Notas iniciais
Olá, capítulo novo. Boa Leitura!!!

P.O.V Castiel Salvatore

— Eu não acredito que você falou aquilo. – Diz Cebola ainda sem acreditar. Estávamos nós dois na cabana conversando.

— Você mesmo me contou a história dela ter tentado de tudo para que a Mônica não te perdoasse, para que vocês não voltassem. Só disse a verdade. Ela é duas caras. – Dou de ombros, e ele suspira. – E ainda ela roubou o namorado de uma amiga.

— Eu sei que eu te contei isso, mas ninguém mais sabe e se soubessem não acreditariam em mim, ou até se acreditassem, iriam achar certo o que ela fez, afinal, ela mesmo me disse: “eu sei que você é meu amigo, mas a Mônica é minha melhor amiga e você não a merece”. – Diz imitando a voz dela.

— Viu? Duas caras. Se ela fosse tua amiga de verdade iria entender que você está tentando mudar e que você realmente ama a Mônica. E não tentaria armar coisas para que a Mônica te odeie mais ainda. Mas enfim, se quer continuar amiga dela continue, quem sou eu para impedir alguém. – Dou de ombros novamente.

— O foda que até entendo o ponto de vista dela de querer proteger a amiga. Queria saber como ela mudou tanto, ela nunca pisava em ninguém para fazer o que achava certo. E também, não posso deixar de ser amigo dela, ela é a namorada do meu melhor amigo. – Confessa suspirando. – Eu só tento relevar, pois quando éramos crianças nossa amizade era tranquila, a única coisa que tenho contra ela, é a atitude dela para se meter na vida amorosa da Mônica. Isso sim é vacilo.

— Isso não quer dizer nada. Olha para o meu relacionamento, a minha garota não tem nada contra a Magali, tanto que a convidou para a banda. E mesmo que eu não vá com a fuça da magricela, não obriguei a Mo a não gostar dela. – Digo, e ele parece pensar sobre o assunto.

— Eu sei, mas não quero deixar de ser amigo dela, só não posso confiar nela quando se trata da Mônica, pois ela acaba bancando um papel de inquisidora. – Diz seriamente, e eu concordo com a cabeça.

— Eu não acredito que está conversando com esse imbecil! – Diz Cascão assim que entra na cabana me olhando furioso.

— Nem vou retrucar. – Digo me deitando com a mãos atrás da minha cabeça, bem tranquilo, sem me abalar pelo “xingamento”.

Minha rincha nunca foi com o Cascão. Mesmo ele me odiando agora, entendo que só quer defender a namorada, afinal, eu faria o mesmo, mesmo sabendo que a minha se vira muito bem sozinha.

— Ele é meu amigo. – Diz simplesmente Cebola que parecia levemente irritado, por causa da sugestão do Cascão que não era mais para ele conversar comigo.

— É, mas você também é amigo da Magali e a muito mais tempo. E também meu amigo, você deveria entender que você não deve... – Cascão se interrompe. – Esquece. Seja amigo de quem você quiser, só não reclame depois para mim!

— Cascão! – Chama Cebola assim que o outro sai da cabana extremamente zangado e chateado.

— É melhor ir atrás dele. Ele precisa de você, mano. – Aconselho, e Cebola concorda com a cabeça.

Assim que ele sai atrás do Cascão, pego meus fones de ouvido para engatar no meu celular e assim escutar as melhores músicas que existem, o famoso Rock.

P.O.V Monique Lockwood

Era mais de tardezinha e estávamos reunidos na cachoeira – por causa do calor e para o divertimento – todos menos Mônica, Magali, Cascão, Cebola e João. Estava conversando com a Rosa enquanto o Lys e o Cast estavam nadando.

— Que treta é essa que todos estão comentando? – Pergunta Rosa curiosa.

— Ah, digamos que o Tiel resolveu falar na cara o que pensava sobre a Magali. E ela, Cascão e Mônica pistolaram para cima dele. – Dou de ombros, e ela ri.

— Ué, mas por quê? Cada um gosta de quem quiser. – Diz a minha melhor amiga sem entender.

— Também pensei isso, mas parece que a senhorita sentimental não sabe. Confesso que não acreditei naquelas lágrimas. Tipo, todos sabem como o Cast é cuzão as vezes e ela já viu o jeito que ele trata a Carmem, então não sei porque a novidade. Ela pareceu se abalar muito pelas palavras de alguém que nem amigo dela, é. – Digo pensativa.

