Together
1 Capítulo Único.
Notas iniciais
Essa one shot é totalmente dedicada a minha amiga secreta do AS do SS Squad!Espero que goste, te desejo um ótimo Natal e que você realize inúmeras coisas nesse ano que está para começar. Um beijão!
Boa leitura!
Andando vagarosamente pela floresta que rodeava o castelo de Arthur, Regina não conseguia tirar da sua mente as imagens de Cora enfiando a mão dentro do peito de Daniel, tirando o coração dele e o esmagando como se não fosse nada. Ela não conseguia esquecer os olhos daquele homem que tanto amou, que tanto a completou e a ensinou coisas maravilhosas. Ao rever aquelas cenas todas pelo filtro dos sonhos, Regina havia sentindo tudo de novo. O desespero, a tristeza, a raiva, o luto. Tudo se aflorou dentro dela novamente, a deixando perdida e sem rumo.
Então ela saiu, saiu para caminhar e ficar longe das pessoas. Saiu porque precisava clarear a mente e tirar o ultimo olhar que Daniel lhe deu da sua cabeça. Precisava esquecer aquelas cenas, mesmo que ela jamais conseguisse. Porque o filtro do sonho trouxe tudo de volta, mas as cenas sempre estiveram guardadas ali dentro, em algum lugarzinho dela.
Angustiada era pouco para expressar o que ela sentia. Ela se perguntava como Cora fora capaz, como pode fazer aquilo com uma pessoa como Daniel. Era claro que a mulher que a criou não tinha escrúpulos, mas Regina ainda não conseguia entender como fora chegar num nível daqueles. Sendo uma mãe. Tendo gerado Regina. Ela jamais conseguiria ferir Henry daquele jeito.
Olhando em volta e percebendo que o sol começava a baixar, Regina respirou fundo, limpando com as costas das mãos as lágrimas que lhe caiam pelo rosto. Seus lindos olhos castanhos então pararam no dedo que ela costumava usar a argola que Daniel havia arrancado da sela do cavalo no dia em que ficaram noivos. Ela balançou a cabeça, lembrando do motivo que a fez perder a única lembrança que tinha dele. Seu coração pesava de tristeza, e ela se perguntou o que estava acontecendo para ela ficar assim, tão abalada com algo que achava que já tinha superado.
Seria a junção de todas as coisas que estavam acontecendo na vida dela?
Seria a razão que ela tinha de que não importa o que fizesse, o que fizera no passado sempre estaria a castigando, porque afinal vilões não tem finais felizes?
Seria o assunto mal resolvido com o homem que ela tinha certeza, era destinado a ficar ao lado dela? De quase ter o perdido há algumas noites atrás?
Seria o peso da decisão de nunca ser capaz se gerar um filho, e agora ter que ver Robin ter um filho de outra, sabendo que ela jamais poderia dar isso a ele?
Ou seria o peso por ser o motivo pelo qual eles estavam ali em Camelot, já que Emma fora parar lá por causa dela?
Regina achava que era tudo. Tudo junto, que explodiu dentro de seu peito, sem nenhuma permissão. E para não se mostrar fraca, ela correra para o meio da floresta e deixara as lágrimas rolarem, porque não sabia se seria capaz de parar isso. E então, novamente, ela permitiu que as lágrimas caíssem de seus olhos. E os soluços que vieram depois foram inevitáveis. E ela se sentou no chão, de baixo de uma arvora velha, e deixou que o choro balançasseos seus ombros.
Ela chorava por Daniel. Chorava por Cora. Chorava por Robin. Chorava por Zelena. Chorava por ela mesma, deixando tudo o que vinha guardando dentro de si vir para fora. As lágrimas caiam livremente, e Regina abraçou seu próprio corpo, fechando os olhos.
E então, alguém a envolveu com os braços, e ela não precisou abrir os olhos para saber quem era. O cheiro o entregava. E Regina apenas se agarrou a ele, afundou o seu rosto no peito do homem que amava, e chorou. Logo Robin estava com ela em seu colo, o coração apertado com os soluços que chocalhavam o corpo da mulher. A mão do arqueiro fazia círculos nas costas de Regina, e ele beijava-lhe a cabeça, esperando que ela se acalmasse. Mas Robin sabia que ela precisava daquilo, ele não fazia idéia do que havia acontecido para que isso começasse, mas ele sabia que ela tinha sérios motivos para chegar a esse ponto. E ele se odiava, porque tinha certeza que era um deles.
