Notas iniciais
Olá!! Mais um capítulo. Espero que gostem. Boa Leitura!!!

P.O.V Laura Styles

Eu não acredito que tudo não passou de uma aposta! Uma aposta imbecil e infantil! Boa, Laura, caiu feito uma patinha.

Que ódio do Toni, o único motivo de ter saído comigo aquele dia foi por conta de uma aposta. Realmente, ele é tudo o que me alertaram. Tenho que lembrar em agradecer a Denise por ter me contado, ou eu ia pagar um papel de trouxa maior ainda. Ela foi minha salvadora! Mesmo que eu não tenha entendido bem como ela descobriu sobre a aposta, a garota ruiva fez um bem danado em me contar.

Por que será que boas garotas sempre se interessam por caras maus? O que há de errado em encontrar alguém decente? Eu sei, não o conhecia, mas me alertaram! E isso já basta.

Aquela ceninha de querer se redimir de tudo, era algo bom demais para ser verdade, ainda mais ao julgar como o conheci, aquele tom grosso e “estou nem aí para ninguém”.

Lembro do encontro como se tivesse rolado ontem. Parecia aquele encontro dos sonhos, mas eu mal sabia que tudo aquilo se tornaria um pesadelo quando descobrisse a verdade, quando eu soubesse a segunda intenção escondida...

*~~Flashback On~~*

Estava Toni e eu numa sorveteria, conversávamos e riamos. Tudo estava tão divertido, não tenho certeza se é por causa do açúcar do sorvete ou se é por ele estar fazendo várias palhaçadas.

— Espera, deixa eu limpar. – Diz ele, logo limpando minha boca com um dedo. Confesso que aquilo me fez corar, mas acabei rindo e ele riu também.

— Assim você me deixa sem graça. – Confesso e ele dá um meio sorriso, daqueles sorrisos bobos sabem? Que te deixa derretida.

— Mesmo sem graça, você fica linda.

— Está precisando de óculos, não sou bonita. – Falo e ele ri.

— Acho que quem precisa é você. – Dá de ombros e eu volto a encarar o sorvete. — E então? – Pergunta depois que saímos da sorveteria. – Gostou?

— Odiei. – Digo séria e ele me olha com um olhar de: “É sério?”, eu apenas me parto de rir.

— Boba! Você me enganou direitinho. – Ri ele. Eu dou um sorriso convencida.

— Ah, não! – Exclamo assim que vejo gotas de chuva começarem a cair. O tempo estava fechando.

— Vamos!

Começamos a correr em busca de abrigo, mas distraída, acabo resvalando numa poça d’água. Estava preparada, de olhos fechados esperando a queda, mas ela não veio. Quando abro os meus olhos vejo que Toni havia me segurado.

— Cuidado. – Sussurra e eu coro.

Toni se aproxima de mim lentamente... Podia sentir sua respiração contra a minha pele, mas aquilo não me deixou nervosa, pelo contrário, me sentia cada vez mais tranquila. Quando finalmente nossos lábios se encontraram, dando início a um beijo calmo, não sentia mais nada ao redor, a chuva era uma mera participante que só deixava tudo mais belo.

Sei que Toni pode não me amar, mas esse beijo parece uma perfeita cena de filme ou livro de romance. Resolvo não interromper o beijo, apenas deixo o momento me levar. Quando nos separamos levemente ofegantes e completamente encharcados, rimos sem graça. O garoto acaricia a minha bochecha e dá um sorriso suave.

— Vem, vou te levar para a sua casa. – Concordo e partimos em direção a minha casa.

*~~Flashback Off~~*

Eu não devia ter permitido aquele beijo!

Toni parecia ser legal, mas como eu disse, só parecia, porque eu estava engana. Ele não presta nada!

Laura, por que você é tão inocente e ingênua? Onde foi que você pensou que um cara lindo iria se interessar em uma garota tímida e sonhadora?