— Concordo, não faz sentido ela ligar para o que ele diz. Eles nem conversam. – Diz Rosa.

Começo a refletir tentando entrar no lugar da Magali.

— Está bem. Acho que talvez ela seja muito sentimental, mas mesmo assim achei errado o jeito que eles fizeram. Tipo a treta era entre ela e o Cast, não com os outros. E também me fez odiar mais ainda a Mônica por ter dado um soco no meu homem, só não reagi porque aquilo não tinha a ver comigo.

— Fez o certo. Pois se tivesse com certeza ia chover gente te julgando por ter encostado na favoritinha. – Debocha Rosa me fazendo rir. Nós duas não íamos com a cara da Mônica, assim como ela não ia com a minha.

— Só espero que elas parem de agir feito crianças como elas andam fazendo.

~~~~~*~~~~~

Quase todos estavam na água se divertindo, os únicos fora dela, eram Carmem, Denise, Xaveco e Do Contra, pois preferiram ficar ao redor do lago.

— Todas saiam da água! Rápido!!! – Grita Mônica assim que ela e Magali chegam, Cebola e Cascão estavam logo atrás delas. Todos que estavam presentes na água a encaram sem entender nada.

— Por quê? – Pergunta Lysandre, e Mônica encara com um sorriso vencedor.

— Porque os germes do Castiel estão espalhando e vão contaminar todos vocês. – Ela e Magali riem como se aquilo fosse a melhor piada do mundo. Eu olho elas com um olhar mortal, mas como estavam prestando atenção na expressão do Castiel, não me viram.

— Nossa que engraçado. Estou morrendo de rir. Querem o prêmio das mais infantis do ano? Pois se quiser eu posso conseguir um. – Digo debochadamente atraindo os olhares para mim.

Será que ninguém nunca confronta essa Mônica? Por que todos tem tanto medo dela?

Já estou farta dessa infantilidade! Desde ontem que elas tentam debochar do Castiel e ficam rindo como se fossem as maiorais. E eu sei que ele não se importa, mas isso me deixa com raiva e muita. Confesso que quando conheci elas nunca pensei que agiriam assim, elas pareciam ser contra esse tipo de comportamento, mas parece que realmente se sentiram incomodadas com o Castiel.

— Olha a Carrie está se manifestando. – Debocha Mônica me encarando com um sorriso que se demonstrava confiante na vitória.

Saio do lago lentamente e ando até elas que não tiravam o sorrisinho metido a besta da boca. Se pudesse iria fazer as duas engolir essa merda de sorriso. Calma, Monique. Você está muito zangada. Pense racionalmente.

— Quer ver meus poderes de Carrie? – Pergunto maliciosamente e macabramente, as duas diminuem um pouco os sorrisos.

— Os teus poderes de como ser esquisita? Dispenso. – Rebate Magali sorrindo.

— Olha queridinha, nunca tive nada contra você, tanto que te convidei para a banda. Mas se me quer como sua inimiga, só tenho que te alertar que isso só tem a te prejudicar. Afinal, nenhuma de vocês me conhece de verdade e eu alerto que não vai ser bom me conhecerem desse jeito. – Digo pausadamente a última frase para botar medo nelas.

— Nossa que medinho! Eu vou arriscar. – Diz Mônica logo me dando um soco, o que me faz abrir a maior gargalhada.

— Caralho! Como você é fraca. – Digo rindo mais ainda.

Eu não entendi o motivo, mas todos estavam me olhando assustados, menos Castiel, Rosalya e Lysandre. Não tinha nada de assustador em ver uma garota fraca dando um soco que não faz nenhum estrago.

— Mas o quê?! – Exclama com os olhos arregalados.

— Agora é minha vez. – Digo andando devagar com o maior sorriso do mundo. Dou apenas um soco nela, o que a faz quase cair para trás, sendo que foi um soco com força normal. Eu realmente só quis dar um para revidar, nada muito forte.

— Mônica... – Chama Magali mais que assustada.

— Quem é você?! – Exclama Mônica me olhando com os olhos arregalados como se eu fosse um monstro.

— Sou só alguém que defenderia quem eu amo a todo custo. – Respondo e logo me viro de costas para elas, indo até o Castiel que já havia saído do lago e me esperava.

— Vamos sair daqui... Todos estão olhando estranho. – Sussurra para mim logo pegando na minha mão me conduzindo para fora dali. Longe de todos.

Eu não entendo aqueles olhares. Todos me encaravam como se eu fosse um monstro. Mas eu não fiz nada de mais, eu só me defendi. Ou será... que eu fiz algo de errado?

