Together

1 Together


Notas iniciais
No outro lugar que postei preferi postar em duas partes mas aqui quero postar logo de uma vez para acabar com a ansiedade que alguém possa ter XD

Boa leitura e se gostarem, por favor recomendem o/

-Ei JunSu! Você não vai se atrasar dessa vez não né? – olhei pra trás e observei Yunho que me olhava de sobrancelha erguida, JaeJong, Yoochun e ChangMin também me olhavam em expectativa e dei uma piscadela para tranquilizá-los.

-relaxa leader, estarei aqui na hora. Não vou me atrasar mais, prometo. – falei e passei pela porta, encostando-a em seguida.

Sai pra rua e quando passei em frente a uma vitrine me flagrei arrumando o cabelo mais uma vez antes de ir encontrá-la, minha namorada. Kim. Ainda hoje achava estranho o fato do nome dela ser tão curto e mesmo já estando namorando a quase dois anos não me conformava por aquele ser o nome e sobrenome dela, sendo órfã ela havia recebido esse nome no orfanato já que era o único nome presente em um papel que deixaram dentro da cesta quando a largaram na porta.

Alguém muito idiota e desatento simplesmente deixara isso mesmo como nome e sobrenome, o estranho é que ela não ligava pra isso; simplesmente sorria quando alguém achava isso muito inusitado e agia como se não fosse incômodo nenhum não ter um verdadeiro nome.

-Isso não é nada JunSu, isso é o que eu chamo de “singularidade” e acho legal. Não se preocupe, mesmo que me dessem um nome eu serei sempre Kim – ela sempre falava isso pra mim quando, tão logo ela completou 18 anos eu tentei convencê-la a escolher um nome.

Cheguei adiantado ao local combinado da gente se encontrar e sentei em um banco próximo, a conversa não seria fácil, já que eu havia tomado decisões importantes em minha vida. Estava tão concentrado pensando no que dizer que demorei a ver a figura saltitante que vinha em minha direção, até hoje não conseguia entender como uma pessoa que passou tantos maus bocados na vida era tão alegre e otimista.

-oi... – ela me cumprimentou enquanto sentava ao meu lado e abria um sorriso doce, senti que ela estava em estado de felicidade esfuziante e meu coração apertou quando percebi que ia dissipar metade daquela felicidade. Tossi um pouco e mesmo sem me esforçar sorri ao vê-la com aqueles olhos cinza brilhantes, cabelos negros e boca generosa, segurei em sua mão e a trouxe para perto da minha boca beijando os nós de seus dedos em um gesto galanteador.

-olá minha linda... – falei e sorri pra ela que deu uma leve piscadinha e sorriu novamente. Parei de sorrir quando meu celular vibrou no bolso, pedindo desculpas com o olhar peguei o aparelho e li a mensagem de texto que havia chegado.

“Estamos indo em vinte minutos, não se esqueça do seu objetivo.”

Definitivamente meu sorriso tinha acabado, guardei o celular e me virei pra Clau que parecia pensativa, mas sorriu quando me viu olhando.

-E então, pronto pra gente comemorar nosso centésimo dia? – ela perguntou e meu coração apertou de novo. segurei sua mão e fiquei sério, percebendo o clima estranho Kim me olhou curiosa. – algum problema JunSu?

-Eu estou indo embora Kim.. – falei e ela ficou estática, como se tentasse absorver tudo que eu havia dito a ela. – assinamos um contrato e vamos pra Seul gravar nosso primeiro single, esperamos que a gente faça sucesso e tudo mais...

Parei de falar e olhei pra ela, que analisava cada palavra da minha frase, depois do que pareceu ser uns dois minutos depois ela suspirou bem fundo e olhou pra mim com os olhos firmes e secos.

-Então isso é um até breve ou um adeus? – me surpreendi com as palavras que ela usou, coisa que eu não devia sentir mais, Kim sempre teve perspicácia para analisar tudo a fundo sem deixar nada para trás.

-Um adeus – falei timidamente e ela acenou com a cabeça enquanto puxava o ar com força mais uma vez. – Kim eu...

-Você vai hoje não é?

Fiquei em silêncio e olhei pra baixo, após alguns segundos meu queixo foi erguido pelos dedos calorosos dela que estava com os olhos marejados mas se mantinha firme. Sorrindo pra mim ela me abraçou bem apertado e então me soltou.

-Kim... – tentei falar mas ela colocou um dedo sobre os meus lábios pra me impedir.

-Shh... tá tudo bem, eu juro. Eu te amo muito JunSu... – percebi que sair dali seria difícil com ela me dizendo aquilo e me preparei para ser forte – mas eu não quero que esse sentimento seja uma prisão pra você. É o seu sonho e quero que você siga em frente não importa o que quer que seja...

-Eu também te amo... é só que – mais uma vez ela não quis me escutar.

-Eu entendo e não vou tornar isso mais difícil pra nós dois. Tenho certeza que os meninos estão te esperando e a viagem vai ser longa então – chegando perto de mim ela me abraçou – boa viagem JunSu. Desejo todo o sucesso do mundo pra você, que você seja feliz em seu novo caminho mas não se esquece de mim tá? Em toda sua vida por favor, lembre de mim pelo menos um pouquinho...

Travei a mandíbula pra evitar chorar e a abracei bem forte, ambos sentimos quando o celular vibrou novamente em meu bolso e Kim me deu um pequeno tapa antes de me impulsionar para levantar.

-Agora vai lá enfrentar seu destino. Você sempre cantou muito bem JunSu e sempre acreditei em seu sucesso – ela sorriu por trás das lágrimas e engoli em seco me perguntando porquê eu estava fazendo aquilo com ela. Me levantei com dificuldade do banco que ocupávamos e Kim permaneceu sentada me olhando.

-Adeus Kim... eu te amo – falei e depois senti como se fosse o golpe final, olhei alarmado pra ela que apenas estendeu o sorriso e algumas lágrimas escaparam de seus olhos.

-Também te amo. Adeus. – ela acenou e continuou olhando pra mim, me vendo enquanto eu começava a andar e minutos depois ultrapassava os muros do pequeno parque que estávamos.

Não mais preocupado com a aparência fui passando os dedos pelos cabelos querendo afastar aquela sensação de estar deixando meu mundo para trás, quando cheguei em casa abri a porta sem ver e estaquei na sala ao ver os quatro parados em minha sala. Todos me lançavam olhares curiosos e solidários ao mesmo tempo.

-E ai, como foi? – após algum tempo Yunho não conseguiu aguentar e perguntou pra mim. Respirei bem fundo e pensei um pouco antes de responder.

-A pior sensação da minha vida, e ela entendeu. Disse que apesar de me amar – todos ficaram tensos com essa palavra e suas conseqüências – não iria me prender e me impedir de seguir meu sonho. Ela simplesmente abriu mão da gente em nome do que é melhor pra mim.

Todos ficaram em silêncio enquanto pensavam e percebi que mesmo conhecendo Kim a quase tanto tempo quanto eu, nenhum deles esperava aquela atitude dela. O clima de conquista se dissolveu um pouco no meio de toda aquela reflexão e em alguns minutos recebi uma mensagem de texto.