A minha sorte é que ele não saiu espalhando, só pegou a grana e ponto final, sem me humilhar publicamente. Sei que ele fez essa aposta, mas não entendo o porquê de ter se fingido de vítima para mim. Logo para mim! Ele é um idiota! Um idiota que nunca se importou em querer mudar!

P.O.V Denise Dutra Frias

O sinal tinha acabado de bater, então a loucura de pessoas correndo para sair da escola era incrível. Pego minhas coisas e me direciono para a saída.

— Xaveco... – Sussurro assim que o vejo.

O menino olhava para todos os lados como se quisesse conferir que não estava sendo seguido. Antes dele me ver, me escondo atrás do muro da escola.

Quando vejo que ele parou de olhar para os lados e começou a seguir seu caminho nada habitual, já que o mesmo sempre ia por outro caminho, resolvo o seguir. Como eu sei que não é o caminho habitual dele? Queridos, eu sou a diva que sabe de tudo, Denise Dutra Frias, se não sei, descubro. E é isso que eu vou fazer, descobrir!

O sigo bem discretamente até que vejo ele entrar em um beco perto do parquinho. Ele continua adentrando o local até parar de frente com um homem, eles conversam sobre algo que eu não consigo ouvir e depois o cara entrega uma sacola para o Xaveco.

Espero o Xaveco na esquina que, provavelmente, ele iria cruzar para ir para sua casa. Depois de alguns minutos, dito e feito, o garoto a cruza.

— Denise?! – Exclama assim que me vê e tenta esconder a sacola.

— O que estava fazendo com aquele homem? – Pergunto retirando a sacola de suas mãos, vejo ele começar a suar e eu entendo o motivo. A sacola continha drogas.

— Não é o que você está pensando. – Começa gaguejando e eu o olho com raiva.

— Por que? Isso faz mal! – O confronto, os olhos dele começam a lacrimejar.

— Não queria que você tivesse visto. – Sussurra e logo vejo ele ficar com raiva. – Foi a Monique que te disse e...

— Sim, foi ela, mas ela fez um bem danado, Xaveco. Não há motivos para você ter comprado e... Você já usou? – Pergunto confusa e com raiva.

— Eu só queria me soltar mais. Você é social e eu sempre o tímido. Só... queria que gostasse de mim como eu gosto de você. – Diz dando de ombros.

— Xaveco, meu pudinzinho, meu amigo do coração, eu gosto de você, seu bobo. Não precisa disso para chamar minha atenção, agora você pode... – Antes que eu termine de falar, Xaveco começa a ir apressadamente, quase que correndo, na direção de sua casa. – Ixi, o que será que deu nele? Será que deu vontade de fazer o número dois?

Espera... Eu estou com a sacola de drogas, o que eu faço?

Antes que eu pense em algo, um garoto que eu nunca vi na minha vida, rouba a sacola e corre em direção ao parque. Está bem então, não vou ir atrás. Não quero drogas e nem preciso, isso só estraga a pessoa.

