Tomorrow's kings
2 capitulo 1 - O Ataque pt 2
Notas iniciais
Ryuuji
Olhando o céu noturno da vila fico imaginando quantas coisas mudaram em poucos anos, meu nome é Ryuuji, tenho cabelos e olhos negros e pele parda devido ao sol de onde morava, eu e minha irmã May nascemos na Grécia assim como nosso pai Cassius, mas nossa mãe Misaki é natural do Japão o que explica nossos nomes.
Poucos dias depois da mudança para Atenas por causa da calamidade quando eu tinha seis anos minha irmã nasceu e já manifestava seu dom, ela controla as plantas, todos nós também temos algum dom, minha mãe podia congelar qualquer coisa e tinha um hálito de gelo, meu pai disparava ondas de impacto pelos punhos, apesar de ser forte nosso pai acabou morto em uma emboscada por alguns rebeldes que queriam destronar o rei, mas mesmo com dificuldade e o luto nossa mãe conseguiu nos criar até eu ter uns 12 anos foi quando ela decidiu entrar na guarda real e por alguns meses ela, meu tio e vários outros conseguiram defender o palácio e trazer nosso sustento por alguns tempo, mas aí veio o golpe.
Um grupo de guerreiros rebeldes liderados por Vilxes, também conhecido como o domador, ele invadiu o palácio com várias feras e tentaram matar o rei, mas foram impedidos aos custos de vários soldados leais inclusive minha mãe e meu tio, quando ouvi o que tinha acontecido, bem... foi a primeira vez que deixei o ódio me dominar, foi nesse momento de ira e tristeza que meus poderes despertaram, eu gritei de ódio e dor com tanta força que meu grito se transformou num rugido e minhas lágrimas em descargas elétricas, escuras como uma noite sem luar, segundo Milena, só conseguiram chegar perto de mim quase uma hora depois.
Nossa mãe foi enterrada do lado do meu pai e ambos receberam honrarias de nobres, em seus túmulos suas armas foram lacradas, um par de manoplas no tumulo do meu pai e no de minha mãe suas laminas de antebraço, eu só pude ver seus caixões descendo, nem mesmo nos deixaram ver seus corpos, quase todos da família real estavam lá, até mesmo a princesa que tem mais ou menos a minha idade veio nos dar os pêsames, ao que parece ela morreu defendendo a princesa e as rainhas.
Por ter demonstrado um grande poder e como forma de retribuição aos nossos pais, o rei nos acolheu em seu palácio e sobe a tutela dele eu, May e Milena fomos instruídos, seja na leitura, seja em treino de combate, que May não participava, ou nas caçadas acompanhando como futuros guarda-costas da princesa, o treinamento foi bem pesado, como preferi usar meus próprios punhos como arma, já que é mais do que o suficiente pra mim, o general Lottos me colocou em um treino para aguentar 100 socos e chutes por hora numa árvore pau-brasil, Milena no entanto não tinha um poder que pudesse machucar o oponente, por isso resolveu treinar com arco e flecha, entretanto ela consegue parar o tempo, no começo só conseguia fazer por 1,5 segundos e só ela conseguia pensar e movimentar a cabeça enquanto o tempo está parado, mas hoje ela consegue fazer por 2,5 segundos e consegue se mover livremente, o treinamento dela era dar 200 tiros no centro dos alvos por dia e ela deveria confeccionar as próprias flechas, May no entanto começou a pesquisar plantas, venenos e remédios à base de ervas, para amplificar o que ela podia fazer, embora ela sempre estivesse brincando de fazendeira quando eu olhava, ocasionalmente encontrávamos a princesa que vinha conversar conosco fugindo da guarda pessoal dela que em sua opinião era sufocante, não que fossemos sua primeira opção, mas só havia nós da mesma idade que ela já que o irmão dela ainda era muito novo e isso durou por três anos. Acabou que nesses três anos eu e a princesa ficamos próximos demais e isso acabou virando uma fofoca dentro dos muros do palácio, até tive que dar satisfações ao rei quanto a isso.
Ao final do terceiro ano morando no palácio, durante a festa de comemoração de outono houve outro ataque e dessa vez eles conseguiram matar o rei, como fomos instruídos para caso isso acontecesse, levamos a princesa em direção aos estábulos onde pegamos uma carruagem para fugir do palácio, mas eles nos interceptaram e fomos forçados a tomar o caminho pelas montanhas onde a nossa carruagem foi explodida e derrubada por eles e caímos pelo desfiladeiro e a última coisa que lembro foi de uma enorme bola de fogo caindo conosco e o rio embaixo de nós.
Acordei de noite numa caverna com May tratando de minhas feridas, chovia muito lá fora e ao olhar para o lado pude ver Milena abraçando as próprias pernas e roendo a unha do polegar olhando fixamente para as chamas da fogueira.
—O que aconteceu? Onde está a princesa? — Perguntei me levantando lutando contra a dor que percorria meu corpo.
Milena respondeu sem deixar de olhar para fogueira — eles conseguiram, eles tomaram Atenas, acabou pra nós. — Então nós estávamos abandonados de novo se voltássemos provavelmente seríamos mortos, então um lampejo de um raio me lembrou:
—E a princesa? Ela estava comigo quando caímos. — Assim que perguntei vi as lágrimas brotando nos olhos da May e ela falou entre as lágrimas que escorriam sobre sua face.
— A-a-achamos um corpo carbonizado dentro da carruagem um pouco mais acima do rio onde achamos você, então achamos que… — ela não conseguiu terminar, mas eu já entendi o que houve, eu não soube como reagir a princípio, meu peito encheu-se de dor, diferente de quando soube de meus pais era mais forte e o pior não parava de doer e nunca parou.
Enterramos o corpo e fizemos um pequeno funeral improvisado onde deixei o capacete do que tinha sobrado da minha armadura, Milena deixou uma de suas flechas e May terminou fazendo uma muda de Menta crescer sobre a terra acima do corpo dela. Voltamos a cidade para pegar suprimentos e ir embora, claro que fizemos isso sem chamar muita atenção e com isso descobrimos que, Vilxes de dentro da prisão foi quem orquestrou tudo e agora ele se assenta no trono do rei, era a última mensagem clara nos dizendo que deveríamos sair dali.
Decidimos ir para o norte por causa de um sonho meu que mostrava riquezas e fartura em terras geladas, no caminho encontramos vários como nós que decidiram vir conosco, pessoas que perderam tudo de uma hora para a outra é agora estão a esmo, dentre eles havia Javrám,
um cara legal tem super força e era um aprendiz de ferreiro, até um dia que invadiram a forja e mataram o mestre dele e ele foi acusado como o assassino. Após muito tempo na estrada, passando por várias dificuldades nós chegamos a uma clareira onde decidimos nos estabelecer, tinha um rio cortando a floresta ao oeste, vários locais para caça, montanhas ao norte e uma cratera com uma pedra negra um pouco mais afastada da clareira, esse foi o lugar onde nós estabelecemos até hoje.
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