Notas iniciais
Desculpem-me por estar postando mais tarde hoje, mas o feriado acabou e agora só tenho tempo no horário da noite. Vou tentar manter um capítulo diariamente. Comentem por favor e obrigado por lerem. Boa leitura!

–- O que está acontecendo Zero? – Perguntei em um tom sério.

–- Vá logo para casa, antes que se meta em algo que não devia... – Respondeu Zero friamente. Eu já não estava mais agüentando aquele mistério todo.

–- Eu não vou para casa! Vou ficar aqui até você me explicar tudo que está acontecendo... Não pense que você pode resolver tudo sozinho, pois não pode Zero! Compartilhe isso comigo, eu posso não ser forte ou veloz como você, mas todos precisam de ajuda ás vezes. – Eu disse com toda a coragem que consegui reunir naquele momento.

–- Você não entende... Eu sabia... Foi um erro aceitar aquele seu convite, tudo agora podia estar mais fácil... Desculpe-me, mas não posso mesmo me envolver com você, é tudo culpa minha. – A cada palavra, um pedaço do meu coração se desfazia. Eu estava acabando com tudo outra vez.

–- Não, não! Por favor, não diga isso, eu não quero que pare de falar comigo... Eu gostei muito de sair com você, eu vou parar com essas perguntas chatas... – Senti que não estávamos mais sozinhos, e um estrondo tomou conta do silêncio que outrora só era interrompido por nossas vozes. Olhei para trás e vi um enorme vagão do trem que se soltara e estava vindo em minha direção, só tive tempo de me encolher e fechas os olhos. Porém, nada aconteceu. Abri os olhos novamente, e pude ver que Zero estava entre mim e o vagão, ele tocou o vagão com seu palmo aberto e um estrondo monstruoso quase me ensurdeceu, uma onda sônica muito poderosa empurrou o vagão para frente o fazendo cair novamente no trilho.

–- Ora ora... É muito emocionante revê-lo maninho... Te procurei por tanto tempo. – Me levantei, Zero continuava a minha frente, de longe se aproximava um outro rapaz. Este possuía cabelos verdes espetados, seus olhos eram de uma tonalidade dourada, eu pude perceber também que ele tinha um dente afiado e suas roupas eram rasgadas. Usava uma bota marrom, calças jeans com rasgos, um colete preto aberto na frente e uma camisa listrada preta e branca. Ele era da mesma altura que Zero, 1,75. Porém era mais magro, Zero não era muito musculoso, mas dava-se para notar alguns em seu ante-braço e no peitoral também, o garoto dos cabelos verdes parecia ser mais novo por esse motivo.

–- Acho que não é mais seguro você ir pra casa agora, continue atrás de mim Yuki. – Orientava Zero, e eu corei ao ouvir ele me chamar pelo nome, é claro que a situação estava crítica, mas eu não podia controlar minhas emoções.

–- Que falta de educação “Zero-chan”! Não vai me apresentar sua amiguinha? – Comentou o rapaz em um tom debochado.

–- Cala boca! Ela não tem nada a ver com isso... Eu vou levá-la para casa e depois eu faço o que você pedir... Kentaro! – Falou Zero em um tom firme. Eu não estava entendendo nada do que estava acontecendo. Mas senti que aquele tal de Kentaro não era um cara em que se pode confiar, estava na cara que ele queria fazer algum para Zero.

–- Vai sonhando maninho... Eu vou levar você e ela também, sabe que não devemos ter nenhuma testemunha, só de ela ver você lançando esse vagão, já torna ela uma testemunha. Além disso, eu seria muito burro de não perceber que ela provavelmente viu você acabar com aquele bêbado ontem. “Red Wave”. – O termo que Kentaro havia usado, Red Wave, estava se referindo ao Zero, era como a notícia estava chamando o justiceiro. Eu estava muito assustada para perceber no dia, mas quando Zero lançava uma onda sonora ela possuía uma coloração avermelhada, por isso o nome. (Nota: Red Wave significa “Onda vermelha”)

–- Cuidado Yuki... – Sussurrou Zero colocando seu palmo em meu abdômen e me afastando um pouco dele. Pude ver a lâmina de um canivete que Kentaro sacava por conta do reflexo da luz. A rua onde estávamos era iluminada por quatro postes, por se tratar de um cruzamento. Ouvi um estouro e de repente Kentaro estava logo na frente de Zero, que por sua vez apenas cruzou os braços a frente do rosto se sofrendo um pequeno corte próximo ao cotovelo. Pude ver os dois se encarando, mas isso durou milésimos, no próximo segundo eles já estavam alguns metros de distância de mim. É óbvio que nesse ponto eu já havia deduzido que Kentaro também era um Sound, mas qual o motivo de ele querer levar Zero? Será que ele era um Sound fora da lei? Nem sei como podia me questionar desse jeito, se nem mesmo sabia o que era um Sound, a única coisa que sabia era que eles possuíam habilidades impressionantes.