Agora é melhor eu ir para minha casa e postar algum vídeo no meu blog. Faz um dia que não posto, meus fãs devem querer me esganar. E sobre o Xaveco..., só espero que ele pare de tentar usar ou comprar essa porcaria. Não quero ver meu amigo indo para um caminho que só tem a decair.

~~~~~*~~~~~

Estava em casa, postando um vídeo (depois de tê-lo editado) no meu blog fantástico. Meu celular toca e eu rapidamente o pego, atendendo sem nem ter visto quem me ligava. As vezes sou meio aluada por conta da minha curiosidade. Quem sabe, talvez eu seja meio ansiosa.

— Alou, diva Denise no tel!!! – Digo assim que atendo a chamada.

— Denise, é o Cebola!— Diz o garoto do outro lado da linha. – Consegui provas suficientes para desvendar de vez o acidente da Cascuda.— Conta ele e eu instantaneamente fico animada.

— Really? Isso é ótimo!!! Mostra logo para o Cascão, assim tudo ficará melhor. – Falo lembrando do tamanho da culpa que o Cascão, e até a Maga, estavam sentindo.

— Ainda não. Contarei depois. – Ele faz uma breve pausa. – A maior bomba ainda é que eu descobri o lugar que o Marco Frederico se esconde.

— Como é?! Me conta mais sobre esse babado!!! Exclamo quase tento um ataque. Isso é um babado babadíssimo!!!!

Por telefone é complicado contar. Melhor vir aqui em casa. Aproveita e chama o Xaveco e a Mônica. Tenho um plano para além de livrar o Cascão, também prendermos esse canalha do Marco de uma vez por todas. — Explica.

— Pode deixar! Beijo-me-liga, gatz! Já chego aí. – Me despeço com minha “marca”.

Preciso passar na casa da Mônica e depois na do Xaveco..., mas primeiro: Hora De Me Arrumar!!!!

~~~~~*~~~~~

Depois de ter passado na casa da Mônica, que topou na hora, nós nos dirigimos a casa do Xaveco. Apesar de muito esforço, me segurei para não contar do incidente que tive com ele a algumas horas atrás. Assim que estávamos na frente da casa do loiro, sem hesitar entro pela porta, passando pela sala de estar e corredor, me dirigindo ao quarto dele.

— Xaveco, abre a porta! O Cebola tá chamando a gente. – Digo em tom alto para ele me ouvir, já que a porta do quarto estava trancada.

— Não! Eu com vergonha!!! – Resmunga ele de volta.

Provavelmente ele ainda não estava com coragem de me olhar depois de tudo o que havia acontecido, com a história da sacola de drogas e tal.

— Se você não abrir, eu vou mandar a Mônica arrombar a porta! Não é, Mônica? – Digo piscando para ela.

— Sim, e você sabe que tenho força suficiente para isso! – Diz ela entrando na minha.

Um silêncio reinou entre dois segundos, até que o Xaveco destranca a porta. Assim que a porta é aberta, vejo ele de costas sentado na cama, cabisbaixo.

— Eu literalmente espero que você não esteja se encontrando com esse cara de novo. – Digo em um tom sério.

— Que cara? Gente, o que tá acontecendo aqui? – Pergunta Mônica sem entender.

— Não conta, Denise!!! – Grita ele implorando.

— Desculpa, Xavequinho, mas eu possuo um compromisso com a verdade.

~~~~~*~~~~~

Após contar tudo, a Mônica deu uma surra no Xavequinho que até eu fiquei com pena. Mas ele bem que mereceu!

— Isso é para você aprender a nunca mais se meter com essas coisas. – Diz ela arrumando as mangas.

— Você também não precisava me dar quatro tapas e um soco na cara. Isso dói, sabia? – Resmunga ele gemendo um pouco de dor.

— E é pra doer mesmo!!! Onde já se viu, se meter com o que não presta? Você nunca foi disso.

— Guys! Vamos deixar a bronca para depois? O Cebola está nos esperando.

— Vamos. – Concorda Mônica, mas se dirige ao Xaveco com uma expressão que poderia assustar qualquer um. – Se eu souber que tá se metendo com drogas de novo. Você vai se ver comigo, entendeu?

— S-sim... – Diz ele gaguejando, assustado um pouco com a Mô.

Eu admito que de vez em quando, acho a Mônica um brutamontes cafona, brega e sem graça, porém, ela é muito amiga e mãezona de toda nossa turma desde crianças. Dá até para dizer que sinto uma pontinha de inveja dela por toda garra que ela demonstra em várias situações, ela sempre defende a todos com unhas e dentes.

~~~~~*~~~~~

Após chegarmos à casa do Cebola, ele nos mostra os áudios que havia gravado. Quem fica mais surpreso com aquilo, foi obviamente a Mônica, pois a coitada não sabia nada até agora sobre essa história.

