Tomorrow

1 Single Chapter - Tomorrow


Notas iniciais
Oi, como vai você?

Bom, cá estou eu para postar essa pequena (Ou nem tanto) One-shot. Eu já tinha ela escrita há um bom tempo, mas como eu não arranjava nenhum nome bom eu acabei deixando de postar ela, porém agora eu postei e, por mais que eu ainda não goste muito do título, vai ficar assim mesmo.

Espero que gostem e boa leitura! o/

Talvez fosse apenas um sonho, ao menos era isso que ela queria, que tudo fosse um terrível, longo e desprezível sonho, daqueles dos quais quando você acorda pela manhã a única coisa que você quer fazer é ficar perto de alguém que você gosta e esquecer dele, mas esse tipo de sonho você se lembra pelo resto de sua vida.

Por quê? Essa era a única pergunta que se passava na cabeça da garota enquanto ela corria, corria com força suficiente para suas pernas doerem, corria para um lugar onde ela sabia que encontraria algo bom.

Ela estava descalça e corria pela grama e pela terra. Tinha quase certeza que seus pés ficariam machucados por causa disso e por um milésimo de segundo se arrependeu de ter jogado seus sapatos em algum lugar no caminho, mas ela não pensava nisso no momento, apenas pensava aonde queria chegar correndo daquele jeito.

Aquela não era uma corrida de exercício nem uma corrida de desespero, como se ela estivesse fugindo de algo ou alguém perigoso, era, sim, uma corrida de fuga, mas era uma fuga da realidade.

Depois de tanto tempo correndo com tanta força suas pernas já não doíam mais, era como se elas nem estivessem mais lá, era como se a dor as tivesse anestesiado e ela não estivesse mais correndo por si só e sim sendo empurrada por alguém.

À sua frente ela viu seu primeiro objetivo se aproximando: Um estabulo, um grande estabulo.

Assim que chegou à porta de seu objetivo e entrou exasperada no local ela começou a procurar com os olhos o seu cavalo, até que o avistou no fundo, na ultima cocheira do lado direito.

Com uma estranha calma, que a poucos segundos não existia, ela foi andando até aquele cavalo totalmente negro com o pelo reluzente e a crista devidamente penteada. Ela percebeu que ele já estava encelado, como se alguém tivesse percebido que ela iria monta-lo hoje.

No momento que a garota chegou e adentrou a cocheira ela deixou sua mão deslizar calmamente pela crista e pelo corpo do animal

- Hades – Em pequeno sussurro, com se fosse um suspiro, ela deixou o nome do animal escapar e, como se fosse em resposta ao chamado da garota, o cavalo relinchou fazendo com que ela afastasse um pouco a sua mão dele em surpresa. Ela deu um pequeno sorriso e o guiou para fora da cocheira para em seguida monta-lo e sair em disparada do local.

Do mesmo jeito que ela estava correndo antes ela estava correndo agora, a única diferença é que agora ela só guiava e quem corria de verdade era Hades, o lindo cavalo preto na qual ela estava montada.

Sua mãe não gostaria nem um pouco de saber que ela havia colocado esse nome no cavalo, mas a garota apenas o nomeou assim porque quando ela o ganhou, ainda pequena, seu vô vivia dizendo que, devido a aparência dele, aquele não era um cavalo para moças como ela montarem, apesar de ter sido ele que o deu a ela, e que se ele não fosse o cavalo do cavaleiro sem cabeça, com toda certeza seria o cavalo de Hades, o senhor do submundo na mitologia grega.

O vento batia forte em seu rosto e corpo dando-lhe uma sensação maravilhosa de liberdade, alegria e felicidade.

Seu avô também costumava dizer que não fazia muito sentido uma garota tão delicada como ela, que inclusive tinha o nome de uma pedra preciosa, ter um cavalo como o Hades, mas ela não importava com isso, pois realmente amava o cavalo desde a primeira vez que o tinha visto.

Depois de mais alguns minutos nessa longa e intensa cavalgada, a garota diminuiu a velocidade até que parou perto de uma, não muito grande, lagoa que havia ali. Ela desceu do cavalo e o guiou até a água para que ele pudesse beber um pouco e descansar. Apesar de ter corrido muito e cavalgado muito a garota não se sentia tão cansada e muito menos com sede, então após Hades parecer satisfeito com a quantidade de água que havia tomado ela novamente o guiou, mas dessa vez foi para uma árvore que tinha bem próximo a lagoa.

Assim que ela chegou até lá ela amarrou a guia do cavalo à um galho mais baixo e se sentou ao lado dele com as costas apoiadas na árvore sendo logo seguida por Hades que se deitou.

A garota deu um leve sorriso com a atitude do cavalo e começou a passar a mão por sua crista e cabeça enquanto pensava em algumas coisas.

Era um fato irônico.

