Together

3 Say Something


Together

"... Sometimes the greatest way to say something

(Às vezes, a melhor maneira de dizer algo)
Is to say nothing

(É não dizer absolutamente nada)
But I can't help myself

(Mas eu não consigo evitar)
No, I can't help myself, no, no

(Não, eu não consigo evitar, não, não)"

(Justin Timberlake — Say Something)

— Você não disse, maldição, que iríamos ser eu, você, Sango e a tal prima dela? – Inuyasha vociferou, num murmúrio irritado, enquanto metralhava Miroku com os olhos.

Miroku limitou-se a dar ombros, sorvendo uma boa golada da sua própria cerveja, antes de responder, tranquilamente:

— Cara, é um bar. Por coincidência eles estavam aqui.

Inuyasha cruzou os braços, irritado. Observou discretamente as pessoas que não esperava topar aquela noite: Bankotsu e Jakotsu, ambos no balcão pegando bebidas com o barman. Eram amigos de longa data e o hanyou não tinha especificadamente nada contra eles, mas onde quer que estivessem, invariavelmente haveria alguma balbúrdia.

— Inuyasha, querido! – Jakotsu o surpreendeu na rápida olhada, sorrindo animadamente enquanto acenava com exagero. – Quer que eu vá me sentar aí do seu lado?

— Quê? Não, fique aí!

— Ah, eu vou me sentar sim. Não precisa ter vergonha de pedir!

— Feh, Jakotsu, eu não falei para sentar!

Jakotsu o ignorou com maestria, largando-se ao lado dele no pequeno e confortável sofá do lounge do bar aonde estavam. Sem qualquer cerimônia, o homem passou o braço pelos ombros de Inuyasha animadamente.

Inuyasha sentiu uma veia saltar na sua testa enquanto encarava Jakotsu, irritado. O homem era alto, tão alto quanto ele, e tinha cabelos ligeiramente compridos que usava preso num coque despojado. Outra característica de Jakotsu é que ele era incrivelmente escandaloso sobre tudo, até mesmo sobre sua orientação sexual. Não era raro escutá-lo dizendo que gostava de homens, e até aí, não havia problema nenhum. O ponto era que quando se tratava dele, Inuyasha, ou de Sesshoumaru, Jakotsu era ridiculamente atirado. Ele costumava usar a mesma frase quando se viam:

— Inu-lindo, eu tenho uma atração in-crí-vel por você!

— Feh, inferno, saia daqui e leve sua atração junto! – Sem muita paciência, Inuyasha tentou tirar o braço de Jakotsu de cima dos seus ombros.

— Mas eu estou me comportando! Eu só vim dar um oi porque notei que seu humor parece pior do que de costume.

— Eu não tenho mal humor!

— E eu sou a Britney Spears.

— Jakotsu…

— Se você continuar falando assim, essa veia na sua testa vai estourar – Bankotsu também se aproximou, observando a cena do irmão abraçado a Inuyasha com alguma naturalidade.

Miroku, até então silencioso, riu alto da cena.

— Por que você não aproveita que estamos no melhor bar da cidade e relaxa um pouco? – Miroku, ainda rindo, se adiantou em tentar apaziguar os ânimos – Aqui ninguém te enche o saco.

— Exceto Jakotsu – Inuyasha resmungou, olhando o homem sentado ao seu lado com irritação.

— Exceto eu, é claro – Jakotsu se agitou, soltando uma risadinha alta.

Inuyasha suspirou, derrotado, e desistiu de se livrar do braço de Jakotsu, já que o maldito parecia um polvo. A contragosto, sorveu um gole da sua própria long-neck e resolveu abstrair de Jakotsu surtado ao seu lado.

Era verdade que estavam no melhor bar da cidade. O Shikon Jewel era um bar grande, de três andares, com diferentes tipos de ambientes. Eles geralmente preferiam o lounge para conversar e beber tranquilamente.

— Olha quem chegou – Bankotsu, sentado ao lado de Miroku, apontou para a entrada do bar – Rin e Sesshoumaru!