“Se vocês estiverem sentados em sua sala pensando sobre minha atitude ao invés de estar terminando de arrumar as suas coisas eu vou ai chutar o traseiro de cada um de vocês, tá me entendendo? XD bjus e boa sorte, Kim”

Li a mensagem para todos e fomos arrumar o que ainda restava das coisas, acabamos dormindo por ali mesmo e no dia seguinte acordamos cedo e pegando o resto das malas fomos até o aeroporto. Pela janela do avião fiquei observando o solo se distanciar cada vez mais e sorri triste, agora uma nova fase da minha vida estava se iniciando.

Eu ia me esforçar para realizar meu sonho.

.xXx.

Ele iria realizar seu sonho, seguir em frente...

Meu sorriso morreu em meus lábios a medida que as lágrimas transbordavam de meus olhos, usava a pouca visão que me restava olhei ao redor e constatei mais aliviada que estava praticamente sozinha. Ri amargamente, aquele era o centésimo dia e eu devia ter esperado algo.

Não sabia se era uma maldição ou uma bênção o fato do número cem estar tão ligado a mim, fui abandonada com cem dias de nascida, cem dias depois fui adotada, cem dias depois fui levada de volta para o abrigo pois descobriram que meus pais adotivos eram viciados em cocaína e chegaram a me negociar com traficantes. A partir daí tudo foi uma sucessão de fatos bons e ruins todos acontecidos aos cem dias... porquê eu achei que dessa vez seria diferente?

Agora, JunSu iria seguir um novo caminho e eu não tinha o direito de impedir, sabia que ele iria se arrepender por não me abandonar e sempre me sentiria culpada por isso. Talvez até mesmo ele viesse a me culpar por isso um dia.

-Cem... será que agora seremos duzentos ou cinquenta? – perguntei enquanto acariciava a barriga. – agora somos só nós dois.

Ergui os olhos a tempo de ver JunSu desaparecer atrás do muro que separava o parque da rua, metade do meu coração ia com ele. A outra metade havia ficado dentro de mim, já ocupado por um pequeno ser que havia conquistado tudo de mais importante que eu tinha...

.xXx.

Cinco anos depois...

-É isso, acabou por um tempo. – fechei os olhos ao ouvir JaeJong comentar isso em um tom reflexivo, olhei pra ele e não demorou mais que alguns minutos para ele cair em lágrimas copiosas. Yoo ao seu lado não estava diferente, como era mais sensível ele já chorava desde a hora que entramos no carro após sairmos da SM.

Acabou por um tempo... essa era a frase que martelava em minha cabeça. Não queria me entregar ao desespero nem a histeria mas eu estava me sentindo abandonado, aquela reunião não só deu uma pausa em nossos sonhos como também nos separou mesmo que temporariamente dos meus dois irmãos. Aquilo não ficaria assim, pensei comigo mesmo enquanto permitia que apenas poucas lágrimas escapassem de meus olhos.

Meu celular vibrou avisando que uma nova mensagem havia chegado e corri pra conferir.

“Mesmo que pareça que estamos longe e separados isso não é verdade. Vocês sempre serão meus hyungs. Nos veremos novamente um dia, ChangMin”.

Mostrei a mensagem aos dois e com isso fomos dormir menos angustiados.

Dois meses depois o processo realmente começou a correr na justiça e já era conhecido o fato de que DBSK estava separado. A tristeza aumentava a cada dia e não conseguia me manter muito tempo na superfície, preferia ficar quieto em casa, debaixo dos lençóis enquanto esperava tudo aquilo passar. Até que cansado dessa apatia, JaeJong – o membro mais bipolar do grupo – resolveu que iríamos passear em um parque no centro da cidade, de forma que pudéssemos respirar um pouco do ar durante o por do sol; meio que empurrados fomos até lá e Jae estendeu uma toalha enquanto Yoochun já retirava algumas frutas de dentro da sacola de mercado que havíamos comprado no caminho.

Eu olhava o céu se tornar alaranjado com pequenos reflexos de negro quando levei uma bolada, quando me levantei e virei a cabeça vi um garotinho correndo em minha direção. Yoo ao meu lado ria sem parar e até Jae colocou a mão sobre a boca para evitar uma gargalhada estrondosa. Quando chegou perto de mim e me olhou, o garotinho pareceu temeroso, procurando não assustá-lo estendi a bola pra ele que sorriu timidamente enquanto estendia a mão para receber o brinquedo.

-Já pegou a bola Alec? – uma menininha extremamente parecida com o garoto chegou perto e ao contrário do irmão, sorriu abertamente quando me viu. Sorri de volta pensando onde eu havia visto um sorriso parecido com aquele. Terminei de entregar o brinquedo para o garoto, que virou mas tornou a se voltar pra mim.

-Com licença... – falou com voz tímida.

-Sim? – falei e ele olhou pra irmã, que revirou os olhos antes de se pronunciar.

-Queremos saber se vocês três são integrantes do DBSK.

-Sim – JaeJong respondeu subitamente interessado e correspondeu ao sorriso enorme que as crianças deram.

-Ah então são eles mesmo... – o menino falou encantado e a menina estava na mesma animação, só que seu olhar parecia bem curioso. – Gabi, você acha que eles ainda sabem cantar aquela música?

-Claro seu idiota! Como eles iam esquecer... – revirando novamente os olhos e garota colocou a mão no ombro do irmão e olhou pra gente. – ele está falando de “Hug”. Desde pequenos escutamos essa canção, mamãe usava ela como a nossa canção de ninar.

-Falando em sua mãe, onde ela está ein mocinha? – Jae se fingiu de bravo e a menina fez cara de culpada e torcia as mãos sem parar antes de ser cutucada pelo irmão.

-Temos que voltar Gabi...

-Eu sei Alec. Vamos lá antes que fiquemos sem a sobremesa de hoje. – ela falou e sorrindo aquele sorriso que me intrigava ela segurou na mão do irmão e após se curvar respeitosamente puxou o irmão pra longe, os dois saíram correndo e me vi sorrindo; Jae e Yoo também não deixaram de achar graça no comportamento dos dois e decidimos ir embora nos sentindo mais leves.

-Vamos jantar fora? Sem vontade nenhuma de cozinhar... – Jae falou e como não tínhamos nada contra decidimos ir a um restaurante na beira da estrada. Entramos e avaliamos o ambiente simples mas que circulava um aroma de boa comida que era irresistível.

Sentamos e pedimos o jantar, enquanto esperávamos a gente falava de bobagens sem sentido e riamos um pouco. Quando nossos pedidos chegaram começamos a comer e tudo estava realmente delicioso, estava concentrado quando ouvi uma cadeira se arrastar e uma voz zangada e ao mesmo tempo cansada se fez ouvir.

-Kim Aleczander, faça isso novamente e terei que te castigar está me entendendo?

Olhei pra trás imediatamente ao escutar aquela voz e não encontrando a dona comecei a procurar freneticamente por todo o salão do restaurante. Encontrei em um canto uma mulher acompanhada por duas crianças, mas não eram só duas crianças e sim as duas que estavam no parque; observei que eles já estavam quase acabando a refeição indicando que estavam ali a mais tempo que nós.