~~~~~Ontem Depois Da Treta~~~~~

P.O.V Mônica Souza

— Eu não acredito que aquele cretino te tratou daquele jeito e saiu impune! – Digo com raiva.

— Está tudo bem, já melhorei disso, amiga. Cada um pode achar o que quiser do outro. – Diz ela normalmente. – Não que não me doa ainda pensar no que ele disse, só que já era de se esperar, afinal ele trata a Carmem super mal só porque ela gosta dele.

— Por isso mesmo, não está tudo bem não. Precisamos pensar em algum plano. – Digo pensativa.

— Está parecendo o Cebola. – Revira ela os olhos. – Tudo que eu menos quero agora é vingança.

— Falando nele. É outro idiota! Como pode ser amigo de alguém que só pisa nas pessoas? Talvez seja porque ele seja igual. – Minha raiva aumenta de pensar que o Cebola é amigo daquele Castiel.

— Já deu, não é? Agora você fica descontando no seu melhor amigo. O Cebola tem o direito de fazer amizade com quem ele quiser. – Diz séria me fazendo dar um suspiro.

— Tá, mas ainda vamos fazer o plano! – Afirmo convencida. Ela acaba por se render, afinal eu não iria desistir.

— Tudo bem, eu topo o plano, mas não deve ser nenhum que o prejudique. – Exige, e eu concordo. – Qual vai ser?