Rin e Sesshoumaru vinham caminhando em direção a eles. Rin, com um sorriso imenso, e Sesshoumaru com a expressão impassível. O contraste era cômico.

— Não parece que Rin está segurando um machado nas costas sorrindo desse jeito? – Jakotsu cochichou, num tom de confidência.

— Tomara que ela arranque seu maldito braço – Inuyasha resmungou, bufando.

— Às vezes você parece uma mula ao invés de um hanyou – Bankotsu comentou, dando ombros, e diante da expressão ameaçadora do hanyou, apenas deu ombros – É uma realidade. Muito mal humor.

— Oi gente! – Rin se aproximou, animada, e cumprimentou a todos com um aceno.

— Boa noite, Rin-chan e… — Miroku encarou um Sesshoumaru impassível. O youkai tinha uma expressão assassina mesmo antes dele continuar -… Sesshy. – O rapaz entoou, seriamente.

Daquela vez Inuyasha foi obrigada a rir, enquanto Jakotsu gargalhava escandalosamente e Bankotsu ria, também se divertindo.

Sesshoumaru manteve-se sério, a não ser pela expressão assassina. Rin tentava conter uma risada. No fundo, sabia que a culpa de chamarem o namorado assim era porque uma vez, acidentalmente, ela tinha deixado o apelidinho escapar. Para seu azar, Miroku estava presente no momento.

— Vocês são desprezíveis – O youkai limitou-se a responder, e largou-se em um dos lugares vagos ao redor da grande mesa que estavam ocupando aquela noite. Rin sentou-se ao lado dele, entrelaçando os dedos finos aos do namorado.

Após essa zoação inicial, o grupo começou a conversar sobre coisas triviais de modo mais descontraído, embora, entre um momento ou outro, rolasse alguma zoeira com alguém. Nesse ponto da noite Inuyasha já conseguia ignorar um Jakotsu surtado ao seu lado se abanando com um ridículo leque cor de rosa que ele nem queria saber a origem. Certas coisas ele preferia deliberadamente ignorar.

— Eu estou pensando em fazer uma tatuagem – Bankotsu anunciou, em certo momento, os braços cruzados e a expressão pensativa.

— Mais uma, Banko-kun?

— Sim. Queria tatuar uma estrela.

— Uma estrela? – Miroku franziu o cenho – E qual significado?

— Eu acho estrelas muito bonitas, oras.

— Mas sem nenhum significado? – Foi Inuyasha quem questionou daquela vez, a sobrancelha arqueada.

— Sesshoumaru tem uma lua no meio da testa, qual o problema de tatuar uma estrela?

Miroku quase cospiu a cerveja que tomava, enquanto Inuyasha gargalhava alto. Jakotsu, ao lado dele, partilhava do mesmo sentimento.

Sesshoumaru lançou um olhar funesto para Bankotsu.

— Continuem com as piadinhas idiotas e não me responsabilizarei pelo paradeiro dos restos mortais de vocês, imbecis.

Antes que Bankotsu ou qualquer um pudesse responder, outra pessoa se intrometeu na conversa, animadamente:

— O que é tão engraçado?

O grupo olhou para a direção de onde vinha a pergunta. Não era ninguém menos, ninguém mais do que Sango, sorridente, ao lado de uma garota que a primeira vista era desconhecida pelo grupo.

Ou ao menos pela maioria do grupo. Inuyasha franziu ligeiramente o cenho ao se deparar com a desconhecida da festa que havia sido coagido a ir a algumas semanas. Ela, pouco antes de vê-lo, também sorria, embora parecesse tímida num primeiro momento. Isso é, até nota-lo ali. A expressão encabulada moldou-se em curiosidade e então em aborrecimento e descrença.

Inuyasha esboçou um sorrisinho de canto. As coincidências da noite só iam aumentando.

— Sango-chan, MA-RA-VI-LHO-SA! – Jakotsu finalmente levantou-se do sofá, liberando um lugar ao lado do hanyou.

