Tons
7 Capítulo 7 ¤
Notas iniciais
Um dia Nãna estava regando as flores do pequeno jardim e eu resolvi ajudá-la. Queria aprender a deixar as flores bonitas e cheirosas para mostrar ao seu Pedro que eu também podia ter um vasinho perto da sua cesta de frutas.
No final do trabalho ali estavam plantadas cinco rosas e duas tulipas. Minhas mãos haviam ficado cheias de barro e por alguma razão aquilo era bom.
A terra era fresquinha e Nãna disse que minhas mãos ficariam hidratadas mas é claro que era uma piada. Mas mesmo assim eu me sentia bem com aquilo tudo porque pequenas vidas iriam nascer dali e era eu quem as tinha plantado.
Mas quando entrei no orfanato Abigail estava lá. E penso que ela não gostou do que viu, apesar de naquela época ter apenas nove aninhos ela me bateu. Mas não foram simples surras, ela me batia com chicotes. Nas minhas costas e nas minhas mãos, dizia ela " quando você ver aquele jardim também olhará para suas mãos e nunca mais se atreverá a pisar lá fora sem a minha permissão".
Eu senti muito medo, me sentia encurralada ali. E aquele lugar não me pertencia, por algumas vezes aceitei a dor pensando ser esse o castigo por não ter meus pais. Mas no final as rosas e as tulipas nasceram e eu tive um pequeno vasinho do lado da cesta do seu Pedro.
Todas as chicotadas que levei nunca me paralisaram, não tanto quanto ouvir um gato falar. Ou saber que ele era seu motorista. Ou saber que ele cantou Queen.
–Duwock — ele repetiu
O que dizer? O que dizer quando um gato fala?
– Anelyta esse é seu protetor. Duwock cuidará de você, te protegerá de tudo o que não te quer bem — disse Venia.
–Ele fala? — ah sim que grande coisa para se dizer Ane! — Wock?
– Sim senhorita Ane. Sou seu protetor — e fez outra reverencia.
– Porque você fala?
– Sou um ser Mito. Posso me transformar em ser humano e em um animal, ao qual para mim foi destinado ser o seu gato.
– Mito? Eu não entendo. Porque? Porque preciso de um gato que fala? Porque fala?
– Anelyta não se assuste, com o tempo você irá entender a historia de Duwock. Ele é uma boa pessoa assim como um bom gato.
– Mas...
– Posso falar com Ane? — disse Wock me interrompendo.
– É claro que sim, vamos Amélia depois os veremos.
E eu as vi passar as grandes escadas e me vi seguir o gato pelo corredor.
Fale com o autor