-Desculpe mamãe, mas foi ela que me provocou... – o garoto falou chateado e me flagrei rindo e prestando atenção na conversa.

-Desculpe mamãe, prometo que não faço mais isso – a menina também se desculpou e vi um sorriso lindo surgir nos lábios da mulher, que deu um beijo em cada filho.

-Tudo bem queridos, me desculpem também mas a mamãe anda muito cansada.

A partir daí eles terminaram de comer em silêncio e alguns minutos depois foram embora. Voltei a atenção pra minha comida e fui o último a terminar, saímos de lá ainda em um clima agradável mas no caminho pra casa começou a chover fortemente e era quase impossível enxergar pouco mais de dois metros a frente, então Yoo dirigia mais devagar que o costume.

No meio do caminho vimos uma SUV com o pisca — alerta aceso e em um acordo mutuo decidimos parar e ajudar. Pegando um guarda-chuva e vestindo uma capa sai do carro e fui até o outro veiculo que estava completamente fechado, mas cheguei perto e vi que três pessoas estavam lá dentro. Bati no vidro da janela com cuidado e vi que os três se assustaram mas mesmo assim o vidro abaixou um pouco revelando a pele morena da mesma mulher do restaurante.

-Você está precisando de ajuda? – perguntei pra mulher que deu uma breve olhada pra trás e acenou afirmativamente.

-O motor simplesmente parou de funcionar. Já liguei pra assistência mas disseram que com essa chuva extrema não chegarão aqui tão cedo.

-Estou com dois amigos, se vocês quiserem podemos dar uma carona pra onde quiserem ir – ofereci e olhando pra trás mais uma vez ela concordou.

-Eu agradeceria, seria pedir muito você levar meus filhos? Eles já estão dormindo e não queria acordá-los, se não for muito incômodo... – ela pediu indecisa e acenei afirmativamente, querendo deixá-la a vontade. Ouvi as portas destravarem a porta traseira foi aberta, puxando-a um pouco peguei o primeiro bebê e levei até o carro, acabei colocando-o no colo de Yoochun que apenas ficou parado olhando-o atentamente. Voltei até o carro da mulher e trouxe a menina enquanto a mulher pegava algumas coisas de dentro do carro e o trancava.

Abrindo a porta do carro ela entrou e sentou no banco traseiro, ao lado de Yoochun que a olhou brevemente e franziu a testa. Pegando a menina no colo a mulher a aconchegou perto do peito e continuou olhando pra baixo.

-Onde você quer ficar senhora? – JaeJong perguntou após algum tempo de silêncio e poucos quilômetros rodados. A visibilidade com o passar do tempo ia diminuindo e todos estavam preocupados com a possibilidade de ficar na estrada agora que estava esfriando.

-Tem um hotel a cinco quilômetros daqui, é onde estamos hospedados – a mulher falou em tom baixo e JaeJong a observou pelo espelho. Ele foi dirigindo com o maior cuidado mas ninguém contava que de repente ele perdesse o controle do veiculo e começássemos a derrapar na pista, a mulher gritou o que acabou acordando as crianças que gritaram também.

Com um pouco de esforço e antes que capotássemos JaeJong conseguiu retomar o controle do carro e conseguiu parar o veiculo, as crianças começaram a chorar assustadas e todos estavam de olhos arregalados com a experiência que poderia ter se transformado em mortes trágicas.

-Shh... – ela fez baixinho e começou a cantar “Hug” bem baixinho para as crianças que mesmo assustadas acabaram voltando a dormir. Dando um sorriso sem graça em nossa direção a mulher desviou o olhar para o filho que dormia aconchegado no colo do Yoo, que acariciava o rosto do menino enquanto retirava mechas de cabelo do rosto do menor. Não entendi o porquê daquilo e esperei que ele me olhasse mas isso não aconteceu.

Chegamos em casa com o maior cuidado possível e após parar Jae se virou pra mulher bem sério.

-Desculpe mas não acho possível seguirmos em direção ao seu hotel por enquanto, se você não se importar fique em nossa casa até que essa chuva passe. É capaz de você sofrer um acidente se tentar mesmo chegar no seu hotel. – vi que a mulher engoliu em seco e franziu os lábios antes de aceitar nossa oferta.

Saindo do carro com a menina no colo ela foi seguida por Yoochun com o menino no colo, eu levei algumas coisas dela e JaeJong outras; chegamos na sala e fiquei observando a forma como Yoo falava com ela e os dois seguiram em direção ao quartos com as crianças.

-É, esta será uma longa noite... – Jae comentou se jogando no sofá, não entendi muito bem o porquê do comentário e sentei na poltrona ao lado.

Ouvi passos e os dois entraram na sala, acabaram sentando no mesmo sofá quando os convidei e fiquei observando a mulher, que pigarreou e arrumou o cabelo rapidinho ao mesmo tempo que abriu a boca pra falar.

-Muito obrigado pela ajuda de vocês, sinceramente não sei o que faria se não tivessem parado pra me ajudar. – ela sorriu e congelei lembrando daquele sorriso que havia visto a tanto tempo atrás.

-Kim? – falei assombrado e ela me olhou por um tempo antes de sorrir novamente.

-Quando tempo JunSu, pensei que você nunca me reconheceria... – ela acrescentou timidamente, olhei pra JaeJong e Yoochun que não pareciam nem um pouco surpresos. Será mesmo que só eu não havia percebido que era ela ali?

-Que surpresa! –falei e me levantei indo em direção a ela, que se ergueu também; a envolvi em um abraço caloroso e descansando a cabeça em meu peito ela suspirou daquele jeito tão característico dela. Ficamos quietos por um momento e foi ela quem quebrou o contato, se afastando de mim aos poucos e em seguida se virando pro outros dois que ainda estavam sentados.

-JJ! – ela sorriu animada enquanto dava um passo a frente para abraçar meu amigo que olhava meio encabulado pra ela, os dois se abraçaram e ela fez um afago no queixo dele antes de se afastar e ser fortemente abraçado por Yoochun.

-Que saudades de você baixinha... – ele riu quando ela fez bico e depois deu um pequeno soco no braço dele, que deu um passo atrás e soltando-a esfregou o braço. –Eita que você ficou forte ein...

-Sempre fui forte, você é que nunca tinha me provocado pra experimentar – ela riu animada quando o bico que Yoo exibia ficou maior e em seguida se sentou no mesmo lugar.

-Então Kim... – JaeJong falou após alguns segundos – mamãe agora?

-Pois é... e uma mamãe muito feliz e atarefada. – passando a mão na testa para retirar um suor imaginário ela sorriu – mamãe de primeira viagem e de gêmeos logo...

-Deve ter sido difícil mas ao mesmo tempo incrível né? – Yoo comentou e ela assentiu.

-Mas ter o pai das crianças ao lado deve ter tornando tudo um pouco mais fácil não é? – perguntei e o sorriso dela vacilou um pouco mas Kim não respondeu nada, apenas deu de ombros.