— Nós iremos debochar dele todas as vezes que tivermos chances. Para deixá-lo tão mal quanto ele te deixou.

~~~~~*~~~~~

— Vamos, amiga. – Me apressa Magali com um sorriso.

— Já vai. – Digo terminando de pegar minhas coisas para a caminhada. – Pronto.

O instrutor, John Smith, havia preparado uma caminhada para a nossa turma, nós iriamos até o topo de uma montanha. Confesso que estava empolgada no começo, mas me dá um frio na barriga de saber que é bem íngreme o caminho. Sei que já passei por coisas piores, mas mesmo assim não quer dizer que não sinto um medinho.

— Bom dia, forasteiros! – Cumprimenta o instrutor bem animado. Ele já devia estar acostumado a acordar cedo, tipo bem cedo.

— Bom dia. – Diz todos com uma voz de nenhuma animação.

— Vocês vão ver! Depois que chegarmos ao topo da montanha irão me agradecer por terem acordado. – Diz ele convencido. Só espero mesmo que ele tenha razão. – Agora, por favor prestem atenção onde pisam e não se afastem do grupo.

John nos guiava pela trilha que parecia subir infinitamente. Sorte que a Magali estava do meu lado para nos distrairmos com qualquer conversa.

— Você não achou estranho o que aconteceu ontem? – Pergunto a Magali que me olha confusa. – Eu ficar fraca. Meu soco não fez nem cócegas.

— Vai ver você anda cansada demais. Você está se cuidando bem? – Pergunta Magali preocupada e eu tento pensar se havia feito algo cansativo ou qualquer coisa que pudesse ter me enfraquecido.

— Sim. Não tenho nenhuma ideia do que aconteceu, ou do que anda acontecendo. Primeiro foi a coelhada no Castiel que não fez nada, depois o soco nele que fez um impacto mínimo, e ontem meu soco não fez nada. O pior que ainda quando ela me deu aquele soco foi uma das pancadas mais fortes que já levei. Não foi bem forte, mas eu senti. Tipo senti mesmo! – Confesso, mas ela parece não ter achado nada demais.

— Não se estresse com isso, Mô. Tenho certeza que não é nada. Todos estranharam, eu sei, mas isso não significa nada além. – Suspiro com seu comentário. É..., acho melhor eu tirar essas maluquices da minha cabeça.

Continuamos a andar e conversar sobre outras coisas, evitando esse assunto novamente. A trilha era íngreme, mas bela, ainda mais com o sol refletindo entre as árvores, dava um aspecto muito mágico. Experimento olhar para baixo da trilha onde dava para ver o quão alto já estávamos, mas mesmo assim faltava muito para chegar ao topo.

— Mônica... – Chama-me Magali, mas antes que eu possa olhar para ela ou a responder, sinto meus pés escorregarem.

Eu estava caindo e... como sempre falam quando está prestes a morrer, eu vi todos os momentos da minha vida. Meu primeiro beijo..., meu primeiro amor..., minha primeira desilusão... Toda a minha vida.

— Mônica!!! – Grita uma voz masculina, mas que eu não conseguia identificar.

Só me restava esperar a queda enorme que me aguardava. Fecho meus olhos, mas nada acontece. Apenas sinto uma mão segurar a minha me puxando de volta ao solo.

Abro devagar meus olhos e vejo que era a Monique. Ela havia me salvado! Havia me puxado de volta a trilha.

— Você está bem? – Pergunta com a voz falhada e preocupada. Espera... Por que ela me salvou?

— Estou. – Digo com a voz falhada ainda. – Você me salvou... – Começo desconcertada, e ela dá uma risada nervosa.

— É claro. Não iria te deixar morrer, mesmo com nossas desavenças. – Responde, e eu ainda fico pasma. Com todas as pessoas presentes, a única rápida suficiente foi aquela que eu tanto julguei.

— Obrigada... – Sussurro, e ela me ajuda a me levantar. Confesso ainda estar bamba das pernas.

— Estou à disposição. – Diz com um sorriso amigável. – Só tome mais cuidado.

— Mônica!!! – Grita Magali me abraçando. – Eu pensei... – Sua voz falhava por causa das lágrimas que caiam.

— É melhor eu deixar você com seus amigos. – Diz Monique olhando ao redor que estava repleto de pessoas me perguntando como eu estava, entre outras coisas.

— Mônica!!! – Chamam várias pessoas. Antes que eu possa falar mais alguma coisa para a pessoa que me salvou, a mesma volta para o seu grupo pequeno que a olhava orgulhoso pelo salvamento.

Mesmo com tudo o que aconteceu entre nós, por causa de nossa rivalidade, ela me salvou e ainda assim foi gentil se preocupando. É..., acho que eu estava errada em relação a ela... Muito errada.

P.O.V Monique Lockwood

Depois de todos voltarem ao normal por causa da quase queda da Mônica, voltamos a caminhar pela trilha e bem mais cuidadosos.

— Como você foi tão rápida? – Pergunta Rosa ainda pasma.

— Eu não sei. Apenas agi por impulso, instinto, sei lá. – Digo tentando agir normal, mas aquilo também me assustou.

Eu estava a duas duplas de distância e consegui salvar ela, já a melhor amiga dela que estava do seu lado não conseguiu. Eu sei que a Magali não fez de propósito, mas eu queria saber como cheguei tão rápido a ponto de salvá-la de uma queda que com certeza a mataria.

— Ei! Está tudo bem? – Pergunta Castiel passando seu braço esquerdo por mim me fazendo ficar perto dele.

— Não muito, me sinto meio tonta. – Confesso e ele me olha travesso. – O que foi? – Pergunto rindo, aquela era a perfeita cara de “tive uma ideia”.

— Sobe. – Fala se abaixando na minha frente.

— Não! – Nego rindo. Eu não iria subir nas costas dele!

— Sobe logo ou vou te colocar nos meus ombros e te carregar! – Ameaça, e eu concordo derrotada.

— Você não presta... – Murmuro fingindo estar brava o que o faz rir.

— Eu sei que você me ama.

Assim que já estava me segurando nas costas dele, o mesmo começa a andar como se estivesse cavalgando.

— Você é louco!!! – Grito assim que ele começa a ultrapassar várias duplas rapidamente.

— Eu sou louco por você, Monique!!! – Grita assim que para bruscamente. Olho constrangia para todos os lados e vejo que não tinha um que não nos encarava.

— Chamou muita atenção... – Sussurro mais vermelha que um morango.

— Não me importo, quero que todos saibam que você é minha! – Diz alto, e eu me escondo em suas costas de tanta vergonha.

Se ninguém sabia como era nossa relação, pode ter certeza que agora sabem. Acho que até as aves que passam lá em cima, sabem.

