Together By Fate.

45 Capítulo 44 - Fim.


Pov Sophia

- Gostei do que você fez. – eu disse a Bernardo enquanto nós saíamos da cantina
— O que eu fiz? – ele perguntou se fazendo de desentendido
— Foi simpático com o Felipe e com a Thaisa... — expliquei
— Não tem motivo pra não ser, se eles realmente estão juntos, como demonstraram. – ele disse dando de ombros.
— Tão maduro... Que orgulho. – eu respondi sorrindo enquanto tomávamos o rumo dos quartos; Bernardo soltou uma risada pelo nariz e disse
— Mudando de assunto... Vamos sair? – ele perguntou e pela a expressão que eu fiz, ele percebeu que eu não queria – Por que não?
— Ah, Bear... Eu tenho medo. – respondi sincera
— Do que? – ele quis saber preocupado
— De alguém ver, de darem pela nossa falta. Das consequências que isso pode ter. Da minha mãe ficar sabendo. – enumerei os motivos
— Relaxa. Não vai dar nada. E se der... Você precisa de um pouco de emoção na sua vida, nerd. – ele comentou despreocupado
— Bernardo, desde que nossos pais se casaram você deu emoção o suficiente para a minha vida. Aliás, eu quase perdi a minha vida... Ou você não lembra disso? – questionei
— Quase perdeu a vida? Deixa de ser exagerada, Sophia.
— Exagerada? – eu falei com falsa indignação
— É, exagerada. Eu tava lá. Não iria acontecer nada com você. – ele continuou com o tom despreocupado
— Ah claro, eu esqueci que você é o Batman.
— Batman não. Prefiro o Wolverine. Ou o Iron Man. Ou o Homem Aranha. Ou o... – eu interrompi ele
— Ok, ok, super herói. Você me convenceu. – eu disse fazendo sinal de rendimento
— A que? A sair? – ele perguntou cheio de expectativa
— Não. Me convenceu de que nada poderia ter acontecido naquele episodio infeliz. – eu respondi assim que paramos na porta dos quartos
— Sophia... – ele implorou – Por favor... – pediu aumentando o tom de voz enquanto eu abria a porta do meu quarto
— Amanhã é sexta feira. Vamos ter o final de semana todo pra sair e fazer o que você quiser. E eu prometo que vou fazer. – ele estreitou os olhos e pareceu considerar o que eu havia dito
— Pois bem, senhorita ruivinha. Promessa é divida. E se tem uma coisa que eu sei muito bem, é cobrar o que me é de direito.
— Falou igual ao seu pai agora. – eu disse bocejando
— Falou igual ao seu pai agora. – ele repetiu numa imitação muito ruim da minha voz
— Vai dormir, Bernardo. Seu mal é sono. – eu disse e ele riu, roubando um beijo meu e em seguida entrando no quarto dele.

Sexta-feira

Nós saímos do colégio ao meio dia. Bernardo me levou para uma praia deserta, montou uma barraca e nós ficamos lá durante toda a tarde. Não me lembro em que momento entre as risadas, os beijos e as brincadeiras eu adormeci, mas assim que acordei o Sol já estava se pondo. Procurei Bernardo ao meu lado, mas ele não estava, passei os olhos pela praia e vi ele saindo do mar. Lindo. Assim que ele chegou perto, me deu um beijo rápido e sentou ao meu lado. Passei a língua nos meus lábios e senti o gosto da água salgada do mar
— Sua boca tá salgada... – eu disse me virando para olhá-lo. Eu acho que ele nem ouviu o que eu disse, porque os olhos deles estavam distantes – Bear? – eu chamei depois de um tempo encarando-o
— Uh? – ele se virou pra mim perdido
— Tá pensando no que? – eu quis saber. Bernardo deu de ombros
— Na gente. – respondeu simplesmente
— Na gente...? – eu fiz sinal para que ele continuasse falando
— Sophia, porque eu te odiava mesmo? – ele perguntou me encarando aturdido
— Eu não sei. – respondi sinceramente – Eu acho que eu nunca soube. Eu sei que por algum motivo eu nunca suportei ficar perto de você.
— Eu também não. – ele negou com a cabeça – É estranho, porque, a menos de 1 ano atrás eu teria coragem de te matar com as minhas próprias mãos. Hoje, eu mataria por você.
— O ódio e o amor andam de mãos dadas. – eu argumentei
— Isso não faz nenhum sentido. – ele afirmou rindo e se aproximando de mim
— Ninguém disse que precisa fazer. – eu disse passando os braços pelo pescoço dele e beijando-o

*

Nós chegamos em casa e para a nossa surpresa, todas as luzes estavam apagadas. Bernardo abriu a porta em silencio e pela expressão que ele fez eu comecei a rir. Ele virou pra mim e colocou o dedo sobre o lábio, fazendo sinal para que eu parasse. Como ele virou pra mim, acabou esbarrando em um móvel assim que entrou
— Bernardo... – eu sussurrei tentando controlar as risadas. Antes que ele respondesse, a luz da sala se acendeu e minha mãe e Ares apareceram
— Posso saber onde vocês estavam? – minha mãe perguntou aparentemente muito irritada
— É meio obvio, não? – eu respondi apontando para minhas roupas sujas de areia. Minha mãe revirou os olhos e eu comecei a subir as escadas, puxando Bernardo pela mão
— Aonde vocês pensam que vão... – Ares começou a falar e eu interrompi ele
— Pro meu quarto.
— Juntos? – ele desafiou
— Sim. – respondi antes que Bernardo falasse alguma coisa
— Não mesmo! – minha mãe interviu
— O que vocês acham que nós estávamos fazendo? Brincando de boneca? – eu disse e comecei a subir as escadas antes que eles respondessem.

- Você é bem corajosa de enfrentar eles assim. – Bernardo falou enquanto nos parávamos em frente a porta do meu quarto
— Costumo fazer isso pelas pessoas que eu amo. – eu disse dando de ombros
— Ama? – ele perguntou incrédulo
— Amo. Você. Muito. – eu disse pausadamente. Ele riu e me puxou pela cintura, colando nossos corpos
— Eu também amo você. Muito.

5 anos depois.

Pov Narrador.

Bernardo se sentou na cama ansioso, esperando que Sophia saísse do banheiro. Cada segundo de espera parecia uma eternidade. Bernardo se levantou e bateu na porta do banheiro pela centésima vez em 5 minutos
— Calma, Bernardo! To nervosa! – Sophia gritou
— E você acha que eu to como? – Bernardo respondeu no mesmo tom – Sophia, abre logo essa porra dessa porta! – assim que Bernardo acabou de falar, Sophia abriu a porta e fez sinal para que ele entrasse
— E ai? – Bernardo perguntou cheio de expectativa
— Positivo. – Sophia respondeu tensa. Antes que Bernardo pudesse ter alguma reação, escutaram-se batidas na porta do banheiro
— Soph? Bear? – Atena chamou
— Que gritos foram esses que nós escutamos? – Ares perguntou. Bernardo e Sophia se entreolharam tensos, Sophia abriu a porta impulsivamente e vomitou as palavras antes que perdesse a coragem
— Mãe, Ares... Eu to grávida.
— A Sophia tá grávida. – Bernardo e Sophia disseram juntos.