Tokyo

2 Regra n°1 – Nunca pense que sua estadia será fácil


Notas iniciais
Yoooo minna! Finalmente eu cheguei com o primeiro capítulo. Não sei se perceberam, mas a numeração segue uma sequencia de regras, ou seja, regra 1 = capítulo 1. Acho que deu pra entender. Sejam bem vindos a comentar, vou ficar muito alegre em responder vocês e ouvir suas críticas, opiniões, dicas, etc... Enfim, boa leitura!
(A música que aparece no capítulo é Tokyo - YUI)

E lá estava ela, finalmente em Tóquio. A terra dos seus sonhos, onde ela iria buscar o que queria. Sentindo toda a energia do local, agora tinha certeza: conseguiria alcançar seus objetivos. Estava agora ela do outro lado da rua do seu apartamento e somente bastava...

— BIIIIIIIIIIIIIIIP! — Não, um carro passar e lhe encharcar com a água da chuva recente não era seu plano inicial.

— Olha por onde dirige, babaca! — A frustração era evidente no grito da garota, que agora pegava as malas e atravessava a rua até chegar a sua nova moradia.

Haruno Sakura era uma garota que podia ser considerada comum. Exceto pela coloração rosa de seu cabelo. Corpo como o de qualquer mulher de 18 anos, curvas bem valorizadas, e olhos esmeraldas que conseguiam conquistar muita coisa. Recém chegada em Tóquio, ela não sabia bem o que procurava por aqui, mas o que quer que fosse a rosada confiava que iria conseguir.

Entretanto, primeiramente ela precisava achar a bendita chave do apartamento. Não sabia se a colega com quem iria dividir o local estava em casa ou não, então resolveu anunciar a chegada.

— Temari, é a Sakura, sua nova colega de apartamento. — falou enquanto destrancava a porta e entrava sem prestar muita atenção no interior. — Eu estou entrando e... AAAAAAAAAAA!

O motivo do grito? Bem, Sakura esperava uma garota no seu apartamento, e não um ruivo só de toalha no meio da sala de estar. O grito foi o suficiente para chamar a atenção e uma loira saiu desesperada da cozinha; ela era loira dos olhos verdes, com cabelos no tamanho médio. Deveria ser Temari.

— O que diabos está acontecendo aqui? — esbravejou Temari com um olhar de reprovação para o ruivo e com um de surpresa para Sakura. — Oh, você deve ser Haruno Sakura. Perdoe-me por toda essa confusão, vamos comigo até a cozinha enquanto certa pessoa cai fora daqui.

— Sempre tão educada, Temari... — ironizou o ruivo, que logo percebeu que a loira não estava para brincadeiras somente com o olhar, e dirigiu-se ao quarto.

Sakura ainda se encontrava sem reação, apenas deixou ser guiada por Temari até a cozinha, onde recebeu um copo com água e agradeceu. Agora mais calma, conseguiria raciocinar melhor.

— Me desculpe por aquilo, Sakura. É Sakura, não é? — a rosada confirmou com a cabeça, tomando mais um gole da água — Às vezes Gaara não se coloca em seu devido lugar.

— Namorados geralmente podem ser difíceis de lidar... — Sakura deduziu, agora entrando na conversa.

— Namorado? Não, não. O ruivinho ali é meu irmão. — Parando agora para pensar, era notável certa semelhança física entre eles, apesar da cor do cabelo. — Mas não se preocupe, ele irá deixar de freqüentar aqui agora que você chegou. Espero que isso não tenha lhe incomodado bastante.

Sakura negou com a cabeça. Foi um susto, é claro, mas devia admitir que o físico do ruivo não deixava a desejar. E como ele não morreria tão cedo, entrou poucos minutos depois na cozinha atrás de algo na geladeira. Pelo menos agora vinha vestido.

— Pare de bajular a garota assim tão cedo, Temari. — disse Gaara, dando um gole no suco em seguida. — E me desculpe por aquilo, er...

— Sakura. Haruno Sakura. — a garota já se sentia um pouco mais à vontade no local.

— Certo, Sakura. É que não esperava que você chegasse tão cedo. Para compensar o susto, levei suas malas para o quarto que Temari reservou para você. — com tamanho susto, Sakura havia realmente esquecido suas malas na porta. — Mas não se acostume, não vou ficar lhe babando assim como minha irmã.

Sakura suspirou e revirou os olhos, limitando-se a dizer “Obrigada”. Gaara aparentava ser realmente uma pessoa difícil de lidar.

— Acho que a porta está chamando por você, não está ouvindo? — disse Temari, que guardava apenas um pingo de paciência consigo.

— Sei quando sou indesejado no local, maninha. — Temari bufou com o tom irônico do irmão. — Adeus pra vocês.

Sakura conseguiu ouvir a porta batendo com a saída de Gaara. Pelo visto, as coisas não eram nada calmas por aqui.

— Com o tempo você se acostuma. — Temari sorriu, como se tivesse lido seus pensamentos.