— Está tudo bem, coloque tudo para fora, meu amor. Eu estou aqui com você. – ele falou, beijando-lhe a testa e sentindo Regina se agarrar mais contra ele. Robin continuou tentando acalmá-la, até que os soluços foram passando e as lágrimas diminuindo. Eles ficaram em silencio por mais alguns minutos, e Regina ergueu a cabeça apenas para olhar naqueles olhos azuis que ela conhecia e amava tanto.
— Eu sinto muito. – sussurrou, a voz rouca pelo choro. Robin negou com a cabeça, beijando a testa dela e limpando os rastros das lágrimas com o dedo antes de Regina deitar a cabeça em seu peito de novo.
— Você não precisa sentir muito, meu amor. – ele falou. – Eu sei que talvez você não queira falar, mas saiba que eu estou aqui se quiser desabafar.
— Eu sinto saudades de Daniel... – ela começou, a voz baixa, Robin tendo que se esforçar para ouvi-la. Ele permitiu-se ficar surpreso, sentindo uma pontinha de ciúmes se ascender dentro dele, para logo depois sufocá-la. Ele não imaginou que ela estaria chorando por isso. – E-eu não quero que me entenda mal, é só que... Eu revivi toda a morte dele hoje naquele filtro dos sonhos da Emma, e eu sinto saudades. – a voz dela embargou, e Robin beijou-lhe os cabelos, esperando que ela continuasse. – Eu segui em frente, e eu encontrei você, e com todo o meu coração, Robin, eu não poderia ser mais grata. Você é uma das melhores coisas que aconteceu comigo. Mas naquele tempo tudo era tão mais fácil, e ele foi tão importante pra mim. E hoje a saudade que eu sinto dele apenas acendeu no meu peito... Eu só... Senti saudades. – ela terminou, e Robin demorou alguns minutos para responder, tentando escolher as palavras certas para falar. Ele ergueu a cabeça dela, fazendo com que ela lhe olhasse.
— Éuentendo, meu amor. Você tem o total direito de sentir saudades de Daniel. Ele foi uma parte importante da sua vida, Regina. Ele foi o seu primeiro amor. E mesmo que você quase nunca fale sobre ele para mim, você tentou durantes anos vingar a morte dele, e você não faria isso se ele não tivesse sido especial na sua vida. Eu sei que tem uma partezinha de você que sempre vai amá-lo. E eu não posso deixar de te admirar ainda mais por isso. Eu amo até mesmo essa partezinha de você. – Robin falou, e Regina sentiu as lágrimas tomarem os seus olhos novamente. Ela segurou o rosto de Robin entre as mãos, encostando a testa na dele.
— Eu sinto muito por não poder dar um filho para você. Sinto muito por Zelena ter usado você para me atingir. Sinto muito por não conseguir me sentir feliz por você estar tendo um filho. Eu juro que estou tentando, e talvez um dia eu consiga. Mas agora é demais para mim. Isso as vezes me corrói, Robin, e eu não aguento. Não aguento imaginar que poderia ser eu grávida, que esse filho poderia ser meu. Que poderia ser nosso. As vezes não aguento nem constatar que você desistiu de nós tão fácil. – ela falou, e Robin abaixou os olhos, se sentindo sujo, com vergonha. – E eu sei que foi tudo uma manipulação, e eu sei que já tivemos inúmeras conversas sobre isso. Eu só vou precisar de um tempo para absorver tudo... Só dói... Eu acho que juntou tudo e eu tive que deixar sair. – ela terminou, suspirando.
Era verdade. Tudo o que ela falara. E não era a primeira vez que Robin estava ouvindo aquilo. Não. Em inúmeras noites, a mansão da prefeita não dormira, pois as discussões sobre tal assunto iam longe, acabando com ela trancada no quarto e um Robin parado no meio do corredor, sem rumo, de tanta raiva e vergonha que sentia de si. De tanto nojo de si mesmo por ter magoado a mulher que amava.
— Eu sinto muito. Sinto tanto. – ele disse apenas, não querendo entrar em uma discussão que eles já tiveram inúmeras vezes. A morena o abraçou, fungando.
