta carta que Scorpius me enviava. E eu ignorava.
— Rose, isso é exagero. – Roxy se pronunciou. Eu a olhei, incrédula. – Digo, deixe-o se explicar, pelo menos.
— Gente, não é óbvio? – Lily disse, com tanta raiva quanto eu. – O idiota do Malfoy bebeu demais aquela noite e dormiu com a Catarina. Fim da história. Rose faz mais do que certo em ignorá-lo.
— Não põe mais lenha na fogueira, Lily Luna. – Dominique e Roxy disseram ao mesmo tempo, ao que a ruiva correspondeu ao revirar os olhos. Eu abaixei a cabeça, olhando as várias cartas de Scorpius queimadas no chão. Era trágico que algo como o que eu e ele tínhamos acabasse dessa forma. Scorpius e eu éramos confidentes. Ele me protegia, eu o protegia. Nós amávamos, sempre nos amamos. Pelo menos eu acreditava que ele me amava. Mas, depois de vê-lo numa cama completamente despido ao lado de sua ex-namorada, eu não tinha mais certeza se sabia o que era amor.
**************
POV – Catarina Brown
— E então? – Olívia questionou, assim que entramos em meu quarto. Eu sorria abertamente, ainda lembrando do ocorrido de três semanas atrás. – O plano...?
— Eu só te deixo entrar em minha casa, Wood, porque...
— Porque você não tem outra pessoa que compactue com esses planos malucos sem dizer nada, Brown. – ela retrucou antes que eu pudesse completar a frase. – Agora diga. Como se saiu?
— O GHB funcionou divinamente. – eu comentei, olhando para a penteadeira repleta de produtos de beleza e maquiagens. No meio delas, havia o mesmo vidrinho que eu carreguei por dias pelos corredores de Hogwarts. – Scorpius apresentou todos os sintomas que a droga proporcionava. De quebra, ele ainda achou que eu fosse Rose.
— Onde conseguiu isso, Brown? – ela questionou, desconfiada. – Pelo o que sei, essa droga é bem rara. Vendida por um preço caríssimo.
— Conheço um cara. Ele tinha uns contatos no mercado negro, conseguiu pra mim um bom preço no GHB. – eu comentei, sorridente. Logo assumi uma postura diferente e a encarei, desconfiada. – Porque quer saber de tantas informações, Wood? Vai me entregar?
— Eu não tenho nada a perder com isso, Brown.
— Você não é capaz. – eu sorri, irônica. Vi Olívia se aproximar sorrateira e disfarçadamente da penteadeira onde se encontrava o GHB. – Você não pode fazer isso, Wood.
— Você é louca, Catarina. Louca. Não pode culpar os outros pela sua vida miserável. Por não ter um pai. Por ter uma mãe que desejava que você estivesse nascido morta! – ela vociferou. Eu a olhei, assustada.
— Cale essa boca, Wood! – mantive o mesmo tom de voz que ela. Olívia sorriu, irônica.
— Se a sua felicidade é ver os outros infelizes, Brown... – ela continuou, agora parada na frente da penteadeira onde o veneno ficava. – Eu sinto pena de você.
Avancei em direção a ela, mas era tarde demais. Olívia havia aparatado. Olhei para o lugar onde o frasquinho ficava, me deparando com um local totalmente vazio.
— Desgraçada.
**************
POV – Olívia Wood
Aparatei em frente a casa dos Weasley, respirando fundo antes de chegar próximo a porta. Criei coragem para tocar a campainha. Logo, apertei o botão, no aguardo de que alguém viesse atendê-la. Não demorou muito para que uma mulher aparentemente jovem, de cabelos e olhos castanhos, abrisse a porta. Devia ser mãe de Rose.
— Olá! – a mulher disse, sorrindo, mas curiosa por me ver ali. – Posso ajudá-la?
— Desculpe, não nos conhecemos. Você deve ser Hermione Weasley, certo? – eu questionei, enquanto a mulher assentia positivamente com a cabeça. – Sou Olívia Wood. Sou amiga de sua filha.
— Ah, sim. Entre, querida. – ela disse, sorrindo ternamente. – Vou chamar Rose.
A mulher subiu as escadas rapidamente, provavelmente dirigindo-se ao quarto da filha. Eu continuei a observar a casa. Sabia que estava traindo Catarina, mas eu não tinha nada a perder com isso. Ela tinha ido longe demais. Havia usado de uma droga para dopar alguém. “Gotas de amor” era uma droga bastante usada. Porém somente as que podiam usufruíam desta. Era bastante cara e só encontrada no mercado negro. Era como uma espécie de poção do amor avançada. Era uma droga completamente ilícita. Catarina seria expulsa se soubessem que ela sequer carregava isso pelos corredores de Hogwarts.
— Wood? – ouvi a voz de Rose atrás de mim e pude vê-la parada no meio da escada, olhando-me. – O que faz aqui?
— Rose, precisamos conversar. – eu pedi. A ruiva apenas assentiu e voltou a subir as escadas. Eu a segui, chegando em um quarto que continha seu nome pendurado em uma plaquinha azul na porta. Rose abriu, revelando três garotas que me olharam assustadas.
— Wood? O que essa vaca está fazendo aqui? – Dominique questionou, tentando avançar contra mim. Levantei as mãos em sinal de rendição.
— Wow, Weasley. Calma. Eu vim aqui ajudar. – eu disse, e me voltei para Rose, séria. – Rose. Preciso que Scorpius venha aqui. Ele precisa saber disso tanto quanto você. Tem como mandar uma carta pra ele?
*************
POV – Scorpius Malfoy
— Espera aí. Você ficou bêbado e acabou pegando a Catarina achando que era a Weasley? – Peter perguntou novamente, eu revirei os olhos. Albus deu um forte tapa na nuca do Zabine.
