Together By Fate.

13 Capítulo 12 - Desculpas e um antigo fantasma.


Pov Sophia

Quando eu me acordei, as meninas ainda dormiam. Sujas e com a mesma roupa de ontem, Thalassa e Helena haviam dividido a cama comigo, Helena estava quase caindo da cama e assim que eu sai, elas puderam ter mais espaço. Me levantei e me arrastei até o banheiro, tirei a roupa e entrei no banho. Quando a água quente tocou meu corpo, comecei a me lembrar de tudo que havia acontecido. Era tão surreal, quase inacreditável. Relembrei detalhe por detalhe e só consegui ficar com mais raiva de Bernardo. Tomei banho pacientemente, lavando bem cada parte do meu corpo como se as lembranças estivessem encrustadas na minha pele.

Quando sai do banho, me vesti com uma roupa qualquer e encarei a minha figura no espelho. Eu estava horrível. Parecia que minha cara tinha pegado fogo e sido apagada a pauladas. Respirei fundo e sai do banheiro. Olhei no relógio: 14:25. Na minha cama Thalassa e Helena ainda dormiam profundamente. Decidi que não iria ficar ali correndo o risco de acorda-las. Andei até a prateleira com meus livros e peguei um livro qualquer, que só depois vi que era Anjos e Demonios de Dan Brown e sai do quarto, fechando a porta em seguida. Olhei para o quarto de Bernardo e surpreendentemente a porta estava fechada, dei de ombros sozinha e desci as escadas. Andei até a sala e me sentei no sofá abrindo o livro, logo nas primeiras páginas eu já estava entretida e viajando na história. Estava tão entretida que só percebi que alguém havia se sentado ao meu lado quando esse alguém falou
— Uma vez nerd, sempre nerd. – Bernardo me encarava com um sorriso sarcástico
— Nerd por quê? Por que eu consigo ler tudo que eu quero? – eu disse irritada, fechando o livro e encarando-o. So depois que eu disse isso eu me toquei da besteira que eu tinha feito. Bernardo tinha dislexia e não eu não me sentia bem usando o problema dos outros. Antes que eu pudesse me desculpar ele disse.
— Nossa, a nerdzinha se irritou? – ele é tão anta que nem percebeu o que eu havia dito.
— Garoto, fala logo o que você quer e vaza! – eu disse irritada
— Sophia, dá um tempo! É sério, eu queria te pedir desculpas por ontem. – ele disse num tom sério, me olhando nos olhos.
— Desculpas pelo que, Bernardo? – eu disse irônica, desviando o olhar– Por quase ter matado a mim e as minhas melhores amigas? Por ter me levado no lugar mais horrível que eu já fui na minha vida? Por ter me feito correr a noite toda? Não precisa pedir desculpas não! A culpa é minha né? Eu fui porque eu quis! – ele arqueou as sobrancelhas e riu
— Verdade. Vocês foram porque quiseram. Mas mesmo assim eu não fiz nada para impedir vocês de irem... – eu interrompi e falei uma coisa que desde ontem estava entalada
— Quer saber, Bernardo? Eu sempre soube que você não prestava, que realmente não valia nada em todos os sentidos e mesmo assim eu fui, pensando que você não pudesse me surpreender em mais nada. E você realmente conseguiu me surpreender. Se envolver com gente daquele tipo? É demais até para você! — eu disse quase gritando.
— Fala baixo garota! Eu to aqui, te pedindo desculpas e você continua com essa sua marra! Quer falar mal de mim, fala, eu realmente nunca vali nada e nunca escondi isso de ninguém, mas eu não tive intenção nenhuma de machucar você... – ele disse enquanto segurava meu braço com uma força desnecessária e completando em seguida – E as suas amiguinhas.
— Me solta, seu marginal! – eu disse com nojo na voz.
— Sou marginal e você é insuportável e mesmo assim tá viva! – ele disse num tom brincalhão, como se tivesse se divertindo de verdade. Eu me debati tentando me soltar do aperto dele. Ele riu e me soltou, levando as mãos para cima, em sinal de rendimento.
— A minha parte eu fiz, pedi desculpas.
— Depois que inventaram a desculpa todo cavalo anda dando coice! — eu disse pegando o livro, andei até a cozinha, peguei um pacote dos grandes de Doritos no armário e uma lata de coca cola na geladeira. Andei em direção a escada e comecei a subi-la
— Sabe Sophia, você é gatinha, mas é insuportável! – ele disse rindo. Eu revirei os olhos e continuei subindo as escadas irritada. Enquanto eu subia atordoada pela conversa que tinha acabado de ter, senti alguém esbarrar em mim e mãos segurarem minha cintura para que eu não caísse. Pietro me segurava e me encarou preocupado
— Você tá bem, Sophia? Te machuquei?
— To! Me solta, coisa lenta! – eu disse irritada. Ele me soltou enquanto me olhava assustado. Não dei tempo para que ele respondesse e corri para o meu quarto. Abri a porta devagar esperando que Tessy e Hele estivessem dormindo, mas elas não estavam. Pelo contrário, estavam acabando de se arrumarem. Arqueei as sobrancelhas e perguntei curiosa
— Ué, já vão? – Thalassa sorriu enquanto eu me sentava na cama
— Vamos aproveitar que o Pietro e o Páris já vão. – ela e Helena se entreolharam e gargalharam. Elas realmente estavam querendo muito os marginais.
— Nós deseje sorte, Soph! – Helena disse pegando sua bolsa, enquanto Tessy fazia o mesmo.
— Boa sorte! – eu desejei com falso entusiasmo, elas sorriram e saíram do quarto juntas. Eu respirei fundo e decidi dar uma olhada na rede social, que tinham uns dias que eu não olhava por estar ocupada demais estudando. Me levantei, peguei o notebook e ajeitei os travesseiros da minha cama de uma forma que ficasse confortável. Me deitei e enquanto o computador iniciava, eu comecei a pensar na minha conversa com Bernardo. “...eu realmente nunca vali nada e nunca escondi isso de ninguém, mas eu não tive intenção nenhuma de machucar você” Bernardo e eu estudamos juntos desde que temos 5 anos e sempre fomos de grupos completamente diferente. Eu, a nerd, querida pelos professores, medalhas e mais medalhas de boas notas e ele o bagunceiro, que os professores queriam distância, medalhas? Só por esporte. Respirei fundo e afastei Bernardo dos meus pensamentos. Abri a rede social e enquanto comia comecei olhar as atualizações dos meus amigos, fiquei algum tempo lendo e rindo das babaquices até que uma atualização me chamou atenção.

Felipe Bórgia saiu de um relacionamento sério para solteiro.

Meu coração martelou contra as minhas costelas e meus olhos se arregalaram involuntariamente. Era como se eu estivesse vendo um fantasma. Um fantasma que voltou para me assombrar.

Notas finais
algum palpite sobre quem seja Felipe? ahahaha