-Quantos anos eles tem? – JaeJong perguntou curioso e ela voltou ao normal e sentou um pouco mais na ponta do sofá entusiasmada.

-Quase cinco! E sãos dois espevitados...

-Quem nasceu primeiro? – Yoo perguntou e enquanto ouvia a pergunta fiquei pensando e fazendo as contas. Há cinco anos atrás foi o tempo que nos despedimos, então isso queria dizer que ela não havia demorado a me esquecer e seguir em frente. Procurei ficar feliz por ela, mas não pude evitar ficar um pouco chateado por nosso romance ter ficado só no passado.

-Gabriele. Vocês devem ter percebido que Aleczander é mais dependente dela, a timidez dele é estranha as vezes, mas isso os aproxima muito. – ela sorriu maternalmente enquanto levava a mão até o pescoço e passava a mão sobre um colar que exibia três corações.

-Mamãe? – uma voz infantil pôde ser ouvida acima do som da chuva batendo nos vidros e Kim se levantou rapidamente, indo em direção ao corredor.

-O que foi querido? – ela perguntou quando o menino apareceu na porta da sala esfregando os olhos e segurando a mão da irmã que vinha meio cambaleante de sono.

-Eu não consigo dormir, aquela cama é um pouco desconfortável e a Gabi não quis cantar pra mim. – ele fez bico quando levou um tapa desanimado da irmã que parecia que ia desabar de sono a qualquer momento.

-Vem cá vocês dois... –Kim chamou e segurou na mão dos filhos, trazendo-os pra mais perto da gente. Fiquei observando os três e não achei muita semelhança entre eles.

-Mamãe, eu tô com fome... – a menina reclamou e se virando pra mim sorriu. – oi JunSu!

Fiquei hipnotizado pelo sorriso infantil dela e não resisti a sorrir também ao achar uma semelhança muito importante entre a Kim e os filhos, me perguntei novamente onde o marido dela estaria enquanto respondia ao cumprimento.

-Olá, como vai?

-Bem, sou sua maior fã – ela falou e depois lançou um olhar para a mãe, que estava mimando o filho menor, voltou a olhar pra mim e se inclinou em minha direção como se contasse um segredo – mamãe fala que esse posto é dela mas eu protesto. Só porque nasci muito depois que ela isso não é justo, você não concorda?

Não soube o que responder e Kim me salvou, porque nessa hora olhou pra filha e fez cara de brava.

-Nem pensar mocinha... eu sou a maior fã e pronto. – pega no falha Gabi não falou mais nada apenas sorriu discretamente pra mim. – bom, eu vou pegar a comida de vocês e depois colocá-los na cama, ok?

Deixando as crianças no sofá Kim se ergueu e sumiu em direção a entrada da casa, voltou de lá com uma bolsa meio grande e de lá retirou alguns potes que continham pedaços de frutas, ofereceu um pote para a menina, que parecia mais interessada em dormir do que comer, mas aceitou do mesmo jeito. O outro pote entregou para o menino, que havia ido parar no colo do Yoochun que pareceu encantado com isso.

Após comer as crianças se mostraram mais sonolentas e como pareceu que Kim precisaria de ajuda para levá-los eu me ofereci para ajudá-la. Fomos os quatro para o quarto de hóspedes que Kim ocupava e colocamos as crianças na cama, pouco antes de sairmos os dois começaram a se mexer e ela imediatamente voltou pra perto deles começando a cantarolar “Hug” para os dois, que pareceram se acalmar e pegaram profundamente no sono.

Voltamos para a sala mas não encontramos nem rastro de JaeJong e Yoochun, talvez eles já tivessem ido dormir mas achei estranho terem feito isso sem se despedir da Kim. Sentamos um em cada sofá e enquanto Kim se virou para olhar a chuva batendo na janela a observei por alguns instantes. Tanta coisa nela havia mudado, seu rosto não exibia mais aquele ar infantil, era mais firme e definido; o corpo que eu havia dedilhado como se fossem teclas de piano apresentava mais firmeza também e era mais delineado contra a luz ocasional dos raios lá fora.

-Pode falar o que você está pensando... –ela falou sem olhar pra mim e tive que me conter para continuar sentado no sofá.

-Acredite em mim, você não gostaria de saber nem um pouco no que estou pensando, mas a dica é que você está muito mudada Kim...

-Mudada... – ela riu e olhou pra mim – nem tão mudada JunSu, não se deixe enganar pela aparência. Continuou sendo a mesma Kim de sempre, sem nome, só Kim.

-Mas... – franzi a testa confuso – e o seu marido? Não se incomodou com a falta de um nome em você?

-Que marido? –ela perguntou sem se abalar e voltou calmamente o olhar pra janela, eu havia ficado muito confuso.

-O pai dos seus filhos, ora! – falei sem entender por que estava tão impaciente pela resposta. Virando lentamente pra mim Kim pensou um pouco e depois um sorriso sarcástico apareceu no rosto dela.

-Quem te disse que é preciso ser casada para produzir crianças?

-Você mudou. – constatei esse fato com um tom triste na voz. A minha Kim nunca falaria esse tipo de coisa, ela acreditava nesse tipo de coisa como o amor e a fidelidade. Eu não reconhecia mais a pessoa que habitava aquele corpo, o que eu havia amado a tempos atrás não existia mais.

-Todos mudam e você não deveria ficar surpreso com isso, são coisas da vida. – ela comentou e senti a distância entre a gente. – bom, eu estou cansada. Vou dormir um pouco pois amanhã preciso seguir viagem, boa noite JunSu.

Ela se levantou e foi em direção ao próprio quarto, poucos minutos depois de Kim ter saído Jae e Yoo apareceram andando cautelosos em minha direção.

-Vocês estavam aonde? – perguntei e eles apenas deram de ombros enquanto se sentavam no mesmo lugar que Kim ocupara antes.

-Ela está mudada não é? – Yoo comentou e nem precisei perguntar de quem ele falava, pois era óbvio.

-Muito, depois da última conversa eu quase não a reconheço mais. – detestei admitir mas não pude negar isso.

-Talvez ela tenha sido forçada a mudar JunSu – olhei pra JaeJong depois que ele falou isso e deu de ombros. – ser tornar mãe com tão pouca idade acelera o processo e imagine quando são gêmeos.

-Você é tão cego... – Yoo comentou e se levantou antes que eu perguntasse o que aquilo queria dizer. – vou me deitar, vejo vocês amanhã.

Não demorou muito e Jae também foi dormir, fiquei um tempo sentado no sofá, liguei a TV e comecei a passar pelos canais; quando ficou claro que eu não encontraria nada de bom para assistir desliguei a TV e fui pra cozinha comer alguma coisa. Estava tomando um copo de água após a refeição quando olhei pela janela e vi Kim sentada no meio do quintal sob a chuva; estranhei isso e devagar fui até a porta abrindo-a e saindo pro quintal que aquela altura estava encharcado.

-Kim? – cheguei perto dela e coloquei a mão em seu ombro, senti seu corpo pular de susto com meu contato e percebi que antes disso Kim estava com o pensamento bem longe dali. – desculpa o susto.

