Tomodachi No Kiochi

17 Sentimento: Alegria


– Marina, você se importa de ir lá na minha casa comigo? — Eu perguntei olhando o celular.

– Não, por que? — Ela tirou seus olhos de um mangá e olhou para mim. — Algum problema?

– Não, é que minha mãe quer que eu vá lá. — Eu me virei para olhar para ela. — Não sei muito bem por que.

– Ah, eu precisava mesmo falar com sua mãe! — Aquilo me deixou surpreso.

– Anh? Por que?

– As aulas de esgrima, lembra? — Ela disse como se fosse óbvio, e na verdade era. Eu tinha me esquecido completamente que a Marina iria fazer aulas de esgrima com a minha mãe.

– Ah, eu tinha esquecido! — Eu fiz uma careta. — Acho que vou ter que usar armadura daqui pra frente nas aulas!

– Porque? — Ela olhou para mim desconfiada.

– Porque você é muito forte! — Eu a abracei. — Se eu tiver que lutar com você, provavelmente irei sair ferido! — Ela riu, uma risada que me confortava completamente.

– Duvido você me vencer! — Ela me desafiou

– É, eu também duvido!

Fomos andando até o carro que nos esperava.

– Uau! — Disse Marina olhando para minha casa. — Ela é grande!

– Tenho certeza que a sua é maior!

– Na verdade é. — Ela virou sua cabeça na minha direção. — Mas a sua é quase tão grande quanto a minha!

No salão, minha mãe nos aguardava. Quando viu Marina seus olhos brilharam.

– Meu Deus! — Minha mãe correu em direção a Marina. — Que menina linda!

– Obrigada! — Marina se assustou um pouco. — Você é a senhorita Luisa?

– Ah, obrigada pelo senhorita! — Minha mãe deu uma risadinha. — Sou eu mesma! Você deve ser Marina não é? Eu escutei bastante sobre você!

Por que de algum jeito eu sabia que aquelas duas tinham muito em comum? Báh, não sei.

– Mãe. — Eu interrompi a conversa das duas, que eu sabia que não iria acabar tão cedo. — Por que me chamou aqui?

– Ah, porque eu queria te mostrar um presentinho que comprei para você!

– Anh, pra mim? — Eu me interessei pela conversa.

– É, depois eu compro alguma coisinha para seu irmão! — Ela disse como se fosse algo insignificante. Meu irmão realmente não gostava muito da ideia de eu ser o filho preferido da minha mãe. — Eu achei algo perfeito para você!

Então, James o mordomo da casa, que era um faz-tudo praticamente como o Sebastian de Kuroshitsuji apareceu no salão com uma Katana.

– Para você! — Minha mãe pegou a Katana e me deu.

– Mãe, era essa que eu queria! — Eu abri um sorriso bem largo. — Como você sabia?

– O Paulo me contou que você estava guardando dinheiro para comprar uma. — Ela sorriu também. — E eu sei como é difícil para você guardar dinheiro, então resolvi procurar uma eu mesma.

– Obrigado mãe!

– Ah, que bom que você gostou! — Ela mandou James ir embora com um aceno de mão e se virou para Marina. — E você minha pequena deusa grega, temos que conversar sobre sua matricula não?

– É. — Minha mãe conduziu Marina e saiu andando em direção a sei lá onde.

Ali estava eu, em um salão de entrada enorme sozinho com uma Katana que eu acabara de ganhar. Eu estava com vontade de treinar então fui até a "sala de aula" da minha mãe, que era praticamente um campo de batalha onde tinham alguns bonecos que você podia arrancar as tripas de trigo e comecei a "treinar" com os bonecos.

Horas mais tarde Marina e minha mãe apareceram onde eu estava.

– Eu sabia que estaria aqui! — Minha mãe abriu um sorriso quando me viu com a Katana virada para um boneco sem cabeça. — O que achou da Katana?

– Ela é ótima! — Eu abri um sorriso. — E é bem afiada.

– Bem, preciso ir agora. — Minha mãe exclamou como se estivesse satisfeita com o trabalho. — Querida se quiser treinar, temos algumas espadas ali.

– Está bem, obrigada! — Marina andou na direção das espadas escolheu uma e correu em minha direção.

– Vamos duelar! — Ela apontou a espada para mim, parece que a impressionante energia da minha mãe passou para Marina. — Quem perder vai ter que fazer o que o outro mandar.

– Ei, espera! — Eu disse abaixando a espada dela. — Não sou de pegar pesado com meninas! Principalmente minha namorada.

– Então finja que sou um garoto! — Ela soltou seus longos cabelos negros. Assim ficava difícil imaginá-la como um garoto. — Ou está com medo?

– Já que você quer assim...

Antes que eu pudesse terminar minha frase, Marina deu um golpe que cortou um pouco minha bochecha. Eu rapidamente peguei minha katana e desviei outro golpe que ela me passou. Ela era bem rápida e ágil, qualquer movimento em falso ou guarda baixa ela aproveitava. Nós estávamos indo bem até que minha katana escorregou um pouco de minha mão, aquilo fez com que Marina conseguisse tirá-la da minha mão e apontar sua espada para minha garganta.

– Venci! — Ela exclamou vitoriosa enquanto abaixava sua espada. Ela ria de um jeito que me fez arrepiar. — Agora terá que cumprir uma ordem minha!

– Precisa jogar na cara? — Ela riu mais um pouco.

– Antes da minha ordem, vamos cuidar dos seus ferimentos! — Ela disse zombando um pouco de mim. — Você deixa sua guarda aberta e fácil de atacar o que te faz ter machucados!

– Ah, não entendi nada! — Agora sei como Paulo se sentia toda vez que eu tentava ensinar algo a ele.

– Ta bom, só vamos!

Ela me levou até a enfermaria que minha mãe tinha construído para os novatos que se machucavam. Eu fazia esgrima a 11 anos e agora eu me sentia um novato que acabará de entrar para as aulas.