Uma sessão interminável de abraços, beijos e gritinhos escandalosos – de Jakotsu – se seguiu na sessão. Inuyasha descobriu poucos minutos depois que a garota desconhecida se chamava Kagome Higurashi e era uma prima distante de Sango.

— Kagome Higurashi? – Rin repetiu, e o brilho maníaco que Inuyasha já tinha visto outras vezes surgir no rosto da cunhada apareceu. Era o modo jornalista entrando em ação.

O hanyou automaticamente se pegou observando a reação da desconhecida, que agora ele sabia se chamar Kagome. A expressão dela, antes tranquila, imediatamente foi nublada por um semblante triste e melancólico quase que instantaneamente.

Inuyasha deu uma golada na cerveja que segurava, observando que Sango estava compenetrada demais numa conversa com Jakotsu no outro lado da mesa para tirar a prima do que iria ser uma saia justa. Pelo o que ele se lembrava, o pai de Kagome era um político envolvido com coisas ilícitas. Rin provavelmente sabia daquilo para ter perguntado o sobrenome da garota novamente.

O hanyou reprimiu um suspiro. Bankotsu, Miroku e Sesshoumaru pareciam alheios à mudança física da garota. Seria constrangedor para qualquer um que estivesse na pele dela ter que entrar naquele assunto. Infelizmente Rin perdia um pouco o tato quando se tratava do seu trabalho. Como a boa jornalista investigativa que era, para ela era automático reagir à qualquer potencial fato interessante daquela maneira.

— Sim. Kagome Higurashi. – Kagome respondeu, e as mãos imediatamente sumiram debaixo da mesa. Os ombros femininos se contraíram, curvados, e o rosto de pele de marfim foi tingido por um forte tom de vermelho.

— Seu pai é Arata Higurashi? – Os olhos de Rin brilhavam de excitação.

— Sim. – Kagome respondeu, tentando se manter firme. O pensamento de que os problemas da família não eram dela estava sendo firmemente entoado em sua mente, mas a verdade é que queria sair correndo e se esconder longe de tudo e todos. Simplesmente não estava pronta para falar sobre aquele assunto ainda.

— Feh, Rin. Não me venha com seu lado maníaco de repórter agora. – Inuyasha não pensou; apenas ralhou com a cunhada. – Deixe a garota em paz, maldição.

Rin olhou para Inuyasha ligeiramente surpresa, e então ficou chocada ao notar a própria falta de sensibilidade. Imediatamente levou as mãos aos lábios, parecendo envergonhada.

— Desculpa, K-chan! Me perdoe!

Kagome piscou algumas vezes, os olhos ainda arregalados fixos num Inuyasha carrancudo no outro lado da mesa. Ainda sim, ela foi rápida em disfarçar o embaraço.

— Não tem problema, Rin-chan. Não se preocupe.

Rin ainda pediu desculpas mais algumas vezes, antes de se recolher num silêncio ainda envergonhado que foi amparado quando Sesshoumaru envolveu os ombros da namorada com carinho num abraço, metralhando o meio irmão com os olho na sequência.

Inuyasha ignorou o olhar se Sesshoumaru prontamente. Felizmente Miroku e Bankotsu notaram que a atmosfera tinha ficado pesada e deram início a outro assunto qualquer. Kagome tentou participar da conversa, mas a todo momento seus olhos involuntariamente buscavam o hanyou mal humorado no outro lado da mesa. Estava surpresa por ele tê-la defendido.

— Bom, o papo está ótimo gente, mas acho que já ficamos tempo demais sentados, não acham? – Subitamente Jakotsu voltou-se para o grupo. – Vamos dançar!

— Rin e eu estamos de saída – Sesshoumaru anunciou imediatamente, se colocando de pé. Rin, ao lado dele, segurou a mão do namorado e se colocou de pé também.

— Mas já, Sesshy-delícia?

— Sim, antes que eu o mate caso me chame assim novamente – O youkai respondeu, secamente.