— Não estava bêbado. Catarina deve ter algo...
— Boa noite Cinderela. – Albus comentou, eu o olhei, confuso. – É uma droga bastante utilizada se quiser deixar a pessoa no estado em que você ficou.
— Cara, não lembra de nada suspeito que tenha acontecido antes disso? – Peter questionou.
— Bom, eu lembro de.... – de repente lembrei-me de um fato importante. – Um barman da festa deu-me uma bebida a pedido de alguém que não quis ser identificado. Depois disso... lembro apenas de ter levado Catarina ao meu dormitório, achando que era Rose.
— Bingo, Scorpius! – Peter sorriu, assim como Albus. – Catarina colocou algo nessa bebida.
— Preciso falar com Rose. – eu disse, pegando um casaco por conta do frio que fazia nas ruas aquele dia. Albus pôs as mãos na minha frente, me impedindo.
— Ah, nem vem, Malfoy. Rose está furiosa com você. – o Potter disse. Logo ouvi batidas insistentes na janela de meu quarto e vi a coruja de Rose com uma carta pendurada em suas patinhas. Tirei a carta dali vendo a ave levantar vôo novamente. Abri a carta com cuidado, ansioso para o que ela diria. Fazia semanas que eu tentava contato e era completamente ignorado.
— Rose disse que precisamos conversar. Urgente. – eu disse, guardando o envelope no bolso do casaco e fechando os olhos ao visualizar a casa de Rose. Senti o incomodo puxão de sempre e aparatei.
*************
POV – Catarina Brown
— Parabéns, Brown! – Luke disse assim que entrou em meu quarto. O puxei para mais perto, beijando-o ardentemente. O moreno sorriu entre meus lábios. – Vamos comemorar?
— Com toda certeza, querido. – eu disse, o envolvendo pela nuca novamente e beijando-lhe os lábios. Puxei sua camisa para fora enquanto este fazia o mesmo com as minhas vestes. Luke me jogou na cama com agressividade. Sorri diante da sua pressa.
Logo, o quarto estava coberto de risadas e gemidos.
***
Abri os olhos com dificuldade. Era noite, tateei a cama para encontrar Luke mas tudo o que achei foi o seu perfume que exalava dos lençóis. Logo, a porta do quarto foi aberta revelando um Luke sorridente, que trazia uma grande bandeja de alimentos. Sorri diante da visão. Parecíamos um casal de marido e mulher. Mas éramos apenas cúmplices.
— Assim você me deixa mal acostumada. – eu disse, quando ele pôs a bandeja sobre a cama. O beijei novamente, porém, algo um tanto inusitado aconteceu. Me separei de Smith, sentindo o estômago embrulhar. Tive tempo apenas de correr para o banheiro e colocar pra fora toda a refeição de mais cedo. Luke olhou-me da porta do banheiro, desconfiado.
— Droga. Deve ter sido alguma coisa que eu comi. – eu comentei, voltando para o quarto.
— Catarina, quando você e Scorpius ficaram na noite da festa, vocês...
— Transamos? – eu disse, Luke me olhou assustado. – Como se a palavra lhe assustasse, Smith. Não se faça de inocente. Mas respondendo a pergunta. Sim, nós transamos. Porque?
— Poção anticoncepcional, Catarina. – ele me lembrou. Eu arragalei os olhos, preocupada. Merda. – Você tomou, não é?
— E se eu te disser que não?
*************
POV – Scorpius Malfoy
— Então, o que aconteceu? – eu perguntei. Estávamos no quarto de Rose. Eu, ela, Lily, Dominique, Roxanne e Olívia Wood, da qual eu ainda não havia entendido a presença.
— Olívia quer nos dizer algo. – Rose disse, evitando olhar pra mim. – Diga, Olívia.
— Scorpius, eu sei exatamente o que Catarina fez com vocês. – ela começou, despertando minha curiosidade e de todas as meninas ali. – Sabe o que é isso? – ela ergueu um pequeno frasquinho da bolsa que carregava. – GHB, mais conhecido como “gama-hidroxiburetano” ou “gotas de amor”, é uma droga ilícita. Vendida a preço caro no mercado negro. Foi isso que Catarina colocou na sua bebida, Scorpius. – ela disse. Rose arregalou os olhos. – Ela conseguiu isso através de contatos que tinha que a conseguiram por um preço aceitável. – eu continuei a observar o frasco em suas mãos. – Veja bem, Scorpius, quando eu lhe pedi para não beber aquela bebida na festa, era porque eu sabia que Catarina havia envenenado.
— E o que você ganha com isso? Nos contando isso? – Roxanne interveio.
— Nada. Mas também não tenho nada a perder. – ela retrucou, olhando diretamente para Rose. – Rose, Catarina sempre teve inveja de você. De sua família, do seu melhor amigo. – ela continuou, olhando rapidamente para mim e logo voltando a atenção para ela. – Ela nunca foi feliz com a família, a mãe e ela vivem brigando, ela nunca conheceu o pai. Eu sei que é tudo muito difícil, mas não justifica o que ela fez.
— E... naquela noite, Olívia. – eu me pronunciei pela primeira vez ali. – Eu alucinei. Achei que Catarina fosse Rose.
— Podia ser efeito das drogas também. Catarina deve ter tirado proveito disso.
— E o que faremos? – Rose questionou.
— GHB é uma droga ilícita, Rose. – ela disse, mantendo sua atenção na ruiva ao meu lado. – Se entregarmos isso a McGonagall ela vai expulsar Catarina sem pensar duas vezes. Se vocês querem se livrar dela tanto quanto eu, vamos precisar nos ajudar.
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