-Tudo bem. – foi só o que ela respondeu e continuamos ali parados sob a chuva que agora não era tão forte.

-Desculpa por agora a pouco... – falei meio sem jeito e ela riu enquanto colocava a mão sobre a minha.

-Relaxa, eu fui um pouco grossa sobre o assunto. É que estou tão cansada de ouvir essas mesmas coisas vindas de outras pessoas que sempre tenho uma resposta pronta.

-Me desculpe novamente – pedi com mais sinceridade na voz e com apenas um olhar ela aceitou minhas desculpas. – eu senti saudades de você Kim...

-Mesmo? – pude ouvir a descrença na voz dela. – você não foi me visitar nenhuma vez nesses cinco anos. É meio difícil acreditar.

-Eu sei – falei envergonhado – mas a minha...

-A sua carreira estava no auge – ela me interrompeu – entendi, mas... você pensou em mim alguma vez nesses anos todos JunSu?

-Pensei – respondi sincero e provavelmente ouvindo isso em minha voz ela não discutiu. – pensei muito em você Kim, não pense que te esqueci pois isso não é verdade.

-Ok. – foi só o que ela respondeu e impaciente a virei pra mim a abraçando em seguida.

-É tão bom te abraçar – falei após algum tempo que já estávamos imóveis. Respirei o cheiro dela misturado com a chuva e um baque em meu coração avisou que aquele amor nuca havia deixado de existir. –vamos entrar.

Sem falar nada ela me seguiu para dentro, paramos na entrada e corri até o banheiro voltando de lá com duas toalhas. Ofereci uma pra ela e com a outra retirei o excesso de água do meu corpo. Fomos em silêncio até o segundo andar e entramos em meu quarto, com um gesto indiquei o banheiro pra ela, que seguiu até lá e fechou a porta. Enquanto ela se enxugava lá dentro eu fazia o mesmo dentro do closet, aproveitei para colocar uma regata e uma calça de moletom, quando voltei ao quarto Kim saia do banheiro enrolada no meu roupão que nunca pareceu tão sexy quanto agora, que envolvia o corpo macio dela.

De repente foi como se todos aqueles anos não houvessem passado e me vi atravessando o quarto e a segurando em meus braços, para em seguida beijá-la suavemente, primeiro Kim ficou sem reação mas depois moveu suavemente os lábios sobre os meus. Era como se testasse meus sentidos a cada momento que sua boca se movia sobre a minha, suspirei fortemente quando ela prendeu meu lábio inferior entre seus dentes e o apertou suavemente; gemi e passei a língua sobre sua boca de forma que ela me soltasse. Foi minha vez de provocá-la e não hesitei em passar a língua sobre seus lábios, aplicar um beijo rápido em sua boca entreaberta e descer em direção ao pescoço passando a dedicar toda a atenção naquela área.

-Jun... Su – Kim gemeu quando sentiu minha mão começar a acariciar seu corpo e entrando pelas bordas do roupão, afastando um pouco o tecido meus dedos encontraram um seio já rígido e esperando meus carinhos. A nossa relação no passado sempre foi explosiva e isso não parecia ter sido mudado, agradeci por isso e englobei o seio com a mão, passando a acariciá-lo suavemente enquanto tomava posse da boca de Kim. Em alguns minutos o roupão tinha sido aberto e minha calça estava a meio caminho de ser retirada, estávamos encostados na parede apressados demais para chegar até a cama ou qualquer superfície horizontal e Kim já havia retirado minha regata de uma forma tão rápida que eu nem havia percebido bem.

Quando minha calça se foi fiquei só de cueca em frente a Kim que olhando pra baixo passou a língua sobre os lábios de forma ardente e me atraiu para mais perto, passei as mãos pelas dobras do roupão e o tirei de seus ombros com apenas um movimento, quando a peça caiu no chão me deleitei novamente com a linda visão dela ardente e pronta pra mim. Levando as mãos até seu bumbum, a impulsionei pra cima e puxei o ar com força quando senti Kim entrelaçar as pernas na minha cintura de forma que sua umidade quente se aproximasse bastante de mim.

Ela voltou a me beijar e correspondi enquanto iniciava uma fricção sensacional, apenas um parco tecido nos separava e desesperado encostei Kim na parede e retirei a cueca, voltamos a nos agarrar e me posicionei na entrada úmida dela quando olhei em seus olhos. O que vi lá me fez parar.

Eu vi todo o desejo de que aquilo acontecesse, mas no meio de tudo havia em seus olhos uma decepção e mesmo sem perguntar eu soube o que era; recuei e desencostando-a da parede comecei a andar em direção a cama. No inicio Kim se assustou com o movimento um tanto brusco mas abriu um sorriso tímido a medida que nos aproximávamos da cama, a depositei com cuidado em cima do móvel e me coloquei por cima; agora a minha intenção era provocar, deixá-la louca, insana, completamente entregue as minhas mãos.

Acariciando novamente seus seios passei a boca por seu pescoço, pelo colo e sorri um pouco convencido quando a ouvi arfar no momento em que meus lábios encontraram seus mamilos, circulei as aureolas com a língua e arranquei mais alguns suspiros desesperados de Kim, que mantinha as mãos enterradas em meus cabelos. Me soltando por um momento sorri pra ela e olhei em seus olhos enquanto meu dedo traçava um caminho que ia do seio esquerdo passava pelo umbigo, e parava em cima de seu clitóris.

Tão logo fiz esse caminho voltei e parei o mesmo dedo sobre o seio de Kim que me olhou hipnotizada, sorri sedutoramente antes de me abaixar e começar a refazer o caminho dos dedos, só que dessa vez com a boca. Kim soltou um grito estrangulado quando circulei seu umbigo com a língua e continuei descendo, seus dedos entrelaçados em meus cabelos me deixaram imóvel por um instante mas fiz uma leve pressão pedindo que ela me soltasse, quando ela o fez continuei descendo e tão logo cheguei entre suas pernas apenas respirei perto da sua feminilidade fazendo com que um suspiro mais profundo viesse da garganta dela.

A deixei em expectativa e percebi o estremecimento que atingiu o corpo de Kim quando abocanhei seu sexo, enterrando as mãos entre os lençóis ela se contorcia e gemia totalmente entregue aos meus carinhos. Senti que ela estava se tencionando mais a cada momento que eu passava a língua perto de sua entrada úmida, vi que ela já estava no limite mas algo a impedia de se soltar; olhei mais atentamente para Kim e fiquei confuso ao vê-la mordendo o lábio inferior como se contivesse um grito desesperado, ela suava um pouco mas não parecia querer sentir prazer máximo ainda.

-Tudo bem? – senti a necessidade de perguntar e ela negou com a cabeça, respirando fundo antes de falar.

-Não.

-O que foi? Você não está gostando? – perguntei um pouco confuso e me afastei, Kim se ergueu e sentando na cama envolveu meu rosto com as mãos e nos aproximou.

-Eu não quero ir sozinha... – sorrindo delicadamente me beijou de forma apaixonada, levei as mãos até sua cintura e a puxei para meu colo. Se acomodando de pernas abertas sobre mim, Kim prendeu as pernas em volta da minha cintura fazendo com que nossos corpos ficassem mais próximos e fosse possível sentir o calor um do outro.