— Eu juro que vou matar essa garota de vez!!!! – Grita Mônica furiosa.

— Mônica, calma! Não é bom perder a cabeça agora. – Xaveco diz gaguejando.

— Calma?! Como?! Por culpa desses canalhas nossos amigos estão sofrendo, pondo a culpa em si mesmos, e você me pede calma??!

— Ele tem razão, gatz. – Digo tentando acalmar minha amiga.

— Não é bom agir de cabeça quente. – Concorda Cebola. – Por isso que chamei vocês aqui. Se agirmos de qualquer maneira podemos pôr tudo a perder e acabar desperdiçando a única chance de colocar um dos maiores bandidos na prisão.

Após termos acalmado a fera. O que é um feito bastante raro. Cebola revela a nós o que ele tinha em mente.

— Devemos ficar atentos, observando perto da casa do Toni. De lá, seguimos ele até o pegarmos junto do Marco Frederico. Com isso, tiraremos algumas fotos do local marcado e ligaremos para a polícia.

— E é preciso que vá nos quatro? – Pergunta Mônica.

— Sim. A Denise para tirar as fotos do bairro e da casa do Marco. Você para nocautear algum dos dois, caso tentem fugir. Eu para ligar para a polícia, já que deixei meu celular rastreado com eles, assim a polícia virá quando eu der um toque.

— E eu? – Pergunta Xaveco.

— Ah, o Xaveco vai levar algumas cordas para amarrarmos o Marco ou o Toni, caso algum dos dois tente fugir como eu havia dito anteriormente.

— Mas Cê, não é perigoso? E caso o Marco esteja armado? Assim não poderemos fazer nada. É muito capaz de algum de nós virar vítima dele.

— Eu também pensei nessa possibilidade, mas vamos pegar ele de surpresa, então é muito difícil que ele esteja armado. Mesmo assim, eu estou levando um binóculo para ver se ele estará com um revólver ou não. De maneira alguma faremos algo não pensado.

Todos olhamos uns para os outros e concordamos com o combinado. Com isso, saímos da casa do Cebola para arranjarmos os materiais para a perseguição.