~~~~~*~~~~~

— Está com fome? – Pergunta Castiel me oferecendo uma tigela com chilli e segurando outra para si.

— Estou faminta. – Digo tomando a tigela da mão dele para logo começar a comer.

Já havíamos chegado faziam umas duas horas, o que deu tempo de montar o nosso acampamento. Iriamos passar uma noite na montanha, para que víssemos o nascer e o pôr-do-sol da bela vista da montanha.

— Acho que você vai ter que pegar mais para mim. – Digo fazendo beicinho assim que mostro minha tigela vazia.

— Está bem, minha princesa. – Sorri pegando minha tigela e indo para a mesa onde estava a comida.

Olho para a minha frente observando a paisagem. Era simplesmente perfeita. Olhar essa imensidão e esse céu me faz ter inveja dos pássaros. Voar seria tão incrível...

— Monique... – Me chama uma voz feminina atrás de mim. Me viro me deparando com Mônica meio envergonhada.

— Oi. – Digo sorrindo. – Senta. – Aponto para o espaço do meu lado no tronco em que eu estava sentada.

Por mais que eu estava com raiva dela a algum tempo atrás, ver ela em situação de perigo, me fez pensar que a raiva e ódio não é algo que eu quero que tape minha visão.

— Eu queria de agradecer. Por você sabe, ter me salvado. – Diz assim que se senta.

— Você já agradeceu e de verdade, nem precisava agradecer. – Digo, e ela coça sua nuca.

— Preciso sim. Você me salvou! Foi como se fosse meu anjo da guarda... – Sussurra a última parte envergonhada por ter falado.

— Bem. Aceito seus agradecimentos e espero que esteja bem depois de tudo. – Digo sinceramente, e ela concorda com a cabeça.

— Quer? – Pergunta me oferecendo uma barra de chocolate.

— Quero. – Digo com uma cara de quem estava hipnotizada pelo chocolate a fazendo rir. Pego um pedaço e começo a comer. – Por que não fazemos as pazes? – Sugiro, e ela parece surpresa. – Se você quiser... – Completo a fazendo sorrir.

— Ah, claro. Seria ótimo.

— Que bom, não gosto de ficar de ressentimentos e inimizades. – Confesso a fazendo me encarar confusa. – Foi a Carmem que começou. – Digo com as mãos em sinal de rendição.

— Eu sei. – Ri. – Acho melhor eu ir, seu namorado está meio em dúvida de vir aqui.

— Ah... – Olho para trás e vejo um ruivo me encarando e segurando uma tigela cheia de chilli. – Até. – Sorrio para a garota de cabelos Chanel que se afasta.

— Até. – Diz acenando para mim.

— O que ela queria? – Pergunta Castiel me encarando sério.

— Agradecer o salvamento. – Digo depois de ter pegado a tigela e começado a devorar aquela beldade. Comida é tão bom!!!

— Hum... – Murmura olhando para frente.