Esperava que se acostumasse mesmo: era sua única saída.

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Depois de ajeitar totalmente seu novo quarto, Sakura dormiu tranquilamente até de manhã. Era cerca de nove horas do sábado quando acordou e resolveu tomar um banho; ao se arrumar, escolheu uma roupa simples: um short jeans, uma blusa vermelha e um casaco branco, caso o tempo virasse. Desceu as escadas sem muito barulho e percebeu que Temari ainda dormia. Não havia começado sua faculdade e deduziu que a loira não teria aula hoje; a deixaria descansar em paz.

Chegando a cozinha, tomou apenas um copo de suco e saiu à procura da sua cópia da chave. Assim que encontrou, partiu apenas com o celular e seu velho violão, que não abandonara. Precisava achar um emprego em Tóquio, mas não iria se privar de um dia de descanso.

Não muito longe, havia uma praça com algumas árvores. Lindas, assim deviam ser descritas. Em um canto mais afastado, Sakura sentou-se embaixo de uma delas, ainda em dúvida se tocaria o violão que agora estava em suas mãos. Era uma cidade nova, vida nova... Seus hábitos também haveriam de mudar?

Sumi nareta kono heya wo

(Hoje eu terei que sair desse meu velho quarto)

Dete yuku hi ga kita

(Em que estou tão acostumada a ficar)

Atarashii tabidachi ni mada tomadotteru

(Eu ainda não estou certa dessa minha nova jornada)

Os dedos de Sakura tocavam o violão com tamanha delicadeza e a melodia era compatível com sua bela voz. A letra lhe recordava do momento em que deixou sua casa, que se encontrava em uma cidade mais afastada. Desde pequena, o sonho de vir para Tóquio. Ninguém se importaria; sua mãe sentiria falta às vezes, mas nada o que um telefonema não resolvesse. Talvez fosse a hora de Sakura cuidar da sua própria vida.

Asa no HOOMU de denwa mo shitemita

(Na estação, de manhã, eu também tentei ligar para alguém)

Demo nanka chigau ki ga shita

(Mas parecia que algo tinha mudado)

Furui GUITAR wo hitotsu motte kita

(Tudo que eu trouxe comigo foi o meu velho violão)

Shashin wa zenbu oitekita

(Deixando todas as marcas da minha antiga vida para trás)

Nanika wo tebanashite soshite te ni ireru

(Abandonar algo para ganhar outra coisa em troca)

Sonna kurikaeshi ka na?

(Será que esse ciclo também acontece aqui?)

Quando estava na estação de trem, fez algo que não fazia há tempos: digitou um número conhecido para ela e esperou que a pessoa atendesse. Caixa postal. Era essa a resposta para sua última tentativa. Ao entrar no trem e sentar-se, abraçou com força o violão e deixou uma lágrima escorrer. Encontraria o que procurava em Tóquio, o que quer que fosse, e não deixaria escapar.

Mado no soto ni tsuzuiteru kono machi wa

(A vida na minha cidade continuou sem mim)

Kawara nai de to negatta

(Eu rezei para que isso não mudasse)

Furui GUITAR wo atashi ni kureta hito

(A pessoa que me deu o meu velho violão)

Tokyo wa kowaitte itte ta

(Disse que tinha medo de Tokyo)

Ela não havia abandonado sua cidade; apenas tinha certeza de que ali na era o seu lugar. Por mais medo que lhe ocorresse, continuaria seguindo em frente. Aquelas dúvidas um dia seriam resolvidas, e Sakura esperaria pacientemente por respostas. Sem dramas, sem dor, pelo menos na maioria das vezes. Na vida não se pode garantir nada.

Akai yuuyake ga BIRU ni togireta

(O pôr-do-sol vermelho é bloqueado pelos arranha-céus acinzentados)

Namida wo koraetemo

(Mesmo que eu segure minhas lágrimas hoje)

Tsugi no asa ga yattekuru tabigoto ni

(A manhã fria de amanhã)

Mayou koto datte aru yo ne?

(Vai me trazer mais dúvidas né?)

E se as perdas lhe ensinaram algo, foi como levantar-se com a cabeça erguida. Não estava mais atrás do passado, queria apenas conquistar o seu futuro. Um futuro que apenas ela teria, porque a rosada poderia ter o mundo nas mãos se tentasse, isso não era novidade. Mas ela não queria o mundo; ela só queria poder controlar sua vida.

— Eu não posso escolher apenas as coisas certas, isso eu sei... — Com essas ultimas palavras, Sakura terminou a melodia. Não havia percebido as lágrimas que caiam sobre sua face. A garota dos olhos de esmeralda apenas as deixava rolar, encostava-se na árvore logo atrás e sentia o vento passar pelos seus cabelos. Era a única coisa que podia fazer no momento, antes de abrir os olhos e perceber que realmente estava em Tóquio.

Notas finais
Acabou o capítulo por aqui, gente. Vou continuar logo, assim espero. :3
Beijinhos da Liv-chan~
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.