Parei de beijá-la e olhando em seus olhos, a penetrei devagar; Kim foi fechando os olhos a medida que eu me afundava nela, estava quase completamente dentro quando me retirei e sorri de canto quando ele gemeu em protesto, entrei completamente dessa vez e ela gemeu mais alto. A cada movimento a ligação entre nós se tornava mais forte e os gemidos aumentavam, procurando meus lábios Kim me beijou para abafar nossos gemidos e nos movíamos loucamente enquanto nossas línguas se acariciavam longamente.

O beijo só se partiu quando Kim se afastou e jogou a cabeça pra trás, fui a loucura quando senti os músculos internos dela me apertarem como em ondas; Kim estremeceu em meus braços e escondeu a cabeça em meu ombro, parecia que ela queria falar algo mas em vez disso me mordeu no ombro enquanto o corpo dela começou a convulsionar em pequenas ondas e arrepios. Não aguentei muito tempo e me derramei dentro dela, mordi o lábio para esconder um grito mais alto e naquele momento de prazer mútuo me senti tão mais próximo a ela de uma forma que já nem sabia como era.

Kim ficou mole em meus braços e com um pouco de paciência acabamos deitados na cama, puxei o lençol sobre nós e a aconcheguei em cima do meu peito; dormimos quase imediatamente mas no meio da noite fui acordado por mãos delicadas que passeavam com segundas intenções sobre o meu corpo, respirei fundo quando lábios quentes passearam por minha virilha e logo meu membro foi abocanhado e acariciado por lábios quentes. Ficamos naquela tortura silenciosa e fizemos amor uma vez mais e outra vez, quando acordei pela manhã encontrei a cama vazia e deduzi que Kim havia saído antes que alguém da casa acordasse e nos visse naquela situação.

Fui tomar banho, vesti uma roupa básica e fui até a cozinha apostando ser o local onde ela estava se escondendo tendo em vista que as crianças iriam acordar a qualquer hora já que eram quase oito da manhã. Desci as escadas devagar e atravessei a sala indo em direção ao corredor que levava a cozinha, ouvi a voz da Kim conversando com o Yoochun e estava quase entrando na conversa quando escutei algo que me fez parar e ir com mais calma.

-Você vai mesmo continuar enganando ele Kim? – Yoo perguntou em um tom chateado e fiquei aguardando a resposta dela mesmo sem saber do que se tratava. Será que ela era casada e não quis me falar? Eu comecei a pensar em várias possibilidades diferentes.

-O que ele não sabe não o deixará preocupado Yoochun, não tenho motivos para contar pra ele e também tô cheia de coisas pra fazer. – Kim bateu as mãos e começou a andar pela cozinha. – agora preciso acordar os gêmeos porque precisamos andar mais um pouco pela cidade e vamos comemorar o aniversário deles.

-Realmente não vai contar que JunSu é o pai deles? – Yoochun perguntou mais alto e fiquei estático e em completo estado de choque. Aquilo era verdade? Eu seria mesmo pai dos gêmeos da Kim? Por que ela não havia me contado se aquilo era verdade?

-Por que eu contaria algo desse tipo pra ele Yoochun? Eu sou a mãe deles e decido o que é bom ou não, aliás nem sei de onde você tirou tal ideia... – ela desdenhou e senti meu corpo destravar, aquilo realmente só podia ser delírio do Yoochun.

-Vai negar pra mim que ele não é o pai das crianças? – Yoo a desafiou e entendi que era a verdade quando Kim ficou muito tempo em silêncio e depois suspirou.

-Ok Park Yoochun, você tem razão. JunSu é pai do Alec e da Gabi mas isso não muda nada. Eu não vou prendê-lo a ideia de ser pai, não faz parte dos sonhos dele e muito menos quero que meus filhos sofram com a ausência e exposição de ter um pai famoso. – Kim falou e continuei parado um pouco além da porta.

-Não acha que ele tem o direito de decidir isso Kim? Ele pode querer, e tenho certeza absoluta que JunSu vai querer, ser um pai presente, carinhoso e amigo. Não sei como você pôde deixá-lo ir embora sem saber de nada... – Yoo terminou a frase com um tom acusatório e ouvi o silêncio seguido de algumas fungadas, mas eu não sentia nada ao ouvir aquilo, mágoa havia fechado meu coração.

-Você não entende... – ela começou, mas foi interrompida.

-Não Kim, você que não entende! Sabe que é provável que JunSu não te perdoe nunca por isso, não sabe?

-Eu sei, sempre torci para que nunca descobrissem mas no fundo sabia que isso era inevitável. Qualquer pessoa que convivesse com o JunSu iria perceber a semelhança entre meus bebês e ele, por isso também sai da cidade após vocês terem ido embora.

-E o deixou no escuro e aos seus próprios filhos sem saber da verdade! – Yoo aumentou o tom de voz e eu dei dois passos em direção a porta. Parei na entrada e vi Kim sentada de costas pra mim enquanto observava Yoo que estava apoiado na bancada perto da pia, nenhum deles prestou atenção quando entrei e continuaram a se acusar e se defender.

-Eu encontrei meu pai. – ela falou e prendi a respiração, mas ela ficou em silêncio, Yoo parecia curioso e aguardou paciente até que ela falasse. – Ele disse que era apaixonado pela minha mãe mas ela matou os sonhos dele quando anunciou que estava grávida do primeiro filho, os planos dele eram se formar em medicina e se especializar em câncer que foi o que matou a sua primeira esposa. Com a gravidez ele teve que se contentar em ser apenas clínico-geral mas isso o consumia todo o dia quando chegava em casa, nunca deixou de pensar em se tornar oncologista e deixava bem claro isso para minha mãe e seus dois primeiros filhos, então eu nasci e minha mãe morreu no parto. Pra ele foi a oportunidade de seguir em frente, me deixou dentro daquela cesta com um sobrenome genérico e foi embora, meus dois irmãos ele deixou aos cuidados de alguém da família e eles foram embora do país, foram pra Europa e a partir daí ele seguiu a vida dele se formando em oncologia. Sabe o mais curioso? Menos de um ano após eu tê-lo encontrado ele morreu de câncer no estômago, o maldito nem para identificar os sinais no próprio corpo era competente – ouvi a raiva na voz dela mas ainda não encontrava em tudo que ela havia dito uma desculpa aceitável para ter me deixado no escuro sobre os meus filhos.

-E o que isso tem a ver com o JunSu? Você sabe que ele nunca deixaria os filhos abandonados assim, mesmo se algo acontecesse a você. – Yoochun respondeu zangado e Kim se encolheu enquanto olhava pra baixo.