Aquele era sem dúvidas o melhor lugar que eu já havia ido!

~~~~~*~~~~~

Era triste ter que dar adeus a aquele lugar, mas tenho que ir, afinal, todos vão.

— Se gosta tanto de lugares assim... – Começa Tiel com um sorriso sincero e com as bochechas meio avermelhadas. – Que tal morarmos só nós num lugar assim..., longe de todos?

— Seria ótimo. – Digo o abraçando e dando um selinho. – O Dragon adoraria poder correr livre.

— Verdade. – Confessa rindo.

— Ei, pombinhos!!! – Chama Rosa do lado do Lys. – Vamos.

— Já vamos. – Digo, e ela volta a conversar com o Lysandre.

— O que está procurando? – Pergunta o ruivo assim que me vê fuçando na minha mochila.

— Uma câmera. – Respondo, e ele me olha confuso. – Achei!!! Vem! Vamos tirar uma foto de recordação.

— Desde quando você tem uma velhice dessas. – Indaga olhando para minha câmera que revelava a foto na hora.

Após tirar a foto junto com o Cast, a pego para ver se havia ficado legal e estava sensacional. Nós dois juntos, com um fundo de uma paisagem magnífica.

— Vai ser a melhor recordação... – Sussurro para mim mesma, logo guardando a foto e a câmera.

— Vamos embora? – Diz me dando um beijo na testa.

— Vamos.

P.O.V Melissa Chieses Santos

Já era de noite e todos estavam em volta da fogueira assando marshmallows. Fiquei afastada de todos um pouco longe da fogueira, pois a mesma estava cheia.

Eu sei que já faz bastante tempo que eu perdi o Dimitry, mas mesmo assim sinto falta dele. Ele me fazia feliz..., mas fico bem em saber que ele encontrou a amada dele, mesmo que tenha me deixado. Não sou egoísta então entendo que era melhor ele ir, afinal ele sempre quis morrer.

— Está tudo bem com você, Melissa? – Pergunta Lysandre se sentando do meu lado no mesmo tronco. Ele estende um copo com chocolate quente e marshmallows, o pego e começo a beber.

— Estou. – Digo simplesmente e ele abaixa a cabeça.

— Não parece... – Sussurra, e eu dou de ombros.

— Mesmo se não tivesse, vou ficar bem. – Digo séria.

Nada contra o Lysandre, mas ultimamente ele anda muito próximo de mim e ele é sempre tão formal, as vezes me dá raiva, porque ele me lembra do Dimitry, só que sem ser um vampiro.

— Hum... – Murmura. Lysandre estava com uma expressão séria.

Fico olhando para a fogueira por bastante tempo. Vários pensamentos vinham e iam em minha mente me fazendo ficar perdida em mim mesma.

— Por que anda tentando me afastar? – Pergunta Lysandre olhando para a chama da fogueira.

— Não estou fazendo isso. – Minto. – O que te dá essa impressão?

— Você sempre arranja uma desculpa quando eu venho conversar com você. – Solta uma risada fraca.

— Eu não faço isso. – Minto novamente. Eu sinceramente não quero falar o motivo para ele, não tem necessidade..., e são meus motivos!

— Não... Imagina. – Sussurra ele se levantando prestes a ir embora.

Sinto um vento gelado passando por minha nuca e logo um vulto cinza escuro passa voando por entre as árvores rapidamente. Seria impossível de ver, mas eu vi.

— O quê?! – Exclamo fazendo Lysandre me olhar sem entender nada.

— O que foi? – Pergunta incomodado.

— Eu acho que vi um vulto passando por entre as árvores. – Digo caminhando para a floresta, mas antes que eu continuasse meu caminho Lysandre me para.

— Você vai se perder se entrar na floresta de noite. As vezes foi a sombra de uma árvore. – Diz sério, e eu concordo com a cabeça.

— É, pode ter sido. Mas pareceu tão real. – Suspiro e ele começa a olhar o topo das árvores. – Você viu aquilo? – Pergunto assim que vejo um vulto mais escuro passar por todos e sumir na chama da fogueira.

— Não. – Diz e me olha preocupado. – Acho que você deve estar cansada, Mel. Você deveria ir dormir.

— Mas... – Me interrompo. Não iria adiantar nada falar sobre o que eu vi, pois só eu vi. – Tudo bem, vou para a cabana descansar.

— Até amanhã. – Diz conforme eu passo por ele para ir ao caminho da minha cabana.

— Até, Lys. – Digo acenando para ele.

Eu sei que o Lysandre pode estar certo e ser cansaço, mas eu juro que vi dois vultos. Pode ser qualquer coisa? Pode. Mas... Eu devo estar ficando louca...

Não foi nada, Melissa! Foi apenas coisa de sua cabeça, foi sua imaginação te pregando uma peça. É só descansar e tudo ficará normal... Pelo menos, eu espero que fique...

P.O.V Laura Styles

Abro levemente meus olhos ao despertar de um sono profundo. São oito da manhã e todos da casa estão dormindo. Ótimo! Pego quatorze reais da minha mesada e parto para a praça do bairro. Chegando em um restaurante, peço uma marmita composta de arroz, feijão e batata frita. Espero e em dois minutos a comida está pronta. Rápido e eficiente, não? Pego a comida, pago e de lá mesmo, vou para um dos locais mais perigosos da cidade, o presídio Entaurus.

~~~~~*~~~~~

— Você vem aqui toda semana, Laura. Realmente você gosta muito de seu namorado. – Diz Clóvis, o chefe do presídio, quando chego até a recepção do local.

— E-ele não é meu namorado, Clóvis. Você sabe disso. – Digo corada gaguejando um pouco. Ele solta uma leve risada.