É perigoso? Sim, mas é a única maneira de ajudarmos a sociedade, se livrando desse bandido maldito!

~~~~~*~~~~~

Depois de todos terem ido as suas casas para pegar tudo o que precisava para o plano do Cebola, nos encontramos no campinho para depois irmos para perto da casa do Toni, para vigiarmos como o planejado. Já haviam se passado vinte minutos e nada do Toni sair.

— Cebola, tem certeza de que você ouviu certo a conversa? – Pergunta Mônica.

— Claro, né. Você também ouviu, Mô. Ele falou que ia sair perto desse horário.

— Não sei não viu... – Digo duvidando um pouco. Vai ver ele deu pra trás.

— Shiu galera. Olha ali! – Diz Xaveco avistando a porta da casa do Toni se abrir.

Como dito na conversa, Toni saiu (mesmo que algum tempo atrasado) da casa com uma mochila, que segundo informações, continha dinheiro. Após ele se distanciar um pouco, resolvemos o seguir a partir do sinal do Cebola. Não sei a razão, mas estou com um mal pressentimento sobre isso...

P.O.V Mônica Souza

Estávamos seguindo o Toni já fazia mais ou menos uns dez a quinze minutos. Talvez eu esteja exagerando, pois a matraca da Denise não aquieta por nada.

— Ai! Meus pés já estão doendo de tanto andar. Provavelmente andamos meio mundo até agora. – Reclama ela.

— Não. Só andamos do bairro do Limoeiro até o da Pitangueiras. – Diz Xaveco.

— Pelo jeito você não faz uns exercícios a tempos hein, Denise? – Debocho dela, rindo.

— Baby, eu sou super dotada. Independente de tudo, eu não engordo e sempre permanecerei magra e esbelta, já você, eu não posso dizer o mesmo né, fofa.

— O que você disse?! – Olho irritada para a ruiva.

— Silêncio as duas! Querem que ele nos descubra? – Nos repreende Cebola.

Ficamos quietas e continuamos a nossa caminhada.

Após mais um tempinho andando, Toni para em uma casa. Rapidamente nos escondemos atrás de uma outra casa. Nos abaixamos e o Cebola torna a repetir o que ele havia falado conosco antes para nos relembrar do plano.

Com isso, vou sorrateiramente para trás de uma grande árvore que havia no local. Cebola e Denise ficaram no mesmo local enquanto o Xaveco se escondia em uma moita não muito longe de onde eu estava. É agora ou nunca!

Conseguia ver Denise tirar fotos silenciosamente da casa onde o Toni havia batido na porta, e também do nosso local, que por sinal era assustador. Basicamente a rua onde estamos é deserta, com poucas casas – que por sinal parecem totalmente abandonadas –, sendo que a única casa aparentemente movimentada, é a que o Toni havia ido.

Não havia demorado muito tempo depois que ele bateu na porta, pois ela se abre, revelando Marco Frederico. Marco era um homem muito alto, moreno, gordo, e com uma barba mal feita, aparentando ter quarenta e dois anos. Encontrava-se vestido com uma camisa preta com uma caveira ensanguentada como figura e uma calça preta suja. Haviam várias tatuagens de palhaços no seu corpo.

— Partirmos para cima dele agora? – Escuto a Denise perguntar baixinho para Cebola.

— Não. Antes de tudo, deixa eu ver uma coisa. – Responde Cebola também em tom baixo.

O garoto dos planos infalíveis pega seu binóculo, que se encontrava em sua cintura, e coloca em seus olhos para observar Toni e Marco.

— Perfeito! Parece que o dois estão totalmente desarmados. É agora!

Após o Cebola dar o sinal, saímos de nossos esconderijos e aparecemos perante eles. Marco Frederico parece não estar assustado, enquanto Toni faz uma cara de medo, a cara mais engraçada que qualquer careta forçada que já vi na vida. Só não rio, pois não é uma situação propicia.

— Amigos seus?

— O que f-fazem aqui? – Pergunta gaguejando Toni.

— Parece que não são... – Até a voz do Marco parecia ser de bandido.

— Quer dizer que nossas suspeitas estavam corretas! Você forjou o acidente da Cascuda junto com esse cara!!! – Cebola afirma apontando o dedo indicador para Toni.

A cara de assustado do Toni ficou ainda pior ao ouvir o que o Cebola estava alegando.