— Eu sei que sente. – disse, e eles entraram em um silencio, os dois perdidos em seus próprios pensamentos. – Sabe porque eu sei que nós vamos passar por isso? – ela perguntou para ele, segundos depois.
— Por quê? – ele indagou, buscando o olhar dela.
— Porque apesar de tudo que estamos passando, você é a única pessoa que consegue me acalmar. É a única pessoa que me enxerga inteira. Você é o único, Robin, que sabe quando eu realmente preciso de um abraço, de um beijo, de um carinho.
— Nós estamos ligados. – ele completou a fala dela. Regina, em meio ao rosto coberto de lágrimas, deixou um sorriso genuíno escapar.
— Nós estamos ligados. – beijou-o.
***
O sol já estava se pondo quando o casal adentrou os jardins do castelo de Arthur. As mãos estavam unidas, sem pressa nenhuma de se largarem. Apesar de cabisbaixa, Regina se sentia mais leve. Chorara tudo que tinha para chorar nos braços de Robin, e apesar de todos os problemas que eles teriam que enfrentar dali para frente, ela não choraria nos braços de nenhuma outra pessoa. Não que ela precisasse, mas a figura reconfortante de Robin a fazia se sentir segura, e ela achava que seria assim sempre.
Durante o caminho que fizeram de volta para o castelo, o momento de antes fora deixado para trás. E preocupado com a mulher que amava, Robin só pensava em fazê-la rir. E fora o que ele fizera o trajeto inteiro, contando histórias de suas antigas aventuras ou quando fazia travessuras na infância. A morena ria, interessada no que o namorado dizia, e deixando escapar alguns detalhes da infância dela também.
Perdidos na presença um do outro, eles nem perceberam quando uma figurinha veio correndo até eles, colidindo nas pernas de Regina e as agarrando. A rainha soltou um gritinho de surpresa, e quando ouviu algumas risadinhas vindo do garotinho, um sorriso apareceu em seu rosto. Ela se ajoelhou para ficar na altura de Roland, e o garotinho se jogou em seu pescoço, abraçando-a apertado.
Robin sorria feito bobo olhando a cena, e ali estavam as duas pessoas que ele não trocaria por nada no mundo. Faria qualquer coisa para proteger os dois. Iria até o inferno se necessário. O amor que nutria por Regina e Roland era o sentimento mais puro e bonito que ele tinha no peito. Os olhos azuis observavam o quão radiante a presença do filho deixara Regina.
— Eu tenho um presente pra você, Gina. – Roland disse, abrindo um sorriso que evidenciava as covinhas que herdara do pai. Em uma das mãos, ele segurava um buquê formado por algumas flores. Timidamente, ele as deu para Regina, que sentiu os olhos encherem de lágrimas.
— Pra mim? Obrigada, querido! – ela disse, pegando as flores da mãozinha dele e levando-a até o nariz. Roland sorriu para ela, e Regina o puxou para um abraço.
— Você gostou? – o garotinho perguntou, depois que se separou da morena.
— Eu amei, Roland! – ela respondeu para ele. – Você é um verdadeiro cavalheiro. – ela comentou, levantando-se e olhando para Robin, que até o momento observava calado.
— Eu não posso ser um arqueiro? Igual ao meu papai? Eu acho que eu prefiro ser um arqueiro. – Roland falou, correndo até Robin, que o pegou nos braços e o jogou para cima, fazendo uma gargalhada estourar pelo jardim.
Agora era a vez de Regina observar a cena, maravilhada. Como podia alguém entrar em sua vida e trazer junto algo tão precioso e iluminado como Roland? Ela não tinha palavras para descrever o amor que tinha por aquela criança, que mesmo sem saber do estado de espírito dela, chegou com simples flores e um abraço gostoso para presenteá-la. Como se soubesse que ela precisava disso.
E olhando aquela cena, Robin jogando Roland para cima, fazendo o garoto perder o ar de tanto rir, Regina teve a total certeza de que ele seria um pai maravilhoso, aliás, que ele já era. E ela teve a certeza também que se tivesse aqueles dois na vida dela, que se tivesse Henry, então não haveria o que temer.
Eles ficariam bem. Eles achariam as soluções e respostas para os problemas. Eles fariam isso.
Juntos.
Notas finais
Beijão e até a próxima!
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