O nome dela era Diamond, diamante em inglês, uma das pedras mais valiosas e bonitas, a mais resistente, mas ao mesmo tempo tão frágil. Isso combinava com a garota, mais do que ela gostaria de admitir. E o cavalo se chamava Hades, o senhor do submundo na mitologia grega, mas seu correspondente na mitologia romana, ou sua forma romana como muitos chamam, é Plutão, o senhor da riqueza e das joias, e coisas valiosas em si.

Diamond e Hades.

Talvez ela devesse ter colocado o nome dele de Plutão, assim faria mais sentido, mas qualquer um dos dois que fosse ele continuaria sendo o cavalo preferido dela, além de seu melhor, e talvez único, amigo.

Esse pensamento a fez se lembrar do dia e do motivo pela qual estava correndo. Diamond nunca fora uma das pessoas mais sociáveis no mundo, era muito quieta e demorava muito para se sentir a vontade em um lugar e se soltar, por conta disso várias pessoas não gostavam muito dela, achavam que ela era metida e que falava pouco porque não queria “se misturar” com eles, quando na verdade ela apenas estava desconfortável e deslocada no ambiente.

Mas isso nunca a incomodou porque ela tinha alguns amigos que lhe eram o suficiente, pelo menos era isso que ela achava, pelo menos era assim que era tudo até hoje. O dia em que ela descobriu que tudo não passava de uma enorme mentira.

Ela fora humilhada por pessoas as quais ela nunca tinha dirigido a palavra, e talvez esse tenha sido seu erro, ela fora humilhada por pessoas que ela nunca tinha feito mal algum e ela fora humilhada por pessoas que ela considerava especiais.

A cena ainda estava clara em sua mente, as risadas, as palavras e as expressões de cada uma daquelas pessoas. Ela não tinha chorado na frente deles, somente tinha começado a correr, começado a fugir, tentando de alguma forma escapar da realidade, da sua realidade. Foi nesse momento então, na metade de sua corrida, que ela sentiu as lágrimas vindo e molhando seu rosto ao mesmo tempo em que eram secas pelo vento de sua corrida.

Ela não chorava porque havia sido humilhada, ela não chorava porque pessoas as quais ela nunca havia dirigido a palavra se deram ao direito de ferir seus sentimentos e julga-la sem ao menos conhecê-la. Ela chorava apenas porque pessoas as quais ela considerava especiais e essenciais em sua vida, pessoas nas quais ela havia confiado e acreditado haviam traído ela e sua confiança, haviam mentido para ela e rido de sua cara no momento em que ela mais precisava de ajuda e de apoio.

Ao lembrar dos acontecimentos novas lágrimas começaram a descer por seu rosto ao tempo que ela fechava os olhos e apoiava a cabeça na árvore apenas deixando elas escorrerem.

É por isso que ela preferia animais a humanos, dizem que o ser humano é o ser mais racional que existe e que os animais, em sua grande maioria, são irracionais. Mas do que adianta ser o mais racional e não poder confiar em ninguém, sendo que os “irracionais” sempre andam juntos e sempre se ajudam.

Hades era sem dúvidas seu melhor amigo, e por mais estranho que essa frase possa ter soado ele ainda era o ser vivo que ela mais amava no mundo inteiro, e os minutos que ela passou com ele apenas relaxando foram suficientes para que, ao menos por um momento, ela esquecesse de seus problemas e parasse de pensar no amanhã.

Porque pensar no amanhã te faz esquecer o hoje e do lhe adianta esquecer o hoje se é ele que você está vivendo? Você esquece do momento que está vivendo para pensar em um futuro que ninguém sabe se realmente irá chegar?

Ela esperava que o amanhã chegasse para ela e, se esse futuro realmente viesse, no momento que ele chegasse ela se resolveria com aquelas pessoas, mas isso não quer dizer que ela iria falar com eles. Para ela esse assunto morreu no momento em que ela correu, então talvez ela somente ignore todos eles e continue vivendo a sua vida como se nada tivesse acontecido, porque agora ela até pode estar sozinha naquele lugar, mas ela ainda tinha Hades e sabia que ele sempre estaria do seu lado.

Durante esse momento pensativo Diamond se lembrou de uma frase que já tinha ouvido há algum tempo e essa frase a fez se levantar, sendo seguida pelo cavalo, desamarrar Hades do galho, montar nele e voltar a cavalgar, sem nenhum destino, apenas para sentir aquela alegria e liberdade novamente, apenas para aproveitar o hoje sem pensar no amanhã.

“Sonhe como se fosse viver pra sempre, viva como se fosse morrer hoje”

-James Dean

Notas finais
Eai, o que achou?

E como sempre, para não quebrar a tradição, eu não faço a minima ideia do que escrever aqui. Então vai ser só isso mesmo.

Muito obrigada por ler e quem sabe a gente não se encontra de novo por aí...

Falo pro cê!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!