— P-Peraí... Como sabem disso?

— Não importa como, o que importa é que vocês dois irão ser presos por tamanha crueldade!!! – Exclama Xaveco.

— E agora, publicarei no meu blog a prisão de um dos maiores criminosos!!! – Comemora Denise, me fazendo, internamente, revirar os olhos.

Escutamos uma risada forte ecoar perante nossos ouvidos vindo do bandido.

— É até admirável que estejam tão relaxados perante mim. Será que não se dão conta de quem eu sou? Todos vocês são apenas um bando de crianças mimadas sem noção da realidade, enquanto eu, sou um dos maiores assassinos do estado de São Paulo. Não me subestimem, bando de...

Enquanto ele ainda estava falando, eu acerto um gancho em seu rosto, fazendo o homem voar atravessando até mesmo uma árvore, para em seguida, se chocar com uma parede, ficando inconsciente.

— Já estava ficando com dor de cabeça de tanta ladainha. – Digo revirando os olhos.

— Mônica, isso foi muito bom!!! Incrível! – Exclama Cebola.

— Aproveitei a guarda baixa dele e resolvi acabar com isso logo. – Dou de ombros.

— N-Não... – Sussurra Toni, ele recua dois passos para trás.

— Agora é você!!! – Dou um sorriso “meio psicopata”.

— Deixem-me em paz!!! Saiam daqui já e talvez meu tio poupe a vida de vocês! – Diz ele.

— Vocês dois vão para a cadeia. Apodrecer lá!!! – Diz Denise que parecia estar gostando da situação.

Toni tenta correr, mas logo eu o alcanço. O garoto até tenta me acertar um soco, mas eu facilmente desvio.

— Então quer lutar, é? – Pergunto me divertindo.

Rapidamente acerto uma sequência de socos no seu rosto e no seu estômago. Era tanta força e rapidez que ele não conseguia reagir. Toni cai no chão, assim como seu tio, inconsciente, quando eu paro de socá-lo. Xaveco pega as cordas, para então, ele e Cebola amarrarem o garoto louco para ele não fugir.

— Observando bem, essa casa não era dita assombrada? Já ouvi falar de casos misteriosos que aconteceram por aqui. – Comenta Denise.

— Por relatos, já foram encontrados dois mortos nessa casa. Provavelmente esse desgraçado do Marco tenha matado as pessoas que vinham aqui, e assim essa casa tenha pegado essa fama. E o mais incrível é que as mortes não tinham nenhum rastro de assassinato. – Fala Cebola enquanto aperta os nós da corda.

— De qualquer maneira, além de prendermos dois bandidos, desvendamos um baita mistério. – Comenta Xaveco.

— De fato, já tinha matado duas pessoas aí...

Ao ouvir a frase, olho imediatamente para o lado e vejo que Marco Frederico estava em pé. Ele ficou consciente tão rápido mesmo após receber aquele golpe?

— A primeira pessoa era uma prostituta que eu havia contratado, a matei por estar sem dinheiro, e ela ter enchido meu saco. A segunda pessoa era um adolescente que antigamente havia me denunciado para a polícia, então o matei. Ele estava me perseguindo sabe? – Enquanto falava, põe sua mão no bolso interno da jaqueta, retirando um revólver. – E a terceira pessoa, será um de vocês.

Ouço o som do disparo da arma de Marco após a mesma ter sido engatilhada. Apesar de ter sido um som abafado, percebo que alguém havia sido atingido.

— Xaveco!!! – Grita Denise desesperada, logo vejo o garoto caído no chão, cuspindo sangue.

Ele havia entrado na frente da Denise no último segundo, a salvando. Vendo essa situação, me vi congelada, não sabia como reagir. Marco Frederico havia fugido após ter efetuado o disparo e eu só conseguia olhar o que acontecia a minha frente.

— Eu... consegui? A-Acho que sim… – Sussurra ele.

— Seu idiota!!! Imbecil!! Por que fez isso??? – Denise estava desesperada, gritando e brigando com o garoto que sangrava sem parar, abaixando-se pega o garoto em seus braços o colocando em seu colo. – Você... Você se arriscou por mim...

— Você... está bem?

Lágrimas caiam do rosto dele, e eu conseguia ver nos olhos da ruiva, uma tristeza profunda. A mão de Xaveco limpava aos poucos diversas lágrimas que caíam do rosto da Dê, sua maquiagem já começava a ficar borrada.