— Está bem. Jean, leve ela até o local de visitação.

Clóvis era uma pessoa muito gentil comigo e até mesmo com os próprios presidiários. Claro que tinha alguns encrenqueiros, mas a maioria era até gente fina. Chego no local de visitas e Toni já está lá a minha espera. Sua expressão é uma mistura de felicidade, alívio e vergonha ao mesmo tempo. Felicidade por não estar sozinho, alívio por ter com quem conversar e ter apoio, e vergonha por causa que apesar do que ele fez comigo e com o pessoal, eu ainda estava ali para ajudá-lo. Não sei como, mas de alguma forma consigo sentir essas coisas nele.

— Hoje eu trouxe um almoço básico: arroz, feijão e batata frita. Espero que goste.

— Obrigado... Fico muito feliz. – Ele dá um sorriso envergonhado.

O silêncio dura alguns segundos. Olho em seus olhos, mas o mesmo evita uma troca de olhares diretos comigo.

— Então... por que não foi com a turma para o acampamento? Dizem que é legal por lá.

— Não fui porque ninguém viria aqui ficar com você.

— Entendo...

De fato, ninguém vinha visitar o Toni. Nenhum amigo, parente ou pais o visitava.

— Me desculpe, Laura.

— Por?

— Eu te iludi, brinquei com você como se fosse nada. Te magoei e te machuquei. Fiz você chorar e agora que perdi tudo..., logo você vem me ajudar. Eu...

De fato, o Toni fez tudo aquilo. Eu fui alvo de uma aposta dele com os amigos idiotas, e isso me machucou bastante. Eu raramente me apaixono, quer dizer, para falar a verdade, nunca tinha gostado de um menino. E me apaixonar para de cara ter uma decepção dessas, foi bem duro.

— Confesso que foi bastante complicado, mas tem uma razão por estar aqui. Eu não guardo rancor de ninguém. – Digo com um meio sorriso.

Toni de repente me olha atônito. Parece que o assustei com algo, mas continuei falando.

— A vida é passageira e cada um comete erros e acertos, então por que guardar mágoas? Rancor, ódio, são apenas sentimentos vazios e diabólicos que nos atrapalham em convívio com nossos próximos. Eu já errei várias vezes nessa vida e já errei em momentos que atrapalharam, prejudicaram vida de algumas pessoas, e essas pessoas não guardam rancores de mim. – Dou um suspiro. – O que eu não quero para mim, não faço para os outros, simples.

Toni me olha com uma expressão de admiração e surpresa. Fico um pouco vermelha, mas tudo o que havia revelado era a verdade, quer dizer, ao menos eu penso assim.

— Nunca pensei que alguém como você pudesse existir... – Ele confessa me dando um sorriso doce, aquilo me faz corar, mas acende uma felicidade dentro de mim.

Conversamos mais alguns minutos, e logo um guarda aparece avisando que o horário de visita tinha acabado. Toni é levado novamente até a cela, e eu volto para a entrada do presídio.

— Realmente vocês são apegados, não são? – Pergunta Clóvis.

— Não é bem assim... É que todos os seus "amigos" o abandonaram, então não quis deixá-lo só. Sei bem como é chato e doloroso se sentir sozinho. – Alego fazendo o chefe do presídio me encarar seriamente.

— Te faço um pedido, moça... Não o deixe só.

— Como? – Pergunto sem entender o pedido dele.

— Eu vejo naquele garoto potencial, esperança de um futuro bom, mas se ele for sozinho como você me relatou, vai ser complicado que ele siga um caminho bom. O mais provável é que ele volte a ser pior quando sair daqui.

— Ele já tem previsão para saída? – Pergunto curiosa.

— Sim. Daqui a três ou quatro meses por ser réu primário. Mas não conte isso a ele.

— Pode deixar. – Dou um sorrisinho.

Saio do presídio pensando em como deve ser duro enfrentar os problemas da vida sozinho. A verdade é que ninguém se volta para o lado do "mal" por achar legal machucar ou ferir pessoas. Muitas vezes isso ocorre por ambiente familiar e toda uma questão social.

Me pergunto... Onde o Toni cresceu? Como foi a vida dele? Será que ele foi sempre solitário? O que será que o fez ser assim?...

Notas finais
O que acharam?