Tons
1 Capitulo 1 ¤
Notas iniciais
- Mai
Olhava o sol pela janela quando a ouvi entrar. Conhecia o som dos seus salto altos batendo contra o chão. Já ouvira aquele som milhares de vezes.
- Vamos — disse ela como se fosse simples, afinal era uma única palavra. Mas para mim não era tão fácil assim. Parecia oca, sem sentido e sem pureza. Uma única palavra pensei.
Somos feitos de palavras e sentimentos. Cada um tem a sua combinação, a minha é uma pequenina sombra no mundo.
Sem vida, essa é a palavra.
- Anelyta se mova! Não temos tempos para isso. Você não tem tempo para isso — bem... mais palavras ocas, mais vazios. É simples? Porque para ela é simples? Não entendo na verdade — Está me ouvindo Anelyta?
- Sim — foi a única maldita palavra vazia que fazia sentido naquele momento, a única que conseguia ser pronunciada sem choro e sem tristeza. Apenas vazio... — Sim estou.
- Então não haja como se não tivesse ouvido tal. Vamos.
Queria acordar agora se possível, pensei. Mas já estou acordada e esse é o problema. Eu não quero ir para lá. Sempre morei em Los Angeles, desde muito sedo dizia para mim mesma que cresceria aqui e me tornaria uma boa pessoa, afinal namoraria e casaria, teria filhos e meus pais netos.
Mas não foi assim. Eu queria que tivesse sido assim. Então porque estou deixando tudo para trás? Ah sim...por que não tenho mais nada para ficar.
Nenhum motivo me prende aqui.
- O carro está a sua espera lá embaixo, suas malas já foram levadas e você será matriculada em uma nova escola. Quando chegar lá fale com o Sr. Frederick, seu novo diretor, e lembre-se nada de ligações não tenho tempo nem dinheiro para pagá-las.
- Obrigada Abigail, não será necessário.
- Assim espero Anelyta — ela pronunciou meu nome pausadamente fazendo um arrepio se instalar em minha pele.
No começo não compreendia porque ela me chamava assim, na primeira vez em que a vi e disse meu nome ela me olhou com seu olhar amargurado como uma agulha penetrante e o disse, como se fosse uma sentença. As primeiras oito semanas foram as mais difíceis. E a partir delas passei a me esconder debaixo da cama quando ouvia seus sapatos batucarem no chão a minha procura gritando: Anelyta! Porque meus chão está sujo de barro?!
Mas eu sabia que não era eu, eram as outras crianças do orfanato que o sujavam. E até hoje ouço meu nome ser pronunciado com suas letras vazias ditas por Abigail.
Mas nunca mais vou ouvi-lo assim. Porque hoje eu vou embora, uma nova casa, um novo lar.
Fale com o autor