— Eu sempre fui um inútil... Um cara que não fazia de nada pela turma... Apenas mais um zé ninguém, mas dessa vez eu consegui fazer algo relevante, né? A-ai... – Sua mão direita pairava no lado esquerdo de seu tórax, local onde tinha sido atingido.

— X-Xaveco, eu... não entendo você ter feito isso...

— Toda minha vida, mas p-principalmente na adolescência, via você como u-uma musa, alguém que eu tinha como a m-mulher de meus sonhos... – Não consigo fazer nada ainda atônita com a situação. – Até nas drogas fui me aventurar só p-pra tentar ter ou ser alguém notável...

— Você vinha tentando isso apenas para chamar minha atenção? – Pergunta ela ainda desesperada.

— Sim..., mas foi tudo em vão... – Os olhos de Xaveco vão se fechando aos poucos. – Na verdade, talvez não seja, pois estou m-morrendo em seus braços... V-viva sua vida, está bem?

— N-não...

— Eu te amo, Denise.

— Não!!!!!!! Você não vai morrer!!! Não irei deixar!!! – Grita Denise com os olhos repletos de lágrimas, abraçando o garoto que aparentemente não esboçava reação alguma. – Chamem um médico! Ambulância! A merda de alguma coisa!!!! – A última parte ela gritava mais alto, por conta de seu desespero.

Quando percebo que ele não estava mais consciente, só fico furiosa comigo mesma. Eu me sinto completamente inútil! Eu não consegui mover um músculo sequer por conta do pânico que eu presenciei.

Olho para Cebola que estava ligando para a emergência. Meu melhor amigo estava em choque como eu, mas a diferença, é que ele ligou para a emergência, já eu, fiquei aqui parada, olhando o Xaveco e a Denise.

Finalmente meu corpo volta a responder, me acordando para a realidade. Me aproximo da ruiva que estava no chão ao lado do Xaveco, a abraço para tentar dar um pouco de conforto a suas angústias. Ela continuava desesperada, chorando e gritando por conta da dor emocional que estava sentindo, mas nós não podíamos fazer nada.

Sinto leves pingos de chuva caindo em meu corpo, logo tomando proporções enormes de uma chuva forte. Vejo Cebola indo se proteger da chuva enquanto conversa no telefone, acenando para sairmos da mesma, contudo, Denise apenas chorava ferozmente. Gritos de dor e de agonia eram o que tomavam seu ser agora. O seu corpo totalmente sujo do sangue de nosso amigo loiro era lavado com a água da chuva misturado com as lágrimas que caiam de seus olhos castanhos. Não sei o que será daqui pra frente depois de presenciarmos algo tão terrível e drástico.

Mas só espero que Denise consiga superar isso...

Nós nunca esqueceremos você, Xavier.

P.O.V Maria Fernanda

Depois da aventura que tive aqui pelo bairro, a aventura em que "salvamos" a Melissa de um vampiro (muito gato por sinal), fiquei fascinada por tudo que presenciei. Contei tudo ao DC, que não parecia estar muito interessado na história.

— ...aí fomos embora com a Melissa. Ela no momento ainda estava magrinha, mas a Dona Morte... – Me arrepio só de pensar nela. – ...disse que ela recuperará sua normalidade em pouquíssimo dias.

— Massa. – Diz DC meio desinteressado.

— O que foi, lindo? Você parece chateado.

— Não é nada. – Diz isso, mas não me dou por vencida.

— Eu posso morar a pouco tempo aqui, mas já te conheço mais do que você pode imaginar. Diga logo o que aconteceu ou irei ficar enchendo teu saco até você me contar.

Me encarando por um tempo, percebendo que eu não estava brincando, DC se levanta do local onde estávamos sentados e coloca as duas mãos atrás da cabeça.

— Eu estou chateado, sabe?

— Com o quê? De não ter participado?

— Apesar que gosto de me meter nessas tretas, não é isso. É a Mônica. Desde que terminamos, nunca mais nos falamos, nos cumprimentamos ou outra coisa. Sendo que ela não ignorou o Cebola assim, quando ela e eu namorávamos. O pior é que ainda gosto um pouco dela...