-Eu sabia desde o inicio que JunSu não planejava ficar na cidade, soube o dia exato em que vocês foram para a audição. – arregalei os olhos com aquela revelação. Eu pensei que havia conseguido convencê-la na época. – ele disse que os pais dele pediram pra ele vir até aqui para visitar uma tia que estava apenas de passagem, mas sei que era um teste que ele queria muito fazer. A cada palavra que saia da boca de Jun me dizendo isso, a cada silaba que me escondia algo eu realmente compreendi... minha reação não era mentira, eu estava feliz por ele e realmente acreditava em seu talento. Só não entendi porquê ele queria manter os sonhos dele longe de mim, naquele dia compreendi que não ficaríamos juntos por muito tempo e aceitei isso.

-Kim... – era possível ouvir pena na voz do Yoo e ele se aproximou dela, segurando sua mão. Ela riu e cobriu sua mão com a dela.

-Não se preocupa Yoo, eu tô bem. É só que é difícil lembrar daquele tempo... – ela parou um pouco e respirou fundo – quando ele veio saltitante na minha casa sabia que ele havia ido bem e era apenas uma questão de tempo para que ele viesse definitivamente para Seoul. Já havia aceitado mas não contava com a minha gravidez; após um mês e meio JunSu andava chateado porque não tinha noticias da audição e estava desanimando, pensei que por algum milagre houvessem achado alguém melhor que ele e depois me odiei por isso. Se eu o amava não era justo querer prendê-lo a mim, foi então que chegou o dia do nosso centésimo aniversário do dia em que ele me apresentou formalmente a mãe dele.

-Kim... não precisa contar.... – Yoochun estava angustiado e ergueu a cabeça parecendo pedir forças e foi quando me viu, ele ficou paralisado e olhou rapidamente pra Kim, mas ela parecia estar imersa na própria história e não me notou.

-Quando cheguei notei que JunSu estava muito pensativo e isso logo me preocupei, foi quando ele disse que estava indo embora e por dentro eu me senti quebrar e fiquei em choque, mesmo me odiando por isso eu torcia um pouco para que JunSu nunca fosse chamado, teríamos a nossa família feliz... – ela riu, outra risada irônica – provavelmente depois iria me dar conta de que ele queria perseguir seu sonho. Então a cada momento que ele falava eu me protegia atrás da certeza de que queria que o sonho se tornasse realidade, criei coragem e me despedi dele com um abraço e desejei felicidades e realizações de sonhos. – Kim fungou mais um pouco e se abraçou.- e então ele foi embora e segui em frente, dando amor para meus bebês da mesma forma que JunSu faria se estivesse presente.

-Rapazes, precisamos ir. Os advogados convocaram uma reunião urgente, parece que a SM deu o braço a torcer e quer o fim do processo – JaeJong apareceu na porta da cozinha e colocou a mão no meu ombro. Ele parecia ansioso e nem um pouco consciente das emoções presentes naquele pequeno espaço, Yoochun voltou a olhar pra mim e Kim me viu pela primeira vez.

Primeiro ela ficou branca, engoliu em seco e seus olhos marejaram ao me ver enquanto me perguntavam se eu estivera ali por muito tempo, Jae fazia sinais para que saíssemos o mais rápido possível e dando uma última olhada pra Kim o acompanhei para o andar de cima e fui me trocar. Ainda estava em completo choque por tudo que havia descoberto e não pareci ser muito capaz de pensar, Yoochun apareceu na porta do meu quarto e apenas me olhou como se perguntasse se eu não falaria com Kim, neguei com a cabeça e voltei a me arrumar.

Quando sai do quarto passei por Kim que vinha andando devagar pelo corredor, ela me olhou sabendo que eu já havia descoberto tudo e ficou esperando minha reação.

-Depois conversamos, preciso resolver o problema do grupo e quando voltar vamos conversar seriamente. – avisei e sai andando, pouco me importando com o que estivesse passando na cabeça dela. Desci as escadas e sem falar nada sai de casa e fui em direção ao carro, foi quando ouvi um barulho na janela do andar de cima.

Olhei e vi dois rostinhos colados no vidro, a menina batia com os dedinhos no vidro da janela e quando olhei eles riram e acenaram pra mim, um sorriso instantâneo surgiu em meu rosto e acenei de volta entrando em seguida no carro. JaeJong deu a partida ainda ansioso, Yoochun também estava ansioso mas por outro motivo e eu sabia qual, olhei pra fora e fiquei olhando as coisas passarem rapidamente devido a velocidade que Jae dirigia.

Chegamos na empresa e todos que víamos no corredor nos olhavam curiosos e outros sorriam como se soubessem que sempre voltaríamos, calados entramos em uma sala de reuniões nos últimos andares do prédio e demos de cara com ChangMin e Yunho exibindo um sorriso ansioso que foi escondido assim que os advogados da SM entraram no recinto. A reunião começou mas eu não conseguia me concentrar, chegou a hora do almoço e pareceu que eu teria que esperar mais umas três horas até que a reunião acabasse; minha mente estava longe.

Eu só conseguia pensar nas palavras que Kim havia dito, ela sabia que eu estava indo embora e se odiava por querer que eu ficasse; senti uma dor no peito ao imaginar o momento que ela descobriu que estava grávida e não pôde me contar por medo de que isso parasse meu sonho... eu estava muito magoado com ela, não restava dúvidas disso. Perdi vários anos da vida dos meus filhos e isso não voltaria nunca, momentos preciosos como o nascimento, a primeira troca de fraldas, o primeiro sorriso e também uma sequência de primeiras vezes. Talvez eu nunca a perdoasse por isso, foi quando lembrei que nesses anos todos eu nunca mais liguei pra ela, não mantive contado.

Comecei a imaginar como ela havia se sentido e a dor só aumentou, ergui a cabeça e respirei fundo; nesse momento meu olhar encontrou com o de Yunho que me olhava de sobrancelhas franzidas e parecia preocupado e ao mesmo tempo pensativo, fazendo um pequeno movimento que dizia “vamos lá fora” ele pediu licença e se ergueu, fui atrás dele após alguns segundos pensando.

Fechei a porta lateral e vi Yunho encostado em uma parede me olhando, quando me viu ele sorriu um pouco e esperou que eu me aproximasse, encostei ao lado dele e ficamos em silêncio, soube que ele estava respeitando meu espaço ao mesmo tempo que esperava que eu falasse.

-Descobri hoje que sou pai. – falei do modo mais simples e ele me olhou perplexo por um momento e depois ficou mais pensativo ainda. – você não vai falar nada?

-Hmm... – Yunho pensou mais um pouco e um sorriso se formou nos lábios dele. – gosto da ideia de ser tio, quem é a mãe?

-Kim. – respondi e agora o queixo dele caiu.

-Mas, mas, mas... a Kim? – ele perguntou e confirmei com a cabeça. – o que aconteceu? Vocês se encontraram nesses meses, ficaram juntos e agora ela está grávida?

-Nada disso, meus filhos tem quase cinco anos de idade e foram concebidos pouco tempo antes de virmos definitivamente pra Seoul. – respondi e Yunho sorriu intrigado e depois coçou a cabeça parecendo querer falar algo.

