Tomorrow
2 Capítulo 1: Milagres são reais?
Notas iniciais
Mais um dia, CTRL+V de ontem. Se nenhum milagre acontecer, nada mudará.
O relógio marca 5:00AM, o despertador toca e, ainda sonolenta, corro para desativá-lo antes que acorde meu pai. Você deve saber, ele bebeu na noite anterior também.
Dizem que a primeira impressão é a que fica, então deixe-me apresentar, afinal até agora a sua impressão sobre mim deve ser uma garota depressiva, certo? Meu nome é Rebecca, tenho dezenove anos, e apenas um amigo(você já o conhece). Juro para você, eu sou uma pessoa legal. Uma perdedora, mas acredito em mudanças, e minha vida pode mudar ainda. Meu irmão, Luan é quem sustenta nossa casa, ele tem vinte e quatro anos e é modelo. Invejo sua simpatia, beleza e disposição. Ele carrega um pai alcoólatra e uma irmã vagabunda nas costas, mas sempre com um sorriso radiante em seu rosto.
Estou em frente a loja de conveniências, e algo curioso está acontecendo, estou avistando um grupo de seguidoras de Henrique, são cinco garotas. Todas lindas como sempre. Seus cabelos sempre são bem hidratados que começam lisos e ao chegar nas pontas possuem delineados cachos, maquiagens discretas porém bem feitas. Realmente, belezas invejáveis. Me pergunto o que elas estão fazendo aqui, afinal nunca pegam esse caminho e tão cedo, tsc...E eu preciso parar de me preocupar com a vida alheia.
Me parece que elas estão de encontro a mim, se for isso não será nada bom.
Eu conheço essas garotas desde o ensino fundamental, sabe? Eu também já tive amigas, andávamos sempre juntas, as seis inseparáveis. Mas em algum momento as coisas entre nós começaram a ficar tensas entre nós. Chegamos num ponto em que as garotas brigavam quase todos os dias, te juro que nunca foram brigas por motivos consideráveis, mas sempre a mesma coisa. Alguma delas começava a gostar de um garoto, e outra roubava o paquera. Cansada daquilo tudo, me afastei daquelas companhias, no começo foi difícil, mas como diz o ditado "Antes só do que mal-acompanhada"
Sim, elas estão vindo em minha direção, as cinco juntas, nessas horas meu bloqueio social entra em ação: Sinto como se estivesse sobre areia movediça e não consigo me mexer, quero muito sair daqui mas sinto como se meus pés estivessem pressos ao chão. Por favor Henrique apresse-se, essas garotas me odeiam.
Salva pelo pequeno milagre. Ele chegou mais cedo hoje, enquanto elas estavam cerca de quatro passos de distância de mim, pude ouvir Henrique chamando meu nome na esquina de frente. Imediatamente corro em sua direção, nunca fiquei tão grata por vê-lo.
Mas agora tenho uma dúvida, Se ele não estivesse lá, o que elas me diriam?
– Aquelas garotas...Procure ficar longe delas, Becky.- Sinto firmeza em sua voz, mas também vacilo, como se ele soubesse a razão delas me procurarem. Realmente quero saber o que está acontecendo.
– Ok.- Droga, não era para sair "Ok" e sim " Por quê?" ou "O que está acontecendo?".
O clima está tenso. Henrique decidiu tomar um caminho diferente, hoje iremos por uma rua movimentada a fim de evitarmos acompanhar as garotas de antes.
Enquanto atravessamos a faixa de pedestres, ele resolve quebrar o silêncio:
– Sabe Becky...O que você faria se eu lhe dissesse que gosto de alguém?- Oi? Como assim? Henrique está gostando de alguém?
– Como eu fico nessa situação? Com ciúmes. Claro!- Qualquer garota aceitaria seus sentimentos.- As, quem é ela?
Antes que ele pudesse responder qualquer coisa, ouço uma buzina e pneus cantarem sobre o asfalto. Antes que eu pudesse fazer qualquer outro movimento exceto o de olhar na direção do barulho e apertar meus olhos em nome do meu instinto...Um veículo atravessa horizontalmente a pista e projeta meu corpo para longe. Me sinto livremente no ar por um segundo. Perco a noção de minha posição no espaço, apenas sinto meu corpo rodopiar nesse asfalto.
Foi tudo tão rápido, a adrenalina que enche meu corpo me permite apenas fazer um movimento:
Descolar lentamente meus olhos um do outro como se fosse ver algo indesejado, levar minhas mãos para frente de meu rosto e vê-las agora tingidas de sangue vermelho.
Sinto meu corpo se entregar por inteiro ao cansaço, e perco a consciência.
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Acordo de um sono profundo aos poucos. Sinto muita dor. Pisco meus olhos, estes pesados, estou num quarto de hospital. Seu clima é agradável, predominam as cores azul e branco, possuindo enormes janelas, estas abertas para a ventilação.
Num impulso, tento me sentar, e meu corpo sensível adverte tal ato. É melhor permanecer deitada assim. Uma pontada no peito e um flash de imagens me ocorre. Vem diante dos meus olhos as imagens do acidente. Vejo claramente o carro preto de luxo em minha direção, meus rodopios no asfalto, minhas mãos manchadas de sangue e as pessoas ao redor, todas pasmas.
Um turbilhão de perguntas me vêm; Quem me trouxe para cá? Como está aquele motorista? Meu irmão sabe sobre isso? Quanto tempo se passou?
Resolvo realmente me levantar agora. Projeto minha perna direita para fora da cama e, em seguida a esquerda. Quando estou prestes a me levantar, vejo a maçaneta girar e a postar se abrir.
Luan, meu irmão aparece na porta.
–Becky! Você está bem? Estive tão preocupado!- Sua expressão sempre é tão séria, mas agora está como a de uma fã que acaba de conhecer seu ídolo, É uma péssima comparação mas não me lembro de vê-lo emocionado assim antes.
–Uhm..sim, estou bem eu acho- Minha voz trêmula sai quase que um sussurro.- O que aconteceu?
–O que aconteceu?Aconteceu que você e seu amiguinho resolveram atravessar enquanto o semáforo estava aberto para os carros e você esteve em coma durante dois dias.
–Dois dias? E Herique?- Estive em coma? Não é possível aquele carro ter apenas me atingido.- Onde ele está?
–Tsc...Aquele bastardo não foi atingido, sequer veio lhe ver em algum momento. Quem chamou pela ambulância foi o motorista, que em seguida abandonou local, te deixando apenas com as pessoas que resolveram ajudar.
–Então Henrique está bem?- Há muitas perguntas para serem feitas, mas só preciso dessa resposta.
–Sim.
–Isso é um alívio! Quando serei liberada? Preciso vê-lo, afinal...-Eu completaria essa frase, mas Luan me pareceu um tanto incomodado. Então abaixei a cabeça e esperei ele dizer algo.
–Becky...Você não conversara´mais com esse garoto.
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