Jakotsu apenas riu, se abanando com o leque cor de rosa. Na sequência o casal de fato foi embora, se despedindo rapidamente dos amigos. Para o pequeno grupo que ficou, a concordância em ir para a pista de dança foi quase unânime.

— Aprendi uma coreografia nova ba-ba-dei-ra e quero ensinar para vocês! – Jakotsu fechou o leque teatralmente, animado. – Vamos que estou empolgadíssimo!!!

— Eu passo – Inuyasha fez um gesto de impaciência com as mãos. Jakotsu colocou as mãos na cintura, pronto para argumentar, quando o hanyou continuou – Eu já cumpri minha meta de dançar pelo menos uma vez no mês com você, maldito. Se lembra que no começo do mês você me fez dançar Hypnotize?

A expressão de Jakotsu se iluminou e ele riu alto.

— Eu lembro! Foi tão legal!

— Pois eu não achei nada legal, feh. E não vou dançar hoje, então se mande daqui e me deixe em paz!

— Sempre um amor de pessoa – Sango foi comentou daquela vez, rindo alto. Conhecia Inuyasha a algum tempo e se divertia com as ranzizices dele. – Ei, K-chan. Você vem? Você ia fazer um tremendo sucesso na pista. – Sango entoou, com um sorrisinho malicioso.

Kagome riu da prima. Naquela noite em específico ela estava usando um jeans preto cintura alta, bem justo às pernas torneadas, uma camisa da banda Ramones ligeiramente folgadinha e um par de Oxfords de salto que a deixaram mais alta e elegante. O cabelo estava solto e a maquiagem era leve.

Antes que a garota pudesse responder, outra pessoa se pronunciou.

— Com todo respeito à K-chan, mas você também está deslumbrante, Sango-chan. – Miroku encarava a morena com um sorriso de canto deveras malicioso. Ainda sim, havia ternura nos olhos azuis do rapaz. – Vai dançar comigo esta noite? Estou a meses sem dançar com minha parceira de pista de dança favorita.

As bochechas de Sango ficaram ligeiramente cor de rosa.

— Que exagero Miroku, eu fiquei fora duas semanas!

— Pois pra mim pareceram dois meses.

O casal se entreolhou, e por um instante o ar pareceu carregado de uma eletricidade que só eles partilhavam.

— Caham, bom, eu meio que vou indo. Você vem, não é Banko-chan?

— Estou indo, estou indo.

— Eu não vou dançar. – Kagome imediatamente notou a intenção de Jakotsu e apontou para os próprios pés. – Esses sapatos de Sango-chan estão machucando meus pés. Vou fazer companhia à Inuyasha.

— Tem certeza, K-chan? – Sango questionou, olhando a prima com preocupação.

— Absoluta. Fique tranquila.

— Feh, vão logo dançar – Inuyasha girou os olhos, impaciente – Eu fico de olho na pirralha.

Kagome olhou para o hanyou ultrajada.

— Pirralha?

— Essa é nossa deixa – Miroku murmurou para Sango, segurando a mão da garota.

Sango se sentiu incomodada em deixar a prima sozinha, mas ao ver a expressão ultrajada dela encarando Inuyasha, um sorriso maroto surgiu nos lábios da morena. Talvez Kagome precisasse de uma saudável dose de irritação.

— Está bem. Daqui a pouco eu venho checar você.

E dizendo isso, ela, Miroku, Jakotsu e Bankotsu foram para a pista de dança.

A noite, afinal de contas, estava finalmente começando.

Notas finais
E TEEEEM CAPÍTULO NOVO NA ÁREA! Eu nem demorei tanto assim dessa vez hein pessoal! haha espero que gostem e, por favor, comentem :) Esse capítulo ficou tão grande que tive que dividi-lo em dois, portanto capítulo que vem tem mais coisa pela frente. Decidi tentar desenvolver Sango e Miroku, mas como é a primeira vez que me arrisco, peço um descontinho haha espero que vocês gostem! Beijo grande, Mille
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.