-Eu sempre achei que ela seria capaz de fazer algo assim... – quando olhei o querendo fuzilar com os olhos Yun ergueu as mãos pedindo calma. – calma JunSu, tô querendo dizer que Kim sempre pareceu disposta a ajudar as pessoas, esquecer seus próprios problemas para cuidar dos outros. Lembro que em alguns meses antes de irmos embora ela parecia extremamente triste e algumas lágrimas eram visíveis em seus olhos, isso inexplicavelmente coincidiu com os tempos que estávamos ansiosos para o resultados das audições e mesmo não sabendo disso ela nos animava e nos colocava pra cima, eu notei mas estava tão concentrado no grupo que deixei passar.

Fiquei calado pensando nas atitudes de Kim e soube que foi nessa época que ela encontrou o pai e sim, ela sabia da nossa audição. Me desencostei da parede e comecei a andar de um lado para o outro, Yun apenas pensava mais um pouco.

-Como eles são? – ele me perguntou e não foi preciso perguntar o quê.

-São lindos, tem o mesmo sorriso dela mas acho que parecem bastante comigo. – sorri orgulhoso e minha animação murchou quando me dei conta do péssimo pai que era. – droga!

-O que foi? – o leader perguntou assustado e zangado chutei uma lixeira que havia ali perto, sorte que esta estava vazia e caiu com um barulho oco no chão.

-Hoje é o aniversário dos meninos e eu estou como um idiota aqui querendo culpar a mãe deles por algo que não tem volta, mesmo entendendo os vários motivos eu não quero que ela ache que eu estou magoado com ela, estava até algumas horas atrás mas eu a amo demais para ser idiota mais uma vez. Você segura as pontas por ai? – indiquei com a cabeça a sala de reuniões e sorrindo ele acenou afirmativamente pra mim.

Comecei a correr e apertava o botão do elevador igual a um desesperado torcendo para que ele chegasse logo, não sei como havia esquecido algo tão importante como a minha nova família e não queria que em hipótese alguma Kim achasse que eu só pensava em nossos bebês. Eu a amava e diria isso a ela na primeira oportunidade.

Finalmente o elevador chegou, apertei o botão do térreo e rezei para que ninguém mais quisesse usar o elevador naquela hora, infelizmente meu pedido não foi atendido e tive que dividir o espaço com alguns Super Juniors, Tiffany e BoA. Os cumprimentei com um movimento de cabeça e fiquei ansioso para que as portas se abrissem logo, quando isso aconteceu pedi licença e sai correndo lá de dentro.

-Eu ein, vai tirar o pai da forca? – ouvi SiWon comentar na porta do elevador mas nem dei atenção. Fui pra rua e fiquei todo feliz quando encontrei um taxi, dei o endereço de casa e fiquei uma pilha esperando que chegasse logo; quando isso aconteceu quase tive um infarto quando entrei e não vi nenhum sinal dos três, será que eles haviam ido embora? Comecei a procurar algum bilhete e encontrei um no meu quarto.

“Desculpe por tudo, viu? Fui dar um passeio com os meninos mas voltarei a noite, se você não quiser conversar eu vou entender. Preciso também saber se você quer fazer parte da vida do Alec e da Gabi, só para... bom, conversamos mais tarde.

Kim”

Fui para a sala um pouco mais tranquilo, eles voltariam a noite. Alguns minutos depois eu já estava entrando no carro e saia andando pela cidade, comecei a procurar pelos parques, sempre notei que Kim se sentia bem em espaços bem abertos e abri um sorriso enorme quando os avistei correndo um atrás do outro, todos sorrindo felizes.

Parei o carro no estacionamento e dando uma olhada no espelho ajeitei o cabelo e a roupa, sai do carro quase saltitante e bem ansioso para encontrá-los; quando me viram as crianças diminuíram o passo e sorriram pra mim, Kim ficou mais cautelosa mesmo assim sorriu pra mim enquanto se abaixava para falar com os filhos. O rostinho deles se iluminou com as palavras que a mãe dizia e olharam pra mim com mais e mais expectativa.

Cheguei perto e eles vieram super felizes me abraçar após receberem um aceno de permissão da mãe, apertei cada um com cuidado e senti meus olhos marejarem; quando os soltei disfarcei as lágrimas e ficamos brincando até a tarde inteira passar. Recebi uma mensagem no celular e Kim ficou um pouco apreensiva quando me viu com o aparelho na mão, percebi o quão acostumada ela estava com más noticias vindas por celulares.

“Reunião acabada, você precisa saber dos detalhes. Onde você está? Yunho”

Sorri e respondi em poucas palavras.

“Com meus filhos.”

Poucos minutos veio a resposta bem humorada.

“Então aproveite, esperamos vocês em casa.”

Agindo de forma inesperada fui até onde Kim estava sentada e mostrei a mensagem pra ela, que me olhou sem entender e depois sorriu. Quando o sol já havia se escondido fomos pra casa, fingi que não havia trazido o carro e fui com eles até em casa. Quando descemos fomos recepcionados por Yoochun e ChangMin que pegaram os pequenos no colo enquanto JaeJong colocava uma venda em cada um.

-Não vale espiar ok? – ele pediu e com um sorriso enorme em cada rosto as crianças afirmaram e prometeram não olhar.

Entramos em casa e vários balões coloridos estavam espalhados pela sala, em uma mesa baixa um bolo bem multicolorido e vários doces esperavam os pequenos, uma música infantil tocava no aparelho de som e reconheci Balloons. Colocando os pequenos no chão os rapazes tiraram as vendas e gritamos juntos.

-Surpresa!!! – batemos palmas enquanto riamos da cara de contentes deles, os olhinhos brilhavam animados e me senti o melhor pai do mundo ao ver aquilo. Cantamos parabéns e na hora das fotos puxei Kim para ficar ao meu lado enquanto os poucos flashes estouravam, aproveitei que estávamos parados perto das janelas que davam para o terraço e olhei carinhosamente para Kim, que me olhou sem entender.

-Eu sei que você ainda me ama. – falei sem vergonha nenhuma e ela estreitou os olhos pra mim, fiquei um pouco inseguro com aquele olhar e olhei pra baixo por um momento. Foi a oportunidade perfeita para que ela me beijasse, ficamos grudados por um tempo longo e quando nos separamos captamos olhares se desviando rapidamente da gente e algumas risadas.

-Sabe? Quem disse isso? – Kim perguntou desafiadora e foi minha vez de estreitar os olhos, mas não surtiu o efeito esperado nela que apenas ergueu uma sobrancelha. – você terá que me conquistar a cada dia senhor Kim e não aceitarei nada menos que isso.

-Seu desejo é um ordem – falei e abaixei a cabeça mais uma vez para beijá-la, quando nos separamos sorri – quando contaremos pra eles que eu sou mais que um amigo?

-Você escolhe... – ela falou e a abracei bem forte arrancando um gemido, o que fez que eu a soltasse com um pedido de desculpas nos lábios.

Abracei Kim pela cintura, ela encostou a cabeça em meu peito enquanto observava comigo nossa grande família. Eu teria um caminho de conquistas pela frente mas dessa vez eu não seguiria sozinho, e se Kim não se cuidasse... era fato que em alguns meses eu seria pai novamente.

THE END?

Notas finais
Gosto da ideia de fazer uma continuação para essa OS...

Obrigado por ler e não se esqueça do review XD
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!