–- Esse sentimento de lutar com você é tão bom “Zero-chan”! – Gritava Kentaro sem tirar o sorriso do rosto. Eu não consigo descrever o que estava sentido, a adrenalina era tanta, parecia que meu peito ia explodir do jeito que meu coração estava batendo. Zero acertou um soco usando seu punho direito no abdômen de Kentaro, e após isso trouxe a mão esquerda por baixo acertando o queixo do oponente com tal força que fez com que ele voasse para trás. Aquela luta era tão legal e tão assustadora ao mesmo tempo, parecia que eu estava dentro de um mangá “shounen” ou um filme de ação.

–- É só isso Kentaro? Da última vez você não parecia tão mole. – Provocou Zero.

–- Calma mano, eu só estava aquecendo. – Disse Kentaro enquanto se levantava e limpava o sangue em sua boca. Percebi que as mãos de Kentaro começaram a vibrar, Zero cerrou os olhos e fitou fixamente seu oponente. De repente Kentaro lançou ondas sonoras contra as lâmpadas nos postes, apagando-as. As ondas de Kentaro eram esverdeadas, ironicamente as colorações das ondas combinavam com os cabelos deles. De repente não havia mais luz no local, era um breu, estávamos sob a luz apenas das estrelas, a lua era nova. De longe eu pude ouvir minha própria voz.

–- ZERO!!! ME AJUDE!!! – Deduzi rapidamente que era Kentaro. Mas que sinistro, não foi como ouvir uma gravação era real, era ao vivo. Rapidamente percebi que era uma armadilha de Kentaro.

–- ZERO NÃO! NÃO FUI EU QUE GRITEI! – Após isso corri até a pequena cabine que ficava próxima ao cruzamento do trilho e então peguei uma lanterna que havia lá dentro, liguei-a e apontei para frente. Kentaro segurava Zero pelo pescoço, de seu corpo escorria muito sangue e seus olhos já estavam fechados. Eu arregalei os olhos e senti um desespero maior do que na vez em que fui atacada pelo bêbado. A lanterna caiu da minha mão ficando sobre o chão ainda apontado para Kentaro, que ao olhar para mim largou Zero no chão. Eu quase gritei, porém pus a mão na frente da boca, me virei e comecei a correr, eu senti uma brisa passar por mim e rapidamente me virei, era Yudei, ele havia parado na frente de Kentaro impedindo-o de prosseguir.

–- Essa moça tem mesmo muitos admiradores... Mas que pena que não conheço esse aqui. – Tive um sentimento muito ruim ao ver a mão de Kentaro vibrar novamente, ele atingiu o rosto de Yudei com tal força que o fez ser lançado para o lado com seu corpo girando, o garoto foi nocauteado em um golpe. Eu gritei desesperada, aquilo era tudo minha culpa, desde o início, tudo minha culpa. Certamente o que havia chamado atenção do tal Kentaro havia sido a notícia sobre Zero no jornal. E Yudei estava ali somente para me salvar, apenas cai de joelhos no chão e me entreguei a chorar. Dessa vez Kentaro se aproximava lentamente de mim. O sorriso não saia do rosto de Kentaro, porém de repente ele arregalou os olhos e sua feição começou mudar. Ele se virou lentamente e pude perceber seu próprio canivete preso ao seu ombro na parte de trás. De longe avistei Zero de pé ofegante, eu pude perceber que seus olhos brilhavam.

–- Foda-se a vontade de Rick! Eu estou em uma missão sozinho, e não vou deixar que faça o que quiserem comigo. Yuki vai ficar comigo em segurança e você vai dar o fora daqui ta ligado?! – Uma aura vermelha, assim como as ondas de Zero, começou a rodeá-lo. Pude perceber o terror nos olhos de Kentaro quando ele se virou para mim, ele então segurou firme seu canivete e o retirou do ombro deixando cair no chão, após isso só pude sentir uma brisa e o rapaz havia desaparecido.

–- Zero... Mais uma vez... Eu já devo duas vidas a você... – Dizia enquanto chorava como da última vez.

–- Pensei no que você me disse... Havia me esquecido do grande valor que tem uma vida. Precisamos cuidar do Yudei me ajuda aqui, vamos tirá-lo daqui antes que eu vire manchete dos jornais outra vez. – Falava Zero pegando Yudei que estava caído no chão, ele o colocava nas costas e estendia a mão para mim, e dali nós caminhávamos até minha casa, que era bem próxima. Zero deixou Yudei no quarto de meus pais eu tratei os ferimentos, os limpado, e após isso Zero se despediu de mim indo embora. Eu tomei um banho e fui me deitar também, parecia que Yudei iria demorar mesmo para acordar. Dessa vez logo peguei no sono, pois estava exausta. Acordei com a campainha de minha casa tocando repetidamente, quando abri a porta tive uma enorme surpresa, era Zero e sua expressão não era nada boa.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.