Ao ouvir aquilo, uma raiva me invade, uma raiva que foi quase impossível de conter. Ainda bem que ele estava de costas, se não ele teria notado.

— Eu não sou nenhum bobão apaixonado, mas eu ainda sinto algo por ela. E literalmente odeio isso! Sentir algo por sua ex é foda.

— Você é realmente um idiota! – Exclamo irritada.

Ele vira para mim e começa a rir feito uma criança. Mesmo quando alguém está bravo com ele, o garoto não se importa. Literalmente, ele é "Do Contra".

— Eu sei disso, mas sou jovem ainda. Vou arranjar outro alguém, eu acho. Quem sabe o que o destino me reserva. – Ele dá de ombros.

— Sabe o que ele lhe reserva? – Pergunto não aguentando mais.

— O quê?

— Isso!

Sem hesitar, o puxo fazendo-o colar na minha cintura, para logo lhe dar um beijo feroz. Como eu havia iniciado a ação, só eu fazia os movimentos, mas com o tempo, senti suas mãos tocarem minhas costas, seu corpo começou a relaxar e sua boca começa a retribuir o que eu estava fazendo. E como ele beija bem, meu santo gliterinado!

Apesar da crença universal ser de que o homem tome a primeira a atitude, eu que não iria esperar ele me beijar, pois ele poderia nunca fazer isso. Então resolvi fazer algo que desde que conheci ele, tive vontade de fazer.

Agora é curtir esse momento incrível!

P.O.V Selene Schlüter

A noite é realmente o período perfeito para minha caça. Mesmo que o dia não me afete como aos outros vampiros, ainda é um leve incômodo para mim. Ao analisar algumas possíveis vítimas, uma me chama atenção. Resolvo me aproximar ligeiramente.

— Consegui escapar... – O homem arfava. – Aqueles moleques! Um dia me vingarei deles, mas agora preciso me esconder...

— Falando sozinho, gato? – Pergunto falsamente. O cara era feio demais, mas ainda assim, é bom acalmar a presa antes de abatê-la.

— Uou! Quem é a princesa?

— Pode me chamar de Selene. – Sorrio.

— Selene, hein? Sabia que você é bem gostosa?

Ele se aproxima de mim e suas mãos cheias de calos acariciam meu rosto, meus seios e minhas pernas. Aquilo era divertido, ver como ele achava que eu queria algo desse tipo com um ser tão feio e patético.

— Bora para um motel, gata? Tem um aqui bem pertinho... – Diz depois de me abraçar por trás.

— Pra que motel? – Pergunto isso me afastando lentamente dele. – Vamos para um beco, é mais excitante e barato...

Ele novamente se aproxima de mim e lambe o meu rosto. Se eu fosse humana, já teria vomitado, mas vamos manter o “papel”.

— Tudo bem, gatinha. Como quiser...

O arrasto para o beco mais próximo, o jogando em cima de um monte de caixas de papelão. Pulo em cima dele, com um sorriso vitorioso e diabólico, enquanto sua face se amedronta ao ver minhas presas crescendo lentamente em minha boca vermelha-sangue do batom que eu havia passado antes de sair para procurar uma vítima.

— Isso é de fato, excitante, não é, gato? – Pergunto rindo.

Passo a língua em seu pescoço o fazendo ficar cada vez mais tenso. O homem escroto tenta fugir, mas totalmente em vão. Minhas presas fincam rapidamente seu pescoço e seu grito de dor é alto, soando como música para meus ouvidos. Seu sangue não era um dos melhores, mas na sede em que me encontro, é muito melhor do que nada, afinal, não dispenso sangue de ninguém.

— Me... ajuda... alguém... – Sussurrava o homem implorando para ser salvo. Isso é realmente divertido, ouvir minha presa implorar por salvação antes de morrer.

— Oh meu bem, ninguém vai te salvar. – Digo com um sorriso maldoso. Ver aqueles olhos de desespero e pavor, só me deixa com mais vontade de matá-lo.

Dou uma última olhada, observando aquele ser ainda vivo, vendo sua expressão de dor e desespero. Realmente sentir o cheiro de derrota e medo de morrer é uma sensação deliciosa.

Abro minha boca deixando minhas pressas maiores ainda para o atacar novamente, agora, terminando com sua vida desprezível de uma vez por todas, sugando seu sangue por completo, até a última gota.

Notas finais
O que acharam? Até o próximo!